Rcl 48123 - DECISAO
A reclamação foi considerada incabível porque não há, no caso concreto, decisão desta Corte sendo descumprida; a ação foi intentada como sucedâneo recursal para discutir contrariedade à jurisprudência do STJ; e, ainda, em razão da Resolução STJ n. 3/2016, esta Corte não detém competência para processar reclamação...
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- Parties
- Reclamante: LUAN VINICIUS SANTOS FUENTES; Reclamado: MUNICÍPIO DE CONGONHAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 September 2024
- Procedural Posture
- Reclamação / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço da reclamação
- Legal Topics
- Reclamação, Competência Do STJ, Incabimento Como Sucedâneo Recursal, Resolução STJ N. 3/2016, Recurso Inominado
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Parties
LUAN VINICIUS SANTOS FUENTES
Reclamante
MUNICÍPIO DE CONGONHAL
Reclamado
Procedural Posture
Reclamação / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 cabimento de reclamação para preservar jurisprudência do STJ no caso concreto
- 2 competência para reclamação contra acórdão de Turma Recursal estadual
- 3 aplicação da Resolução STJ n.3/2016 que atribui competência às Câmaras Reunidas ou Seções Especializadas
Ratio Decidendi
A reclamação foi considerada incabível porque não há, no caso concreto, decisão desta Corte sendo descumprida; a ação foi intentada como sucedâneo recursal para discutir contrariedade à jurisprudência do STJ; e, ainda, em razão da Resolução STJ n. 3/2016, esta Corte não detém competência para processar reclamação contra acórdão de Turma Recursal estadual, motivo pelo qual a reclamação não foi conhecida.
Court Disposition
Não conheço da reclamação
Orders
- Com fundamento no art. 34, XVIII, "a", do RISTJ, não conheço da reclamação
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de reclamação, com pedido de liminar, ajuizada pelo LUAN VINICIUS SANTOS FUENTES contra acórdão da Turma Recursal do Grupo Jurisdicional de Pouso Alegre/MG (Recurso Inominado Cível nº 5018563-91.2023.8.13.0525). Consta dos autos que o Município de Congonhal foi condenado, em primeiro grau de jurisdição, à "implantação da base de cálculo para o pagamento do adicional de insalubridade, considerando o vencimento base do autor, e no pagamento da diferença devida desde a posse, 11/2019, até a data da efetiva implementação da base de cálculo" (fl. 52). Interposto recurso inominado, não foi conhecido (fls. 70-80). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 89-97). O reclamante sustenta, em síntese, que a Turma Recursal se negou a cumprir a tese fixada pelo STJ no PUIL 1.327-RS de que seria cabível a condenação em custas e honorários advocatícios na hipótese de não conhecimento do recurso inominado. Requer seja a presente reclamação recebida e processada, concedendo a tutela provisória de urgência, para cassar o acórdão combatido, fixando os honorários de sucumbência do artigo 55 da Lei n. 9.099/95. É o relatório. Estabelece o artigo 105, inciso I, alínea "f", da Constituição Federal, que compete a este Superior Tribunal de Justiça processar e julgar, originariamente, a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões. Dispõe, ainda, o artigo 988 do Código de Processo Civil: Art. 988. Caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público para: I - preservar a competência do tribunal; II - garantir a autoridade das decisões do tribunal; III - garantir a observância de enunciado de súmula vinculante e de decisão do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016) IV - garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência; (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016) E, no âmbito desta Corte Superior de Justiça, o artigo 187 do Regimento Interno deste Tribunal traz que, "Para preservar a competência do Tribunal, garantir a autoridade de suas decisões e a observância de julgamento proferido em incidente de assunção de competência, caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público desde que, na primeira hipótese, haja esgotado a instância ordinária". Constata-se, pois, da análise dos autos, que não existe decisão proferida por esta Corte, no caso concreto, envolvendo as mesmas partes, que esteja sendo descumprida, tampouco se verifica usurpação de competência do STJ. O reclamante apenas afirma que o acórdão proferido na origem é contrário ao entendimento firmado em Pedido de Uniformização desta Corte, hipótese, portanto, que não se enquadra nos casos previstos de cabimento de reclamação. Com efeito, é cediço neste Superior Tribunal de Justiça que a reclamação constitucional não pode ser ajuizada como sucedâneo recursal ou para preservação da jurisprudência desta Corte. A propósito: a "reclamação constitucional não é a via adequada para preservar a jurisprudência do STJ, mesmo que firmada em recurso repetitivo, mas sim a autoridade de suas decisões tomadas no próprio caso concreto" (AgRg na Rcl n. 25.299/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Senão, DJe de 4/12/2015). Ademais, mostra-se incabível o ajuizamento diretamente no STJ da reclamação contra acórdão proferido por Turma Recursal com a finalidade de discutir contrariedade à jurisprudência deste Tribunal Superior, conforme previsão expressa do artigo 1º da R esolução do STJ/GP nº 3/2016, que atribuiu tal competência às Câmaras Reunidas ou à Seção Especializada dos Tribunais de Justiça. Confiram-se os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. RESOLUÇÃO STJ N. 3/2016. ACÓRDÃO DE TURMA RECURSAL ESTADUAL. INCOMPETÊNCIA DESTA CORTE. 1. O recurso foi interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. "Com o advento da Emenda Regimental nº 22-STJ, de 16/03/2016, ficou revogada a Resolução n. 12/2009-STJ, que dispunha sobre o processamento, no Superior Tribunal de Justiça, das reclamações destinadas a dirimir divergência entre acórdão prolatado por turma recursal estadual e a jurisprudência desta Corte." (AgRg na Rcl n. 18.506/SP, relator Ministro Raul Araújo, Corte Especial, julgado em 6/4/2016, DJe de 27/5/2016.) 3. A Resolução STJ n. 3/2016 atribuiu às câmaras reunidas ou às seções especializadas dos respectivos tribunais de justiça a competência para processar e julgar, em caráter excepcional, até a criação das turmas de uniformização, as reclamações destinadas a dirimir divergência entre acórdão prolatado por turma recursal estadual e a jurisprudência desta Corte. Assim, considerando que a presente reclamação foi protocolada quando já em vigor a mencionada Resolução n. 3/2016, não mais subsiste a competência desta Corte para a sua apreciação. Precedentes. 5. Agravo interno não provido. (AgInt na Rcl n. 44.671/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em 19/3/2024, DJe de 2/4/2024.) AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. DECISÃO QUE NEGOU SEGUIMENTO À RECLAMAÇÃO. 1. A Resolução STJ n. 3/2016 atribuiu às Câmaras Reunidas ou às Seções Especializadas, do respectivo Tribunal de Justiça, a competência para processar e julgar as reclamações que visam a dirimir divergência entre acórdão prolatado por turma recursal estadual e a jurisprudência do STJ. 2. Reclamação manifestamente incabível. Agravo interno improvido. (AgInt na Rcl n. 46.523/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Seção, julgado em 3/9/2024, DJe de 5/9/2024.) Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XVIII, "a", do RISTJ, não conheço da reclamação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECLAMAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE AFRONTA À DECISÃO PROFERIDA POR ESTA CORTE NO CASO CONCRETO. NÃO CABIMENTO DE RECLAMAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. ACÓRDÃO DE TURMA RECURSAL ESTADUAL. INCOMPETÊNCIA DESTA CORTE. PEDIDO NÃO CONHECIDO.