Rcl 50729 - DECISAO
A reclamação foi liminarmente indeferida porque o ato reclamado não demonstrou desrespeito a decisão ou ordem específica do STJ no mesmo caso, e porque não é admissível utilizar-se a reclamação como sucedâneo recursal para preservar divergência jurisprudencial; assim, não se comprovou a hipótese constitucional de...
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- Parties
- Reclamante: MARIA ALICE VIEIRA DOS SANTOS E OUTROS; Órgão Recorrido: Turma Recursal dos Juizados Especiais Federais da Seção Judiciária do Rio de Janeiro
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 February 2026
- Procedural Posture
- Reclamação / Decisão (liminar Indeferida)
- Outcome
- Indefiro liminarmente a reclamação; pedido liminar prejudicado.
- Legal Topics
- Reclamação, Autoridade De Decisões Do STJ, Auxílio Alimentação, Natureza Remuneratória Vs Indenizatória, Sucedâneo Recursal, Pedido De Uniformização De Interpretação De Lei Federal
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Parties
MARIA ALICE VIEIRA DOS SANTOS E OUTROS
Reclamante
Turma Recursal dos Juizados Especiais Federais da Seção Judiciária do Rio de Janeiro
Órgão Recorrido
Procedural Posture
Reclamação / Decisão (liminar Indeferida)
Legal Issues
- 1 cabimento da reclamação para preservar a jurisprudência do STJ versus garantia da autoridade de suas decisões
- 2 exigência de aderência estrita entre o ato reclamado e provimento do STJ para cabimento da reclamação
- 3 vedação ao uso da reclamação como sucedâneo recursal
Ratio Decidendi
A reclamação foi liminarmente indeferida porque o ato reclamado não demonstrou desrespeito a decisão ou ordem específica do STJ no mesmo caso, e porque não é admissível utilizar-se a reclamação como sucedâneo recursal para preservar divergência jurisprudencial; assim, não se comprovou a hipótese constitucional de reclamação prevista no art. 105, I, f, da CF.
Court Disposition
Indefiro liminarmente a reclamação; pedido liminar prejudicado.
Orders
- Indefiro liminarmente a presente reclamação.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Reclamação ajuizada por MARIA ALICE VIEIRA DOS SANTOS E OUTROS contra acórdão proferido pela Turma Recursal dos Juizados Especiais Federais da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, sob o argumento de que ofende a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. A parte reclamante narra que o pedido foi julgado improcedente sob o fundamento de que o auxílio-alimentação possuiria natureza indenizatória. Aduz que utilizou todos os meios recursais disponíveis no microssistema dos Juizados Especiais Federais, inclusive apresentando Pedido de Uniformização Nacional de Interpretação de Lei Federal, que foi lhe negado seguimento ao argumento de que o acórdão recorrido estaria em conformidade com o Tema 364 da TNU, que reconheceria a natureza indenizatória do auxílio-alimentação. Após, interposto agravo interno, foi mantida a decisão recorrida pela Turma Recursal. Defende que a jurisprudência do STJ é consolidada no sentido de que o auxílio-alimentação, quando pago em pecúnia, possui natureza remuneratória, integrando a base de cálculo de vantagens que tenham como parâmetro a remuneração do servidor. Requer, liminarmente, a suspensão dos efeitos do acórdão proferido pela Turma Recursal dos Juizados Especiais Federais no processo de origem, ou, a suspensão do trânsito em julgado da decisão reclamada até o julgamento final da Reclamação. No mérito, requer a procedência da Reclamação para cassar a decisão reclamada, determinando que outra seja proferida com observância da jurisprudência consolidada do STJ acerca da natureza remuneratória do auxílio-alimentação pago em pecúnia. É o relatório. Decido. Defiro o pedido de gratuidade da justiça. A reclamação que é da atribuição desta Corte Superior está prevista no art. 105, I, f, da Constituição Federal e constitui garantia constitucional destinada à preservação da competência do Superior Tribunal de Justiça ou à garantia da autoridade de suas decisões, em caso de descumprimento de seus julgados. No tocante à alegação de descumprimento de julgado deste Tribunal Superior, o cabimento da reclamação exige a demonstração de que há aderência estrita entre o objeto do ato reclamado e o conteúdo do provimento jurisdicional especificamente proferido pelo STJ para a relação processual originária. No caso dos autos, o ato reclamado não desrespeitou decisão ou ordem do STJ que tenha sido vertida em caso relacionado ao da parte reclamante, sendo pacífico o entendimento de que não se admite o ajuizamento de reclamação como sucedâneo recursal, isto é, para dirimir divergência jurisprudencial entre o provimento reclamado e a orientação constante de súmulas e precedentes desta Corte Superior. Confira: AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. DECISÃO DE TURMA RECURSAL DE JUIZADO ESPECIAL FEDERAL. PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO NÃO ADMITIDO. UTILIZAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. INVIABILIDADE. