Rcl 50148 - DECISAO
A reclamação foi rejeitada porque a decisão do STF no Tema 1.068, posterior ao HC n. 870.886/PA, passou a ser vinculante e determina a execução imediata da pena imposta pelo Tribunal do Júri independentemente do quantum, de modo que a decisão anterior do STJ não impede a aplicação imediata do regime de execução;...
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- Parties
- Reclamante: ANTONIO CARLOS ALVES BARBOSA FILHO; Reclamado: JUIZ DE DIREITO DA 4A VARA DO TRIBUNAL DO JURI DE BELEM - PA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 October 2025
- Procedural Posture
- Reclamação / Seguimento Negado (nego Seguimento)
- Outcome
- Nego seguimento à presente reclamação
- Legal Topics
- Reclamação, Habeas Corpus, Execução Provisória Da Pena, Tribunal Do Júri, Tema 1.068 (repercussão Geral), Art. 492 Do CPP, Súmula Vinculante 10, Vinculação De Precedentes Do STF
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Parties
ANTONIO CARLOS ALVES BARBOSA FILHO
Reclamante
JUIZ DE DIREITO DA 4A VARA DO TRIBUNAL DO JURI DE BELEM - PA
Reclamado
Procedural Posture
Reclamação / Seguimento Negado (nego Seguimento)
Legal Issues
- 1 Se a nova decisão de prisão do juízo de origem contraria e desrespeita decisão proferida por este Superior Tribunal no HC n. 870.886/PA
- 2 Se a decisão do STF no Tema 1.068, com interpretação conforme ao art. 492 do CPP, obriga a execução imediata da pena imposta pelo Tribunal do Júri independentemente do quantum e, assim, afasta a eficácia da decisão anterior do STJ no caso concreto
Ratio Decidendi
A reclamação foi rejeitada porque a decisão do STF no Tema 1.068, posterior ao HC n. 870.886/PA, passou a ser vinculante e determina a execução imediata da pena imposta pelo Tribunal do Júri independentemente do quantum, de modo que a decisão anterior do STJ não impede a aplicação imediata do regime de execução; assim, não se configurou hipótese de reclamação apta a preservar a autoridade da decisão do STJ no caso concreto.
Court Disposition
Nego seguimento à presente reclamação
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação ajuizada por ANTONIO CARLOS ALVES BARBOSA FILHO apontando o descumprimento, pelo JUIZ DE DIREITO DA 4A VARA DO TRIBUNAL DO JURI DE BELEM - PA, de julgado desta Corte (HC n. 870.886/PA) que concedeu a ordem "para afastar a execução provisória da pena, sem prejuízo da decretação da prisão preventiva acaso cabalmente demonstrada a sua necessidade". O reclamante alega que "a nova decisão do juízo de origem, ao determinar a prisão do Reclamante, ignora e contraria frontalmente a autoridade da decisão transitada em julgado proferida por este Superior Tribunal no HC nº 870.886 - PA, que já havia analisado a situação particular do Reclamante e lhe garantido o direito à liberdade até o trânsito em julgado" (e-STJ fls. 2-7). É o relatório. Decido. Conforme os artigos 105, I, f, da Constituição Federal e 187 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, cabe reclamação, da parte interessada ou do Ministério Público, para preservar a competência deste Tribunal ou para garantir a autoridade de suas decisões. O Código de Processo Civil, em seu artigo 988, disciplinou o instituto de forma pormenorizada nos seguintes termos: Art. 988. Caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público para: I - preservar a competência do tribunal; II - garantir a autoridade das decisões do tribunal; III - garantir a observância de enunciado de súmula vinculante e de decisão do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; IV - garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência; § 1º A reclamação pode ser proposta perante qualquer tribunal, e seu julgamento compete ao órgão jurisdicional cuja competência se busca preservar ou cuja autoridade se pretenda garantir. § 2º A reclamação deverá ser instruída com prova documental e dirigida ao presidente do tribunal. § 3º Assim que recebida, a reclamação será autuada e distribuída ao