Rcl 48855 - ACORDAO
Não conhecer do agravo interno porque o agravante deixou de impugnar especificamente o fundamento central da decisão agravada (o caráter incabível da reclamação), aplicando-se a Súmula 182/STJ; em decorrência da sucumbência, fixaram-se honorários sucumbenciais por apreciação equitativa em R$ 2.305,06.
Source-derived case information.
- Parties
- Reclamante: VITORIO MASSINHAM
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 November 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno Na Reclamação / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conhecer do agravo interno
- Legal Topics
- Reclamação, Impugnação Específica, Súmula 182/stj, Cabimento Da Reclamação, Honorários Sucumbenciais, Coisa Julgada
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
VITORIO MASSINHAM
Reclamante
Procedural Posture
Agravo Interno Na Reclamação / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão monocrática
- 2 cabimento excepcional da reclamação previsto no art. 105, I, f, da CF e no Regimento Interno do STJ
- 3 fixação equitativa de honorários sucumbenciais na ausência de condenação e de indicação do valor da causa
Ratio Decidendi
Não conhecer do agravo interno porque o agravante deixou de impugnar especificamente o fundamento central da decisão agravada (o caráter incabível da reclamação), aplicando-se a Súmula 182/STJ; em decorrência da sucumbência, fixaram-se honorários sucumbenciais por apreciação equitativa em R$ 2.305,06.
Court Disposition
não conhecer do agravo interno
Orders
- Não conhecer do agravo interno.
- Fixam-se honorários sucumbenciais em R$ 2.305,06 (dois mil, trezentos e cinco reais e seis centavos).
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 06/11/2025 a 12/11/2025, por unanimidade, nao conhecer do agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Ricardo Villas Bôas Cueva, Moura Ribeiro, Daniela Teixeira, Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Raul Araújo e Maria Isabel Gallotti votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Marco Buzzi. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. SÚMULA N. 182/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. A ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão monocrática atrai a Súmula n. 182/STJ. 2. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno (fls. 113-112) interposto contra decisão do Vice-Presidente, no exercício da Presidência desta Corte, que indeferiu liminarmente a reclamação e julgou prejudicado o pedido de liminar. Em suas razões, a parte agravante afirma que o acórdão reclamado violou a coisa julgada. Narra que (fl. 114): Repise-se que o Recorrido protocolou Reclamação ao STJ, conforme acima descrita, no sentido de tentar reverter o julgado "a quo" que sentenciou ao pagamento de indenização de astreintes, conforme mov. sob nº. 206.1, dos autos sob nº. 0008366-96.2013.8.16.0019 (Cumprimento de sentença). Ocorre que o Recorrido deixou transcorrer "In albis" os prazos para a impetração de Recursos no processo no TJPR cuidando apenas de lançar mão da Reclamação ao STJ, sem, ao menos, informar no processo principal tal atitude processual. Ora, com o julgamento nesta casa (STJ) de incompetência para sentenciamento e o retorno dos autos ao TJPR, instaurado apenas em 17/08/2020, data em que TODOS OS RECURSOS JÁ HAVIAM TRANSITADO EM JULGADO, prejudicando o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada, determinando um efeito suspensivo sem liame jurídico ou qualquer conotação processual, sendo ainda uma forma surpreendente. Veja-se que o Reclamante só veio a ser informado do referido recurso quando de sua intimação pelo TJPR, conf. mov. nº. 53.1, dos autos nº. 0047614-82.2020.8.16.0000, em 05/10/2020. Não se verifica legalidade no efeito s uspensivo atribuído pelo TJPR, sendo necessário a invalidação do acórdão atacado, restaurando-se assim a segurança jurídica do trânsito em julgado (cláusula pétrea constitucional). Afirma que a parte contrária não poderia ter ajuizado reclamação sem antes exaurir as instâncias ordinárias, o que não aconteceu. Discorre a respeito da coisa julgada e do princípio da segurança jurídica. Ao final, pede o provimento do recurso. Foi apresentada impugnação (fls. 128-134). A parte reclamante fez novo pedido de liminar (fls. 135-136), indeferido por esta relatoria (fls. 138-139). Foi apresentado pedido de reconsideração para que seja concedido o efeito suspensivo (fls. 143-145). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. SÚMULA N. 182/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. A ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão monocrática atrai a Súmula n. 182/STJ. 2. Agravo interno não conhecido. VOTO A insurgência não merece acolhida, sendo certo que a decisão agravada possui o seguinte teor (fls. 88-90): Trata-se de reclamação com pedido de liminar ajuizada por VITORIO MASSINHAM contra acórdão proferido pela TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ, em que se alega a incompatibilidade entre o que ficou decidido no acórdão reclamado e súmula do Superior Tribunal de Justiça. Tece diversas digressões sobre o mérito da causa, afirmando, com o intuito de justificar o cabimento da reclamação, que (fls. 17-18): .. O Novo CPC entendeu ser dispensável que a intimação do devedor seja pessoal para que se permita a cobrança de multa por descumprimentos de ordem judicial. Assim, houve a superação do entendimento anterior, de modo a desconsiderar a exigência restritiva da súmula 410 do STJ. .. apenas subsiste a necessidade de observância à súmula 410, nas execuções anteriores à entrada em vigor do novo Código, o que não é o caso dos autos. É o relatório. A reclamação que é da atribuição desta Corte Superior está prevista no art. 105, I, f, da Constituição Federal e constitui garantia constitucional destinada à preservação da competência do Superior Tribunal de Justiça ou à garantia da autoridade de suas decisões, em caso de descumprimento de seus julgados. No tocante à alegação de descumprimento de julgado deste Tribunal Superior, o cabimento da reclamação exige a demonstração de que há aderência estrita entre o objeto do ato reclamado e o conteúdo do provimento jurisdicional especificamente proferido pelo STJ para a relação processual originária. A propósito do tema, veja-se o que dispõe o artigo 187 do Regimento Interno do STJ: Art. 187. Para preservar a competência do Tribunal, garantir a autoridade de suas decisões e a observância de julgamento proferido em incidente de assunção de competência, caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público desde que, na primeira hipótese, haja esgotado a instância ordinária. No caso dos autos, os atos reclamados não desrespeitaram decisão ou ordem do STJ que tenha sido vertida em caso relacionado ao da Reclamante, sendo pacífico o entendimento de que não se admite o ajuizamento de reclamação como sucedâneo recursal, isto é, para dirimir divergência jurisprudencial entre o provimento reclamado e precedentes desta Corte Superior. A propósito (destaques acrescidos): AGRAVO REGIMENTAL NA RECLAMAÇÃO. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO JULGAMENTO PROFERIDO PELO STJ NOS CONFLITOS DE COMPETÊNCIA N. 170.247/SC, 170.252/SC, 170.253/SC E 170.258/SC. PRETENSÃO DE AMPLIAÇÃO DA EXTENSÃO DO JULGADO. NÃO CABIMENTO. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A reclamação é medida excepcional, cabível no âmbito desta Corte exclusivamente nas seguintes hipóteses: (a) preservação da competência constitucional do Superior Tribunal de Justiça; e (b) manutenção da autoridade de decisão proferida nesta Corte Superior na análise do caso concreto (envolvendo as mesmas partes da decisão reclamada). 2. In casu, o reclamante alega que houve desrespeito à decisão proferida por este Tribunal Superior no julgamento dos Conflitos de Competência n. 170.247/SC, 170.252/SC, 170.253/SC e 170.258/SC, em que se reconheceu a competência do Juízo Federal da 5ª Vara de Santos - SJ/SP para processar o inquérito policial n. 5004098-41.2020.4.03.6104 e os seus associados, em que se apura a prática do crime de lavagem de capitais. A conclusão foi tomada com base nos arts. 76, II e III, e 78, II, a, do Código de Processo Penal e no fato de que os delitos que antecederiam o crime de lavagem de capitais seriam o de tráfico internacional de entorpecentes e o de associação para o mesmo fim, que foram objeto do processo de n. 0000334-69.2019.403.6104 (Operação Alba Vírus) perante o Juízo Federal da 5ª Vara de Santos - SJ/SP. 3. A presente reclamação tem por objeto os autos 50144781420224047208/SC, os quais não foram motivo de análise por esta Corte e cujos investigados são diversos daqueles denunciados nas ações penais que tramitaram perante o Juízo Federal paulista. 