Rcl 48303 - DECISAO
A reclamação não foi conhecida porque não foi instruída com cópia do inteiro teor do acórdão do STJ alegadamente descumprido e outros documentos imprescindíveis, além de o acórdão recorrido não ter violado a determinação do STJ, já que o entendimento da Corte apenas afastou o limite máximo previsto pela Resolução...
Source-derived case information.
- Parties
- Reclamante: Denize Ornellas de Paiva Schwabenland de Castro; Reclamado: Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 December 2024
- Procedural Posture
- Reclamação / Não Conhecida
- Outcome
- não conheço da reclamação
- Legal Topics
- Reclamação, Coisa Julgada, Incidente De Resolução De Demandas Repetitivas, Incidente De Assunção De Competência, Retribuição Adicional Variável (rav), Título Executivo Coletivo
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Denize Ornellas de Paiva Schwabenland de Castro
Reclamante
Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2)
Reclamado
Procedural Posture
Reclamação / Não Conhecida
Legal Issues
- 1 inadequada instrução da petição inicial com prova documental pré-constituída
- 2 preservação da autoridade de decisões do STJ
- 3 alcance e efeitos do acórdão coletivo relativo à RAV
Ratio Decidendi
A reclamação não foi conhecida porque não foi instruída com cópia do inteiro teor do acórdão do STJ alegadamente descumprido e outros documentos imprescindíveis, além de o acórdão recorrido não ter violado a determinação do STJ, já que o entendimento da Corte apenas afastou o limite máximo previsto pela Resolução 001/1995 e não determinou direito automático ao pagamento da RAV em seu teto máximo.
Court Disposition
não conheço da reclamação
Orders
- indeferida a reclamação por ausência de instrução documental
- prejudicado o pedido de efeito suspensivo
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação ajuizada por Denize Ornellas de Paiva Schwabenland de Castro, com fundamento no art. 105, I, f, da Constituição Federal combinado com o art. 988, II, do Código de Processo Civil de 2015 (CPC/15) contra "ato decisório da Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2)" (fl. 3, e-STJ, grifei). A reclamante, em suas razões, delimita que a reclamação tem por objetivo garantir a autoridade do julgamento proferido pela Primeira Turma deste Superior Tribunal de Justiça no AgRg nos EDcl no AgRg no Agravo de Instrumento n. 1.424.442 - DF, julgado em 20/3/2014 e publicado DJe/STJ de 28/3/2014. Diz que "não pode o referido Tribunal alterar a coisa julgada em contrariedade ao decidido pelo STJ, que, expressamente, estendeu os efeitos da decisão coletiva para todos os integrantes da categoria do sindicato.". Consigna que o título exequendo está "soberanamente transitado em julgado, inexistindo sequer ação rescisória, seus termos são claros e não há limitação subjetiva no Acórdão final, ao contrário, reconheceu-se o direito da categoria substituída, desde que o servidor comprove o efetivo exercício do cargo no período compreendido pelo título". Requer, assim, "a cassação do acórdão reclamado e a determinação da medida adequada à solução da controvérsia (artigo 992 do CPC), restabelecendo-se a coisa julgada e a autoridade da decisão do E. STJ contida no STJ no AgRg nos EDcl no AgRg no Agravo de Instrumento nº. 1.424.442-DF, de 20/03/2014, restabelecendo-se o direito do Reclamante e seus patronos, já reconhecidos pelo E. STJ" (fl. 24, grifo no original). É o relatório. Passo a decidir. Compete ao Superior Tribunal de Justiça processar e julgar, originariamente, a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões, bem como para garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência, nos termos dos art. 105, I, f, da CF c/c o art. 187 do RISTJ e o art. 988 do CPC/2015. Como relatado, a reclamante insurge-se contra "ato decisório da Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2)", argumentando que "não pode o referido Tribunal alterar a coisa julgada em contrariedade ao decidido pelo STJ". Diga-se que esta Corte Superior tem reiteradamente decidido no sentido de que a petição inicial deverá ser instruída com prova documental pré-constituída, voltada à demonstração de que o ato reclamado não se coaduna com a determinação emanada por esta Corte (art. 13 da Lei n. 8.038/1990 e art. 187, parágrafo único, do RISTJ) (v.g.: AgRg na Rcl n. 18.385/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Terceira Seção, julgado em 27/8/2014, DJe de 4/9/2014.). Referido julgado está assim ementado: AGRAVO REGIMENTAL EM RECLAMAÇÃO. AUSÊNCIA DE PEÇAS. ACÓRDÃO RECLAMADO. INEXISTÊNCIA DE DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO DESTA CORTE. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I- A Reclamação, prevista no art. 105, inciso I, alínea f, da Constituição da República, e no art. 187 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, destina-se a garantir a autoridade das decisões do Superior Tribunal de Justiça ou à preservação de sua competência. II - A petição inicial deverá ser instruída com prova documental pré-constituída, voltada à demonstração de que o ato reclamado não se coaduna com a determinação emanada por esta Corte (art. 13 da Lei n. 8.038/1990 e art. 187, parágrafo único, do RISTJ). III - A reclamação não foi devidamente instruída, porquanto não apresentada, com a inicial, cópia do julgado desta Corte que alega desobedecido pelo acórdão reclamado, bem como de outros documentos imprescindíveis à comprovação dos fatos apontados. IV- Inviável a juntada, em sede de agravo regimental, de peças consideradas essenciais à instrução da reclamação. Precedentes. V- Inexistência, na espécie, descumprimento de decisão proferida por esta Corte, a ensejar a presente reclamação. VI - Agravo regimental improvido. (AgRg na Rcl n. 18.385/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Terceira Seção, julgado em 27/8/2014, DJe de 4/9/2014.) Ocorre que, no caso, a reclamação não foi devidamente instruída, visto que não apresentada, com a inicial, cópia do inteiro teor do acórdão reclamado que teria desobedecido decisão desta Corte Superior, bem como de outros documentos imprescindíveis à comprovação dos fatos apontados. Dessa forma, ante a manifesta inadmissibilidade da presente reclamação, de rigor o seu indeferimento. Além disso, cabe estabelecer que a decisão proferida no Ag no Agravo de Instrumento n. 1.424.442/DF apenas afastou o teto máximo estipulado pela Resolução 001/1995, nos seguintes termos: .. o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que, não obstante a fixação da Retribuição Adicional Variável - RAV - ser submetida aos critérios discricionários da Administração Pública, deve se afastar o limite máximo estipulado pela Resolução 001/1995, uma vez que esta norma vincula os vencimentos de duas categorias distintas da carreira de auditor fiscal, quais sejam a de Técnico (nível médio) e a de Auditor-Fiscal (nível superior). Portanto, aplica-se à Retribuição dos TTN o teto de oito vezes o valor do maior vencimento da própria categoria, nos termos do art. 8º da MP 831/1995, norma posteriormente convertida na Lei 9.624/1998. Noutros termos, o título formado na ação coletiva apenas determina que a Administração Pública desconsidere o limite discricionariamente criado por meio de resoluções, não havendo direito automático de percepção da RAV pelo limite máximo legal, tal como pretende a recorrente. A pretensão dos reclamantes, caso acolhida, é que extrapola a determinação do decisum proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, e de modo tal que a presente reclamação resta incabível, porquanto não é instrumento apto a viabilizar a melhor ou mais conveniente interpretação que se possa pretender fazer dos fatos da causa. Ou seja, não há determinação de que a RAV seja paga no seu teto máximo, razão pela qual a reclamação não é cabível nesse ponto. Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XVIII, a, do RISTJ, não conheço da reclamação. Prejudicado o pedido de efeito suspensivo. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECLAMAÇÃO. AUSÊNCIA DE PEÇAS. ACÓRDÃO RECLAMADO. BEM COMO DE OUTROS DOCUMENTOS IMPRESCINDÍVEIS À COMPROVAÇÃO DOS FATOS APONTADOS. INEXISTÊNCIA DE DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO DESTA CORTE. RECLAMAÇÃO NÃO CONHECIDA.