Rcl 47764 - DECISAO
Não se conhece da reclamação por falta de demonstração de aderência estrita entre o ato reclamado e provimento do STJ aplicável à mesma relação processual e partes; assim, não há violação direta de decisão deste Tribunal que autorize o manejo da reclamação, razão pela qual o pedido liminar fica prejudicado.
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- Parties
- Reclamante: RAIMUNDA RIBEIRO DE ARAUJO; Reclamado: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO TOCANTINS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 July 2024
- Procedural Posture
- Reclamação Com Pedido De Liminar / Decisão De Não Conhecimento; Pedido Liminar Prejudicado; Deferido Pedido De Gratuidade De Justiça
- Outcome
- não conheço da reclamação; pedido liminar prejudicado; deferido o pedido de gratuidade de justiça
- Legal Topics
- Reclamação, Cabimento, Preservação Da Competência, Autoridade De Decisões Do STJ, Sucedâneo Recursal
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Parties
RAIMUNDA RIBEIRO DE ARAUJO
Reclamante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO TOCANTINS
Reclamado
Procedural Posture
Reclamação Com Pedido De Liminar / Decisão De Não Conhecimento; Pedido Liminar Prejudicado; Deferido Pedido De Gratuidade De Justiça
Legal Issues
- 1 cabimento da reclamação disciplinado pelo art. 105, I, f, da CF e pelo Regimento Interno do STJ
- 2 necessidade de aderência estrita entre o objeto do ato reclamado e o provimento jurisdicional do STJ para a relação processual originária
- 3 impossibilidade de utilização da reclamação como sucedâneo recursal
Ratio Decidendi
Não se conhece da reclamação por falta de demonstração de aderência estrita entre o ato reclamado e provimento do STJ aplicável à mesma relação processual e partes; assim, não há violação direta de decisão deste Tribunal que autorize o manejo da reclamação, razão pela qual o pedido liminar fica prejudicado.
Court Disposition
não conheço da reclamação; pedido liminar prejudicado; deferido o pedido de gratuidade de justiça
Orders
- Não conhecer da reclamação
- Pedido liminar prejudicado
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação com pedido de liminar ajuizada por RAIMUNDA RIBEIRO DE ARAUJO contra acórdão proferido pela TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO TOCANTINS, em que se alega a incompatibilidade entre o que ficou decidido no acórdão reclamado e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Tece diversas digressões sobre o mérito da causa, afirmando, com o intuito de justificar o cabimento da reclamação, que (fl. 4 ): O caso em apreço, deve ser julgado sob o pálio do novo entendimento, o Tribunal definiu que dívidas prescritas não podem ser cobradas nem mesmo de maneira extrajudicial, como por mensagens de WhatsApp, inscrição em cadastros de inadimplentes (SPC e SERASA), SMS ou ligações. Essa decisão representa uma mudança em relação a um entendimento anterior do tribunal, estabelecendo novos parâmetros para a cobrança de dívidas no país. Na sessão do dia 17/10/2023, a Terceira Turma definiu que a prescrição atinge a pretensão, impedindo tanto a cobrança judicial quanto a extrajudicial da dívida. A decisão foi tomada no REsp n. 2.088.100/SP. Requer, liminarmente, a suspensão do processo a fim de evitar dano irreparável à parte reclamante. Pugna pela procedência da reclamação para que o acórdão impugnado se ajuste ao entendimento do STJ firmado no julgamento do REsp n. 2.088.100/SP. É o relatório. Defiro o pedido de gratuidade de justiça. A reclamação que é da atribuição desta Corte Superior está prevista no art. 105, I, f, da Constituição Federal e constitui garantia constitucional destinada à preservação da competência do Superior Tribunal de Justiça ou à garantia da autoridade de suas decisões, em caso de descumprimento de seus julgados. No tocante à alegação de descumprimento de julgado deste Tribunal Superior, o cabimento da reclamação exige a demonstração de que há aderência estrita entre o objeto do ato reclamado e o conteúdo do provimento jurisdicional especificamente proferido pelo STJ para a relação processual originária. A propósito, veja-se o que dispõe o artigo 187 do Regimento Interno do STJ: Art. 187. Para preservar a competência do Tribunal, garantir a