Rcl 50668 - DECISAO
Indefiro liminarmente a reclamação, por aplicação do entendimento firmado pela Corte Especial do STJ de que não é cabível reclamação destinada a aferir a correção da aplicação, na instância de origem, de tese firmada sob a sistemática dos recursos especiais repetitivos; cabe aos juízes e tribunais locais aplicar...
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- Parties
- Reclamante: MUNICÍPIO DE JOINVILLE; Reclamado: Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 January 2026
- Procedural Posture
- Reclamação / Liminar Indeferida
- Outcome
- Indefiro liminarmente a Reclamação
- Legal Topics
- Reclamação, Recursos Especiais Repetitivos, Tema 566/stj, Prescrição Intercorrente, Súmula 106/stj, Ag Ravo Interno, Aplicação De Precedentes
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Parties
MUNICÍPIO DE JOINVILLE
Reclamante
Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina
Reclamado
Procedural Posture
Reclamação / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 Admissibilidade da reclamação para impugnar aplicação, na instância de origem, de tese firmada em recurso especial repetitivo (Tema 566/STJ)
- 2 Se a prescrição intercorrente pode ser decretada de forma automática ou presumida com base no Tema 566
- 3 Necessidade de indicação precisa dos marcos temporais para decretação da prescrição intercorrente
Ratio Decidendi
Indefiro liminarmente a reclamação, por aplicação do entendimento firmado pela Corte Especial do STJ de que não é cabível reclamação destinada a aferir a correção da aplicação, na instância de origem, de tese firmada sob a sistemática dos recursos especiais repetitivos; cabe aos juízes e tribunais locais aplicar individualmente a tese e utilizar as vias recursais ordinárias para revisão.
Court Disposition
Indefiro liminarmente a Reclamação
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Reclamação com pedido de liminar ajuizada por MUNICÍPIO DE JOINVILLE contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, em que alega divergência de entendimento com a tese firmada em Recurso Especial Repetitivo n. 1.340.553/RS (Tema n. 566/STJ). A parte reclamante defende que a decisão reclamada aplicou indevidamente o Tema n. 566 do STJ, desvirtuando a ratio decidendi firmada pelo STJ. Aduz que o referido precedente vinculante não autoriza a decretação da prescrição intercorrente de forma automática ou presumida e, no presente caso, o TJSC teria se limitado a chancelar a extinção do processo sem indicar com precisão os marcos temporais. Pontua a ausência de análise do pedido de distinção, pois teria demonstrado que o caso possui particularidades que afastam a aplicação do Tema n. 566, notadamente a aplicação da Súmula 106/STJ e a ausência de intimação prévia eficaz para que a Fazenda pudesse apontar causas interruptivas. Requer, liminarmente, a suspensão do processo na origem até o julgamento final da reclamação. No mérito, pugna pela cassação do acórdão reclamado, com a realização de novo julgamento do agravo interno, observando estritamente a necessidade de delimitação expressa dos marcos temporais e analisando fundamentadamente os argumentos de distinção suscitados pelo Município. É o relatório. Decido. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento da Rcl n. 36.476/SP, de relatoria da Ministra Nancy Andrighi, firmou a orientação de que não cabe o ajuizamento de reclamação para se aferir o acerto de aplicação, na origem, de tese firmada sob a sistemática dos recursos repetitivos. Na oportunidade, prevaleceu o entendimento segundo o qual a admissão da reclamação, em casos tais, atentaria contra a finalidade da instituição do regime dos recursos especiais repetitivos, que surgiu como mecanismo de racionalização da prestação jurisdicional do STJ. Nesse sentido, concluiu-se que, uma vez uniformizado o direito por esta Corte, é dos juízes e tribunais locais a incumbência de aplicação individualizada da tese jurídica em cada caso concreto. Confira-se, por oportuno, a ementa do aresto: RECLAMAÇÃO. RECURSO ESPECIAL AO QUAL O TRIBUNAL DE ORIGEM NEGOU SEGUIMENTO, COM FUNDAMENTO NA CONFORMIDADE ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPETITIVO (RESP 1.301.989/RS - TEMA 658). INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO INTERNO NO TRIBUNAL LOCAL. DESPROVIMENTO. RECLAMAÇÃO QUE SUSTENTA A INDEVIDA APLICAÇÃO DA TESE, POR SE TRATAR DE HIPÓTESE FÁTICA DISTINTA. DESCABIMENTO. PETIÇÃO INICIAL. INDEFERIMENTO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. 1. Cuida-se de reclamação ajuizada contra acórdão do TJ/SP que, em sede de agravo interno, manteve a decisão que negou seguimento ao recurso especial interposto pelos reclamantes, em razão da conformidade do acórdão recorrido com o entendimento firmado pelo STJ no REsp 1.301.989/RS, julgado sob o regime dos recursos especiais repetitivos (Tema 658). 2. Em sua redação original, o art. 988, IV, do CPC/2015 previa o cabimento de reclamação para garantir a observância de precedente proferido em julgamento de "casos repetitivos", os quais, conforme o disposto no art. 928 do Código, abrangem o incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) e os recursos especial e extraordinário repetitivos. 3. Todavia, ainda no período de vacatio legis do CPC/15, o art. 988, IV, foi modificado pela Lei 13.256/2016: a anterior previsão de reclamação para garantir a observância de precedente oriundo de "casos repetitivos" foi excluída, passando a constar, nas hipóteses de cabimento, apenas o precedente oriundo de IRDR, que é espécie daquele. 4. Houve, portanto, a supressão do cabimento da reclamação para a observância de acórdão proferido em recursos especial e extraordinário repetitivos, em que pese a mesma Lei 13.256/2016, paradoxalmente, tenha acrescentado um pressuposto de admissibilidade - consistente no esgotamento das instâncias ordinárias - à hipótese que acabara de excluir. 5. Sob um aspecto topológico, à luz do disposto no art. 11 da LC 95/98, não há coerência e lógica em se afirmar que o parágrafo 5º, II, do art. 988 do CPC, com a redação dada pela Lei 13.256/2016, veicularia uma nova hipótese de cabimento da reclamação. Estas hipóteses foram elencadas pelos incisos do caput, sendo que, por outro lado, o parágrafo se inicia, ele próprio, anunciando que trataria de situações de inadmissibilidade da reclamação. 6. De outro turno, a investigação do contexto jurídico-político em que editada a Lei 13.256/2016 revela que, dentre outras questões, a norma efetivamente visou ao fim da reclamação dirigida ao STJ e ao STF para o controle da aplicação dos acórdãos sobre questões repetitivas, tratando-se de opção de política judiciária para desafogar os trabalhos nas Cortes de superposição. 7. Outrossim, a admissão da reclamação na hipótese em comento atenta contra a finalidade da instituição do regime dos recursos especiais repetitivos, que surgiu como mecanismo de racionalização da prestação jurisdicional do STJ, perante o fenômeno social da massificação dos litígios. 8. Nesse regime, o STJ se desincumbe de seu múnus constitucional definindo, por uma vez, mediante julgamento por amostragem, a interpretação da Lei federal que deve ser obrigatoriamente observada pelas instâncias ordinárias. Uma vez uniformizado o direito, é dos juízes e Tribunais locais a incumbência de aplicação individualizada da tese jurídica em cada caso concreto. 9. Em tal sistemática, a aplicação em concreto do precedente não está imune à revisão, que se dá na via recursal ordinária, até eventualmente culminar no julgamento, no âmbito do Tribunal local, do agravo interno de que trata o art. 1.030, § 2º, do CPC/15. 10. Petição inicial da reclamação indeferida, com a extinção do processo sem resolução do mérito. (Rcl n. 36.476/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 5/2/2020, DJe de 6/3/2020.) Ante o exposto, indefiro liminarmente a Reclamação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA