Rcl 49898 - DECISAO
Negou‑se seguimento à reclamação porque ela foi manejada como sucedâneo recursal para reformar acórdão do Tribunal de origem, não para preservar a competência do STJ nem para garantir a autoridade de suas decisões, sendo tal utilização inadequada segundo precedentes desta Corte; assim, impõe‑se o indeferimento nos...
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- Parties
- Reclamante: Roberto Henrique Soares; Reclamante: Valéria Rangel Rodrigues Soares
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 September 2025
- Procedural Posture
- Reclamação / Decisão De Não Seguimento
- Outcome
- Nego seguimento à reclamação
- Legal Topics
- Reclamação, Tema Repetitivo Nº 243, Fraude À Execução, Bem De Família, Sucedâneo Recursal, Preclusão De Recurso Especial
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Parties
Roberto Henrique Soares
Reclamante
Valéria Rangel Rodrigues Soares
Reclamante
Procedural Posture
Reclamação / Decisão De Não Seguimento
Legal Issues
- 1 Cabimento da reclamação para assegurar observância de tese firmada em recurso especial repetitivo (Tema 243)
- 2 Utilização da reclamação como sucedâneo recursal para reformar acórdão
- 3 Aplicabilidade do art. 105, I, "f" da Constituição Federal e do art. 988 do CPC
Ratio Decidendi
Negou‑se seguimento à reclamação porque ela foi manejada como sucedâneo recursal para reformar acórdão do Tribunal de origem, não para preservar a competência do STJ nem para garantir a autoridade de suas decisões, sendo tal utilização inadequada segundo precedentes desta Corte; assim, impõe‑se o indeferimento nos termos do art. 34, XVIII, do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
Nego seguimento à reclamação
Orders
- Nego seguimento à reclamação.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação ajuizada por Roberto Henrique Soares e Valéria Rangel Rodrigues Soares, buscando a reforma de acórdão proferido pela 1ª Turma do Tribunal Regional do Tra balho da 17ª Região, assim ementado (fl. 17): EMBARGOS DE TERCEIRO. FRAUDE À EXECUÇÃO. BEM DE FAMÍLIA. INOPONIBLIDADE. Havendo prova inequívoca de que o bem foi vendido após o ajuizamento da reclamação trabalhista e de que o patrimônio da executada foi sobremaneira afetado, impossibilitando o adimplemento de sua obrigação, presentes, portanto, os requisitos reveladores da fraude à execução, nos termos do artigo 792, do CPC. A par disso, a alegação de que se trataria de bem de família não tem pertinência, pois a dívida que onera o imóvel é anterior à alienação. Nesse sentido, o art. 1715 do CC. Precedentes. Aduzem que o entendimento do Tribunal de origem "incorreu em frontal violação ao Tema Repetitivo nº 243 desta Corte Superior, o qual possui força obrigatória nos termos do art. 927, III, do CPC", sendo certo que não caberia a interposição de recurso especial, dado não se tratar de impugnação de decisão de última instância. Assim posta a questão, fica claro que a reclamação não foi manejada para preservar a competência desta Corte nem para garantir a autoridade de suas decisões, mas, simplesmente, com o propósito de reformar acórdão proferido pelo Tribunal de origem, não se verificando, pois, nenhuma das hipóteses previstas nos artigos 105, I, "f", da Constituição Federal e 988 do Código de Processo Civil de 2015, mostrando-se totalmente incompatível com os objetivos tutelados pelo instituto processual-constitucional da reclamação, tornando inviável o seu seguimento, já que utilizada com claro propósito de reforma do julgado. Nesse sentido são, entre diversos outros, os seguintes precedentes desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. APLICAÇÃO DE REPETITIVO. SUCEDÂNEO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO MANTIDA. 1. A Corte Especial do STJ decidiu que a reclamação constitucional não é "instrumento adequado para o controle da aplicação dos entendimentos firmados pelo STJ em recursos especiais repetitivos" (Rcl 36.476/SP, Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, julgado em 5/2/2020, DJe 6/3/2020). 2. "A reclamação não é instrumento processual adequado para o exame do acerto ou desacerto da decisão impugnada, como sucedâneo de recurso" (AgInt na Rcl 40.171/PR, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 1º/9/2020, DJe 9/9/2020). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt na Rcl 40.576/DF, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 01/12/2020, DJe 09/12/2020) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. RECLAMAÇÃO. ART. 988, II DO CPC. OFENSA A DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. NÃO OCORRÊNCIA. UTILIZAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. DESCABIMENTO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não é cabível reclamação para se verificar no caso concreto se foram realizadas alienações judiciais em fraude à execução, devendo a parte agravante valer-se dos meios processuais pertinentes. 2. A reclamação não é passível de utilização como sucedâneo recursal, com vistas a discutir o teor da decisão hostilizada. 3. Agravo interno não provido. (AgInt na Rcl 40.177/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 29/09/2020, DJe 02/10/2020) A Corte Especial do STJ, ao concluir o julgamento da Rcl n. 36.476/SP, de relatoria da Ministra Nancy Andrighi, DJe 6/3/2020, firmou entendimento de que não cabe o ajuizamento de reclamação para garantir observância de tese firmada em recurso especial repetitivo. Em face do exposto, com fundamento no art. 34, XVIII, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, nego seguimento à reclamação. Intimem-se. EMENTA