Rcl 47765 - DECISAO
A reclamação é inadmissível porque a Lei n. 12.153/2009 instituiu mecanismo próprio (art. 18) para uniformização entre Turmas Recursais dos Juizados Especiais, de modo que não compete ao STJ conhecer de reclamação contra acórdão de Turma Recursal da Fazenda Pública; ademais, a Resolução STJ/GP 3/2016 delimita...
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- Parties
- Reclamante: HOSPITAL MUNICIPAL SÃO JOSÉ; Reclamada: 2ª TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL DO ESTADO DE SANTA CATARINA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 July 2024
- Procedural Posture
- Reclamação / Liminar Indeferida
- Outcome
- indefiro liminarmente a reclamação
- Legal Topics
- Reclamação, Competência, Uniformização De Jurisprudência, Lei 12.153/2009, Resolução STJ 3/2016
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Parties
HOSPITAL MUNICIPAL SÃO JOSÉ
Reclamante
2ª TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL DO ESTADO DE SANTA CATARINA
Reclamada
Procedural Posture
Reclamação / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 Cabimento de reclamação dirigida ao STJ contra acórdão proferido por Turma Recursal do Juizado Especial da Fazenda Pública
- 2 Competência para solução de divergência entre Turmas Recursais nos termos do art. 18 da Lei 12.153/2009
- 3 Efeito da Resolução STJ/GP 3/2016 sobre a competência para uniformização
Ratio Decidendi
A reclamação é inadmissível porque a Lei n. 12.153/2009 instituiu mecanismo próprio (art. 18) para uniformização entre Turmas Recursais dos Juizados Especiais, de modo que não compete ao STJ conhecer de reclamação contra acórdão de Turma Recursal da Fazenda Pública; ademais, a Resolução STJ/GP 3/2016 delimita competência às instâncias dos Tribunais de Justiça, justificando o indeferimento liminar do pedido.
Court Disposition
indefiro liminarmente a reclamação
Orders
- Indefiro liminarmente a reclamação
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação, com pedido de liminar, ajuizada por HOSPITAL MUNICIPAL SÃO JOSÉ em que aponta como reclamada a 2ª TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL DO ESTADO DE SANTA CATARINA. A parte reclamante alega que o acórdão objeto deste feito, prolatado pela referida Turma, teria divergido do entendimento deste Superior Tribunal de Justiça acerca da matéria. Requer o deferimento de liminar para que seja suspenso o processo na Corte de origem até o julgamento da presente reclamação. Busca, por fim, a procedência da reclamação com o objetivo de obter "a suspensão dos autos nº 0304393-39.2017.8.24.0038, a fim de aguardar o julgamento de mérito e, assim, aplicar o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça". É o relatório. Consoante a jurisprudência desta Corte, não se admite o ajuizamento da reclamação dirigida ao STJ contra acórdão proferido pela Turma Recursal de Juizado da Fazenda Pública, pois para casos tais existe mecanismo específico, conforme previsto na Lei n. 12.153/2009: Art. 18. Caberá pedido de uniformização de interpretação de lei quando houver divergência entre decisões proferidas por Turmas Recursais sobre questões de direito material. § 1º O pedido fundado em divergência entre Turmas do mesmo Estado será julgado em reunião conjunta das Turmas em conflito, sob a presidência de desembargador indicado pelo Tribunal de Justiça. § 2º No caso do § 1º, a reunião de juízes domiciliados em cidades diversas poderá ser feita por meio eletrônico. § 3º Quando as Turmas de diferentes Estados derem a lei federal interpretações divergentes, ou quando a decisão proferida estiver em contrariedade com súmula do Superior Tribunal de Justiça, o pedido será por este julgado. No ponto, destaco o seguinte precedente: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NA RECLAMAÇÃO. CASO CONCRETO QUE NÃO SE AMOLDA A NENHUMA DAS HIPÓTESES AUTORIZATIVAS DA VIA ELEITA. DECISÃO RECORRIDA PROFERIDA POR TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA (LEI 