autoridade de suas decisões e a observância de julgamento proferido em incidente de assunção de competência, caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público desde que, na primeira hipótese, haja esgotado a instância ordinária. No caso dos autos, os atos reclamados não desrespeitaram decisão ou ordem do STJ que tenha sido vertida em caso relacionado à parte Reclamante, sendo pacífico o entendimento de que não se admite o ajuizamento de reclamação como sucedâneo recursal, isto é, para dirimir divergência jurisprudencial entre o provimento reclamado e precedentes desta Corte Superior. A propósito (destaques acrescidos): AGRAVO REGIMENTAL NA RECLAMAÇÃO. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO JULGAMENTO PROFERIDO PELO STJ NOS CONFLITOS DE COMPETÊNCIA N. 170.247/SC, 170.252/SC, 170.253/SC E 170.258/SC. PRETENSÃO DE AMPLIAÇÃO DA EXTENSÃO DO JULGADO. NÃO CABIMENTO. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A reclamação é medida excepcional, cabível no âmbito desta Corte exclusivamente nas seguintes hipóteses: (a) preservação da competência constitucional do Superior Tribunal de Justiça; e (b) manutenção da autoridade de decisão proferida nesta Corte Superior na análise do caso concreto (envolvendo as mesmas partes da decisão reclamada). 2. In casu, o reclamante alega que houve desrespeito à decisão proferida por este Tribunal Superior no julgamento dos Conflitos de Competência n. 170.247/SC, 170.252/SC, 170.253/SC e 170.258/SC, em que se reconheceu a competência do Juízo Federal da 5ª Vara de Santos - SJ/SP para processar o inquérito policial n. 5004098-41.2020.4.03.6104 e os seus associados, em que se apura a prática do crime de lavagem de capitais. A conclusão foi tomada com base nos arts. 76, II e III, e 78, II, a, do Código de Processo Penal e no fato de que os delitos que antecederiam o crime de lavagem de capitais seriam o de tráfico internacional de entorpecentes e o de associação para o mesmo fim, que foram objeto do processo de n. 0000334-69.2019.403.6104 (Operação Alba Vírus) perante o Juízo Federal da 5ª Vara de Santos - SJ/SP. 3. A presente reclamação tem por objeto os autos 50144781420224047208/SC, os quais não foram motivo de análise por esta Corte e cujos investigados são diversos daqueles denunciados nas ações penais que tramitaram perante o Juízo Federal paulista. 4. O reclamante, ao alegar que os fatos teriam relação direta com aqueles processados em Santos/SP, pretende dar ao julgado desta Corte extensão maior do que a que efetivamente tem, o que desautoriza o manejo da reclamação. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg na Rcl n. 45.646/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Terceira Seção, julgado em 18/6/2024, DJe de 21/6/2024.) AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. DECISÃO QUE NEGOU SEGUIMENTO À RECLAMAÇÃO. 1. A presente reclamação não foi conhecida ao fundamento de que a alegação de violação de Súmula do STJ e de julgados desta Corte não proferidos no caso concreto, envolvendo as mesmas partes e a mesma demanda, não se enquadra nas hipóteses de cabimento da reclamação. 2. Inconformada, a reclamante interpõe agravo interno aduzindo, em síntese, que os precedentes por ela indicados se encaixam no art. 927 do CPC, e, portanto, devem ser aplicados com força vinculante para o caso em questão. 3. "A reclamação, em razão de sua natureza incidental e excepcional, destina-se a preservação da competência e garantia da autoridade dos julgados somente quando objetivamente violados, não podendo servir como sucedâneo recursal para discutir o teor da decisão hostilizada" (AgRg na Rcl n. 6.199/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, DJe de 19/12/2011). 4. A alegação de violação de súmula e de julgados proferidos em casos genéricos não se enquadram nas hipóteses de cabimento da reclamação, nos termos da jurisprudência pacificada desta Corte superior. 5. Não verificada, no momento, a presença dos requisitos autorizadores para condenação em litigância de má-fé. Agravo interno improvido. (AgInt na Rcl n. 46.219/AP, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Seção, julgado em 5/3/2024, DJe de 8/3/2024.) Ante o exposto, não conheço da reclamação, prejudicado o pedido liminar. Publique-se. Intimem-se. EMENTA