4. O reclamante, ao alegar que os fatos teriam relação direta com aqueles processados em Santos/SP, pretende dar ao julgado desta Corte extensão maior do que a que efetivamente tem, o que desautoriza o manejo da reclamação. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg na Rcl n. 45.646/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Terceira Seção, julgado em 18/6/2024, DJe de 21/6/2024.) AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. DECISÃO QUE NEGOU SEGUIMENTO À RECLAMAÇÃO. 1. A presente reclamação não foi conhecida ao fundamento de que a alegação de violação de Súmula do STJ e de julgados desta Corte não proferidos no caso concreto, envolvendo as mesmas partes e a mesma demanda, não se enquadra nas hipóteses de cabimento da reclamação. 2. Inconformada, a reclamante interpõe agravo interno aduzindo, em síntese, que os precedentes por ela indicados se encaixam no art. 927 do CPC, e, portanto, devem ser aplicados com força vinculante para o caso em questão. 3. "A reclamação, em razão de sua natureza incidental e excepcional, destina-se a preservação da competência e garantia da autoridade dos julgados somente quando objetivamente violados, não podendo servir como sucedâneo recursal para discutir o teor da decisão hostilizada" (AgRg na Rcl n. 6.199/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, DJe de 19/12/2011). 4. A alegação de violação de súmula e de julgados proferidos em casos genéricos não se enquadram nas hipóteses de cabimento da reclamação, nos termos da jurisprudência pacificada desta Corte superior. 5. Não verificada, no momento, a presença dos requisitos autorizadores para condenação em litigância de má-fé. Agravo interno improvido. (AgInt na Rcl n. 46.219/AP, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Seção, julgado em 5/3/2024, DJe de 8/3/2024.) Ante o exposto, indefiro liminarmente a reclamação, prejudicado o pedido liminar. Publique-se. Intimem-se. A decisão agravada indeferiu liminarmente a reclamação, por entender não ser cabível tal medida, visto que a parte reclamante não aponta descumprimento de nenhuma súmula vinculante, IAC ou decisão específica anterior entre as partes que pudesse autorizar o ajuizamento da reclamação constitucional. Nas razões do presente agravo interno, a parte reitera argumentos da inicial e insurge-se contra o julgamento da reclamação ajuizada pela parte contrária (Rcl n. 39.915/PR), remetida por esta Corte ao Tribunal de origem e lá julgada. Contudo, não foi apresentada impugnação ao fundamento da decisão recorrida quanto ao descabimento da reclamação ajuizada pelo ora agravante. Em obediência ao princípio da dialeticidade recursal e conforme previsto no art. 1.021, § 1º, do CPC, "na petição de agravo interno, o recorrente impugnará especificadamente os fundamentos da decisão agravada". Deixando a parte recorrente de impugnar o fundamento da decisão recorrida, incide a Súmula n. 182/STJ. Diante da sucumbência do recorrente e angularizada a relação processual, devem ser fixados honorários advocatícios sucumbenciais. No caso, não houve condenação e não há falar em proveito econômico, visto que a questão tratada nos autos é a possibilidade de julgamento de outra reclamação, ajuizada pela parte contrária. Além disso, não foi indicado o valor da causa. Em tais condições, os honorários advocatícios devem ser fixados por apreciação equitativa, nos termos do art. 85, §§ 2º, 8º e 8º-A, do CPC. Dessa forma, observado o valor mínimo estabelecido pela tabela de honorários aprovada pela OAB/SP, capítulo XVII, item 10 (disponível em https://honorarios.oabpr.org.br/tabela-de-honorarios; acesso em 14/9/2025), fixo os honorários em R$ 2.305,06 (dois mil, trezentos e cinco reais e seis centavos). Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno e FIXO os honorários sucumbenciais em R$ 2.305,06 (dois mil, trezentos e cinco reais e seis centavos). Fica prejudicado o pedido de reconsideração (fls. 143-145). É como voto.