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. A reclamação que é da atribuição desta Corte Superior está prevista no art. 105, I, f, da Constituição Federal e constitui garantia constitucional destinada à preservação da competência do Superior Tribunal de Justiça ou à garantia da autoridade de suas decisões, em caso de descumprimento de seus julgados, não servindo para a preservação da jurisprudência deste Tribunal ou, ainda, como sucedâneo recursal. 2. Não cabe reclamação no âmbito do Juizado Especial Federal, porquanto a Lei n. 11.259/2001 prevê o cabimento de pedido de uniformização de interpretação de lei federal quando houver divergência entre decisões sobre questões de direito material proferidas por Turmas Recursais na interpretação da lei. 3. Agravo interno não provido. (AgInt na Rcl n. 48.771/SP, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Primeira Seção, julgado em 13/8/2025, DJEN de 18/8/2025.) AGRAVO REGIMENTAL EM RECLAMAÇÃO. ALEGAÇÃO DE QUE A TURMA RECURSAL TERIA DEIXADO DE OBSERVAR A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. REITERAÇÃO DE ARGUMENTOS DEDUZIDOS EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO INADMITIDO. MANEJO DA RECLAMAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. DESCABIMENTO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. "A reclamação não é via adequada para preservar a jurisprudência do STJ, mas sim a autoridade de suas decisões tomadas no próprio caso concreto, envolvendo as partes postas no litígio do qual oriundo a reclamação. Não se pode pretender que, por intermédio do instrumento constitucional, se avalie o acerto ou desacerto de decisão proferida pela instância ordinária. O precedente indicado na exordial não possui efeito vinculante em relação ao processo dentro do qual se pretende ver resguardada a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, porquanto originado de demanda absolutamente distinta" (AgInt na Rcl n. 46.424/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Seção, julgado em 19/3/2024, DJe de 22/3/2024). 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg na Rcl n. 48.274/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Terceira Seção, julgado em 20/5/2025, DJEN de 26/5/2025.) AGRAVO REGIMENTAL NA RECLAMAÇÃO. ACÓRDÃO DE TURMA RECURSAL FEDERAL. SUCEDÂNEO RECURSAL. INCABIMENTO. 1. "A Reclamação é ação de natureza constitucional, que visa preservar a competência desta Corte ou garantir a autoridade de suas decisões, conforme dispõem os arts. 105, I, f, da Constituição Federal e 13 e seguintes da Lei 8.038/90, sendo indevido o seu uso como sucedâneo recursal" (AgRg na Rcl 29.553/RJ, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Primeira Seção, DJe 25/4/2016). 2. No caso, a presente reclamação não se enquadra em nenhuma das hipóteses, não tendo a parte insurgente logrado êxito em identificar com precisão o ato reclamado. 3. Após acórdão da Turma Recursal Federal negando provimento ao recurso que visava o deferimento de aposentaria por idade, a ora agravante apresentou pedido de uniformização destinado à Turma de Uniformiza ção e, na sequência, recurso extraordinário, ambos não admitidos, dando ensejo a agravo em recurso extraordinário. 4. Não fica demonstrada ofensa à autoridade do STJ, sendo certo que a reclamação não é medida destinada a avaliar o acerto ou desacerto das decisões proferidas pela instância ordinária, como sucedâneo de recurso. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg na Rcl n. 27.548/PR, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora Convocada TRF 3ª REGIÃO), Primeira Seção, julgado em 10/8/2016, DJe de 17/8/2016.) Ante o exposto, indefiro liminarmente a presente reclamação, prejudicado o pedido liminar. Publique-se. Intimem-se. EMENTA