Rcl 49510 - DECISAO
A reclamação foi indeferida liminarmente porque não se demonstrou que o ato reclamado desrespeitou decisão ou ordem do STJ aplicável ao caso concreto da reclamante; inexistindo aderência estrita entre o objeto do ato reclamado e provimento do STJ, e sendo a reclamação medida excepcional que não substitui recurso...
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- Parties
- Reclamante: CLAUDIA REGIANE SOATO; Reclamado: Juiz Relator da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Estado do Paraná
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 July 2025
- Procedural Posture
- Reclamação Com Pedido De Liminar / Decisão Sobre Pedido Liminar (indeferimento Liminar Da Reclamação)
- Outcome
- Indeferida liminarmente a reclamação (pedido liminar prejudicado).
- Legal Topics
- Reclamação Constitucional, Impenhorabilidade Salarial, Competência E Autoridade De Decisões Do STJ, Aplicação De Precedentes E Súmulas
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Parties
CLAUDIA REGIANE SOATO
Reclamante
Juiz Relator da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Estado do Paraná
Reclamado
Procedural Posture
Reclamação Com Pedido De Liminar / Decisão Sobre Pedido Liminar (indeferimento Liminar Da Reclamação)
Legal Issues
- 1 cabimento da reclamação perante o STJ
- 2 aderência entre o ato reclamado e provimento jurisdicional do STJ
- 3 possibilidade de utilização da reclamação como sucedâneo recursal
Ratio Decidendi
A reclamação foi indeferida liminarmente porque não se demonstrou que o ato reclamado desrespeitou decisão ou ordem do STJ aplicável ao caso concreto da reclamante; inexistindo aderência estrita entre o objeto do ato reclamado e provimento do STJ, e sendo a reclamação medida excepcional que não substitui recurso para dirimir divergência jurisprudencial, não estão presentes os requisitos de cabimento da reclamação.
Court Disposition
Indeferida liminarmente a reclamação (pedido liminar prejudicado).
Orders
- Defiro o pedido de gratuidade de justiça.
- Indefiro liminarmente a reclamação, prejudicado o pedido liminar.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação com pedido de liminar ajuizada por CLAUDIA REGIANE SOATO contra decisão monocrática proferida pelo Juiz Relator da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Estado do Paraná, em que se alega a incompatibilidade entre o que ficou decidido no ato reclamado e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmada no sentido de que a regra da impenhorabilidade salarial pode ser excepcionada, desde que a decisão seja fundamentada e preserve o mínimo existencial do devedor. Defende que deve ser cassada a decisão que indeferiu liminarmente o mandado de segurança para reconhecer a ilegalidade da penhora incidente sobre 20% dos vencimentos líquidos da parte reclamante, por afronta à jurisprudência consolidada do STJ, assegurando a impenhorabilidade do salário, inclusive suas parcelas variáveis, até decisão fundamentada que examine a subsistência de modo concreto . É o relatório. Defiro o pedido de gratuidade de justiça. A reclamação que é da atribuição desta Corte Superior está prevista no art. 105, I, f, da Constituição Federal e constitui garantia constitucional destinada à preservação da competência do Superior Tribunal de Justiça ou à garantia da autoridade de suas decisões, em caso de descumprimento de seus julgados. No tocante à alegação de descumprimento de julgado deste Tribunal Superior, o cabimento da reclamação exige a demonstração de que há aderência estrita entre o objeto do ato reclamado e o conteúdo do provimento jurisdicional especificamente proferido pelo STJ para a relação processual originária. A propósito do tema, veja-se o que dispõe o artigo 187 do Regimento Interno do STJ: Art. 187. Para preservar a competência do Tribunal, garantir a autoridade de suas decisões e a observância de julgamento proferido em incidente de assunção de competência, caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público desde que, na primeira hipótese, haja esgotado a instância ordinária. No caso dos autos, o ato reclamado não desrespeitou decisão ou ordem do STJ que tenha sido vertida em caso relacionado ao da Reclamante, sendo pacífico o entendimento de que não se admite o ajuizamento de reclamação como sucedâneo recursal, isto é, para dirimir divergência jurisprudencial entre o provimento reclamado e precedentes desta Corte Superior. A propósito (destaques acrescidos): AGRAVO REGIMENTAL NA RECLAMAÇÃO. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO JULGAMENTO PROFERIDO PELO STJ NOS CONFLITOS DE COMPETÊNCIA N. 170.247/SC, 170.252/SC, 170.253/SC E 170.258/SC. PRETENSÃO DE AMPLIAÇÃO DA EXTENSÃO DO JULGADO. NÃO CABIMENTO. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A reclamação é medida excepcional, cabível no âmbito desta Corte exclusivamente nas seguintes hipóteses: (a) preservação da competência constitucional do Superior Tribunal de Justiça; e (b) manutenção da autoridade de decisão proferida nesta Corte Superior na análise do caso concreto (envolvendo as mesmas partes da decisão reclamada). 2. In casu, o reclamante alega que houve desrespeito à decisão proferida por este Tribunal Superior no julgamento dos Conflitos de Competência n. 170.247/SC, 170.252/SC, 170.253/SC e 170.258/SC, em que se reconheceu a competência do Juízo Federal da 5ª Vara de Santos - SJ/SP para processar o inquérito policial n. 5004098-41.2020.4.03.6104 e os seus associados, em que se apura a prática do crime de lavagem de capitais. A conclusão foi tomada com base nos arts. 76, II e III, e 78, II, a, do Código de Processo Penal e no fato de que os delitos que antecederiam o crime de lavagem de capitais seriam o de tráfico internacional de entorpecentes e o de associação para o mesmo fim, que foram objeto do processo de n. 0000334-69.2019.403.6104 (Operação Alba Vírus) perante o Juízo Federal da 5ª Vara de Santos - SJ/SP. 3. A presente reclamação tem por objeto os autos 50144781420224047208/SC, os quais não foram motivo de análise por esta Corte e cujos investigados são diversos daqueles denunciados nas ações penais que tramitaram perante o Juízo Federal paulista. 4. O reclamante, ao alegar que os fatos teriam relação direta com aqueles processados em Santos/SP, pretende dar ao julgado desta Corte extensão maior do que a que efetivamente tem, o que desautoriza o manejo da reclamação. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg na Rcl n. 45.646/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Terceira Seção, julgado em 18/6/2024, DJe de 21/6/2024.) AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. DECISÃO QUE NEGOU SEGUIMENTO À RECLAMAÇÃO. 1. A presente reclamação não foi conhecida ao fundamento de que a alegação de violação de Súmula do STJ e de julgados desta Corte não proferidos no caso concreto, envolvendo as mesmas partes e a mesma demanda, não se enquadra nas hipóteses de cabimento da reclamação. 2. Inconformada, a reclamante interpõe agravo interno aduzindo, em síntese, que os precedentes por ela indicados se encaixam no art. 927 do CPC, e, portanto, devem ser aplicados com força vinculante para o caso em questão. 3. "A reclamação, em razão de sua natureza incidental e excepcional, destina-se a preservação da competência e garantia da autoridade dos julgados somente quando objetivamente violados, não podendo servir como sucedâneo recursal para discutir o teor da decisão hostilizada" (AgRg na Rcl n. 6.199/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, DJe de 19/12/2011). 4. A alegação de violação de súmula e de julgados proferidos em casos genéricos não se enquadram nas hipóteses de cabimento da reclamação, nos termos da jurisprudência pacificada desta Corte superior. 5. Não verificada, no momento, a presença dos requisitos autorizadores para condenação em litigância de má-fé. Agravo interno improvido. (AgInt na Rcl n. 46.219/AP, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Seção, julgado em 5/3/2024, DJe de 8/3/2024.) Ante o exposto, indefiro liminarmente a reclamação, prejudicado o pedido liminar. Publique-se. Intimem-se. EMENTA