Rcl 51149 - DECISAO
O caso não se enquadra nas hipóteses de cabimento da reclamação perante o STJ previstas na Constituição e no art. 988 do CPC; a via não pode ser utilizada como notitia criminis nem como sucedâneo recursal; assim, indefere-se liminarmente a reclamação.
Source-derived case information.
- Parties
- Reclamante: CELSO ANTONIO BARBOSA; Reclamado: Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 June 2026
- Procedural Posture
- Reclamação Constitucional / Liminar Indeferida
- Outcome
- reclamação indeferida liminarmente
- Legal Topics
- Reclamação, Competência, Sucedâneo Recursal, Preservação Da Autoridade Das Decisões
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Parties
CELSO ANTONIO BARBOSA
Reclamante
Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
Reclamado
Procedural Posture
Reclamação Constitucional / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 cabimento da reclamação ao Superior Tribunal de Justiça
- 2 uso da reclamação como sucedâneo recursal
- 3 uso da reclamação como notitia criminis
Ratio Decidendi
O caso não se enquadra nas hipóteses de cabimento da reclamação perante o STJ previstas na Constituição e no art. 988 do CPC; a via não pode ser utilizada como notitia criminis nem como sucedâneo recursal; assim, indefere-se liminarmente a reclamação.
Court Disposition
reclamação indeferida liminarmente
Orders
- Indefiro liminarmente a reclamação.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação constitucional, com pedido liminar, proposta por CELSO ANTONIO BARBOSA, apontando como autoridade reclamada o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Relata a existência de fatos novos, a amparar as denúncias de crime de abuso de autoridade, violação de prerrogativas, improbidade administrativa e lesa- pátria contra o Estado de Direito. Requer "a condenação dos Reclamados no pagamento de verbas indenizatórias por danos morais e materiais, custas processuais, honorários advocatícios, multa e demais cominações legais" (e-STJ fl. 37). É o relatório. DECIDO. A presente reclamação não merece prosperar. Estabelecem as disposições do artigo 105, inciso I, "f", da Constituição Federal que compete ao Superior Trib unal de Justiça processar e julgar originariamente a reclamação para a "preservação de sua competência e a garantia da autoridade de suas decisões". Registre-se que tais hipóteses foram reiteradas no artigo 988 do Código de Processo Civil de 2015, juntamente com outras: "Art. 988. Caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público para: I - preservar a competência do tribunal; II - garantir a autoridade das decisões do tribunal; III - garantir a observância de enunciado de súmula vinculante e de decisão do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; IV - garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência;" Nessa toada, verifica-se, de pronto, que o caso dos autos não se enquadra em nenhuma das hipóteses de cabimento da reclamação dirigida ao Superior Tribunal de Justiça, tendo o requerente se utilizado da presente via com o intuito de notitia criminis, o que não é admitido. A propósito: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA RECLAMAÇÃO - SUCEDÂNEO RECURSAL - INVIABILIDADE - ESCÓLIO JURISPRUDENCIAL DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - DELIBERAÇÃO UNIPESSOAL QUE INDEFERIU LIMINARMENTE A RECLAMAÇÃO - INSURGÊNCIA DO AUTOR. 1. Nos termos dos artigos 105, I, "f", da Constituição Federal, 988, inc. II, do NCPC e 187 do RISTJ, somente caberá reclamação quando um órgão julgador estiver exercendo competência privativa ou exclusiva deste Tribunal ou, ainda, quando as decisões deste não estiverem sendo cumpridas por quem de direito. 2. O presente instrumento, consoante pacífica orientação jurisprudencial, não pode ser utilizado como sucedâneo recursal. Hipótese dos autos. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl na Rcl 46.535/MT, relator Ministro Marco Buzzi, Segunda Seção, julgado em 30/4/2024, DJe de 7/5/2024) AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. ART. 105, I, "F", DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ART. 988 DO CPC. SUCEDÂNEO RECURSAL. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. 1. O art. 105, I, alínea "f", da Constituição Federal estabelece que compete ao Superior Tribunal de Justiça processar e julgar originariamente a reclamação para preservar sua competência e garantir a autoridade de suas decisões. 2. O Código de Processo Civil, em seu art. 988, disciplinou o cabimento de reclamação da parte interessada ou do Ministério Público para: (i) preservar a competência do tribunal; (ii) garantir a autoridade de suas decisões; (iii) garantir a observância de enunciado de súmula vinculante e de decisão do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade e (iv) garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência. 3. O insucesso do recurso adequadamente interposto não abre a via da reclamação, a qual não se presta como sucedâneo recursal. 4. Agravo interno não provido. (AgInt na Rcl 47.013/BA, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Segunda Seção, julgado em 28/5/2024, DJe de 3/6/2024) Registra-se, por fim, que a reclamação, como instrumento de natureza excepcional, deve se dirigir a hipóteses concretas previstas na legislação, revelando-se inadmissível vulgarizar tal medida, quer como sucedâneo recursal, quer como atalho ao exame do conteúdo e alcance do ato reclamado, sob pena do seu completo desvirtuamento processual. Ante o exposto, indefiro liminarmente a reclamação. Publique-se. Intimem-se. Arquive-se. EMENTA