Rcl 51456 - DECISAO
Não conheceu-se da reclamação porque não se verifica, no caso concreto, descumprimento de decisão desta Corte nem usurpação de competência do STJ, sendo incabível a reclamação como sucedâneo recursal e sendo, ademais, atribuída pela Resolução STJ n. 3/2016 a competência para examinar reclamações contra acórdão de...
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- Parties
- Reclamante: Andrews Soares; Órgão De Origem: Turma Recursal Provisória da Fazenda Pública do Estado do Rio Grande do Sul
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 May 2026
- Procedural Posture
- Reclamação Constitucional / Decisão De Não Conhecimento (pedido De Liminar Prejudicado)
- Outcome
- Não conheço da reclamação; julgo prejudicado o pedido de liminar.
- Legal Topics
- Reclamação, Súmula Do STJ (súmula 312), Notificação Eletrônica (sne), Dupla Notificação, Suspensão De CNH, Competência Para Apreciação De Reclamações Contra Turmas Recursais
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Parties
Andrews Soares
Reclamante
Turma Recursal Provisória da Fazenda Pública do Estado do Rio Grande do Sul
Órgão De Origem
Procedural Posture
Reclamação Constitucional / Decisão De Não Conhecimento (pedido De Liminar Prejudicado)
Legal Issues
- 1 cabimento de reclamação no STJ contra acórdão de turma recursal estadual
- 2 uso da reclamação como sucedâneo recursal
- 3 eventual afronta a súmula do STJ (Súmula 312) e necessidade de dupla notificação em processo administrativo de suspensão da CNH
Ratio Decidendi
Não conheceu-se da reclamação porque não se verifica, no caso concreto, descumprimento de decisão desta Corte nem usurpação de competência do STJ, sendo incabível a reclamação como sucedâneo recursal e sendo, ademais, atribuída pela Resolução STJ n. 3/2016 a competência para examinar reclamações contra acórdão de turma recursal estadual às Câmaras Reunidas ou Seções Especializadas dos tribunais de justiça.
Court Disposition
Não conheço da reclamação; julgo prejudicado o pedido de liminar.
Orders
- Não conhecer da reclamação
- Julgar prejudicado o pedido de liminar
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação constitucional, com pedido de liminar, proposta por Andrews Soares, fundamentada no art. 105, I, "f", da Constituição Federal e no art. 988, II, do Código de Processo Civil, contra acórdão proferido pela Turma Recursal Provisória da Fazenda Pública do Estado do Rio Grande do Sul. Alega o reclamante que o órgão de origem negou vigência à Súmula 312 do STJ ao admitir "processo único" e notificação exclusivamente pelo Sistema de Notificação Eletrônica (SNE) para a penalidade de suspensão da CNH, suprimindo a exigência de dupla notificação específica, bem como que não houve notificação pessoal ou postal válida acerca da instauração do processo e da imposição da penalidade, o que inviabilizou o contraditório administrativo. Aponta perigo de dano de natureza alimentar, diante da suspensão por 12 meses do direito de dirigir, imprescindível ao exercício da atividade profissional. Requer, liminarmente, a suspensão dos efeitos do acórdão proferido no Recurso Inominado nº 5178840-11.2025.8.21.0001/RS e, por consequência, da execução da penalidade no Processo Administrativo nº 2024/1292527-2, com a imediata liberação do prontuário da CNH nº 05614247003 no sistema do DETRAN/RS. No mérito, pleiteia a procedência da reclamação para cassar o acórdão, determinando novo julgamento pela Turma Recursal com observância estrita da necessidade de dupla e válida notificação. É o relatório. Estabelece o artigo 105, inciso I, alínea "f", da Constituição Federal, que compete a este Superior Tribunal de Justiça processar e julgar, originariamente, a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões. Dispõe, ainda, o artigo 988 do Código de Processo Civil: Art. 988. Caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público para: I - preservar a competência do tribunal; II - garantir a autoridade das decisões do tribunal; III - garantir a observância de enunciado de súmula vinculante e de decisão do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; IV - garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência; No âmbito desta Corte Superior de Justiça, o artigo 187 do Regimento Interno deste Tribunal prevê que, "Para preservar a competência do Tribunal, garantir a autoridade de suas decisões e a observância de julgamento proferido em incidente de assunção de competência, caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público desde que, na primeira hipótese, haja esgotado a instância ordinária". Da análise dos autos, constata-se que não existe decisão proferida por esta Corte, no caso concreto, envolvendo as mesmas partes, que esteja sendo descumprida, tampouco se verifica usurpação de competência do STJ, sendo inadmissível o uso da reclamação como sucedâneo recursal. Como cediço, "É incabível reclamação para controle da aplicação pelos tribunais de tese posta em enunciado de súmula ou de precedente qualificado deste Tribunal adotado em julgamento de recurso especial repetitivo, sendo considerado indevido o uso da reclamação - ação autônoma que inaugura nova relação processual - em vez do sistema recursal, "ressalvada a via excepcional da ação rescisória"" (AgInt na Rcl n. 43.026/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Seção, julgado em 19/9/2023, DJe de 22/9/2023). Ademais, mostra-se incabível o ajuizamento no STJ de reclamação contra acórdão proferido por Turma Recursal com a finalidade de discutir contrariedade à jurisprudência deste Tribunal Superior, conforme previsão expressa do artigo 1º da Resolução do STJ/GP n. 3/2016, que atribuiu tal competência às Câmaras Reunidas ou à Seção Especializada dos Tribunais de Justiça. Confiram-se os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. RESOLUÇÃO STJ N. 3/2016. ACÓRDÃO DE TURMA RECURSAL ESTADUAL. INCOMPETÊNCIA DESTA CORTE. 1. O recurso foi interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. "Com o advento da Emenda Regimental nº 22-STJ, de 16/03/2016, ficou revogada a Resolução n. 12/2009-STJ, que dispunha sobre o processamento, no Superior Tribunal de Justiça, das reclamações destinadas a dirimir divergência entre acórdão prolatado por turma recursal estadual e a jurisprudência desta Corte." (AgRg na Rcl n. 18.506/SP, relator Ministro Raul Araújo, Corte Especial, julgado em 6/4/2016, DJe de 27/5/2016.) 3. A Resolução STJ n. 3/2016 atribuiu às câmaras reunidas ou às seções especializadas dos respectivos tribunais de justiça a competência para processar e julgar, em caráter excepcional, até a criação das turmas de uniformização, as reclamações destinadas a dirimir divergência entre acórdão prolatado por turma recursal estadual e a jurisprudência desta Corte. Assim, considerando que a presente reclamação foi protocolada quando já em vigor a mencionada Resolução n. 3/2016, não mais subsiste a competência desta Corte para a sua apreciação. Precedentes. 5. Agravo interno não provido. (AgInt na Rcl n. 44.671/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em 19/3/2024, DJe de 2/4/2024.) AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. DECISÃO QUE NEGOU SEGUIMENTO À RECLAMAÇÃO. 1. A Resolução STJ n. 3/2016 atribuiu às Câmaras Reunidas ou às Seções Especializadas, do respectivo Tribunal de Justiça, a competência para processar e julgar as reclamações que visam a dirimir divergência entre acórdão prolatado por turma recursal estadual e a jurisprudência do STJ. 2. Reclamação manifestamente incabível. Agravo interno improvido. (AgInt na Rcl n. 46.523/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Seção, julgado em 3/9/2024, DJe de 5/9/2024.) Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XVIII, "a", do RISTJ, não conheço da reclamação. Julgo prejudicado o pedido de liminar. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECLAMAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE AFRONTA A DECISÃO PROFERIDA POR ESTA CORTE NO CASO CONCRETO. NÃO CABIMENTO DE RECLAMAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. ACÓRDÃO DE TURMA RECURSAL ESTADUAL. INCOMPETÊNCIA DESTA CORTE. NÃO CONHECIMENTO.