AREsp 2669000 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial porque o conjunto probatório é insuficiente para demonstrar o exercício da atividade rural em regime de economia familiar, faltando início de prova material e sendo a prova exclusivamente testemunhal insuficiente (Súmula 149), e porque a hipótese demandaria...
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- Parties
- Agravante: ANTONIO DIAS DE MORAES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interposto Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Do STJ Sobre Agravo E Admissibilidade Do Recurso Especial
- Outcome
- CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial.
- Legal Topics
- Reconhecimento De Tempo De Serviço Rural, Aposentadoria Por Tempo De Contribuição, Prova Testemunhal E Início De Prova Material, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 149 Do STJ, Súmula 7 Do STJ, EC N.º 20/98
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Parties
ANTONIO DIAS DE MORAES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interposto Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Do STJ Sobre Agravo E Admissibilidade Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se a prova produzida (testemunhal e documental) é suficiente para comprovar atividade rural em regime de economia familiar para fins de aposentadoria
- 2 Aplicação da necessidade de início de prova material conjugado com prova testemunhal (art. 55, §3º, Lei 8.213/91 e Súmula 149 do STJ)
- 3 Se o reexame de provas seria permitido em recurso especial (vedado pela Súmula 7 do STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial porque o conjunto probatório é insuficiente para demonstrar o exercício da atividade rural em regime de economia familiar, faltando início de prova material e sendo a prova exclusivamente testemunhal insuficiente (Súmula 149), e porque a hipótese demandaria reexame de matéria fático-probatória vedado no recurso especial pela Súmula 7 do STJ.
Court Disposition
CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Majoro a verba honorária em desfavor da parte recorrente em 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por ANTONIO DIAS DE MORAES contra decisão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO, que não admitiu recurso especial fundado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional e que desafia acórdão assim ementado (e-STJ fl. 189): PREVIDENCIÁRIO. RECONHECIMENTO DE TEMPO DE SERVIÇO RURAL. INÍCIO DE PROVA MATERIAL. PROVA TESTEMUNHAL. RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES. EC N.º 20/98. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. - Frente à significativa alteração que a EC n.º 20/98 promoveu no ordenamento jurídico, foram definidas normas de transição entre o regramento constitucional anterior e o atual no tocante aos requisitos necessários à obtenção da aposentadoria por tempo de serviço. - A regra de transição para a aposentadoria integral restou ineficaz, na medida em que para concessão de tal benefício não se exige idade ou "pedágio". - Cumpridos os requisitos previstos no artigo 201, § 7.º, inciso I, da CF, quais sejam, trinta e cinco anos de trabalho, se homem, ou trinta anos, se mulher, além da carência prevista no artigo 142, da Lei n.º 8.213/91, antes ou depois da EC n.º 20/98 e, independentemente da idade com que conte à época, fará jus à percepção da aposentadoria por tempo de contribuição, atual denominação da aposentadoria por tempo de serviço. - A atividade rural deve ser comprovada por meio de início de prova material, aliada à prova testemunhal. - Para a comprovação da atividade rurícola, mister a conjugação do início de prova material com prova testemunhal (art. 55, § 3.º, da Lei n.º 8.213/91, Súmula n.º 149 do e REsp n.º 1.133.863/RN). - Ausente o início de prova material do exercício de labor campesino, a extinção do feito, sem resolução do mérito (CPC, art. 485, inciso IV), impõe-se de rigor diante do quanto decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.352.721/SP. No recurso especial obstaculizado, a parte recorrente apontou, além de dissídio pretoriano, contrariedade dos arts. 11, VII, § 1º, 55, § 3º, e 143 da Lei n. 8.213/1991, argumentando que ficou comprovado que o autor faz jus à aposentadoria especial, na medida em que trabalhou durante toda sua vida em regime de economia familiar, conforme demonstra os documentos juntados aos autos, corroborado por prova testemunhal. Afirma também que restou comprovado o exercício de atividade rural em regime de economia familiar. Sem contrarrazões. O apelo nobre recebeu juízo negativo de admissibilidade pelo Tribunal de origem, tendo sido os fundamentos da aludida decisão atacados no recurso ora em exame. Passo a decidir. Verifico que a pretensão não merece prosperar. No caso, o Tribunal a quo concluiu em sentido oposto ao postulado, ao consignar que a prova produzida não era apta a demonstrar o exercício da atividade no campo em regime de economia familiar, a saber (e-STJ fls. 203/204): É de sabença comum que, vivendo na zona rural, a família trabalha em mútua colaboração, reforçando a capacidade laborativa, de modo a alcançar superiores resultados, retirando da terra o seu sustento. In casu, contudo, em que pese a prova testemunhal confirme a atividade desempenhada pela parte autora é, por si só, insuficiente para atestar o reconhecimento do tempo de serviço rural alegado, porquanto inexistente indicativo material do trabalho campesino, exigido para a comprovação do labor sem registro, conforme balizas estabelecidas na legislação de regência e parâmetros consolidados na jurisprudência. Com efeito, não há prova de que o labor agrícola junto ao genitor, referido pelas testemunhas, era desenvolvido em regime de economia familiar, considerando que, ao que consta, ele era um dos empregados da propriedade. No caso dos autos incide a súmula no. 149 do C. STJ: "A prova exclusivamente testemunhal não basta a comprovação da atividade rurícola, para efeito da obtenção de benefício previdenciário." Assim, a conclusão, no caso dos autos, é de que a parte autora não comprovou nos autos o cumprimento dos requisitos necessários para a concessão do benefício da aposentadoria pleiteado na inicial. Em face dessas constatações, o conjunto probatório é insuficiente para demonstrar o exercício da atividade rural pela demandante, a fim de somar ao aludido tempo de contribuição urbano e completar o número de meses necessários para fazer jus ao benefício de aposentadoria por tempo de contribuição. Nesse passo, a modificação do julgado, nos moldes pretendidos, não depende de simples análise do critério de valoração da prova, mas do reexame dos elementos de convicção postos no processo, providência incompatível com a via estreita do recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. Nesse sentido: PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA RURAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE RURAL. REAVALIAÇÃO PROBATÓRIA QUE CONFIRMA ESSA CONCLUSÃO. PROVA MATERIAL INCONSISTENTE E CONTRADITÓRIA. TESTEMUNHAS QUE NÃO CONFEREM AMPLITUDE AO INÍCIO DA PROVA MATERIAL. VÁRIOS LAPSOS DE ATIVIDADE URBANA NOS REGISTROS DO CNIS. DESCARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO ESPECIAL. CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DESARMÔNICO. RECURSO DO PARTICULAR A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O acórdão recorrido não destoa da jurisprudência do STJ ao afirmar que o exercício de atividade urbana, por si só, não descaracteriza a condição de Segurado especial, vez que se admite a descontinuidade no exercício da atividade rural. 2. No caso dos autos, contudo, as provas materiais apresentadas estão em confronto com os registros do CNIS do autor, que apontam diversos vínculos de atividade urbana, suficientes a descaracterizar a sua condição de Trabalhador Rural. 3. Neste caso, verifica-se que o acervo testemunhal produzido apresenta-se inadequado, por ser contraditório, para evidenciar a pretendida situação de Trabalhador Rural da parte autora. 4. Agravo Interno do Particular a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1372614/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/10/2020, DJe 29/10/2020). Ante o exposto, com base no art. 253, II, "a", do RISTJ, CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários de advogado pelas instâncias de origem, determino a majoração dessa verba, em desfavor da parte recorrente, no importe de 10% (dez por cento) sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA