Rcl 48605 - DECISAO
A reclamação foi considerada manifestamente incabível porque a via não serve para compelir juízes e tribunais locais a aplicar precedentes firmados em recursos especiais repetitivos, sobretudo após a modificação promovida pela Lei 13.256/2016 ao art. 988 do CPC/2015; assim, não cabia a medida liminar pleiteada e o...
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- Parties
- Reclamante: J. G. S.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 February 2025
- Procedural Posture
- Reclamação / Reclamação Com Pedido De Liminar Indeferida
- Outcome
- Indefiro liminarmente a Reclamação; defiro o pedido de gratuidade judiciária.
- Legal Topics
- Reclamação, Precedentes, Recursos Especiais Repetitivos, Gratuidade Judiciária, Competência Do STJ
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Parties
J. G. S.
Reclamante
Procedural Posture
Reclamação / Reclamação Com Pedido De Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 Cabimento da reclamação para determinar observância de jurisprudência do STJ proferida em recurso especial repetitivo
- 2 Efeito da Lei 13.256/2016 sobre o art. 988 do CPC/2015
- 3 Possibilidade de revisão da aplicação concreta de precedentes por via recursal ordinária
Ratio Decidendi
A reclamação foi considerada manifestamente incabível porque a via não serve para compelir juízes e tribunais locais a aplicar precedentes firmados em recursos especiais repetitivos, sobretudo após a modificação promovida pela Lei 13.256/2016 ao art. 988 do CPC/2015; assim, não cabia a medida liminar pleiteada e o pedido de liminar foi indeferido.
Court Disposition
Indefiro liminarmente a Reclamação; defiro o pedido de gratuidade judiciária.
Orders
- Defiro o pedido de gratuidade judiciária.
- Indefiro liminarmente a presente Reclamação.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Reclamação com pedido de liminar formulada por J. G. S., com fundamento no art. 105, I, f, da Constituição Federal, contra despacho proferido por Desembargadora do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO que determinou a intimação da parte agravada para manifestação prévia sobre o pedido de antecipação de tutela formulado pela parte agravante. É o relatório. Decido. Defiro o pedido de gratuidade judiciária. Trata-se de Reclamação manifestamente incabível. É firme o entendimento de que a Reclamação não se presta para determinar que os julgadores da instância ordinária observem a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, mesmo que firmada em recurso repetitivo. Caberia Reclamação se o julgado desta Corte (supostamente) violado tivesse sido proferido em caso da própria parte desta ação, o que não ocorre nos autos. Nesse sentido, confira-se: RECLAMAÇÃO. RECURSO ESPECIAL AO QUAL O TRIBUNAL DE ORIGEM NEGOU SEGUIMENTO, COM FUNDAMENTO NA CONFORMIDADE ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPETITIVO (RESP 1.301.989/RS - TEMA 658). INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO INTERNO NO TRIBUNAL LOCAL. DESPROVIMENTO. RECLAMAÇÃO QUE SUSTENTA A INDEVIDA APLICAÇÃO DA TESE, POR SE TRATAR DE HIPÓTESE FÁTICA DISTINTA. DESCABIMENTO. PETIÇÃO INICIAL. INDEFERIMENTO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. 1. Cuida-se de reclamação ajuizada contra acórdão do TJ/SP que, em sede de agravo interno, manteve a decisão que negou seguimento ao recurso especial interposto pelos reclamantes, em razão da conformidade do acórdão recorrido com o entendimento firmado pelo STJ no REsp 1.301.989/RS, julgado sob o regime dos recursos especiais repetitivos (Tema 658). 2. Em sua redação original, o art. 988, IV, do CPC/2015 previa o cabimento de reclamação para garantir a observância de precedente proferido em julgamento de "casos repetitivos", os quais, conforme o disposto no art. 928 do Código, abrangem o incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) e os recursos especial e extraordinário repetitivos. 3. Todavia, ainda no período de vacatio legis do CPC/15, o art. 988, IV, foi modificado pela Lei 13.256/2016: a anterior previsão de reclamação para garantir a observância de precedente oriundo de "casos repetitivos" foi excluída, passando a constar, nas hipóteses de cabimento, apenas o precedente oriundo de IRDR, que é espécie daquele. 4. Houve, portanto, a supressão do cabimento da reclamação para a observância de acórdão proferido em recursos especial e extraordinário repetitivos, em que pese a mesma Lei 13.256/2016, paradoxalmente, tenha acrescentado um pressuposto de admissibilidade - consistente no esgotamento das instâncias ordinárias - à hipótese que acabara de excluir. 5. Sob um aspecto topológico, à luz do disposto no art. 11 da LC 95/98, não há coerência e lógica em se afirmar que o parágrafo 5º, II, do art. 988 do CPC, com a redação dada pela Lei 13.256/2016, veicularia uma nova hipótese de cabimento da reclamação. Estas hipóteses foram elencadas pelos incisos do caput, sendo que, por outro lado, o parágrafo se inicia, ele próprio, anunciando que trataria de situações de inadmissibilidade da reclamação. 6. De outro turno, a investigação do contexto jurídico-político em que editada a Lei 13.256/2016 revela que, dentre outras questões, a norma efetivamente visou ao fim da reclamação dirigida ao STJ e ao STF para o controle da aplicação dos acórdãos sobre questões repetitivas, tratando-se de opção de política judiciária para desafogar os trabalhos nas Cortes de superposição. 7. Outrossim, a admissão da reclamação na hipótese em comento atenta contra a finalidade da instituição do regime dos recursos especiais repetitivos, que surgiu como mecanismo de racionalização da prestação jurisdicional do STJ, perante o fenômeno social da massificação dos litígios. 8. Nesse regime, o STJ se desincumbe de seu múnus constitucional definindo, por uma vez, mediante julgamento por amostragem, a interpretação da Lei federal que deve ser obrigatoriamente observada pelas instâncias ordinárias. Uma vez uniformizado o direito, é dos juízes e Tribunais locais a incumbência de aplicação individualizada da tese jurídica em cada caso concreto. 9. Em tal sistemática, a aplicação em concreto do precedente não está imune à revisão, que se dá na via recursal ordinária, até eventualmente culminar no julgamento, no âmbito do Tribunal local, do agravo interno de que trata o art. 1.030, § 2º, do CPC/15. 10. Petição inicial da reclamação indeferida, com a extinção do processo sem resolução do mérito. (Rcl n. 36.476/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 5/2/2020, DJe de 6/3/2020.) Ante o exposto, indefiro liminarmente a presente Reclamação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA