Rcl 48835 - DECISAO
A reclamação foi considerada incabível porque o Tribunal de origem, no exercício de sua competência, aplicou o entendimento firmado no Tema n. 1.004 do STJ; não cabe à reclamação aferir eventual contrariedade do acórdão a julgados do Superior Tribunal de Justiça, sendo a via própria limitada à preservação da...
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- Parties
- Reclamante: CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGAS LTDA; Reclamante: CIG - EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 March 2025
- Procedural Posture
- Reclamação / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- reclamação não conhecida
- Legal Topics
- Reclamação, Tema 1.004/stj, Negativa De Seguimento Do Recurso Especial, Preceito Vinculante, Competência Do STJ
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Parties
CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGAS LTDA
Reclamante
CIG - EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA
Reclamante
Procedural Posture
Reclamação / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 cabimento da reclamação contra decisão que aplicou o Tema n. 1.004 do STJ
- 2 impropriedade da reclamação como sucedâneo recursal
- 3 preservação da competência e autoridade das decisões do Superior Tribunal de Justiça
Ratio Decidendi
A reclamação foi considerada incabível porque o Tribunal de origem, no exercício de sua competência, aplicou o entendimento firmado no Tema n. 1.004 do STJ; não cabe à reclamação aferir eventual contrariedade do acórdão a julgados do Superior Tribunal de Justiça, sendo a via própria limitada à preservação da competência e à garantia da autoridade das decisões desta Corte, razão pela qual a reclamação não foi conhecida.
Court Disposition
reclamação não conhecida
Orders
- Não conheço da reclamação.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação ajuizada por CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGAS LTDA e CIG - EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA "CONTRA DECISÃO DO TJSC que negou seguimento ao Recurso Especial, sob o argumento de que este deveria ser obstado em razão do Tema 1.004/STJ" (fl. 3). Sustentam as reclamantes, em suma, a legitimidade ativa e a má aplicação do Tema n. 1 004 do STJ. Afirmam que o acórdão recorrido foi omisso e contraditório ao não considerar as circunstâncias específicas do caso, como a ausência de onerosidade na transferência de titularidade e a boa-fé objetiva dos envolvidos. Sustentam haver divergência jurisprudencial, porque a transferência dos imóveis foi feita a título de incorporação para integralização de capital, sem onerosidade, o que caracteriza um negócio jurídico gratuito. Alegam que a hipótese atrairia a exceção prevista no precedente indicado, que reconhece a boa-fé objetiva em situações de negócio jurídico gratuito. Requerem, assim, que a reclamação seja conhecida e provida, determinando o seguimento e provimento do recurso especial, ou, alternativamente, que o acórdão recorrido seja anulado para novo julgamento que considere a boa-fé e o negócio jurídico gratuito. É o relatório. Decido. A reclamação é manifestamente incabível. Consoante disposto no art. 105, inciso I, alínea f, da Constituição Federal, c.c. o art. 988 do Código de Processo Civil e o art. 187 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, a reclamação constitui-se em via de impugnação para (i) preservação da competência do Superior Tribunal de Justiça, (ii) garantia da autoridade de suas decisões e (iii) observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência. No caso em apreço, o Tribunal de origem, exercendo sua competência, negou seguimento ao recurso especial, em razão da aplicação do entendimento firmado no Tema n. 1.004 do STJ. Na esteira da farta e uníssona jurisprudência desta Corte Superior, a reclamação não se presta a aferir eventual contrariedade da decisão reclamada com julgados do Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido, ilustrativamente: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. RECLAMACÃO. APLICACÃO DE ENTENDIMENTO DESTA CORTE SUPERIOR. DESCABIMENTO. RECLAMAÇÃO CONTRA ACÓRDÃO DA TURMA NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO. SUCEDÂNEO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES E MANIFESTAÇÃO DO MPF. DESNECESSIDADE. PREQUESTIONAMENTO DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE. COMPETÊNCIA DO STF. PROVIMENTO NEGADO. 1. O Superior Tribunal de Justiça possui o entendimento de que a reclamação ajuizada com fundamento no art. 105, I, f, da Constituição Federal se destina a garantir a autoridade das decisões proferidas por este Tribunal Superior, tomadas em caso concreto, que tenham sido desrespeitadas pelas instâncias de origem em processo que envolva as mesmas partes. 2. É incabível reclamação proposta como sucedâneo recursal, ou com o intuito de aferir eventual contrariedade do acórdão reclamado a julgados do Superior Tribunal de Justiça. 3. Não há a necessidade de requisição de informações e posterior vista ao Ministério Público Federal (MPF) porque a reclamação teve seu seguimento negado nos termos do art. 34, inciso XVIII, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. 4. Não compete a este Tribunal Superior de Justiça o exame de preceitos constitucionais, ainda que para fins de prequestionamento, sob pena de usurpar a competência da Suprema Corte. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt na Rcl n. 47.880/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Seção, julgado em 18/2/2025, DJEN de 21/2/2025; sem grifo no original.) PROCESSUAL CIVIL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO INDEFERIDA LIMINARMENTE. DECISÃO NA ORIGEM DE NEGATIVA DO SEGUIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. APLICAÇÃO DE PRECEDENTE VINCULANTE. ACÓRDÃO NA ORIGEM EM RECURSO INTERNO MANTENDO O ENTENDIMENTO. UTILIZAÇÃO DA RECLAMAÇÃO PARA ARROSTAR ALEGADA INCIDÊNCIA IMPRÓPRIA DE TEMA DO STF. NÃO CABIMENTO. DECISÃO MONOCRÁTICA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A reclamação é instrumento processual de caráter específico e de aplicação restrita, nos termos do artigo 105, inciso I, alínea "f", da Constituição Federal, destinando-se à preservação da competência do Superior Tribunal de Justiça e à garantia da autoridade das suas decisões. 2. O Tribunal de origem negou provimento ao agravo interno, mantendo a negativa de seguimento do recurso especial, em que se consignou a consonância do entendimento do aresto vergastado, sobre a constatação da responsabilidade subjetiva pelo ato de improbidade administrativa, com tema oriundo de precedente vinculante. 3. Incabível o manejo da via reclamatória para o controle de conformidade da tese firmada sob o rito dos recursos repetitivos (art. 1.030, inciso I, alínea "b", do Código de Processo Civil). 4. Ausente violação à competência do Superior Tribunal de Justiça em decorrência da aplicação do tema de repercussão geral do Supremo Tribunal Federal (artigo 988, § 1.º, do Código de Processo Civil). 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt na Rcl n. 47.502/GO, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Primeira Seção, julgado em 17/9/2024, DJe de 23/9/2024; sem grifo no original.) Ante o exposto, NÃO CONHEÇO da reclamação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTATIVO. RECLAMAÇÃO. ATO IMPUGNADO: ACÓRDÃO DE TRIBUNAL DE JUSTIÇA QUE NEGOU PROVIMENTO AO AGRAVO INTERNO CONTRA DECISÃO QUE SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL EM RAZÃO DO TEMA N. 1004 DO STJ. ALEGADA MÁ APLICAÇÃO DO PRECEDENTE VINCULANTE. VIA IMPRÓPRIA. PRECEDENTES. RECLAMAÇÃO NÃO CONHECIDA.