relator do processo principal, sempre que possível. § 4º As hipóteses dos incisos III e IV compreendem a aplicação indevida da tese jurídica e sua não aplicação aos casos que a ela correspondam. § 5º É inadmissível a reclamação: I - proposta após o trânsito em julgado da decisão reclamada; II - proposta para garantir a observância de acórdão de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida ou de acórdão proferido em julgamento de recursos extraordinário ou especial repetitivos, quando não esgotadas as instâncias ordinárias. § 6º A inadmissibilidade ou o julgamento do recurso interposto contra a decisão proferida pelo órgão reclamado não prejudica a reclamação. A Terceira Seção desta Corte, ao interpretar o § 5º do art. 988, II, do CPC, entendia também ser admissível a reclamação quando a decisão contrariasse acórdão proferido em julgamento de recurso especial repetitivo, desde que esgotada a instância ordinária. Ocorre que a Corte Especial, nos autos da Reclamação n. 36.476/SP (relatora Ministra Nancy Andrighi, julgado em 5/2/2020), decidiu, por maioria, não ser cabível reclamação para discutir a observância de precedente proferido em julgamento de recurso especial repetitivo Diante disso, conclui-se que a reclamação é medida excepcional, cabível no âmbito desta Corte exclusivamente nas seguintes hipóteses: (a) preservação da competência constitucional do Superior Tribunal de Justiça; e (b) manutenção da autoridade de decisão proferida nesta Corte Superior na análise do caso concreto (envolvendo as mesmas partes da decisão reclamada). No caso, é forçoso reconhecer que o reclamante não tem razão. A decisão proferida no HC n. 870.886/PA é anterior ao julgamento de mérito do Tema 1.068 pelo Supremo Tribunal Federal, cujo entendimento passa a ser vinculante e de observância obrigatória por todos os juízes e tribunais do país, inclusive por esta Corte, por força do disposto no art. 927, inciso III, do CPC. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO CONTRA DECISÃO DE CONCESSÃO LIMINAR DA ORDEM DE HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PROVISÓRIA DE PENA IMPOSTA PELO TRIBUNAL DO JÚRI. PENA SUPERIOR A 15 ANOS DE RECLUSÃO. ART. 492, I, E DO CPP. ALTERAÇÃO PROMOVIDA PELA LEI N. 13.964/2019 (PACOTE ANTICRIME). APLICABILIDADE IMEDIATA. ENTENDIMENTO DO STF. TEMA 1.068 DA REPERCUSSÃO GERAL. QUANTUM DA PENA. IRRELEVÂNCIA. 1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, em diversas oportunidades, tem declarado a nulidade das decisões que afastam a aplicação do art. 492, I, e, do Código de Processo Penal, por violação da Súmula Vinculante 10 e da cláusula de reserva de Plenário, pois tal afastamento configura controle difuso de constitucionalidade que demanda a manifestação do órgão pleno ou do órgão especial. 2. A jurisprudência recente do Superior Tribunal de Justiça já vinha se alinhando ao entendimento do STF, aplicando a execução imediata da pena imposta pelo Tribunal do Júri. Precedentes. 3. No julgamento do RE n. 1.235.340/SC (Tema 1.068 da Repercussão Geral), finalizado em 12/9/2024, o STF deu interpretação conforme à Constituição ao art. 492 do CPP, excluindo o limite mínimo de 15 anos para a execução da condenação imposta pelo Tribunal do Júri, firmando a tese de que a soberania dos veredictos autoriza a imediata execução da pena, independentemente do total da pena aplicada. 4. Diante do posicionamento vinculante do STF e da recente orientação do STJ, torna-se inviável a concessão de habeas corpus que contrarie tais precedentes, devendo-se aplicar imediatamente a prisão ao réu condenado pelo Tribunal do Júri. 5. Agravo regimental provido. (AgRg no HC n. 788.126/SC, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), relator para acórdão Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 17/9/2024, DJe de 27/9/2024, g.n.) Ante o exposto, nego seguimento à presente reclamação, forte no artigo 34, XVIII, "b", do Regimento Interno do STJ. Publique-se. Intimem-se. EMENTA