Rcl 47944 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a reclamação não pode ser utilizada como sucedâneo recursal e, no caso concreto, não foi demonstrada a existência de decisão desta Corte prolatada em favor do reclamante nem usurpação de competência do STJ, de modo que o indeferimento liminar da petição inicial da ação...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: RODRIGO DIAS DE SOUZA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Na Reclamação / Julgamento Colegiado (decisão Final)
- Outcome
- Agravo interno desprovido; negar provimento ao recurso.
- Legal Topics
- Reclamação, Agravo Interno, Garantia Da Autoridade Das Decisões, Sucedâneo Recursal, Competência
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Parties
RODRIGO DIAS DE SOUZA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Na Reclamação / Julgamento Colegiado (decisão Final)
Legal Issues
- 1 Cabimento da reclamação para garantir a autoridade de decisões do STJ
- 2 Limites da reclamação como via de aplicação restrita e vedação de seu uso como sucedâneo recursal
- 3 Necessidade de demonstração, na petição inicial, de desobediência a decisão proferida pelo STJ
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a reclamação não pode ser utilizada como sucedâneo recursal e, no caso concreto, não foi demonstrada a existência de decisão desta Corte prolatada em favor do reclamante nem usurpação de competência do STJ, de modo que o indeferimento liminar da petição inicial da ação rescisória mostrou-se correto.
Court Disposition
Agravo interno desprovido; negar provimento ao recurso.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 27/11/2024 a 03/12/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura, Benedito Gonçalves, Marco Aurélio Bellizze, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria e Teodoro Silva Santos votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Regina Helena Costa. EMENTA ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. VIA ESPECÍFICA. GARANTIA À AUTORIDADE DE DECISÕES DO TRIBUNAL. DESCABIMENTO DE UTILIZAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A reclamação é prevista na Constituição Federal de 1988 para a preservação da competência do STF e do STJ e para a garantia da autoridade das decisões desses Tribunais de Superposição (arts. 102, I, e 105, I, f). Além dessas hipóteses, cabe reclamação apenas para a adequação do entendimento adotado em acórdãos de Turma Recursais no subsistema dos Juizados Especiais Comuns Estaduais à jurisprudência, súmula ou orientação adotada na sistemática dos recursos repetitivos do STJ, em razão do decidido nos EDcl no RE n. 571.572/BA (Tribunal Pleno, relatora Ministra Ellen Gracie, DJe de 27/11/2009) e das regras contidas na revogada Resolução n. 12/2009 do STJ (AgInt na Rcl n. 41.841/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 8/2/2023, DJe de 13/2/2023). 2. A reclamação é instrumento processual constitucional de aplicação restrita, diante de sua especificidade. Serve à preservação da competência e autoridade das decisões dos tribunais e não como sucedâneo recursal. 3. Agravo interno des provido.
RELATÓRIO MINISTRO AFRÂNIO VILELA: Em análise, agravo interno interposto por RODRIGO DIAS DE SOUZA contra a decisão que indeferiu liminarmente a reclamação por si ajuizada (fls. 790-795), ao fundamento de não haver decisão desta Corte prolatada na espécie em favor do reclamante sendo inobservada. Argumenta a parte agravante, em síntese, que "é de entendimento consolidado desta Corte Superior que "A AÇÃO RESCISÓRIA NÃO PODE SER LIMINARMENTE INDEFERIDA COM BASE EM FUNDAMENTO QUE SE CONFUNDE COM O PRÓPRIO MÉRITO DA CAUSA"" e que "há claro descumprimento do que consta no artigo 988, II, do Código de Processo Civil, motivo pelo qual a decisão objurgada deve cassada, determinando-se a Corte Paulista que prossiga com a ação em seus ulteriores termos." (fl. 805). Pugna pela reconsideração da decisão agravada "analisando-se todos os termos e documentos propostos pela recorrente e concedendo a medida antecipatória requerida" (fl. 806). Como certificado nos autos, transcorreu o prazo para impugnação (fl. 818). É o relatório. EMENTA ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. VIA ESPECÍFICA. GARANTIA À AUTORIDADE DE DECISÕES DO TRIBUNAL. DESCABIMENTO DE UTILIZAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A reclamação é prevista na Constituição Federal de 1988 para a preservação da competência do STF e do STJ e para a garantia da autoridade das decisões desses Tribunais de Superposição (arts. 102, I, e 105, I, f). Além dessas hipóteses, cabe reclamação apenas para a adequação do entendimento adotado em acórdãos de Turma Recursais no subsistema dos Juizados Especiais Comuns Estaduais à jurisprudência, súmula ou orientação adotada na sistemática dos recursos repetitivos do STJ, em razão do decidido nos EDcl no RE n. 571.572/BA (Tribunal Pleno, relatora Ministra Ellen Gracie, DJe de 27/11/2009) e das regras contidas na revogada Resolução n. 12/2009 do STJ (AgInt na Rcl n. 41.841/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 8/2/2023, DJe de 13/2/2023). 2. A reclamação é instrumento processual constitucional de aplicação restrita, diante de sua especificidade. Serve à preservação da competência e autoridade das decisões dos tribunais e não como sucedâneo recursal. 3. Agravo interno des provido. VOTO MINISTRO AFRÂNIO VILELA (Relator): Conheço do recurso, porquanto presentes os seus pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. A reclamação foi ajuizada por Rodrigo Dias de Souza, com fundamento no art. 988, II, do CPC, contra decisão proferida pelo 6º Grupo de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo nos autos da ação rescisória n. 2107302- 30.2018.8.26.0000, que teve a petição inicial indeferida, sob a seguinte ementa: AÇÃO RESCISÓRIA. Julgamento da 13ª Câmara de Direito Público, realizado em 26 de outubro de 2016, com a participação dos eminentes Desembargadores Ferraz de Arruda, relator, Ricardo Anafe e Borelli Thomaz, que transitou em julgado em 15 de janeiro de 2018. Candidato excluído de concurso público da Polícia Militar em virtude da sua participação em ocorrência policial, de furto no restaurante em que trabalhava como garçom, que motivou a sua demissão, omitida nas informações que teve de prestar sobre a sua vida pregressa. Manifesta violação a norma jurídica. Código de Processo Civil, artigos 926 e 927. Constituição Federal, artigo 5º, XXXV e LVII. Supremo Tribunal Federal, Súmula 473 e Tema 22 de repercussão geral. Sobre uniformização de jurisprudência e vinculação de precedentes, não foram apontados enunciado de jurisprudência ou precedentes, existentes ao tempo do julgamento da apelação, que tenham sido contrariados. Não viola as garantias constitucionais da inafastabilidade da jurisdição e da presunção de inocência a exclusão do concurso, não por presunção de culpa em registro policial, mas por aferição da idoneidade do candidato pela omissão proposital do fato nas informações que teve de prestar sobre a sua vida pregressa. A ponderação sobre eventual violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade coube ao órgão julgador, não cabendo renová-la em ação rescisória, ainda que tenha o autor trazido precedentes do Superior Tribunal de Justiça e deste Tribunal a esse respeito. Como o ato de exclusão do autor do concurso foi considerado válido, sem incorrer em manifesta violação a norma jurídica, não se cogita de contrariedade com a orientação da Súmula 473, do Supremo Tribunal Federal, sobre a possibilidade de a Administração rever os seus atos viciados e de controle judicial. A simples afetação do Tema 22, restrição à participação em concurso público de candidato que responde a processo criminal, pelo Supremo Tribunal Federal, ainda não julgado, não serve de lastro para a ação rescisória. Sendo inadmissível a ação rescisória, o autor carece de interesse de agir, na modalidade adequação. Petição inicial indeferida. Processo extinto. Deferido o benefício da gratuidade, com dispensa do depósito a que se refere o artigo 968, II e § 1º, do Código de Processo Civil. Considerada incabível ação rescisória, os respectivos embargos de declaração foram rejeitados ao fundamento de que os julgados "posteriores ao julgamento da apelação e sem efeito vinculante, não tipificam hipótese de cabimento da ação rescisória." (fl. 747). O agravante insiste na tese de inobservância ao art. 988, II, do CPC, que prevê: Art. 988. Caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público para: .. II - garantir a autoridade das decisões do tribunal; Conforme consignado na decisão agravada: A reclamação é instrumento processual de aplicação restrita, diante de sua especificidade. Tem previsão no art. 105, I, f, da Constituição, replicada no art. 988 do CPC, e serve à preservação da competência e autoridade das decisões dos tribunais. Assim, é cabível perante a este STJ desde que verificada a usurpação de sua competência exclusiva ou quando suas decisões estiverem sendo contrariadas expressamente. Deve ser, portanto, demonstrado desde a petição inicial o descumprimento, por parte da instância a quo, de decisão prolatada por este STJ. .. No caso concreto, em que pese a parte reclamante transcrever julgados esparsos, não há decisão desta Corte, prolatada na espécie em favor do reclamante, sendo inobservada. Aliás, importa ressaltar, no sentido da finalidade específica desta via originária, que não pode servir de sucedâneo recursal, nem como instrumento a dirimir divergência jurisprudencial contemporânea a seu ajuizamento. Vale mencionar que com o indeferimento da petição inicial, o mérito da ação rescisória nem sequer foi alcançado, não se tendo procedido ao juízo rescindente. No caso, o ora agravante visa mesmo à alteração do decidido, sem demonstrar efetiva desobediência à autoridade deste Tribunal, o que incabível nesta específica via reclamatória, que não pode fazer as vezes de recurso. Não há razão, portanto, para alteração na decisão agravada que constatou a ausência de usurpação de competência exclusiva deste STJ e de expressa inobservância de decisão desta Corte. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. RECLAMAÇÃO. RESOLUÇÃO N. 12/2009 DO STJ REVOGADA. GARANTIA DA AUTORIDADE DAS DECISÕES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECENTE JURISPRUDÊNCIA DA 1ª SEÇÃO DO STJ: NÃO CABIMENTO QUANDO É ANTECIPADA A TUTELA EM AÇÃO ORDINÁRIA, PROCESSO CUJA COMPETÊNCIA PARA PROCESSAR E JULGAR É DOS ÓRGÃOS JUDICIAIS DE ORIGEM, NÃO DO STJ. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAR A RECLAMAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL OU COMO PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. CASO CONCRETO QUE NÃO SE AMOLDA A NENHUMA DAS HIPÓTESES AUTORIZATIVAS DA VIA ELEITA. LIMINAR CORRETAMENTE INDEFERIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A reclamação é prevista na Constituição Federal de 1988 para a preservação da competência do STF e do STJ e para a garantia da autoridade das decisões desses Tribunais de Superposição (arts. 102, I, l, e 105, I, f). Além dessas hipóteses, cabe reclamação apenas para a adequação do entendimento adotado em acórdãos de Turma Recursais no subsistema dos Juizados Especiais Comuns Estaduais à jurisprudência, súmula ou orientação adotada na sistemática dos recursos repetitivos do STJ, em razão do decidido nos EDcl no RE 571.572/BA (Tribunal Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe de 27.11.2009) e das regras contidas na revogada Resolução n. 12/2009 do STJ. 2. Além disso, de acordo com a larga jurisprudência do Pretório Excelso, seguida pelo STJ, a reclamação não pode - e não deve - ser considerada sucedâneo recursal, ou seja, é cabível tão-só nas hipóteses em que adequadamente atende aos requisitos de admissibilidade. 3. Portanto, por não ser sucedâneo recursal e não se prestar precipuamente como mecanismo de uniformização de jurisprudência, o uso da reclamação é excepcional e só justificável em poucas hipóteses, além das previstas constitucional e legalmente, como era o caso da Resolução n. 12 do STJ. Ocorre que referida resolução já não estava mais em vigência quando a presente peça foi protocolada nesta Corte de Justiça, porquanto expressamente revogada pela Emenda ao Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça n. 22, de 16/3/2016. Com a edição da Resolução STJ/GP n. 3, de 7/4/2016, foi atribuída às Câmaras Reunidas ou à Seção Especializada dos Tribunais de Justiça a competência para processar e julgar as Reclamações destinadas a dirimir divergência entre acórdão prolatado por Turma Recursal Estadual e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, consolidada em incidente de assunção de competência e de resolução de demandas repetitivas, em julgamento de recurso especial repetitivo e em enunciados das Súmulas do STJ. 4. Finalmente, quanto à reclamação como garantia das decisões do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado (22 de junho de 2022), a Primeira Seção, por maioria de votos, entendeu na Rcl n. 39.884 que é incabível reclamação em caso de concessão de medida antecipatória pelo tribunal de origem em processos cuja competência para processar e julgar é, em tese, dele mesmo (tribunal a quo), não configurando usurpação de competência deste Superior Tribunal de Justiça. 5. Logo, por não se tratar de nenhuma das hipóteses de cabimento da reclamação, corretamente indeferida a liminar. 6. Agravo interno não provido (AgInt na Rcl n. 41.841/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 8/2/2023, DJe de 13/2/2023). PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA RECLAMAÇÃO. ART. 988, II, DO CPC. UTILIZAÇÃO DA RECLAMAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. NÃO CABIMENTO. PRECEDENTES DO STJ. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. I - Trata-se de reclamação proposta por sociedade de advogados, no qual se alega suposto desrespeito a decisão desta Corte, proferida no Agravo em Recurso Especial nº 2.124.279/SP, relacionada aos critérios para fixação de honorários advocatícios. Esta Corte não conheceu da reclamação. II - Consoante dispõem os arts. 105, I, "f", da CF/1988; 988, II, do CPC/2015; e 187 do RISTJ, caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público para preservar a competência deste Tribunal ou garantir a autoridade das suas decisões. Assim, o seu ajuizamento está limitado apenas à não ocorrência do trânsito em julgado da decisão reclamada, nos termos da Súmula 734/STF. III - Lado outro, "a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça é de que descabe Reclamação para aferir o acerto ou desacerto na utilização, pela instância de origem, de tese firmada sob a sistemática dos Recursos Repetitivos, nos termos do art. 1.030, I, "b", do CPC/2015" (AgInt na Rcl n. 46.045/DF, relator Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 28/11/2023, DJe de 18/12/2023.) Ainda: AgInt na Rcl n. 42.874/DF, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Seção, julgado em 18/4/2023, DJe de 24/4/2023. IV - Demais disso, verifica-se que, não obstante o ajuizamento da presente reclamação, em consulta realizada no sítio eletrônico do Tribunal de origem, verificou-se que, combatendo o mesmo aresto apontado como reclamado, houve a interposição de recurso especial, pela Reclamante, em 28/08/2023, o qual teve juízo positivo de admissibilidade proferido, em 03/10/2023, e, enviado ao Egrégio STJ, estando ainda pendente de processamento, o que reforça que a presente reclamação não pode ser utilizada como substituto de recurso. V - "Assim, tem-se que a reclamação não tem cabimento como sucedâneo recursal, e seguindo entendimento desta Corte de que tal ação é destinada a preservar a competência do STJ ou garantir a autoridade de suas decisões, não sendo adequada à preservação de sua jurisprudência, mas sim à autoridade de decisão tomada em caso concreto e envolvendo as partes postas no litígio do qual ela é originada, não há que se dar seguimento à presente reclamação" (AgInt na Rcl n. 42.675/RS, relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção, julgado em 17/5/2022, DJe de 19/5/2022). VI - Em arremate - e a título meramente ilustrativo - registra-se que, em relação ao tema de fundo, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de Repercussão o Geral do Tema 1.255 - RE 1.412.069: Possibilidade da fixação dos honorários por apreciação equitativa (artigo 85, § 8º, do Código de Processo Civil) quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem exorbitantes. VII - Agravo interno improvido (AgInt nos EDcl na Rcl n. 46.227/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção, julgado em 5/3/2024, DJe de 7/3/2024). AGRAVO INTERNO. RECLAMAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL CONTRA DECISÃO QUE INADMITIU O APELO NOBRE COM BASE NO ART. 1.030, I, DO CPC/15. INADMISSIBILIDADE. ADEQUAÇÃO DO JULGADO IMPUGNADO À JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA. DESCABIMENTO. CONTROLE DA APLICAÇÃO, NO CASO CONCRETO, DE TESE REPETITIVA FIRMADA PELO STJ. INADMISSIBILIDADE. MULTA. NÃO APLICAÇÃO. 1. Não cabe reclamação contra a decisão do Tribunal de origem que não conhece do agravo fundado no art. 1.042 do CPC/2015, interposto contra decisão que negou seguimento a recurso especial com fundamento no art. 1.030, I, do CPC/2015. 2. É incabível o manejo da reclamação como sucedâneo recursal, com vistas a adequar o julgado impugnado à jurisprudência do STJ, mesmo que consolidada em súmula. Precedentes. 3. Consoante definido pela Corte Especial na Rcl 36.476/SP, não é cabível o ajuizamento de reclamação com vistas ao controle da aplicação, no caso concreto, de tese firmada pelo STJ em recurso especial repetitivo. 4. Em relação à multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/15, esta Corte possui firme entendimento no sentido de que a referida multa não constitui consequência automática do não conhecimento ou do desprovimento unânime do agravo interno. 5. Agravo interno não provido (AgInt na Rcl n. 42.586/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 15/3/2022, DJe de 17/3/2022). Isso posto, nego provimento ao recurso.