Rcl 48267 - DECISAO
A reclamação não foi conhecida porque a decisão reclamada está em consonância com o entendimento do Supremo Tribunal Federal no RE 1.366.243/SC (Tema 1.234), considerando o marco temporal de 17/4/2023 e a situação dos autos afetados ao IAC 14 que estão em análise para adequação pelo relator no STJ, inexistindo tese...
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- Parties
- Reclamante: MARIA IZABEL SILVEIRA MACHADO; Reclamado: TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL; Parte Demandada No Feito Originário: ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL; Parte Demandada No Feito Originário: MUNICÍPIO DE BENTO GONÇALVES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 October 2024
- Procedural Posture
- Reclamação / Decisão Não Conhecida
- Outcome
- não conheço da reclamação
- Legal Topics
- Reclamação, Incidente De Assunção De Competência (iac), Competência Jurisdicional, Direito À Saúde, Tema 1.234 (re 1.366.243/sc), Tema 793
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Parties
MARIA IZABEL SILVEIRA MACHADO
Reclamante
TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
Reclamado
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
Parte Demandada No Feito Originário
MUNICÍPIO DE BENTO GONÇALVES
Parte Demandada No Feito Originário
Procedural Posture
Reclamação / Decisão Não Conhecida
Legal Issues
- 1 se a decisão reclamada que determinou a inclusão da União no polo passivo e a declinação da competência violou a autoridade do IAC 14 e os precedentes do STJ e STF
- 2 aplicabilidade dos parâmetros fixados pelo STF no RE 1.366.243/SC (Tema 1.234) às ações sem ou com sentença prolatada
- 3 se a reclamação é o meio adequado para preservar a autoridade de decisões do STJ relativas ao IAC 14
Ratio Decidendi
A reclamação não foi conhecida porque a decisão reclamada está em consonância com o entendimento do Supremo Tribunal Federal no RE 1.366.243/SC (Tema 1.234), considerando o marco temporal de 17/4/2023 e a situação dos autos afetados ao IAC 14 que estão em análise para adequação pelo relator no STJ, inexistindo tese vinculante do STJ apta a autorizar o manejo da reclamação nos termos do art. 988, IV, do CPC.
Court Disposition
não conheço da reclamação
Orders
- Não conheço da reclamação
- Prejudicada a análise do pedido liminar
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação com pedido liminar ajuizada por MARIA IZABEL SILVEIRA MACHADO contra decisão da TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. A decisão reclamada foi proferida nos autos da ação proposta com o objetivo de determinar ao Estado do Rio Grande do Sul e ao Município de Bento Gonçalves a obrigação de submeter a autora à cirurgia de catarata bilateral em razão de facoemulsificação (fl. 18). A decisão reclamada foi assim ementada (fl. 23): RECURSO INOMINADO. PRIMEIRA TURMARECURSAL DA FAZENDA PÚBLICA. ESTADO DO RIOGRANDE DO SUL. MUNICÍPIO DE BENTOGONÇALVES. DIREITO À SAÚDE. CIRURGIA DEMÉDIA/ALTA COMPLEXIDADE. TEMA 793 E TEMA1.234, AMBOS DO STF. SENTENÇA POSTERIOR A17/04/2023. COMPOSIÇÃO DO POLO PASSIVO DEVEOBSERVAR A REPARTIÇÃO DE RESPONSABILIDADESESTRUTURADA NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE,AINDA QUE ISSO IMPLIQUE DESLOCAMENTO DECOMPETÊNCIA. SENTENÇA DESCONSTITUÍDA PARASER OPORTUNIZADO À AUTORA A REGULARIZAÇÃODO POLO PASSIVO COM A INCLUSÃO DA UNIÃO E ACONSEQUENTE REMESSA DOS AUTOS À JUSTIÇAFEDERAL. RECURSO INOMINADO DO MUNICÍPIOPARCIALMENTE PROVIDO. RECURSO INOMINADODO ESTADO PREJUDICADO. Em suas razões, a parte reclamante alega (fls. 5/7): Pois bem, trata-se de reclamação contra decisão proferida que determinou a inclusão da União no polo passivo e a consequente declinação da competência para a Justiça Federal, a despeito da decisão liminar no âmbito deste Superior Tribunal no Incidente de Assunção de Competência - IAC nº 14 (conflito de competência n. 187.276-RS (2022/0097613-9), a qual determinou que os Juízes Estaduais devem abster-se de praticar quaisquer atos judiciais de declinação de competência nas referidas ações de saúde. .. Sobre o assunto, esclarece-se que, logo após a admissão do incidente, a Primeira Seção do STJ, em sessão realizada em 08/06/2022, apreciando questão de ordem proposta pelo Ministro Relator, deliberou, por unanimidade, que até o julgamento definitivo do IAC o juiz estadual deverá abster-se de praticar qualquer ato judicial de declinação de competência nas ações que versem sobre tema idêntico, de modo que o processo deve prosseguir na jurisdição estadual. .. No caso em questão, porém, o juízo deixou de aplicar a decisão do IAC n. 14. Pleiteia, liminarmente, a suspensão dos efeitos do ato impugnado, alegando que, "além de afrontar a autoridade do decisum do STJ, causa tumulto ao andamento do processo e gera inquestionável lesão ao direito da parte reclamante, retardando seu tratamento de saúde, cenário que impõe a concessão de medida liminar" (fl. 12). No mérito, requer a procedência do pedido, "confirmando-se a antecipação dos efeitos liminares, para determinar a suspensão e cassação da decisão impugnada, a fim de assegurar a autoridade da decisão desta Egrégia Corte, aplicando-se o precedente no IAC nº 14, para, com isso, afastar-se a determinação de inclusão da União e manter-se a tramitação do feito na Justiça Estadual" (fl. 13). É o relatório. A reclamação prevista no art. 105, I, f, da Constituição Federal, bem como no art. 988 do Código de Processo Civil, constitui instrumento processual destinado: (1) à preservação de competência (inciso I); (2) à garantia da autoridade das decisões do Superior Tribunal de Justiça (inciso II); e (3) à observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência (inciso IV e § 4º). Em relação ao tema debatido na presente reclamação, trago precedente recente de minha relatoria: ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO. RECLAMAÇÃO. AÇÃO ORDINÁRIA. SUS. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO NÃO PADRONIZADO. DECISÃO RECLAMADA QUE DESCUMPRE A ORIENTAÇÃO DO STJ NO IAC 14, QUE DETERMINOU QUE O JUÍZO ESTADUAL SE ABSTIVESSE DE DECLINAR DA COMPETÊNCIA. TEMA 1.234/STF. PARÂMETROS A SEREM ADOTADOS ATÉ O JULGAMENTO DO MÉRITO DA REPERCUSSÃO GERAL. MANUTENÇÃO DO CURSO DO PROCESSO NA JUSTIÇA ESTADUAL. PROVIMENTO NEGADO. 1. A reclamação prevista no art. 105, I, f, da Constituição Federal, bem como no art. 988 do Código de Processo Civil, constitui instrumento processual destinado à preservação da competência do Superior Tribunal de Justiça (inciso I), à garantia da autoridade de suas decisões (inciso II) e à observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência (inciso IV e § 4º). 2. Configura o descumprimento das decisões proferidas nos Conflitos de Competência 187.276/RS, 187.533/SC e 188.002/SC, submetidos à sistemática do incidente de assunção de competência (IAC 14), a determinação de inclusão da União no polo passivo da demanda após o julgamento da questão de ordem suscitada nesses conflitos de competência, ocorrido em 8/6/2022. 3. Na sessão do dia 12/4/2023, os Conflitos de Competência 187.276/RS, 187.533/SC e 188.002/SC foram julgados. Seguindo a orientação do Supremo Tribunal Federal (STF) fixada quanto ao Tema 793 - afastamento da figura do litisconsórcio compulsório ou necessário da União -, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou o entendimento de que cabe à parte autora escolher contra qual ente da Federação pretende litigar para obter a medicação e/ou insumos indispensáveis ao tratamento de sua saúde (DJe de 18/4/2023). 4. Em 17/4/2023, nos autos do Recurso Extraordinário 1.366.243/SC, submetido ao regime de repercussão geral (Tema 1.234), o STF, ao apreciar pedido de tutela provisória incidental, deferiu parcialmente a cautelar para estabelecer a adoção dos seguintes parâmetros até o julgamento definitivo da questão: "(i) nas demandas judiciais envolvendo medicamentos ou tratamentos padronizados: a composição do polo passivo deve observar a repartição de responsabilidades estruturada no Sistema Único de Saúde, ainda que isso implique deslocamento de competência, cabendo ao magistrado verificar a correta formação da relação processual, sem prejuízo da concessão de provimento de natureza cautelar ainda que antes do deslocamento de competência, se o caso assim exigir; (ii) nas demandas judiciais relativas a medicamentos não incorporados: devem ser processadas e julgadas pelo Juízo, estadual ou federal, ao qual foram direcionadas pelo cidadão, sendo vedada, até o julgamento definitivo do Tema 1234 da Repercussão Geral, a declinação da competência ou determinação de inclusão da União no polo passivo; (iii) diante da necessidade de evitar cenário de insegurança jurídica, esses parâmetros devem ser observados pelos processos sem sentença prolatada; diferentemente, os processos com sentença prolatada até a data desta decisão (17 de abril de 2023) devem permanecer no ramo da Justiça do magistrado sentenciante até o trânsito em julgado e respectiva execução (adotei essa regra de julgamento em: RE 960429 ED-segundos Tema 992, de minha relatoria, DJe de 5.2.2021); (iv) ficam mantidas as demais determinações contidas na decisão de suspensão nacional de processos na fase de recursos especial e extraordinário" (RE 1.366.243 TPI/SC, relator Ministro Gilmar Mendes, decisão confirmada pelo Tribunal Pleno, sessão virtual extraordinária de 18/4/2023, julgado em 19/4/2023, DJe de 25/4/2023). 5. Considerando a decisão da Suprema Corte de que as ações sem sentença prolatada devem ser processadas e julgadas pelo juízo ao qual foram direcionadas pelo cidadão, o processo que deu ensejo à presente reclamação deve permanecer na Justiça estadual, a quem caberá julgá-lo de acordo com os parâmetros estabelecidos no RE 1.366.243/SC, submetido ao regime de repercussão geral. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt na Rcl n. 44.821/SC, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Seção, julgado em 15/10/2024, DJe de 21/10/2024.) A sentença juntada às fls. 18/22 foi subscrita em 19/4/2024, ou seja, foi proferida em data posterior ao marco temporal (17/4/2023) estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para a permanência do processo no ramo da Justiça do magistrado sentenciante até o trânsito em julgado e a respectiva execução. Assim, vislumbro que a decisão reclamada está em consonância com o entendimento do STF. O Tema 1.234 foi julgado recentemente pelo STF e foi expedida determinação de comunicação ao relator do IAC 14 no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para adequação ao entendimento. Atualmente, os autos dos processos afetados ao IAC 14 encontram-se com o Ministro relator no STJ para análise e conformação, em cumprimento à determinação do STF, de forma que a tese do IAC encontra-se sobrestada. Portanto, não há tese vinculante do STJ em vigor que permita o manejo do instrumento da reclamação, nos termos do art. 988, IV, do Código de Processo Civil (CPC). Ante o exposto, não conheço da reclamação. Prejudicada a análise do pedido liminar. Publique-se. Intimem-se. EMENTA