Rcl 48172 - DECISAO
Não conheço da reclamação porque o ato impugnado consiste em pedido formulado pelo Ministério Público do Trabalho em cumprimento de sentença e não em decisão do Superior Tribunal de Justiça descumprida; a reclamação só é cabível para preservar a competência do Tribunal ou garantir a autoridade de suas decisões no...
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- Parties
- Reclamante: Reclamante; Reclamado: Ministério Público do Trabalho - Procuradoria Regional da 18ª Região; Reclamada: Reclamada
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 October 2024
- Procedural Posture
- Reclamação / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço da reclamação.
- Legal Topics
- Reclamação, Competência Do STJ, Autoridade De Decisões, Súmula 410/stj, Cumprimento De Sentença, Penhora De Proventos
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Parties
Reclamante
Reclamante
Ministério Público do Trabalho - Procuradoria Regional da 18ª Região
Reclamado
Reclamada
Reclamada
Procedural Posture
Reclamação / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Cabimento da reclamação para preservação da jurisprudência do STJ
- 2 Exigência de decisão do STJ descumprida no mesmo caso para admissibilidade da reclamação
- 3 Possibilidade de reclamação contra pedido de penhora formulado pelo MPT em cumprimento de sentença
Ratio Decidendi
Não conheço da reclamação porque o ato impugnado consiste em pedido formulado pelo Ministério Público do Trabalho em cumprimento de sentença e não em decisão do Superior Tribunal de Justiça descumprida; a reclamação só é cabível para preservar a competência do Tribunal ou garantir a autoridade de suas decisões no mesmo caso, não servindo para preservar entendimentos jurisprudenciais ou como substituto recursal.
Court Disposition
Não conheço da reclamação.
Orders
- Com fundamento nos arts. 34, XVIII, a, e 187 do RISTJ, não conheço da reclamação.
- Prejudicada a tutela de urgência requerida.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação com fundamento no art. 105 I, f, da Constituição Federal e no art. 988 do CPC. A Reclamante aponta como reclamado o Ministério Público do Trabalho, pela sua Procuradoria Regional da 18ª Região, que teria apresentado pedido de cumprimento de sentença em seu desfavor, decorrente de título judicial formado nos autos de ação civil pública. Afirma que o pedido do MPT de penhora dos proventos da Reclamada, viola frontalmente os ditames da Súmula n. 410/STJ. É o relatório. Decido. De início, esclareça-se que cabe reclamação, para o STJ, para que seja preservada sua competência ou para que seja garantida a autoridade de suas decisões, conforme disposto nos artigos 105, I, f, da CF/88, 988, do CPC/2015 e 187, do RI/STJ. Esclareça-se, por necessário, que não existe decisão desta Corte, em um caso concreto, envolvendo as mesmas partes e que tenha sido desrespeitada. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que a reclamação não se destina a dirimir divergência jurisprudencial entre eventual julgado reclamado e precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Ademais, o ato reclamado seria o pedido do Ministério Público do Trabalho, em sede de cumprimento de sentença, de penhora dos proventos da Reclamada para fins de satisfação do pagamento de multa cominada no feito executivo. Ou seja, não há que se falar em decisão judicial que tenha desrespeitado comando proferido pelo Superior Tribunal de Justiça. Por fim, é importante destacar que a utilização da reclamação para garantia das decisões do tribunal pode se dar quando a decisão do próprio tribunal não é cumprida. Em outras palavras, a reclamação não serve para preservar a jurisprudência do Tribunal. Nesse sentido, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. SERVIDOR PÚBLICO. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. RECLAMAÇÃO CONTRA ACÓRDÃO DE TURMA RECURSAL. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE À ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL DO STJ. NÃO CAMBIMENTO. MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. INADEQUADA AO CASO CONCRETO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte, na sessão realizada em 9.3.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - A Reclamação, prevista no art. 988 do CPC, destina-se a tornar efetivas as decisões proferidas, no próprio caso concreto, em que o Reclamante tenha figurado como parte, não servindo para a preservação da jurisprudência desta Corte ou, ainda, como sucedâneo recursal. III - Incabível o ajuizamento de reclamação para discutir eventual contrariedade a entendimento jurisprudencial do STJ no julgamento de recurso inominado, no âmbito dos Juizados Especias da Fazenda Pública, porquanto a Lei n. 12.153/2009 prevê procedimento específico. IV - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. V - Agravo Interno improvido. (AgInt na Rcl n. 46.734/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Seção, julgado em 24/4/2024, DJe de 2/5/2024.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL. EMPREGO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL OU INSTRUMENTO DE GARANTIA DE ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Por conta dos princípios da taxatividade e da singularidade recursal, o manejo de recursos é sempre limitado às espécies recursais legalmente previstas e para emprego nas hipóteses que a legislação federal abarca. Por essa razão, não se pode elastecer o requisito do cabimento, admitindo à apreciação apelos sem amparo no diploma processual vigente. Esta é a razão pela qual a jurisprudência do STJ não admite o emprego da reclamação constitucional como sucedâneo recursal. 2. Compete ao Superior Tribunal de Justiça processar e julgar originalmente tão somente "a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões". Logo, à míngua de indícios de usurpação da competência da Corte, ou de descumprimento de decisões emanadas do STJ em benefício específico e nominal do reclamante, no bojo de ações das quais seja parte, não se autoriza o conhecimento da reclamação constitucional. Inteligência do disposto no art. 105, I, f, da Constituição Federal. 3. A reclamação constitucional não se presta como instrumento de garantia da observância de entendimento jurisprudencial. Precedente: AgInt na Rcl n. 34.896/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Segunda Seção, DJe de 1º/2/2018. 4. Agravo interno não provido. (AgInt na Rcl n. 46.744/RO, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Seção, julgado em 19/3/2024, DJe de 22/3/2024.) Ante o exposto, com fundamento nos arts. 34, XVIII, a, e 187 do RISTJ, não conheço da reclamação. Prejudicada a tutela de urgência requerida. Publique-se. Intimem-se. EMENTA