HC 903837 - DECISAO
Não conheço do habeas corpus porque não é meio adequado para substituir o recurso próprio ou a revisão criminal; além disso, ainda que haja alegação de irregularidade no reconhecimento fotográfico (não observância do art. 226 do CPP), a condenação não se apoia exclusivamente nesse meio de prova, havendo confissão...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: RIVAMAR MENDES VIEIRA; Corréu: WANDERSON PONCE DE LIMA LOPES; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado do Acre; Órgão Ministerial: Ministério Público Federal; Vítima: SANDERSON FRANCISCO GOMES ELEUTÉRIO; Vítima: VANDERCLEY DE SOUZA OLIVEIRA; Policial Militar: WEKISLEY BARBOSA DOS SANTOS; Testemunha: JOSÉ DA SILVA PIMENTEL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 May 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecido
- Outcome
- habeas corpus não conhecido
- Legal Topics
- Reconhecimento Fotográfico, Erro No Reconhecimento, Revisão Criminal, Flagrante Ilegalidade, Confissão Judicial, Livre Convencimento Motivado
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
RIVAMAR MENDES VIEIRA
Paciente
WANDERSON PONCE DE LIMA LOPES
Corréu
Tribunal de Justiça do Estado do Acre
Autoridade Coatora
Ministério Público Federal
Órgão Ministerial
SANDERSON FRANCISCO GOMES ELEUTÉRIO
Vítima
VANDERCLEY DE SOUZA OLIVEIRA
Vítima
WEKISLEY BARBOSA DOS SANTOS
Policial Militar
JOSÉ DA SILVA PIMENTEL
Testemunha
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 admissibilidade do habeas corpus como substitutivo de recurso ou revisão criminal
- 2 validade do reconhecimento fotográfico e observância do art. 226 do CPP
- 3 possibilidade de manutenção da condenação quando existirem provas independentes e autônomas
Ratio Decidendi
Não conheço do habeas corpus porque não é meio adequado para substituir o recurso próprio ou a revisão criminal; além disso, ainda que haja alegação de irregularidade no reconhecimento fotográfico (não observância do art. 226 do CPP), a condenação não se apoia exclusivamente nesse meio de prova, havendo confissão judicial dos réus e demais elementos probatórios independentes e colhidos no contraditório, de modo que não se verifica flagrante ilegalidade capaz de justificar a concessão de ofício da ordem.
Court Disposition
habeas corpus não conhecido
Orders
- Não conheço do mandamus.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de RIVAMAR MENDES VIEIRA apontando como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado do Acre (Habeas Corpus n. 1000402-26.2024.8.01.0000). Consta dos autos que o paciente foi condenado como incurso no art. 157, § 2º, incisos I e II, do CP, à pena de 5 anos e 4 meses de reclusão, em regime semiaberto, além de 53 dias-multa. Irresignada, a defesa impetrou prévio writ, o qual foi julgado, nos termos da seguinte ementa (e-STJ fls. 126): CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. TESE ERRO NO RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO, FEITO EM DESCONFORMIDADE COM A NORMA. IMPOSSIBILIDADE DO REEXAME DO LASTRO PROBATÓRIO. RÉU CONFESSO NOS AUTOS. MERO INCONFORMISMO COM A CONDENAÇÃO FLAGRANTE ILEGALIDADE NÃO EVIDENCIADA. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. 1. No caso em questão, o remédio heroico não se mostra adequado à reforma da decisão vergastada, vez não ser ele sucedâneo do recurso de revisão criminal, que é o instrumento para impugnar as sentenças condenatórias já transitadas em julgado. 2. Embora a defesa tente inapropriadamente creditar que o paciente tenha restado condenado com base tão somente no aludido reconhecimento fotográfico, vislumbra-se da breve leitura do decreto condenatório, que o próprio paciente, à época, confessou a prática do crime. 3. Habeas corpus não conhecido. No presente mandamus, a defesa se insurge, em síntese, contra a condenação do paciente, porquanto "se deu com base em reconhecimento que se mostrou ilegal, já que não obedeceu os requisitos legais e criou na mente das vítimas uma verdade produzida através de procedimento ilegal e que não foi submetido ao contraditório e a ampla defesa" (e-STJ fl. 8). Pugna, assim, pela nulidade do reconhecimento do paciente, com a sua consequente absolvição. O Ministério Público Federal se manifestou, às e-STJ fls. 142-147, pelo não conhecimento do writ, nos seguintes termos: CONSTITUCIONAL. EXECUÇÃO PENAL. HABEAS CORPUS. SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. NÃO CONHECIMENTO. CRIME DE ROUBO. RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO. 1 - Incabível a impetração de "habeas corpus" em substituição ao recurso legalmente previsto, ressalvadas as hipóteses de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado, razão pela qual o não conhecimento da impetração é medida que se impõe;2 - " .. como regra, o trânsito em julgado da condenação impede a parte de impetrar habeas corpus perante este Sodalício, porquanto a competência do Superior Tribunal de Justiça, prevista no art. 105, I, "e", da Constituição Federal restringe-se ao processamento e julgamento de revisões criminais de seus próprios julgados". (AgRg no HC n. 802.260/SP);3 - O reconhecimento do Paciente foi corroborado por outros meios de provas válidas, inexistindo qualquer ilegalidade ou malferimento ao artigo 226, do CPP, sendo certo que qualquer insurgência contra a conclusão do Acórdão, ora hostilizado, importaria em dilação probatória, procedimento inviável nos estreitos limites desta via eleita;4 - "A autoria delitiva não é comprovada apenas pelo reconhecimento fotográfico, mas conta com outros elementos de prova, como se colhe do acórdão recorrido" (AgRg no REsp n. 1.957.527/SP), motivo pelo qual não há falar em absolvição; PARECER PELO NÃO CONHECIMENTO DO WRIT E, NO MÉRITO, PELA DENEGAÇÃO DA ORDEM. É o relatório. Decido. Em razão da utilização crescente e sucessiva do habeas corpus, o Superior Tribunal de Justiça passou a acompanhar a orientação do Supremo Tribunal Federal, no sentido de não ser admissível o emprego do writ como sucedâneo de recurso ou revisão criminal, a fim de não se desvirtuar a finalidade dessa garantia constitucional, preservando, assim, sua utilidade e eficácia, e garantindo a celeridade que o seu julgamento requer. Referido entendimento foi ratificado pela Terceira Seção, em 10/6/2020, no julgamento da Questão de Ordem no Habeas Corpus n. 535.063/SP. Nessa linha de intelecção, como forma de racionalizar o emprego do writ e prestigiar o sistema recursal, não se admite a sua impetração em substituição ao recurso próprio. Todavia, em homenagem ao princípio da ampla defesa, tem se admitido o exame da insurgência, para verificar a existência de eventual constrangimento ilegal passível de ser sanado pela concessão da ordem, de ofício. Conforme relatado, a defesa se insurge, em síntese, contra o reconhecimento do paciente. Sobre a matéria, a jurisprudência mais recente do Superior Tribunal de Justiça se firmou no sentido de que o acusado não pode ser condenado com base apenas em eventual reconhecimento falho, ou seja, sem o cumprimento das formalidades legais, as quais constituem, em verdade, garantia mínima para quem se encontra na condição de suspeito da prática de um delito. No entanto, é possível que o julgador, destinatário das provas, convença-se da autoria delitiva a partir de outras provas que não guardem relação de causa e efeito com o ato do reconhecimento falho, porquanto, sem prejuízo da nova orientação, não se pode olvidar que vigora no nosso sistema probatório o princípio do livre convencimento motivado. Assim, "diante da existência de outros elementos de prova, acerca da autoria do delito, não é possível declarar a ilicitude de todo o conjunto probatório, devendo o magistrado de origem analisar o nexo de causalidade e eventual existência de fonte independente, nos termos do art. 157, § 1º, do Código de Processo Penal" (HC 588.135/SP, Relator Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, Quinta Turma, julgado em 8/9/2020, DJe de 14/9/2020). Com efeito, o Magistrado não está comprometido com qualquer critério de valoração prévia da prova, mas livre na formação do seu convencimento e na adoção daquele que lhe parecer mais convincente. Assim, permite-se que elementos informativos de investigação e indícios suficientes