REsp 2127719 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a análise pretendida implicaria reexame de elementos fático-probatórios (valor probatório das declarações da vítima e do reconhecimento), providência vedada em recurso especial pela Súmula 7/STJ; assim, não se admitiu o exame do pedido de absolvição fundado na suposta...
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- Parties
- Recorrente: JOSE MARCIEL DOS SANTOS SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 April 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Reconhecimento Fotográfico, Nulidade De Prova, Prova Testemunhal (palavra Da Vítima), Súmula 7/stj
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Parties
JOSE MARCIEL DOS SANTOS SILVA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 violação do art. 226 do Código de Processo Penal
- 2 admissibilidade do reconhecimento fotográfico como prova de autoria
- 3 pedido de absolvição com base no art. 386, VII, do CPP
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a análise pretendida implicaria reexame de elementos fático-probatórios (valor probatório das declarações da vítima e do reconhecimento), providência vedada em recurso especial pela Súmula 7/STJ; assim, não se admitiu o exame do pedido de absolvição fundado na suposta irregularidade do reconhecimento fotográfico.
Court Disposition
recurso especial não conhecido
Orders
- Com fundamento no art. 932, III, do CPC, c/c art. 255, § 4º, I, do RISTJ, não conheço o recurso especial.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por JOSE MARCIEL DOS SANTOS SILVA, com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, assim ementado (e-STJ fl. 313): EMBARGOS INFRINGENTES. ROUBO SIMPLES. ABSOLVIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. PROVAS SUFICIENTES DE AUTORIA E MATERIALIDADE. FIRMES PALAVRAS DA VÍTIMA. RECONHECIMENTO VÁLIDO. AUSÊNCIA DE DÚVIDAS. HARMONIA COM O CONTEXTO PROBATÓRIO. EMBARGOS NÃO ACOLHIDOS. - Comprovada a materialidade e autoria do crime de roubo, resta inviabilizado o acolhimento do pedido de absolvição. - Em sede de crimes patrimoniais, que geralmente são praticados na clandestinidade, configura-se preciosa a palavra de testemunhas e vítimas para o reconhecimento dos autores do roubo, mormente quando encontra respaldo em outros elementos de prova. - Embargos não providos. Nas razões do recurso especial, alega a parte recorrente violação dos artigos 226 e 386, VII, ambos do Código de Processo Penal. Sustenta a ilegalidade da condenação, ao argumento de que a única prova da autoria se refere ao reconhecimento fotográfico realizado na fase inquisitorial. Apresentadas contrarrazões e admitido na origem, o Ministério Público Federal, nesta instância, opinou pelo não provimento do recurso. É o relatório. Decido. O recurso não merece prosperar. A jurisprudência desta Corte vinha entendendo que a eventual inobservância das formalidades previstas no artigo 226 do Código de Processo Penal para o reconhecimento não seria causa de nulidade, uma vez que não se trataria de exigências, mas de meras recomendações a serem observadas na implementação da medida. Adotando essa linha de entendimento, podem ser consultados, entre outros os seguintes precedentes: AgRg no RHC 122.685/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 26/5/2020, DJe 1º/6/2020; AgRg no AgRg no AREsp 1.585.502/SP, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Quinta Turma, julgado em 6/2/2020, DJe 14/2/2020; AgRg no HC 525.027/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, Quinta Turma, julgado em 21/11/2019, DJe 6/12/2020; AgRg no AREsp 1.641.748/MG, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, Quinta Turma, julgado em 18/8/2020, DJe 24/8/2020; AgRg no AREsp 1.039.864/MG, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, Sexta Turma, julgado em 27/2/2018, DJe 8/3/2018; (HC 393.172/RS, Rel. Ministro FELIX FISCHER, Quinta Turma, julgado em 28/11/2017, DJe 6/12/2017. Nesse diapasão, era assente, também, que "o reconhecimento do acusado por fotografia em sede policial, desde que ratificado em juízo, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, pode constituir meio idôneo de prova apto a fundamentar até mesmo uma condenação. Precedentes" (RHC 111.676/PB, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, Quinta Turma, julgado em 13/8/2019, DJe 30/8/2019). Rompendo com a posição jurisprudencial majoritária até então, a Sexta Turma desta Corte Superior de Justiça, por ocasião do julgamento do HC n. 598.886/SC (Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ), realizado em 27/10/2020, propôs nova interpretação do art. 226 do CPP, segundo a qual a inobservância do procedimento descrito no mencionado dispositivo legal torna inválido o reconhecimento da pessoa suspeita e não poderá servir de lastro a eventual condenação, mesmo se confirmado o reconhecimento em juízo. Confiram-se, a propósito, as conclusões apresentadas por ocasião do mencionado julgamento (HC n. 598.886/SC): (i) O reconhecimento de pessoas deve observar o procedimento previsto no art. 226 do Código de Processo Penal, cujas formalidades constituem garantia mínima para quem se encontra na condição de suspeito da prática de um crime; (ii) À vista dos efeitos e dos riscos de um reconhecimento falho, a inobservância do procedimento descrito na referida norma processual torna inválido o reconhecimento da pessoa suspeita e não poderá servir de lastro a eventual condenação, mesmo se confirmado o reconhecimento em juízo; (ii) Pode o magistrado realizar, em juízo, o ato de reconhecimento formal, desde que observado o devido procedimento probatório, bem como pode ele se convencer da autoria delitiva a partir do exame de outras provas que não guardem relação de causa e efeito com o ato viciado de reconhecimento; (iv) O reconhecimento do suspeito por mera exibição de fotografia(s) ao reconhecedor, a par de dever seguir o mesmo procedimento do reconhecimento pessoal, há de ser visto como etapa antecedente a eventual reconhecimento pessoal e, portanto, não pode servir como prova em ação penal, ainda que confirmado em juízo. Eis a ementa do acórdão: HABEAS CORPUS. ROUBO MAJORADO. RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO DE PESSOA REALIZADO NA FASE DO INQUÉRITO POLICIAL. INOBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO PREVISTO NO ART. 226 DO CPP. PROVA INVÁLIDA COMO FUNDAMENTO PARA A CONDENAÇÃO. RIGOR PROBATÓRIO. NECESSIDADE PARA EVITAR ERROS JUDICIÁRIOS. PARTICIPAÇÃO DE MENOR IMPORTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. ORDEM PARCIALMENTE CONCEDIDA. 1. O reconhecimento de pessoa, presencialmente ou por fotografia, realizado na fase do inquérito policial, apenas é apto, para identificar o réu e fixar a autoria delitiva, quando observadas as formalidades previstas no art. 226 do Código de Processo Penal e quando corroborado por outras provas colhidas na fase judicial, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. 2. Segundo estudos da Psicologia moderna, são comuns as falhas e os equívocos que podem advir da memória humana e da capacidade de armazenamento de informações. Isso porque a memória pode, ao longo do tempo, se fragmentar e, por fim, se tornar inacessível para a reconstrução do fato. O valor probatório do reconhecimento, portanto, possui considerável grau de subjetivismo, a potencializar falhas e distorções do ato e, consequentemente, causar erros judiciários de efeitos deletérios e muitas vezes irreversíveis. 3. O reconhecimento de pessoas deve, portanto, observar o procedimento previsto no art. 226 do Código de Processo Penal, cujas formalidades constituem garantia mínima para quem se vê na condição de suspeito da prática de um crime, não se tratando, como se tem compreendido, de "mera recomendação" do legislador. Em verdade, a inobservância de tal procedimento enseja a nulidade da prova e, portanto, não pode servir de lastro para sua condenação, ainda que confirmado, em juízo, o ato realizado na fase inquisitorial, a menos que outras provas, por si mesmas, conduzam o magistrado a convencer-se acerca da autoria delitiva. Nada obsta, ressalve-se, que o juiz realize, em juízo, o ato de reconhecimento formal, desde que observado o devido procedimento probatório. 4. O reconhecimento de pessoa por meio fotográfico é ainda mais problemático, máxime quando se realiza por simples exibição ao reconhecedor de fotos do conjecturado suspeito extraídas de álbuns policiais ou de redes sociais, já previamente selecionadas pela autoridade policial. E, mesmo quando se procura seguir, com adaptações, o procedimento indicado no Código de Processo Penal para o reconhecimento presencial, não há como ignorar que o caráter estático, a qualidade da foto, a ausência de expressões e trejeitos corporais e a quase sempre visualização apenas do busto do suspeito podem comprometer a idoneidade e a confiabilidade do ato. 5. De todo urgente, portanto, que se adote um novo rumo na compreensão dos Tribunais acerca das consequências da atipicidade procedimental do ato de reconhecimento formal de pessoas; não se pode mais referendar a jurisprudência que afirma se tratar de mera recomendação do legislador, o que acaba por permitir a perpetuação desse foco de erros judiciários e, consequentemente, de graves injustiças. 6. É de se exigir que as polícias judiciárias (civis e federal) realizem sua função investigativa comprometidas com o absoluto respeito às formalidades desse meio de prova. E ao Ministério Público cumpre o papel de fiscalizar a correta aplicação da lei penal, por ser órgão de controle externo da atividade policial e por sua ínsita função de custos legis, que deflui do desenho constitucional de suas missões, com destaque para a "defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis" (art. 127, caput, da Constituição da República), bem assim da sua específica função de "zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos inclusive, é claro, dos que ele próprio exerce .. promovendo as medidas necessárias a sua garantia" (art. 129, II). 7. Na espécie, o reconhecimento do primeiro paciente se deu por meio fotográfico e não seguiu minimamente o roteiro normativo previsto no Código de Processo Penal. Não houve prévia descrição da pessoa a ser reconhecida e não se exibiram outras fotografias de possíveis suspeitos; ao contrário, escolheu a autoridade policial fotos de um suspeito que já cometera outros crimes, mas que absolutamente nada indicava, até então, ter qualquer ligação com o roubo investigado. 8. Sob a égide de um processo penal comprometido com os direitos e os valores positivados na Constituição da República, busca-se uma verdade processual em que a reconstrução histórica dos fatos objeto do juízo se vincula a regras precisas, que assegurem às partes um maior controle sobre a atividade jurisdicional; uma verdade, portanto, obtida de modo "processualmente admissível e válido" (Figueiredo Dias). 9. O primeiro paciente foi reconhecido por fotografia, sem nenhuma observância do procedimento legal, e não houve nenhuma outra prova produzida em seu desfavor. Ademais, as falhas e as inconsistências do suposto reconhecimento - sua altura é de 1,95 m e todos disseram que ele teria por volta de 1,70 m; estavam os assaltantes com o rosto parcialmente coberto; nada relacionado ao crime foi encontrado em seu poder e a autoridade policial nem sequer explicou como teria chegado à suspeita de que poderia ser ele um dos autores do roubo - ficam mais evidentes com as declarações de três das vítimas em juízo, ao negarem a possibilidade de reconhecimento do acusado. 10. Sob tais condições, o ato de reconhecimento do primeiro paciente deve ser declarado absolutamente nulo, com sua consequente absolvição, ante a inexistência, como se deflui da sentença, de qualquer outra prova independente e idônea a formar o convencimento judicial sobre a autoria do crime de roubo que lhe foi imputado. 11. Quanto ao segundo paciente, teria, quando muito - conforme reconheceu o Magistrado sentenciante - emprestado o veículo usado pelos assaltantes para chegarem ao restaurante e fugirem do local do delito na posse dos objetos roubados, conduta que não pode ser tida como determinante para a prática do delito, até porque não se logrou demonstrar se efetivamente houve tal empréstimo do automóvel com a prévia ciência de seu uso ilícito por parte da dupla que cometeu o roubo. É de se lhe reconhecer, assim, a causa geral de diminuição de pena prevista no art. 29, § 1º, do Código Penal (participação de menor importância). 12. Conclusões: 1) O reconhecimento de pessoas deve observar o procedimento previsto no art. 226 do Código de Processo Penal, cujas formalidades constituem garantia mínima para quem se encontra na condição de suspeito da prática de um crime; 2) À vista dos efeitos e dos riscos de um reconhecimento falho, a inobservância do procedimento descrito na referida norma processual torna inválido o reconhecimento da pessoa suspeita e não poderá servir de lastro a eventual condenação, mesmo se confirmado o reconhecimento em juízo; 3) Pode o magistrado realizar, em juízo, o ato de reconhecimento formal, desde que observado o devido procedimento probatório, bem como pode ele se convencer da autoria delitiva a partir do exame de outras provas que não guardem relação de causa e efeito com o ato viciado de reconhecimento; 4) O reconhecimento do suspeito por simples exibição de fotografia(s) ao reconhecedor, a par de dever seguir o mesmo procedimento do reconhecimento pessoal, há de ser visto como etapa antecedente a eventual reconhecimento pessoal e, portanto, não pode servir como prova em ação penal, ainda que confirmado em juízo. 13. Ordem concedida, para: a) com fundamento no art. 386, VII, do CPP, absolver o paciente Vânio da Silva Gazola em relação à prática do delito objeto do Processo n. 0001199-22.2019.8.24.0075, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Tubarão - SC, ratificada a liminar anteriormente deferida, para determinar a imediata expedição de alvará de soltura em seu favor, se por outro motivo não estiver preso; b) reconhecer a causa geral de diminuição relativa à participação de menor importância no tocante ao paciente Igor Tártari Felácio, aplicá-la no patamar de 1/6 e, por conseguinte, reduzir a sua reprimenda para 4 anos, 5 meses e 9 dias de reclusão e pagamento de 10 dias-multa. Dê-se ciência da decisão aos Presidentes dos Tribunais de Justiça dos Estados e aos Presidentes dos Tribunais Regionais Federais, bem como ao Ministro da Justiça e Segurança Pública e aos Governadores dos Estados e do Distrito Federal, encarecendo a estes últimos que façam conhecer da decisão os responsáveis por cada unidade policial de investigação (HC 598.886/SC, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Sexta Turma, julgado em 27/10/2020, DJe 18/12/2020). Seguindo tal entendimento, os seguintes julgados: HC 617.717/DF, Rel. Ministra LAURITA VAZ, Sexta Turma, julgado em 10/8/2021, DJe 24/8/2021; HC 591.920/RJ, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 22/6/2021, DJe 25/6/2021; AgRg no HC 664.916/SP, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Quinta Turma, julgado em 22/6/2021, DJe 24/6/2021. No caso, o juízo sentenciante assim fundamentou a comprovação da autoria delitiva (e-STJ fls. 163/166): A vítima G. P. de O. confirmou a declaração prestada em sede policial e ratificou o reconhecimento do acusado como sendo o autor do delito. A vítima ratificou, também, o reconhecimento realizado da faca utilizada no intento criminoso. Apenas sua bolsa e seu crachá da empresa em que trabalhava foram restituídos, o que ocorreu dois dias após o fato. .. No tocante ao crime de roubo, verifica-se que a AUTORIA é inconteste, considerando a declaração detalhada e incriminadora prestada pela vítima na fase policial, ratificada em juízo e corroborada pelos demais elementos de prova carreados aos autos. Com efeito, a vítima G. P. de O. atestou a ocorrência da subtração de sua bolsa, cor palha, da quantia em dinheiro correspondente a R$ 600,00 (seiscentos reais), seu crachá de serviço e demais documentos pessoais, mediante grave ameaça, exercida com o emprego de arma branca, seja, uma faca. Ademais, declinou as características físicas do autor do delito, apontando ser um indivíduo de cor parda, com altura aproximada de 1,65m, que apresentava barba e possuía o rosto "fundo", semelhante a quem faz o uso de drogas. Nesse sentido, a vítima procedeu ao reconhecimento do acusado, conforme Auto de Reconhecimento de f. 11, o qual foi ratificado em juízo. .. Por sua vez, consta do acórdão recorrido (e-STJ fls. 314/317): Inicialmente, a vítima Gleiciane Paulina de Oliveira, reconheceu o acusado reiteradamente, sendo a primeira por fotografia quando esta foi chamada a depor (auto de reconhecimento de f. 11): .. Em juízo a vítima o reconheceu novamente, quando estava presente na audiência (PJe Mídias). Ela disse que confirma seu depoimento; que reconheceu o acusado em delegacia; que o acusado estava bem mais magro na data dos fatos, mas reconhece o réu presente na audiência quando este abaixou a máscara; que mesmo de noite, conseguiu visualizar o réu pois haviam luzes de dois postes na rua; que o reconheceu na polícia por meio de fato no computador, que acredita que foi cerca de três meses após o ocorrido, mas não se recorda a data exata; que também reconheceu a faca; que a bolsa foi encontrada dois dias após o fato em uma lixeira, com o seu crachá, mas sem os outros bens. As provas colhidas sob o crivo do contraditório são coerentes, não persistindo dúvida acerca de ter o recorrente praticado o roubo. Ora, de início houve a indicação pela vítima das características do homem que a havia assaltado, "ele de cor parda, aproximadamente 1,65m, magro, estava com barba, e com rosto bem fundo, semelhante a quem faz uso de drogas" (f. 10), sendo compatível esta descrição com as características do ora recorrente, observando-se harmonia nos depoimentos prestados e as provas dos autos. Há que se salientar que, em sede de crimes patrimoniais, que geralmente são praticados na clandestinidade, configura-se preciosa a palavra da vítima para o reconhecimento do autor do crime e das circunstâncias do delito, mormente quando não há nada nos autos que demonstre que o ofendido tenha inventado tais fatos com a simples intenção de prejudicar o acusado. .. Desta forma, inviável não valorizar a palavra da vítima, principalmente quando esta se encontra reiterada, e coerente em todas as vezes em que foi ouvida. Ademais, o réu se limitou somente a negar os fatos descritos na denúncia, e sequer apresentou uma versão para rebater do que foi acusado. Por fim, ressalto as palavras do i. Des. Revisor, quando da apelação criminal à f. 174v/178: "(..) Em que pese a autodefesa apresentada pelo Apelante, certo é que esta não se sustenta se confrontada com as declarações da vítima, que o aponta como autor do roubo. De mais a mais, a vítima foi categórica em reconhecer o acusado tanto por fotográfica quanto pessoalmente em juízo, sem titubear, alegando que tem certeza. A palavra da vítima merece toda credibilidade a uma porque não teve dúvidas de que o acusado era o autor; a duas porque reconheceu ainda a faca utilizada pelo réu que foi apreendida posteriormente quando praticou o mesmo crime em 03/07/2011; a três, porque apresentou a mesma versão em todas as oportunidades em que foi ouvida; a quatro porque não tem qualquer vício ou contaminação no reconhecimento.". Destacamos. Portanto, não há como acatar o pedido de absolvição, uma vez que não existem dúvidas quanto à existência do crime, tampouco quanto à autoria, na medida em que esta foi suficientemente evidenciada através da prova oral colhida nos autos. Como se observa, na hipótese dos autos, não se pode desconsiderar as firmes declarações da vítima que, tanto na fase inquisitorial, quanto na judicial, apontou, com absoluta segurança a autoria delitiva, devidamente corroborada pelas demais provas produzidas em juízo. No contexto, rever as conclusões firmadas pelas instâncias ordinárias acerca da presença de provas suficientes a corroborar a condenação, como pretende a parte recorrente, não prescinde do aprofundado reexame de elementos fático-probatórios, providência vedada em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 7/STJ. Ante o exposto, com fundamento no art. 932, III, do CPC, c/c art. 255, § 4º, I, do RISTJ, não conheço o recurso especial. Intimem-se. EMENTA