Rcl 48003 - DECISAO
A Reclamação não é conhecida porque não se enquadra nas hipóteses de cabimento do art. 988 do CPC/2015: não visa preservar competência ou a autoridade de pronunciamento do STJ nem há confrontação com enunciado vinculante, decisão do STF em controle concentrado ou acórdão de incidente vinculante, configurando...
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- Parties
- Reclamante: MUNICÍPIO DE SALTO DE PIRAPORA; Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 September 2024
- Procedural Posture
- Reclamação / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço da Reclamação
- Legal Topics
- Reclamação Constitucional, Súmula 106 Do STJ, Prescrição, Cabimento Da Reclamação, Sucedâneo Recursal
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Parties
MUNICÍPIO DE SALTO DE PIRAPORA
Reclamante
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Recorrido
Procedural Posture
Reclamação / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 cabimento da reclamação prevista no art. 988 do CPC/2015
- 2 uso da reclamação como sucedâneo recursal
- 3 aplicação da Súmula 106 do STJ e afastamento da prescrição
Ratio Decidendi
A Reclamação não é conhecida porque não se enquadra nas hipóteses de cabimento do art. 988 do CPC/2015: não visa preservar competência ou a autoridade de pronunciamento do STJ nem há confrontação com enunciado vinculante, decisão do STF em controle concentrado ou acórdão de incidente vinculante, configurando tentativa de uso da reclamação como sucedâneo recursal; por isso, aplica-se o não conhecimento com fundamento no art. 34, XVIII, do RISTJ.
Court Disposition
Não conheço da Reclamação
Orders
- Não conheço da Reclamação.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Reclamação ajuizada pelo MUNICÍPIO DE SALTO DE PIRAPORA, em face de decisão proferida pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. O reclamante alega, em síntese, que o Tribunal a quo desrespeitou a súmula 106 do STJ, tendo em vista que não teria afastado a prescrição mesmo na situação em que a demora ocorre por motivos inerentes ao mecanismo da justiça. É o relatório. D ecido. A presente Reclamação não é cognoscível. Conforme o art. 988 do CPC/2015, prevê a reclamação como meio de preservar a competência do tribunal; garantir a autoridade de suas decisões; garantir a observância de enunciado de súmula vinculante e de decisão do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade e; garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência. No caso dos autos, a reclamação não tem a finalidade de garantir a autoridade de decisão do Superior Tribunal de Justiça, não se cogitando de contraposição a ordem direta desta Corte. Da mesma forma, na reclamatória não se alega descumprimento de decisão proferida em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou incidente de assunção de competência. O recorrente alega que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é contrária à decisão hostilizada, situação que não estaria abarcada pelas regras acima referidas, mas que tem caráter de sucedâneo recursal, não sendo esse o objetivo da reclamação constitucional. Não se enquadrando a presente reclamação em nenhuma das hipóteses de cabimento acima identificadas, fica evidenciado o intuito da utilização da reclamatória como sucedâneo do recurso próprio, não sendo viável tal desiderato neste estreito conduto. Sobre o assunto, confiram-se os seguintes julgados: PROCESSO CIVIL. RECLAMAÇÃO CONTRA DECISÃO LIMINAR PROFERIDA POR DESEMBARGADOR FEDERAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM AÇÃO ORDINÁRIA. SUSPENSÃO DE PORTARIA EDITADA PELO ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO. SUPOSTA AFRONTA AO ART. 1º, § 1º, DA LEI N. 8.437/1992. RESTRIÇÕES À CONCESSÃO DE LIMINARES. USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA DO STJ. INEXISTÊNCIA. CONTROLE DE LEGALIDADE DA DECISÃO RECLAMADA. IMPOSSIBILIDADE. SUCEDÂNEO RECURSAL. DESCABIMENTO. 1. A reclamação constitucional é ação destinada à tutela específica da competência e autoridade das decisões da Corte, exigindo-se, nesse último caso, a demonstração de que há aderência estrita entre o objeto do ato reclamado e o conteúdo do provimento jurisdicional exarado pelo Tribunal Superior. 2. No caso, a tutela de urgência foi deferida no âmbito de agravo de instrumento tirado de uma ação ordinária ajuizada contra a União, em que a competência para apreciá-lo pertence, de fato, ao Tribunal de origem. Não caberia ao Superior Tribunal de Justiça o julgamento do referido recurso de agravo de instrumento, tampouco avocá-lo para julgamento originário. 3. Eventual descumprimento de norma restritiva à concessão de medida liminar contra o Poder Público - em atenção ao disposto no art. 1º, § 1º, da Lei n. 8.437/1992 - deve ser solucionado no âmbito recursal correspondente, não caracterizando usurpação de competência desta Corte Superior. Não se enquadra nas situações descritas no art. 988 do CPC o mero controle de legalidade das decisões judiciais. 4. Na situação em apreço, a decisão reclamada não é cotejada com nenhum pronunciamento vinculante do STJ, tampouco se verifica o ajuizamento de ação de competência originária deste Tribunal Superior. Nos termos propostos na inicial, tem-se o simples confronto entre o ato judicial reclamado e a norma contida no art. 1º, § 1º, da Lei n. 8.437/1992. O instrumento processual para o controle da referida decisão, de certo, não encontra amparo nas estritas hipóteses de cabimento da reclamação. 5. A utilização da reclamação para preservação da competência do STJ não deve ser ampliada para o controle do mérito das decisões tomadas por juízes inegavelmente competentes para o processo principal, fora das hipóteses contidas no art. 988 do CPC, sob pena de transformar o presente instrumento de cunho excepcional em mero sucedâneo de recurso. 6. Reclamação extinta, sem resolução do mérito. (Rcl n. 39.884/AL, relator Ministro Sérgio Kukina, relator para acórdão Ministro Og Fernandes, Primeira Seção, julgado em 22/6/2022, DJe de 19/8/2022.) Neste mesmo panorama, cito os julgados: RCl 025649/SP, Rel. Min. Herman Benjamim, DJe 07/12/2015; Rcl 025683/MG, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 23/09/2015 e Rcl 026154/RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 08/10/2015. Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XVIII, do RISTJ, não conheço da Reclamação. Publique-se. Intime-se. EMENTA