AREsp 2463547 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial em razão da incidência da Súmula n. 283/STF, uma vez que o Tribunal de origem apresentou fundamento suficiente (anuência das partes à audiência por videoconferência e ausência de comprovação de vício no reconhecimento) que não foi impugnado nas razões do...
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- Parties
- Agravante: JEAN PABLO PEREIRA; Órgão Ministerial: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, nos termos do 253, parágrafo único, inciso II, alínea a, do RISTJ.
- Legal Topics
- Reconhecimento Fotográfico, Videoconferência, Nulidade, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 283/stf
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Parties
JEAN PABLO PEREIRA
Agravante
Ministério Público Federal
Órgão Ministerial
Procedural Posture
Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Violação ao art. 226 (CPC/CPP) por reconhecimento fotográfico extrajudicial e judicial por videoconferência sem observância das exigências legais
- 2 Validade do reconhecimento por videoconferência quando há anuência das partes
- 3 Incidência da Súmula n. 283/STF como óbice ao conhecimento do recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial em razão da incidência da Súmula n. 283/STF, uma vez que o Tribunal de origem apresentou fundamento suficiente (anuência das partes à audiência por videoconferência e ausência de comprovação de vício no reconhecimento) que não foi impugnado nas razões do recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, nos termos do 253, parágrafo único, inciso II, alínea a, do RISTJ.
Orders
- Conheço do agravo
- Não conheço do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por JEAN PABLO PEREIRA contra decisão que inadmitiu recurso especial manejado em face de acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS. De acordo com o contido nos autos, o Agravante foi condenado a 9 (nove) anos e 4 (quatro) meses de reclusão, em regime fechado, e 112 (cento e doze) dias-multa, pelo delito do art. 157, § 2º, incisos II e V, § 2º-A, inciso I, do Código Penal (fls. 378-379). O Tribunal de justiça de origem indeferiu o pedido de revisão criminal (fls. 415-428). No recurso especial, interposto com fulcro no artigo 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, a Defesa aponta violação ao art. 226 do Código de Processo Civil (fls. 444), asseverando, em síntese, a nulidade da condenação do Agravante por estar apoiada em reconhecimento fotográfico extrajudicial e judicial por videoconferência, feitos sem a observância das exigências legais (fls. 444-451). Apresentadas as contrarrazões (fls. 457-470), sobreveio juízo negativo de admissibilidade (fls. 473-475). A Defesa interpôs agravo (fls. 481-497). O Ministério Público Federal opinou pelo desprovimento do agravo (fls. 527-530). É o relatório. DECIDO. Tendo em vista os argumentos expendidos pela parte agravante para refutar os fundamentos da decisão de inadmissibilidade da origem, conheço do agravo e passo a examinar o recurso especial. A controvérsia trazida ao conhecimento e à apreciação desta Corte diz respeito à violação ao art. 226 do Código de Processo Civil, em razão de o reconhecimento fotográfico extrajudicial e judicial por videoconferência terem sido feitos sem a observância das exigências legais (fls. 444-451). O Tribunal de justiça de origem superou a alegada violação ao art. 226 do Código de Processo Penal com apoio nestas razões (fls. 420-424): "Ademais, para além da prova atinente ao reconhecimento pessoal do recorrente, foram trazidas as demais provas colhidas, especialmente a oral. Conforme acima especificado, as vítimas foram claras e objetivas ao indicarem o recorrente como um dos autores do delito, que estava com o rosto descoberto. .. E no que se refere ao reconhecimento ocorrido por videoconferência, observa-se que a audiência foi realizada aos 07/05/2020, ou seja, em tempo de pandemia, momento em que todos os atos judiciais anteriormente realizados na forma presencial, passaram à videoconferência, tendo o Juiz "a quo", por cautela, constando do termo da referida audiência que: "O IRMP, bem como o Defensor, concordaram coma realização da audiência virtual, renunciado a qualquer alegação de nulidade." (f. 74, doc. único). .. Desta feita, conclui-se que deve ser admitida a colheita de prova testemunhal ou de outra modalidade por videoconferência, inclusive o reconhecimento por vídeo. Ademais, a Defesa não comprovou a ocorrência de vício no reconhecimento realizado em videoconferência, frisando novamente a manifestação expressa das partes, concordando com a realização do ato utilizando-se do sistema citado." Como se vê dos trechos do acórdão recorrido, o Tribunal de justiça de origem manteve válido o reconhecimento judicial, feito por videoconferência, e superou, por conseguinte, a alegada violação ao art. 226 do Código de Processo Penal, em razão de as partes, o Ministério Público e a Defesa , terem anuído com a realização da audiência virtual (em que o Agravante foi reconhecido), renunciando a qualquer alegação de nulidade. Nas razões do recurso especial, a Defesa não impugnou essa razão de decidir, tendo se restringido a pontuar a ilegalidade do ato de reconhecimento do Réu, porque feito no âmbito extrajudicial e em sede judicial por meio de videoconferência sem a observância das exigências legais (fls. 444-451). Desse modo, existente fundamento incólume e suficiente à manutenção da autoridade do acórdão recorrido, o óbice da Súmula n. 283/STF apresenta-se insuperável ao conhecimento do apelo nobre. A propósito: " .. 2. Nos termos do acórdão estadual, inexistiu traço mínimo de manipulação das provas ou conluio nos acordos de colaboração premiada dos corréus. Além disso, reforçou-se a ocorrência de preclusão, uma vez que o tema - ausência de perícia - não teria sido ventilado em resposta à acusação ou mesmo em alegações finais, fundamento que sequer foi combatido pela defesa nas razões do recurso especial, tendo incidido a Súmula n. 283 do Supremo Tribunal Federal - STF. .. 4. Embargos de declaração parcialmente acolhidos sem efeitos infringentes." (EDcl no AgRg no REsp n. 1.959.061/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 4/6/2024, DJe de 6/6/2024.). Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, nos termos do 253, parágrafo único, inciso II, alínea a, do RISTJ. Publique-se. Intimem-se. EMENTA