Rcl 51159 - DECISAO
Nega-se seguimento à reclamação porque foi utilizada como sucedâneo recursal para reformar acórdão do Tribunal de origem, não se verificando hipótese de garantia da autoridade de decisões ou de preservação da competência do STJ prevista no art. 105, I, 'f' da CF e art. 988 do CPC; em atenção a precedentes desta...
Source-derived case information.
- Parties
- Reclamante: Edite Nunes de Souza; Reclamante: Janiele Gomes Siqueira
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 April 2026
- Procedural Posture
- Reclamação / Nego Seguimento
- Outcome
- Nego seguimento à reclamação
- Legal Topics
- Reclamação, Ação Rescisória, Despejo, Incapacidade, Prova Pericial, Suspensão Do Processo, Sucedâneo Recursal, Tema Repetitivo 1061
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Parties
Edite Nunes de Souza
Reclamante
Janiele Gomes Siqueira
Reclamante
Procedural Posture
Reclamação / Nego Seguimento
Legal Issues
- 1 Cerceamento de defesa pela negativa de prova pericial
- 2 Suspensão do processo em razão de falecimento (art. 313, I, CPC)
- 3 Uso da reclamação como sucedâneo recursal e incompatibilidade com art. 105, I, 'f' da CF e art. 988 do CPC
Ratio Decidendi
Nega-se seguimento à reclamação porque foi utilizada como sucedâneo recursal para reformar acórdão do Tribunal de origem, não se verificando hipótese de garantia da autoridade de decisões ou de preservação da competência do STJ prevista no art. 105, I, 'f' da CF e art. 988 do CPC; em atenção a precedentes desta Corte, a reclamação não é meio adequado para substituir recurso, razão pela qual, com fundamento no art. 34, XVIII do Regimento Interno do STJ, negou-se seguimento.
Court Disposition
Nego seguimento à reclamação
Orders
- Nego seguimento à reclamação.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação ajuizada por Edite Nunes de Souza e Janiele Gomes Siqueira, buscando a reforma de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 12): Agravo Interno. Ação Rescisória. Decisão monocrática de indeferimento da inicial. Acórdão rescindendo que manteve a decisão parcial de mérito que julgou procedente a ação de despejo. Alegação de nulidade do contrato de locação por documentos falsos e incapacidade da locadora. Contratação incontroversa e exercício da posse pelas locatárias. Contrato celebrado em 2019, locadora capaz à época. Posterior reconhecimento de incapacidade em 2025 que não macula negócio jurídico celebrado bem antes. Eventual irregularidade na documentação da locadora que, igualmente, não vicia a locação. Inexistência de vício capaz de invalidar a decisão. Indeferimento da inicial. Extinção sem resolução de mérito. Decisão monocrática mantida. Agravo interno não provido. Sustenta que houve cerceamento de defesa, pois o Tribunal de origem indeferiu a produção de prova pericial essencial, apesar de reconhecer a incapacidade da parte, impedindo a demonstração da nulidade do negócio jurídico. Aduz que o acórdão foi proferido mesmo após o óbito da parte, regularmente informado nos autos, sem a observância da suspensão obrigatória do processo prevista no art. 313, I, do CPC. Afirma que a negativa de perícia viola a jurisprudência do STJ e o Tema Repetitivo 1061, especialmente diante de indícios de fraude documental e irregularidades em documentos de identificação, cuja apuração foi inviabilizada. Assevera que tais vícios envolvem matérias de ordem pública, não sujeitas à preclusão, razão pela qual requer a cassação do acórdão para assegurar a produção de prova pericial. Assim posta a questão, fica claro que a reclamação não foi manejada para preservar a competência desta Corte nem para garantir a autoridade de suas decisões, mas, simplesmente, com o propósito de reformar acórdão proferido pelo Tribunal de origem, não se verificando, pois, nenhuma das hipóteses previstas nos artigos 105, I, "f", da Constituição Federal e 988 do Código de Processo Civil de 2015, mostrando-se totalmente incompatível com os objetivos tutelados pelo instituto processual-constitucional da reclamação, tornando inviável o seu seguimento, já que utilizada com claro propósito de reforma do julgado. Nesse sentido são, entre diversos outros, os seguintes precedentes desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. APLICAÇÃO DE REPETITIVO. SUCEDÂNEO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO MANTIDA. 1. A Corte Especial do STJ decidiu que a reclamação constitucional não é "instrumento adequado para o controle da aplicação dos entendimentos firmados pelo STJ em recursos especiais repetitivos" (Rcl 36.476/SP, Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, julgado em 5/2/2020, DJe 6/3/2020). 2. "A reclamação não é instrumento processual adequado para o exame do acerto ou desacerto da decisão impugnada, como sucedâneo de recurso" (AgInt na Rcl 40.171/PR, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 1º/9/2020, DJe 9/9/2020). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt na Rcl 40.576/DF, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 01/12/2020, DJe 09/12/2020) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. RECLAMAÇÃO. ART. 988, II DO CPC. OFENSA A DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. NÃO OCORRÊNCIA. UTILIZAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. DESCABIMENTO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não é cabível reclamação para se verificar no caso concreto se foram realizadas alienações judiciais em fraude à execução, devendo a parte agravante valer-se dos meios processuais pertinentes. 2. A reclamação não é passível de utilização como sucedâneo recursal, com vistas a discutir o teor da decisão hostilizada. 3. Agravo interno não provido. (AgInt na Rcl 40.177/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 29/09/2020, DJe 02/10/2020) Em face do exposto, com fundamento no art. 34, XVIII, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, nego seguimento à reclamação. Intimem-se. EMENTA