Rcl 47880 - ACORDAO
Negou‑se provimento ao agravo interno porque a reclamação, nos termos do art. 105, I, f, da CF e da jurisprudência do STJ, não se presta como sucedâneo recursal para discutir divergência jurisprudencial; além disso, o seguimento da reclamação foi negado nos termos do art. 34, inciso XVIII, do Regimento Interno do...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: VANILDA DE FREITAS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno Na Reclamação / Julgamento Em Sessão Virtual (12/02/2025 a 18/02/2025)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Reclamação, Sucedâneo Recursal, Uniformização Da Jurisprudência, Requisição De Informações, Manifestação Do Ministério Público Federal, Prequestionamento, Competência Do STF, Autoridade De Decisões Do STJ
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
VANILDA DE FREITAS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Na Reclamação / Julgamento Em Sessão Virtual (12/02/2025 a 18/02/2025)
Legal Issues
- 1 cabimento da reclamação com fundamento no art. 105, I, f, da Constituição Federal
- 2 uso da reclamação como sucedâneo recursal
- 3 necessidade de requisição de informações e posterior vista ao MPF quando o seguimento é negado
Ratio Decidendi
Negou‑se provimento ao agravo interno porque a reclamação, nos termos do art. 105, I, f, da CF e da jurisprudência do STJ, não se presta como sucedâneo recursal para discutir divergência jurisprudencial; além disso, o seguimento da reclamação foi negado nos termos do art. 34, inciso XVIII, do Regimento Interno do STJ, afastando a necessidade de requisição de informações e vista ao MPF, e o STJ não pode apreciar questões constitucionais para prequestionamento, sob pena de usurpar competência do STF.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno
Orders
- Negado provimento ao agravo interno
- Indeferida liminarmente a reclamação
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 12/02/2025 a 18/02/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura, Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Regina Helena Costa. Impedido o Sr. Ministro Marco Aurélio Bellizze. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. RECLAMACÃO. APLICACÃO DE ENTENDIMENTO DESTA CORTE SUPERIOR. DESCABIMENTO. RECLAMAÇÃO CONTRA ACÓRDÃO DA TURMA NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO. SUCEDÂNEO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES E MANIFESTAÇÃO DO MPF . DESNECESSIDADE. PREQUESTIONAMENTO DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE. COMPETÊNCIA DO STF. PROVIMENTO NEGADO. 1. O Superior Tribunal de Justiça possui o entendimento de que a reclamação ajuizada com fundamento no art. 105, I, f, da Constituição Federal se destina a garantir a autoridade das decisões proferidas por este Tribunal Superior, tomadas em caso concreto, que tenham sido desrespeitadas pelas instâncias de origem em processo que envolva as mesmas partes. 2. É incabível reclamação proposta como sucedâneo recursal, ou com o intuito de aferir eventual contrariedade do acórdão reclamado a julgados do Superior Tribunal de Justiça. 3. Não há a necessidade de requisição de informações e posterior vista ao Ministério Público Federal (MPF) porque a reclamação teve seu seguimento negado nos termos do art. 34, inciso XVIII, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. 4. Não compete a este Tribunal Superior de Justiça o exame de preceitos constitucionais, ainda que para fins de prequestionamento, sob pena de usurpar a competência da Suprema Corte. 5. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por VANILDA DE FREITAS da decisão de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques (fls. 217/219), que indeferiu liminarmente a reclamação por não ser admitida como sucedâneo recursal. Em suas razões, a parte agravante defende o cabimento da reclamação, alegando o seguinte (fls. 230/231): Diferentemente do quanto afirmou o "decisum", a Reclamação prevista no art. 105, inciso I, alínea "f", da Constituição Federal, na modalidade regulamentada pelo art. 988, inciso II, do CPC, não se restringe apenas e tão somente à garantia da autoridade de decisões específicas em casos concretos. Ela também pode e deve ser utilizada para resolver situações onde há divergência evidente, assegurando a aplicação uniforme da jurisprudência em situações semelhantes, como ferramenta para evitar decisões contraditórias e preservar a integridade e coerência do sistema jurídico. Apesar da natureza célere e informal dos Juizados Especiais, a uniformização da jurisprudência é um objetivo subjacente, conforme previsto na Lei nº 9.099/95. A aplicação da reclamação é perfeitamente cabível quando se busca assegurar a integridade do entendimento de normas federais, especialmente quando a TNU, ao decidir em desconformidade com precedentes do STJ, compromete a uniformidade da jurisprudência e a segurança jurídica dos jurisdicionados. Requer, em síntese: (a) a reconsideração da decisão agravada ou a apresentação do processo ao órgão colegiado competente; (b) a solicitação de informações à Turma Nacional de Uniformização; (c) a concessão de vista dos autos ao Ministério Público Federal para parecer; e (d) o prequestionamento dos dispositivos constitucionais mencionados, para eventual interposição de recurso extraordinário. Impugnação ao recurso não apresentada (fls. 243 e 244) É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. RECLAMACÃO. APLICACÃO DE ENTENDIMENTO DESTA CORTE SUPERIOR. DESCABIMENTO. RECLAMAÇÃO CONTRA ACÓRDÃO DA TURMA NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO. SUCEDÂNEO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES E MANIFESTAÇÃO DO MPF . DESNECESSIDADE. PREQUESTIONAMENTO DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE. COMPETÊNCIA DO STF. PROVIMENTO NEGADO. 1. O Superior Tribunal de Justiça possui o entendimento de que a reclamação ajuizada com fundamento no art. 105, I, f, da Constituição Federal se destina a garantir a autoridade das decisões proferidas por este Tribunal Superior, tomadas em caso concreto, que tenham sido desrespeitadas pelas instâncias de origem em processo que envolva as mesmas partes. 2. É incabível reclamação proposta como sucedâneo recursal, ou com o intuito de aferir eventual contrariedade do acórdão reclamado a julgados do Superior Tribunal de Justiça. 3. Não há a necessidade de requisição de informações e posterior vista ao Ministério Público Federal (MPF) porque a reclamação teve seu seguimento negado nos termos do art. 34, inciso XVIII, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. 4. Não compete a este Tribunal Superior de Justiça o exame de preceitos constitucionais, ainda que para fins de prequestionamento, sob pena de usurpar a competência da Suprema Corte. 5. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO Preliminarmente, registro que estes autos foram a mim redistribuídos ante o impedimento do Ministro Marco Aurélio Bellizze, sucessor do Ministro Mauro Campbell Marques na Primeira Seção (fl. 247). A presente reclamação foi ajuizada com o intuito de que esta Corte Superior aferisse a existência de eventual contrariedade do julgado reclamado a julgados do Superior Tribunal de Justiça concernente à possibilidade de rateio da pensão por morte entre a ex-esposa e a companheira do segurado falecido, por presunção de dependência econômica simultânea de ambas em relação ao instituidor do benefício. Nesse contexto, é incabível a reclamação por ser vedado seu uso como sucedâneo recursal, ou para a preservação da jurisprudência deste Tribunal Superior; presta-se, sim, para preservar a autoridade de decisão tomada em caso concreto, que tenha sido desrespeitada pela instância de origem em processo que envolva as mesmas partes. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. RECLAMAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. INVIABILIDADE. OBSERVÂNCIA DE PRECEDENTE QUALIFICADO. NECESSIDADE DE ESGOTAMENTO DAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. ART. 988, § 5º, II, DO CPC. DECISÃO MANTIDA. 1. Nos termos do art. 105, I, f, da Constituição Federal, a reclamação é garantia constitucional destinada à preservação da competência do Superior Tribunal de Justiça ou para garantir a autoridade de suas decisões em caso de descumprimento ou de cumprimento em desacordo com os limites do julgado aqui proferido. 2. A reclamação não tem cabimento como sucedâneo recursal, nem é adequada à preservação da jurisprudência do STJ; presta-se, sim, a preservar a autoridade de decisão tomada em caso concreto e envolvendo as partes postas no litígio do qual se origina. Precedentes. 3. "Para que ocorra o esgotamento das instâncias ordinárias na forma exigida pelo inciso II do § 5º do art. 988 do CPC/2015, é necessário que o Tribunal de segundo grau tenha se manifestado sobre o tema em sede de juízo de retratação e que o recurso especial interposto naquele feito pelo Reclamante já tenha tido a sua admissibilidade examinada no segundo grau de jurisdição. Antes disso, o manejo da Reclamação é prematuro" (AgRg na Rcl n. 32.945/RS, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, julgado em 22/2/2017, DJe de 2/3/2017). 4. Agravo interno não provido. (AgInt na Rcl n. 45.565/PR, relator Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, julgado em 28/5/2024, DJe de 4/6/2024, sem destaque no original.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. NÃO CABIMENTO DA RECLAMAÇÃO. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual existência de obscuridade, contradição ou omissão no julgado (CPC, art. 535), sendo inadmissível a sua oposição para rediscutir questões tratadas e devidamente fundamentadas na decisão embargada, já que não são cabíveis para provocar novo julgamento da lide. 2. O acórdão embargado, embora não tenha examinado individualmente cada um dos argumentos suscitados pelos ora embargantes, adotou fundamentação suficiente, decidindo integralmente a controvérsia e em conformidade com a jurisprudência desta Corte de Justiça, no sentido da inviabilidade de utilização da reclamação, prevista no art. 105, I, f, da Constituição Federal e no art. 187 e seguintes do RISTJ, como sucedâneo do recurso cabível ou como meio de dirimir divergência jurisprudencial. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg na Rcl n. 18.093/DF, relator Ministro Raul Araújo, Corte Especial, julgado em 5/11/2014, DJe de 11/12/2014, sem destaque no original.) Acerca dos pedidos de solicitação de informações à Turma Nacional de Uniformização e concessão de vista dos autos ao Ministério Público Federal deduzidos nas razões do agravo interno, são incabíveis porque a reclamação teve seguimento negado nos termos do art. 34, inciso XVIII, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Nessa circunstância, a requisição de informações e a posterior vista ao Ministério Público Federal não são obrigatórias, já que dependem do processamento normal da reclamação, o que não ocorreu nestes autos. Por fim, ressalto que é vedado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) apreciar a alegada violação a dispositivos constitucionais, ainda que para fins de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal (STF). Confira-se: PROCESSUAL CIVIL. RECLAMAÇÃO. UTILIZAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRETENSÃO DE PREQUESTIONAMENTO DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA DO STF. I - Trata-se de reclamação em que se alega o descumprimento do acórdão proferido no REsp 1.011.307/SP, requerendo o sobrestamento da execução até o julgamento desta reclamação. O recurso especial foi julgado pela E. Segunda Turma desta Corte. II - A ato tido como descumpridor do acórdão supostamente desrespeitado é decisão monocrática proferida por juiz singular, em julgamento de embargos à execução fiscal, na qual declarou-se nula a execução. III - A mera contrariedade à jurisprudência desta Corte Superior não autoriza o manejo da reclamação, porquanto tal via se caracteriza como uma demanda de fundamentação vinculada, ou seja, cabível tão somente nas situações estritamente previstas no art. 988 do CPC. Há no caso dos autos intuito de utilização da reclamação como sucedâneo recursal, o que não é admissível. Nesse sentido: AgInt na Rcl 36.132/SC, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 14/11/2018, DJe 20/11/2018; AgInt nos EDcl na Rcl 35.329/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/09/2018, DJe 03/10/2018) IV - Não compete a esta Corte de Justiça o exame de preceitos constitucionais, ainda que para fins de prequestionamento, sob pena de usurpar a competência do Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido: EDcl no AgRg na Rcl 34.032/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 09/05/2018, DJe 11/05/2018; EDcl no AgInt nos EDcl na Rcl 34.149/AM, Rel. Ministro MARCO BUZZI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 13/12/2017, DJe 01/02/2018) V - Agravo regimental improvido. (AgRg nos EDcl na Rcl n. 27.818/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção, julgado em 27/3/2019, DJe de 1/4/2019, sem destaque no original.) Está correta a decisão que indeferiu liminarmente a reclamação. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.