Rcl 49485 - DECISAO
A reclamação não foi conhecida porque não é meio adequado para corrigir alegada contrariedade a entendimento jurisprudencial do STJ nem para funcionar como sucedâneo recursal; ademais, não foi demonstrada ilegalidade manifesta ou erro material nas questões do concurso que justificasse intervenção judicial.
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- Parties
- Reclamante: GLEYSON DE AZEVEDO REINO; Recorrido: Turma Recursal Permanente dos Juizados da Fazenda Pública do Estado do Pará
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 August 2025
- Procedural Posture
- Reclamação Constitucional (art. 105, I, F, CF C/c Art. 988 Cpc) / Decisão De Admissibilidade Não Conhecimento
- Outcome
- reclamação não conhecida
- Legal Topics
- Reclamação, Anulação De Questões De Concurso Público, Vinculação Ao Edital, Erro Material, Sucedâneo Recursal, Jurisprudência Do STJ
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Parties
GLEYSON DE AZEVEDO REINO
Reclamante
Turma Recursal Permanente dos Juizados da Fazenda Pública do Estado do Pará
Recorrido
Procedural Posture
Reclamação Constitucional (art. 105, I, F, CF C/c Art. 988 Cpc) / Decisão De Admissibilidade Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Se há erro material ou ilegalidade evidente nas questões do concurso que justifique anulação e readequação de pontuação
- 2 Se a reclamação é via adequada para impugnar suposta contrariedade de acórdão a jurisprudência ou súmula do STJ, ou se configura sucedâneo recursal
Ratio Decidendi
A reclamação não foi conhecida porque não é meio adequado para corrigir alegada contrariedade a entendimento jurisprudencial do STJ nem para funcionar como sucedâneo recursal; ademais, não foi demonstrada ilegalidade manifesta ou erro material nas questões do concurso que justificasse intervenção judicial.
Court Disposition
reclamação não conhecida
Orders
- Não conheço da presente reclamação.
- Publique-se.
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DECISÃO Trata-se de reclamação, fundamentada no art. 105, inciso I, alínea f, da Constituição Federal e no art. 988, inciso IV, do Código de Processo Civil, ajuizada por GLEYSON DE AZEVEDO REINO contra acórdão da Turma Recursal Permanente dos Juizados da Fazenda Pública do Estado do Par á, assim ementado (fl. 170): EMENTA: DIREITO ADMINISTRATIVO. RECURSO INOMINADO. CONCURSO PÚBLICO. ANULAÇÃO DE QUESTÕES. IMPOSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA DA BANCA EXAMINADORA. AUSÊNCIA DE ERRO MATERIAL OU ILEGALIDADE MANIFESTA. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. I. CASO EM EXAME 1. Recurso inominado interposto contra sentença que julgou improcedente pedido de anulação de questões de concurso público para o cargo de Auditor Fiscal de Receitas Estaduais, sob a alegação de vícios nas questões impugnadas que comprometeram a pontuação do candidato. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em saber se há erro material ou ilegalidade manifesta nas questões impugnadas que justifiquem a intervenção do Poder Judiciário para determinar sua anulação e a readequação da pontuação do candidato. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O controle judicial em matéria de concursos públicos limita-se à verificação da legalidade do certame, sendo vedada a análise do mérito das questões e dos critérios adotados pela banca examinadora, salvo em casos de flagrante ilegalidade ou erro material manifesto. 4. A ausência de prova de erro material ou ilegalidade evidente nas questões impugnadas impede a anulação pretendida, prevalecendo a autonomia da banca examinadora e o princípio da vinculação ao edital. 5. Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça reconhece que a atuação do Judiciário deve restringir-se à verificação da conformidade das questões com o edital, não podendo substituir o juízo técnico da banca. IV. DISPOSITIVO 6. Recurso conhecido e desprovido. Aponta o reclamante a ilegalidade do ato impugnado por violação a precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Alega que o acórdão da Turma Recursal ratificou a sentença de primeiro grau sem enfrentar as teses deduzidas, especialmente sobre a violação do princípio da vinculação ao edital e a existência de erro crasso na questão 49 (fl. 3-4). Afirma que a questão 49 versa sobre o Decreto n. 1.171/1994, que não consta no conteúdo programático do edital, exigindo conhecimento extraedital para sua resolução (fl. 7-12). Requer, pois, a procedência da reclamação para reconhecer a violação à jurisprudência do STJ e anular a questão n. 49. Subsidiariamente, a cassação do acórdão reclamado e novo julgamento pela Turma Recursal. Gratuidade de justiça deferida pela Presidência desta Corte (fl. 224). É o relatório. Decido. A reclamação é manifestamente inadmissível. Com efeito, consoante disposto no art. 105, inciso I, alínea f, da Constituição Federal, c.c. o art. 988 do Código de Processo Civil e o art. 187 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, a reclamação constitui-se em via de impugnação para (i) preservação da competência do Superior Tribunal de Justiça, (ii) garantia da autoridade de suas decisões e (iii) observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência. Na esteira da jurisprudência desta Corte Superior, a reclamação constitucional não é a via adequada para análise de suposta má aplicação, pelas instâncias ordinárias, de entendimento sumulado ou jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido, ilustrativamente: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM RECLAMAÇÃO. PRESCRIÇÃO. VIOLAÇÃO DE SÚMULA. PROVIMENTO NEGADO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem o entendimento de que "a Reclamação, prevista no art. 105, I, f, da Constituição da República, bem como no art. 988 do Código de Processo Civil de 2015 (redação da Lei n. 13.256/2016), constitui ação destinada à preservação da competência do Superior Tribunal de Justiça (inciso I), a garantir a autoridade de suas decisões (inciso II) e à observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência (inciso IV e § 4º)" (AgInt na Rcl 40.414/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Seção, DJe de 20/10/2021). 2. A reclamação dirigida a este Tribunal "não se presta a proteger o jurisdicionado de decisões judiciais que não tenham seguido o posicionamento majoritário da jurisprudência desta Corte ou tese posta em enunciado de Súmula deste Tribunal" (AgRg na Rcl 41.479/MG, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, DJe de 29/3/2021). 3. É incabível reclamação para controle da aplicação pelos tribunais de tese posta em enunciado de súmula ou de precedente qualificado deste Tribunal adotado em julgamento de recurso especial repetitivo, sendo considerado indevido o uso da reclamação - ação autônoma que inaugura nova relação processual - em vez do sistema recursal, "ressalvada a via excepcional da ação rescisória". 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt na Rcl n. 43.026/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Seção, julgado em 19/9/2023, DJe de 22/9/2023; sem grifo no original.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. HIPÓTESE DE CABIMENTO. AUSÊNCIA. SUCEDÂNEO DE RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ MANTIDA. 1. O recurso foi interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. Caso em que a agravante objetiva a procedência da reclamação para que o "juízo de origem aplique o entendimento firmado na Súmula 576/STJ, fixando-se a data inicial do benefício a partir da DER e não em outra data". 3. De fato, a reclamação não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no ordenamento jurídico (art. 105, I, f, da CF c/c o art. 187 do RISTJ e o art. 988 do CPC/2015), visto que inexistente decisão desta Corte proferida no caso concreto, sendo certo que a reclamante está utilizando a via eleita como sucedâneo recursal para reformar decisão que lhe foi desfavorável, o que não se deve admitir, consoante jurisprudência desta Corte Superior. Decisão da Presidência do STJ mantida. 4. Agravo interno não provido. (AgInt na Rcl n. 46.902/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em 24/4/2024, DJe de 29/4/2024; sem grifo no original.) PROCESSUAL CIVIL. SERVIDOR PÚBLICO. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. RECLAMAÇÃO CONTRA ACÓRDÃO DE TURMA RECURSAL. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE À ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL DO STJ. NÃO CAMBIMENTO. MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. INADEQUADA AO CASO CONCRETO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte, na sessão realizada em 9.3.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - A Reclamação, prevista no art. 988 do CPC, destina-se a tornar efetivas as decisões proferidas, no próprio caso concreto, em que o Reclamante tenha figurado como parte, não servindo para a preservação da jurisprudência desta Corte ou, ainda, como sucedâneo recursal. III - Incabível o ajuizamento de reclamação para discutir eventual contrariedade a entendimento jurisprudencial do STJ no julgamento de recurso inominado, no âmbito dos Juizados Especiais da Fazenda Pública, porquanto a Lei n. 12.153/2009 prevê procedimento específico. IV - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. V - Agravo Interno improvido. (AgInt na Rcl n. 46.734/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Seção, julgado em 24/4/2024, DJe de 2/5/2024; sem grifo no original.) Ante o exposto, NÃO CONHEÇO da presente reclamação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. RECLAMAÇÃO. CONCURSO PÚBLICO. PRETENSÃO DE ANULAR QUESTÕES. ATO IMPUGNADO: ACÓRDÃO DE TURMA RECURSAL. SUPOSTA DIVERGÊNCIA COM JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUCEDÂNEO RECURSAL. DESCABIMENTO. PRECEDENTES. RECLAMAÇÃO NÃO CONHECIDA.