12.153/2009). REGIME PRÓPRIO DE SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA (ARTS. 18 E 19 DA LEI REFERIDA). NÃO CABIMENTO DA RECLAMAÇÃO PREVISTA NA RESOLUÇÃO 12/2009 DO STJ. 1. A Primeira Seção/STJ, a partir do julgamento do RCDESP na Rcl 8.718/SP (Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 29.8.2012), adotou orientação no sentido de que a Lei 12.153/2009, que disciplina o Juizado Especial da Fazenda Pública, estabelece sistema próprio para solucionar divergência sobre questões de direito material, razão pela qual não é cabível o ajuizamento da reclamação prevista na Resolução 12/2009 do STJ. 2. Cumpre registrar que a ausência de previsão, na Lei 12.153/2009, no que se refere ao pedido de uniformização fundado em divergência entre a decisão recorrida e precedentes do Superior Tribunal de Justiça, não autoriza a utilização da reclamação prevista na Resolução 12/2009 do STJ. Isso porque, em se tratando de juizado especial, impõe-se a observância dos princípios que lhe são peculiares, especialmente o princípio da celeridade, o qual não se compatibiliza com a instauração de incidentes não previstos na lei. 3. Ademais, a orientação desta Corte pacificou-se no sentido de que, "para fins de cabimento de reclamação ajuizada com fundamento na Resolução n. 12/2009-STJ, a jurisprudência tida como desrespeitada deve ser referente a direito material e estar consolidada no âmbito do STJ por meio de súmula ou do julgamento de recurso repetitivo, nos moldes do art. 535-C do CPC" (AgRg na Rcl 12.697/RO, 1ª Seção, Rel. Min. Sérgio Kukina, DJe de 20.11.2013), de modo que não é suficiente o confronto da decisão impugnada com precedentes deste Tribunal. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg na Rcl n. 15.462/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 11/12/2013, DJe de 17/12/2013.) Com efeito, a utilização das reclamações para a uniformização da jurisprudência nos Juizados Especiais foi medida excepcional decorrente de julgamento proferido pelo STF nos EDcl no RE n. 571.572-8/BA. Naquela oportunidade, decidiu-se que, diante da ausência de instituição de Turma Nacional de Uniformização no âmbito dos Juizados Especiais Cíveis dos Estados, seria possível, em caráter temporário, valer-se da reclamação dirigida ao STJ, a fim de se preservar o entendimento desta Corte Superior em questões de direito material. Desse modo, a reclamação, na esfera dos Juizados Especiais, não configura novo mecanismo para abranger situações não previstas na legislação específica de regência, mas apenas um meio de impugnação excepcional para suprir a ausência da Turma de Uniformização, situação que não ocorre no presente caso. Ademais, ainda que se tratasse da situação descrita acima, a reclamação deveria ser proposta perante a Corte de origem, uma vez que a Resolução STJ n. 12/2009 foi revogada pela Resolução STJ n. 3/2016. Nesse sentido (destaque acrescido): PROCESSUAL CIVIL. RECLAMAÇÃO CONTRA DECISÃO PROFERIDA POR TURMA RECURSAL. RESOLUÇÃO 3/2016 STJ/GP. INCOMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AGRAVO INTERNO DO PARTICULAR DESPROVIDO. 1. Não compete ao Superior Tribunal de Justiça apreciar e julgar Reclamação dirigida contra acórdão proferido pela Turma Recursal de Juizado da Fazenda Pública, visto que há mecanismo específico para tal fim, consoante previsão do art. 18 da Lei 12.153/2009. Definição da competência dos Tribunais de Justiça com o advento da Resolução STJ/GP 3/2016. 2. Hipótese em que a Reclamação foi protocolada aos 24.12.2018, quando já em vigor a Resolução STJ/GP 3, de 7.4.2016, que atribuiu às Câmaras Reunidas ou à Seção Especializada dos Tribunais de Justiça a competência para processar e julgar o pedido aqui formulado. 3. Agravo Interno do Particular desprovido. (AgInt na Rcl 37.189/SP, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, julgado em 20/8/2019, DJe de 26/8/2019.) Ante o exposto, indefiro liminarmente a reclamação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA