Rcl 48025 - DECISAO
A reclamação foi indeferida liminarmente e não conhecida porque a parte a utilizou como sucedâneo recursal para reformar decisão judicial, finalidade estranha às hipóteses legais de cabimento do art. 988 do CPC; assim, não restou demonstrado desrespeito à autoridade de decisões do STJ ou usurpação de competência que...
Source-derived case information.
- Parties
- Reclamante: KELLY CRISTINA ATHAYDE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 September 2024
- Procedural Posture
- Reclamação (superior Tribunal De Justiça) / Liminar Indeferida; Reclamação Indeferida
- Outcome
- A presente reclamação não merece prosperar. Indeferida liminarmente a reclamação; pedido de liminar prejudicado.
- Legal Topics
- Reclamação, Cabimento Da Reclamação, Sucedâneo Recursal, Art. 557 Do Cpc/2015, Imissão Na Posse, Ação Possessória
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
KELLY CRISTINA ATHAYDE
Reclamante
Procedural Posture
Reclamação (superior Tribunal De Justiça) / Liminar Indeferida; Reclamação Indeferida
Legal Issues
- 1 cabimento da reclamação para preservar a autoridade de decisões do STJ e competência do Tribunal
- 2 proibição de ajuizamento de ação petitória na pendência de ação possessória (art. 557 do CPC/2015)
- 3 uso da reclamação como sucedâneo recursal e sua inadmissibilidade
Ratio Decidendi
A reclamação foi indeferida liminarmente e não conhecida porque a parte a utilizou como sucedâneo recursal para reformar decisão judicial, finalidade estranha às hipóteses legais de cabimento do art. 988 do CPC; assim, não restou demonstrado desrespeito à autoridade de decisões do STJ ou usurpação de competência que justificasse o manejo da reclamação.
Court Disposition
A presente reclamação não merece prosperar. Indeferida liminarmente a reclamação; pedido de liminar prejudicado.
Orders
- Indefiro liminarmente a reclamação
- Pedido de liminar prejudicado
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de reclamação, com pedido de liminar, ajuizada por KELLY CRISTINA ATHAYDE. Nesta via, a parte reclamante defende que (fls. 9-15): O Superior Tribunal de Justiça, interpretando a norma do art. 557 do CPC/2015, possui o entendimento de que ação petitória ajuizada na pendência da lide possessória deve ser extinta sem resolução do mérito, por lhe faltar pressuposto negativo de constituição e de desenvolvimento válido do processo. Nesse sentido, ao contrário do entendimento da Corte Superior, a douta juíza Estadual não segue o entendimento desta Corte Superior, porque mesmo sabendo da vedação expressa pelo art. 557 do CPC/2015, seguiu rapidamente com a Ação de Imissão na Posse ajuizada após a Ação de Manutenção da Posse na Justiça Federal pela Reclamante, favorecendo em todos os atos o Reclamado arrematante, no processo originário, e consequentemente, expedindo o MANDADO DE IMISSÃO NA POSSE COM ARROMBAMENTO E FORÇA POLICIAL. .. Neste sentido, merece destaque o entendimento jurisprudencial desta Corte Superior: .. Consoante jurisprudência desta Corte Superior, ação petitória ajuizada na pendência da lide possessória deve ser extinta sem resolução do mérito, por lhe faltar pressuposto negativo de constituição e de desenvolvimento válido do processo. .. Neste sentido, na pendência de ação possessória, somente poderá ser discutida a questão da propriedade quando do término da ação possessória, sendo pacificado o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. .. Pelo exposto, REQUER: .. b) Conforme o art. 557 do CPC e o entendimento do STJ é vedado o ajuizamento de ação de imissão na posse, de juízo petitório, na pendência de ação possessória sobre o mesmo bem, sendo assim, por lhe faltar pressuposto negativo de constituição e de desenvolvimento válido do processo, REQUER a extinção sem julgamento do mérito da Ação de Imissão na Posse; É, no essencial, o relatório. A presente reclamação não merece prosperar. Estabelece o artigo 105, I, "f", da Constituição Federal que compete ao Superior Tribunal de Justiça processar e julgar originariamente a reclamação para preservação de sua competência e a garantia da autoridade de suas decisões. As normas procedimentais aplicáveis à reclamação, anteriormente previstas na Lei n. 8.038/1990, passaram a constar do Código de Processo Civil de 2015, que, sem modificar o papel fundamental do instituto, porquanto definido constitucionalmente, assim regulamentou as hipóteses de cabimento: Art. 988. Caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público para: I - preservar a competência do tribunal; II - garantir a autoridade das decisões do tribunal; III - garantir a observância de enunciado de súmula vinculante e de decisão do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; IV - garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência. Nesse contexto, destaca-se que a reclamação, como instrumento de natureza restrita e excepcional, devem se dirigir as hipóteses concretas previstas na legislação, revelando-se inadmissível vulgarizar tal medida, quer como sucedâneo recursal, quer como atalho ao exame do conteúdo e ao alcance do ato reclamado, sob pena do seu completo desvirtuamento processual. Nesse sentido, confiram-se precedentes: AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. IMPUGNAÇÃO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. MATRÍCULA EM INSTITUIÇÃO DE ENSINO. SUPOSTA INADIMPLÊNCIA. NÃO CABIMENTO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A reclamação constitucional constitui demanda de fundamentação vinculada, ou seja, cabível tão somente nas situações estritamente previstas no art. 988 do CPC. 2. Inexistindo comando positivo deste Sodalício sobre a matéria decidida no julgamento reclamado, há de ser indeferida a petição inicial, por falta de interesse de agir. 3. A reclamação não é instrumento processual adequado para o exame do acerto ou desacerto da decisão impugnada, como sucedâneo de recurso. 4. Agravo interno não provido." (AgInt na Rcl n. 40.171/PR, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, DJe de 9/9/2020, grifei.) PROCESSUAL CIVIL. RECLAMAÇÃO. AUTORIDADE DE RESOLUÇÃO ADMINISTRATIVA. DESCABIMENTO. 1. A reclamação, em razão de sua natureza incidental e excepcional, somente é cabível quando se comprovar objetivamente o desrespeito à autoridade de decisões judiciais do STJ ou a usurpação de sua competência, revelando-se inadmissível tal medida como sucedâneo recursal, tampouco como atalho ao exame do conteúdo e alcance do ato reclamado, sob pena do seu desvirtuamento processual. 2. Hipótese em que a reclamação não constitui o meio processual adequado ao fim colimado, já que não pretende a parte reclamante garantir a autoridade de decisão judicial proferida pelo STJ, e sim de resolução administrativa. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt na Rcl n. 42.188/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, julgado em 15/2/2022, DJe de 22/2/2022, grifei.) Na espécie, a parte reclamante pretende reformar decisão judicial em razão de não se conformar com a solução dada ao caso, buscando, dessa forma, utilizar a via reclamatória como sucedâneo recursal, o que a jurisprudência do STJ não admite. Ante o exposto, indefiro liminarmente a reclamação, ficando prejudicado o pedido de liminar. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECLAMAÇÃO. UTILIZAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. RECLAMAÇÃO INDEFERIDA LIMINARMENTE.