sirvam de fundamento ao juízo, desde que existam, também, provas produzidas judicialmente. Ou seja, para se concluir sobre a veracidade ou falsidade de um fato, o juiz penal pode se servir tanto de elementos de prova - produzidos em contraditório - como de informações trazidas pela investigação. Na hipótese dos autos, extrai-se da denúncia o seguinte (e-STJ fl. 83-85): No dia 05 de outubro de 2012, por volta das 12:30h, na via pública, próximo à "Pensão da Helena" localizada na Rua Padre José, Bairro Taquari, nessa cidade, o acusado Wanderson Ponce de Lima Lopes, auxiliado pelo comparsa Rivamar Mendes Vieira, adrede mancomunados e em unidade de desígnios delituosos, mediante violência e grave ameaça exercida com o emprego de arma de fogo em face das vítimas Sanderson Francisco Gomes Eleutério e Vandercley de Souza Oliveira, subtraíram para eles 01 (um) aparelho celular marca Nokia, modelo C3 e a importância de R$ 100,00 (cem reais) pertence à vítima Vandercley de Souza Oliveira. Segundo restou apurado, no dia dos fatos as vítimas, ambos funcionários de uma empresa de entrega de bebidas, teriam parado o caminhão no qual se encontravam trabalhando próximo à "Pensão da Helena", oportunidade em que a vítima Sanderson desceu para se interar do cardápio do dia enquanto a vítima Vandercley permaneceu no interior do veículo. Nesse momento o acusado Wanderson teria apontado uma arma de fogo para a vítima Vandercley e ordenado que a mesma descesse do caminhão e lhe passasse o dinheiro, tendo a vítima lhe obedecido e lhe entregado a quantia de R$ 100,00 (cem reais) bem como seu aparelho celular. Ato contínuo o acusado continuou pedindo mais dinheiro à vítima, tendo a mesma lhe informado que o restante se encontrava no cofre do caminhão, porém não tinha a chave. Consta nos autos que o acusado teria obrigado a vítima Vandercley se deitar no chão, enquanto lhe ameaçava de morte. Nesse momento a vítima Sanderson, atraído pelos gritos dos populares que estariam presenciando o assalto sofrido por seu colega, saiu da pensão, azo em que também presenciou o assalto, ocasião em que o acusado apontou-lhe a arma e lhe obrigou ajoelhar no chão sob ameaça de morte, enquanto lhe revistava a procurava de bens, porém nada tendo encontrado. Enquanto o acusado Wanderson rendia as vítimas sob ameaça de arma de fogo e lhes desapossava de seus bens, o seu comparsa, o acusado Rivamar Mendes Vieira encontrava-se nas proximidades em uma motocicleta, dando cobertura ao parceiro bem como pronto a lhe dar fuga. Segundo apurado, no momento em que as vítimas estavam sendo assaltadas, o Policial Wekisley Barbosa dos Santos também se encontrava almoçando na Pensão da Helena, e atraído por gritos, também saiu à rua, tendo flagrado a conduta delituosa, azo em que se identificou como policial e lhe deu voz de prisão. Nesse momento o acusado Wanderson teria lhe apontado uma arma de fogo, razão pela qual o Miliciano disparou contra o increpado, vindo a lhe atingir no braço e perna. Após ser atingido o acusado Wanderson subiu na motocicleta do parceiro Rivamar e ambos empreenderam fuga, tendo o denunciado Wanderson ainda disparado um outra vez, contra o policial, contudo não o acertou. Após a fuga dos acusados, o policial Wekisley acionou uma guarnição da Policia Militar que passou a procurar os increpados, logrando êxito em localizarem a motocicleta utilizava pelos mesmos, a qual se encontrava abandonada no Ramal Bom Jesus, local onde ainda foi encontrado uma arma de fogo municiada com 05 (cinco) munições intactas e uma deflagrada, bem como dois capacetes que teriam sido utilizados pelos denunciados. Após a localização da motocicleta e demais objetos, os Milicianos teriam entrado em contato com a UPA e PS para que informassem se alguém teria dado entrada com ferimentos por arma de fogo, tendo sido informado que o acusado Wanderson havia dado entrada na UPA do 2º Distrito, tendo os policiais para lá se dirigido, oportunidade em que o policial Wekisley o reconheceu como um dos assaltantes, ocasião em que o mesmo foi submetido a revista pessoal, tendo sido localizado o celular da vítima. Segundo consta, ao ser reconhecido pelo policial, o acusado Wanderson confirmou a identidade de seu comparsa, inclusive entregando uma fotografia do mesmo. Ouvido em sede policial o acusado Wanderson Ponce de Lima Lopes preferiu o direito de permanecer calado (fl. 07). Nesse contexto, o Juízo sentenciante, ao analisar a alegação defensiva, entendeu pela suficiência das provas no sentido de que o paciente praticou o crime de roubo, nos termos seguintes (e-STJ fls. 117-120): MATERIALIDADE A materialidade do delito está comprovada pelas peças do Inquérito Policial de pgs. 01/66, mais precisamente pelo Boletim de Ocorrência de pgs. 11/13, pelo reconhecimento dos réus pelas vítimas e testemunha em sede policial (pgs. 20/21 e 50/51), pelos Termos de Apreensão e Restituição (pgs. 45, 47/49 e 162/164), e também pelas provas orais constantes dos autos, abaixo expostas. AUTORIA Quanto à autoria, esta restou inconteste na pessoa dos réus WANDERSON PONCE DE LIMA LOPES e RIVAMAR MENDES VIEIRA, tendo eles, inclusive, confessado o crime em Juízo, por ocasião dos seus interrogatórios (pg. 112), nos seguintes termos: WANDERSON PONCE DE LIMA LOPES PG. 195: (..) Que tem ciência da acusação que recai sobre si, que são verdadeiras; (..) que havia passado a noite usando drogas e que ao amanhecer quando acabaram as suas drogas, pegou uma carona de moto com o RIVAMAR e cometeu o roubo; que o RIVAMAR não sabia que ele estava armado e que iria praticar o roubo; que pediu dinheiro para vítima, mas não agrediu ninguém; que o policial que lhe deu os tiros, não anunciou hora nenhuma que era da polícia; (..)que o RIVAMAR lhe deu fuga e lhe deixou na UPA do 2º Distrito; que não sabe dizer porque o RIVAMAR escondeu a motocicleta no mato; que não roubou o celular, somente o dinheiro; que nunca tinha roubado ninguém ou cometido outro crime; (..)." (RIVAMAR MENDES VIEIRA pgs 196: (..) Que o que aconteceu foi verdade, eu e ele fomos fazer, ele me chamou para fazer o assalto; (..) que não saiu da moto, ficou lá esperando ele (WANDERSON) a uns 05 (cinco) metros de distância; que ele rendeu os dois rapazes; que o policial deu 01 (um) tiro nele, que nessa hora ele veio pro meu rumo pra fugir; (..)que foram lá pra assaltar o dinheiro do caminhão; que após o assalto levou ele pra UPA e foi buscar a mãe dele; (..) que depois escondeu a moto; (..)." (). Os denunciados WANDERSON PONCE DE LIMA LOPES e RIVAMAR MENDES VIEIRA foram reconhecidos pelas vítimas SANDERSON FRANCISCO GOMES ELEUTÉRIO e VANDERCLEY DE SOUZA OLIVEIRA e pela testemunha JOSÉ DA SILVA PIMENTEL, em procedimentos de reconhecimento de pessoa e de fotografia, realizados na Delegacia de Polícia (pgs. 20/21 e 50/51). .. Os Policiais Militares WEKISLEY BARBOSA DOS SANTOS e JORGE ALVES DOS SANTOS, além da testemunha JOSÉ DA SILVA PIMENTEL, ouvidos em sede policial e em Juízo (pgs. 31/32, 34, 193/194) narraram os fatos de forma coerente com as provas com os depoimentos das vítimas e confissões dos réus. Portanto, comprovada esta a autoria do fato delituoso praticado pelos réus. O Tribunal a quo, por seu turno, confirmou o entendimento constante da sentença, conforme segue (e-STJ fls. 129-131): Quanto a existência de flagrante ilegalidade, que possibilitaria a concessão da ordem de ofício, entendo que razão não assiste ao Paciente. Explico. Compulsando a sentença condenatória, verifico que O PACIENTEÉ RÉU CONFESSO, ASSUMINDO A REALIZAÇÃO DO DELITO. Transcrevo trecho da sentença: .. Diante disto, não se verificando a existência de manifesta ilegalidade na sentença condenatória, outro caminho não resta que não o da manutenção do decreto condenatório, nos termos em que foi proferido. Pela análise dos excertos acima transcritos, verifica-se que a autoria delitiva do crime de roubo não se encontra amparada exclusivamente no reconhecimento realizado pelas vítimas, mas, sim, no amplo conjunto de elementos probatórios válidos e autônomos colhidos sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, em especial nos depoimentos colhidos em juízo, no fato de o corréu ter sido localizado em posse do celular de uma das vítimas e na confissão judicial dos réus sobre a prática do delito. Nesse contexto, apesar de eventual não observância do art. 226 do Código de Processo Penal, evidencia-se a existência de outros elementos de prova acerca da autoria do delito, não sendo possível declarar a ilicitude de todo o conjunto probatório. Assim, não obstante a irresignação defensiva, não há se falar em absolvição do paciente. Nesse sentido: PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO CIRCUNSTANCIADO. ABSOLVIÇÃO. RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO. DISTINGUISHING. PRESENÇA DE PROVAS PARA A MANTENÇA DA CONDENAÇÃO. ÓBICE AO REVOLVIMENTO PROBATÓRIO NA VIA ELEITA. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Ambas as Turmas que compõem a Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça alinharam a compreensão de que "o reconhecimento de pessoa, presencialmente ou por fotografia, realizado na fase do inquérito policial, apenas é apto, para identificar o réu e fixar a autoria delitiva, quando observadas as formalidades previstas no art. 226 do Código de Processo Penal e quando corroborado por outras provas colhidas na fase judicial, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa" (HC 652.284/SC, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 27/4/2021, DJe 3/5/2021). 2. No caso dos autos, dos elementos probatórios que instruem o feito, verifica-se que a autoria delitiva do crime de furto não tem como elemento de prova o reconhecimento fotográfico, o que gera distinguishing em relação ao acórdão paradigma da alteração jurisprudencial, pois o corréu confessou a autoria delitiva e descreveu a atuação do agente de forma detalhada, tendo, inclusive, apontado onde estavam os bens furtados, o que permitiu a recuperação de parte da res da vítima. 3. O habeas corpus não se presta para a apreciação de alegações que buscam a absolvição do paciente, em virtude da necessidade de revolvimento do conjunto fático-probatório, o que é inviável na via eleita. 4. Agravo desprovido. (AgRg no HC n. 899.715/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 13/5/2024, DJe de 15/5/2024.) - grifei. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. ROUBO. NULIDADE. RECONHECIMENTO PESSOAL. NÃO OCORRÊNCIA. OUTRAS PROVAS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. "Em julgados recentes, ambas as Turmas que compõe a Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça alinharam a compreensão de que "o reconhecimento de pessoa, presencialmente ou por fotografia, realizado na fase do inquérito policial, apenas é apto, para identificar o réu e fixar a autoria delitiva, quando observadas as formalidades previstas no art. 226 do Código de Processo Penal e quando corroborado por outras provas colhidas na fase judicial, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa" (AgRg no HC n. 745.822/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 14/6/2022, DJe de 20/6/2022). 2. "A inobservância do procedimento descrito na referida norma processual torna inválido o reconhecimento da pessoa suspeita, de modo que tal elemento não poderá fundamentar eventual condenação ou decretação de prisão cautelar, mesmo se refeito e confirmado o reconhecimento em Juízo. Se declarada a irregularidade do ato, eventual condenação já proferida poderá ser mantida, se fundamentada em provas independentes e não contaminadas" (RHC n. 206846, relator Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 22/2/2022, processo eletrônico DJe-100, divulgado em 24/5/2022, publicado em 25/5/2022). 3. Na presente hipótese, o ora acusado foi flagrado em posse de boné da mesma cor utilizada no delito, e o coautor adolescente confessou a prática do delito. 4. É despicienda a apreensão da arma de fogo utilizada no delito de roubo para aplicação da respectiva majorante, desde que haja suporte probatório suficiente - inclusive por meio de depoimentos - para a formação do convencimento do magistrado nesse sentido. (Precedentes). 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 830.624/MG, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 11/3/2024, DJe de 14/3/2024.) - grifei. Pelo exposto, não conheço do mandamus. Publique-se. EMENTA