Rcl 51387 - DECISAO
A reclamação foi liminarmente indeferida porque o Tribunal de origem negou seguimento ao recurso especial com fundamento em tema repetitivo, sem usurpar competência do STJ; a interposição de agravo em recurso especial contra essa decisão configura erro grosseiro, aplicando-se apenas o agravo interno, e a reclamação...
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- Parties
- Reclamante: BANCO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL S.A.; Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 June 2026
- Procedural Posture
- Reclamação Constitucional / Liminarmente Indeferida
- Outcome
- Indefiro liminarmente a reclamação constitucional
- Legal Topics
- Reclamação, Competência, Autoridade Das Decisões Judiciais, Fungibilidade Recursal, Agravo Em Recurso Especial, Agravo Interno, Tema Repetitivo, Inadmissão De Recurso Especial
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Parties
BANCO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL S.A.
Reclamante
Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul
Recorrido
Procedural Posture
Reclamação Constitucional / Liminarmente Indeferida
Legal Issues
- 1 Se houve usurpação de competência do Superior Tribunal de Justiça pelo Tribunal de origem ao negar seguimento a recurso especial com fundamento em tema repetitivo
- 2 Se a reclamação constitucional é via adequada para preservar jurisprudência consolidada do STJ ou para substituir recurso
- 3 Aplicabilidade do princípio da fungibilidade recursal diante da interposição de agravo em recurso especial contra decisão que negou seguimento por tema repetitivo
Ratio Decidendi
A reclamação foi liminarmente indeferida porque o Tribunal de origem negou seguimento ao recurso especial com fundamento em tema repetitivo, sem usurpar competência do STJ; a interposição de agravo em recurso especial contra essa decisão configura erro grosseiro, aplicando-se apenas o agravo interno, e a reclamação não é via adequada para preservar jurisprudência ou substituir recurso; assim, não estão presentes as hipóteses de cabimento da reclamação constitucional, justificando o indeferimento liminar com fundamento no art. 34, XVIII, do RISTJ.
Court Disposition
Indefiro liminarmente a reclamação constitucional
Orders
- Indefiro liminarmente a presente reclamação, com fundamento no art. 34, XVIII, do RISTJ
- Publique-se
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de reclamação ajuizada pelo BANCO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL S.A. contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL proferido nos termos da seguinte ementa (fl. 14): RECURSO DE AGRAVO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL. NEGADO SEGUIMENTO. RECURSO CABÍVEL. AGRAVO INTERNO. ARTIGO 1.021 DO CPC. FUNGIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. Aduz a parte reclamante que (fls. 11-13): Conforme transcrito alhures, o Recorrente havia ingressado com Recurso Especial para discutir a impossibilidade de aplicação do Tema 1.076 dessa Egrégia Corte ao caso presente, demonstrando por meio de comparativos que o objeto dos processos que motivaram a edição do Tema não se confundiriam com o caso discutido nos autos de Agravo de Instrumento 5067855-09.2024.8.21.0001. .. Imperioso pontuar que o Recurso manejado pelo ora Reclamante também possui bases na alínea "c" do art. 105, III, Constituição da República, de forma que o não conhecimento do Recurso Especial pela Excelentíssima 3ª Vice-Presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul incorreu em evidente usurpação de competência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Perceba-se que a decisão reclamada também afastou o princípio da fungibilidade, pois, segundo aquela incorreu o recorrente em erro grosseiro. Novamente se verifica a existência de usurpação da competência superior, pois somente o Egrégio Superior Tribunal de Justiça detém competência para avaliar se o princípio da fungibilidade pode ou não ser aplicado ao caso. Dessa forma, indiscutível a necessidade de provimento da presente Reclamação para ver preservada a competência desse Egrégio Superior Tribunal de Justiça para apreciar o conhecimento ou não do Agravo em Recurso Especial manejado pelo Credor nos autos do Agravo de Instrumento nº 5067855-09.2024.8.21.0001. É, no essencial, o relatório. Nos termos do art. 105, inciso I, alínea "f", da Constituição Federal, a reclamação presta-se a preservar a competência e garantir a autoridade das decisões dos tribunais. Percebe-se, portanto, que é um instrumento processual específico e de aplicação restrita. Assim, caberá reclamação nesta Corte quando um órgão julgador estiver exercendo competência privativa ou exclusiva do STJ, ou quando suas decisões não estiverem sendo cumpridas por quem de direito. De início, verifica-se que o TJRS negou seguimento ao recurso especial do reclamante, com fundamento no Tema Repetitivo n. 1.076/STJ, conforme consulta ao P rocesso n. 5066508-56.2025.8.21.7000/TJRS. Ocorre que contra a referida decisão o recorrente apresentou o incabível agravo em recurso especial, o qual foi corretamente não conhecido pelo Tribunal de origem às fls. 14-16. Assim, não se observa nenhuma usurpação da competência desta Corte, uma vez que a interposição de agravo em recurso especial contra decisão que nega seguimento a recurso especial configura erro grosseiro e impede a aplicação do princípio da fungibilidade, diante da previsão expressa do agravo interno como instrumento recursal adequado. Nesse sentido, cito: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE TERCEIRO. ÔNUS SUCUMBENCIAIS. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. APLICAÇÃO DE TESE REPETITIVA. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO CABIMENTO. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DE MATÉRIA-FÁTICA PROBATÓRIA. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO ESPECIAL. .. III. Razões de decidir 3. A decisão recorrida analisou detidamente todas as questões jurídicas postas, não havendo omissão ou negativa de prestação jurisdicional. A ausência de menção a argumentos específicos não macula o comando decisório, desde que bem fundamentado e capaz de se sustentar por si. 4. De acordo com o art. 1.030, §§ 1º e 2º, do CPC, as decisões que negam seguimento e inadmitem em parte o recurso especial possuem natureza híbrida e, portanto, desafiam a interposição simultânea de agravo interno e de agravo em recurso especial, tratando-se de exceção ao princípio da unirrecorribilidade. 5. Considerando que a decisão de admissibilidade proferida pelo Tribunal de origem negou seguimento ao recurso especial, com base na aplicação do Tema 872 do STJ, a interposição de agravo em recurso especial, nesta hipótese, não se mostra cabível, mormente em razão da inexistência de dúvida objetiva, o que impede a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. 6. A pretensão recursal exige reexame de matéria fático-probatória, o que é vedado em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 7. A interposição de agravo em recurso especial contra decisão que aplica tese firmada em regime de repetitivo caracteriza erro grosseiro, sendo cabível apenas agravo interno no âmbito do Tribunal de origem. IV. Dispositivo 8. Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial (AREsp n. 2.677.854/RS, relatora Ministra Daniela Teixeira, Terceira Turma, julgado em 20/10/2025, DJEN de 23/10/2025, grifo meu.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. ART. 1.022 DO CPC. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. INADMISSÃO. TESE REPETITIVA. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL INCABÍVEL. VIA INADEQUADA. INTUITO INFRINGENTE. .. 2. Nos termos da orientação desta Corte, se o recurso especial teve seu seguimento negado na origem exclusivamente com base no artigo 1.030, inciso I, alínea "b" ou no artigo 1.040, inciso I, do Código de Processo Civil, o único recurso cabível seria o agravo interno de que trata o § 2º do dispositivo legal em comento. A interposição do agravo previsto no artigo 1.042 do Código de Processo Civil nesses casos caracteriza-se como erro grosseiro. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt na Rcl n. 40.770/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Segunda Seção, julgado em 3/12/2024, DJEN de 6/12/2024, grifo meu.) Ademais, é firme o entendimento desta Corte no sentido de que a presente ação constitucional não é o instrumento adequado para preservar a jurisprudência desta Corte, ainda que consolidada em tema de recurso repetitivo, como no caso em análise. A propósito, confira-se precedente: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL. EXTINÇÃO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. DESCABIMENTO DA RECLAMAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL OU PARA PRESERVAR JURISPRUDÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL. RECURSO NÃO PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo interno interposto por Mundial Comércio de Livros Birigui Ltda. contra decisão que extinguiu reclamação constitucional sem resolução de mérito, por inadequação da via eleita e ausência de interesse processual. A parte agravante alegou que a reclamação foi apresentada para garantir a autoridade das decisões do STJ, especialmente a aplicação da Súmula 410/STJ, em razão de decisão proferida pelo Juízo da 1ª Vara Cível e Comercial de Salvador/BA, e do acórdão da Ministra Nancy Andrighi no EDcl no AgInt no AREsp n. 2.515.242/BA. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) determinar se a reclamação constitucional poderia ser utilizada para preservar a jurisprudência do STJ, especificamente quanto à aplicação da Súmula 410/STJ; e (ii) avaliar se a via eleita é adequada para impugnar decisões de órgão do próprio Superior Tribunal de Justiça. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A reclamação constitucional, nos termos do art. 105, I, "f", da Constituição Federal e do art. 988 do CPC/2015, destina-se a preservar a competência do tribunal ou garantir a autoridade de suas decisões, desde que haja descumprimento ou cumprimento em desacordo com decisão proferida pelo STJ em caso concreto, envolvendo as mesmas partes. Não se presta a preservar a jurisprudência do STJ, ainda que consolidada em súmula ou recurso repetitivo. 4. A utilização da reclamação constitucional como sucedâneo recursal ou como instrumento para adequar julgados à jurisprudência do STJ é expressamente vedada pela jurisprudência consolidada desta Corte, que entende que tal medida ultrapassa os limites da finalidade do instituto. 5. A reclamação constitucional não é cabível para impugnar decisões proferidas por órgão do próprio STJ, conforme reiterado pela jurisprudência desta Corte. A decisão agravada corretamente reconheceu a inadequação da via eleita e a ausência de interesse processual, já que não houve demonstração de usurpação de competência ou descumprimento de decisão do STJ por outro órgão. 6. O fundamento da decisão agravada está em consonância com precedentes do STJ, que não admitem o manejo de reclamação para preservar jurisprudência ou para revisar decisões do próprio Tribunal, reiterando a natureza excepcional e restrita da reclamação constitucional. IV. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. AgInt na Rcl n. 48.352/BA, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (desembargador convocado TJRS), Segunda Seção, julgado em 18/2/2025, DJEN de 21/2/2025, grifo meu. Portanto, observa-se que a parte reclamante utiliza a via reclamatória como sucedâneo recursal, o que a jurisprudência do STJ não admite. Assim, considerando a ausência de caracterização de quaisquer das hipóteses de cabimento previstas nos arts. 105, inciso I, alínea "f", da Constituição Federal, 988 do Código de Processo Civil e 187, caput, do RISTJ, é imperioso o indeferimento da petição. Ante o exposto, indefiro liminarmente a presente reclamação, com fundamento no art. 34, XVIII, do RISTJ. Publique-se. Intimem-se. EMENTA