AREsp 2597451 - DECISAO
Não se conhece do agravo em recurso especial em razão da incidência das súmulas 7 e 83 do STJ e da falta de impugnação específica aos fundamentos de inadmissão; contudo, de ofício, foi concedido habeas corpus para excluir da dosimetria as causas de aumento do art. 157, § 2º, do CP, por serem inaplicáveis ao crime...
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- Parties
- Agravante/recorrente: ADRIANO DOS SANTOS SILVA; Decisor/órgão Julgador: Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (2º Vice-Presidente); Interveniente/agravado: Ministério Público do Estado de Santa Catarina; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Inadmissibilidade Do Recurso Especial E Concessão De Habeas Corpus De Ofício
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial; concedo habeas corpus de ofício para excluir da dosimetria as causas de aumento do art. 157, § 2º, do Código Penal e redimensionar a pena.
- Legal Topics
- Reconhecimento Fotográfico, Nulidade Processual, Dosimetria Da Pena, Majorantes Do Art. 157, § 2º, Qualificadoras Do Art. 157, § 3º, Habeas Corpus De Ofício, Súmula 7 STJ, Súmula 83 STJ
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Parties
ADRIANO DOS SANTOS SILVA
Agravante/recorrente
Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (2º Vice-Presidente)
Decisor/órgão Julgador
Ministério Público do Estado de Santa Catarina
Interveniente/agravado
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Inadmissibilidade Do Recurso Especial E Concessão De Habeas Corpus De Ofício
Legal Issues
- 1 observância do art. 226 do CPP no reconhecimento fotográfico
- 2 possibilidade de revisão de matéria fática em recurso especial (Súmula 7/STJ)
- 3 incidência das majorantes do art. 157, § 2º do CP sobre crime do § 3º (latrocínio)
Ratio Decidendi
Não se conhece do agravo em recurso especial em razão da incidência das súmulas 7 e 83 do STJ e da falta de impugnação específica aos fundamentos de inadmissão; contudo, de ofício, foi concedido habeas corpus para excluir da dosimetria as causas de aumento do art. 157, § 2º, do CP, por serem inaplicáveis ao crime previsto no § 3º (latrocínio tentado), e redimensionada a pena conforme fundamentação.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial; concedo habeas corpus de ofício para excluir da dosimetria as causas de aumento do art. 157, § 2º, do Código Penal e redimensionar a pena.
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Concedo, de ofício, habeas corpus para excluir da dosimetria da pena a aplicação das causas de aumento do art. 157, § 2º, do Código Penal, redimensionando a pena para 17 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão e 8 dias-multa, mantidos os demais capítulos do acórdão.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por ADRIANO DOS SANTOS SILVA contra a decisão do 2º Vice-Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (TJSC) que não admitiu o recurso especial e-STJ fls. 656-679. No recurso especial não admitido pela Corte de origem, o recorrente, ora agravante, sustenta: i) violação ao art. 226 do Código de Processo Penal, uma vez que o reconhecimento fotográfico realizado na fase extrajudicial não observou o rito legal, gerando nulidade que contamina toda ação penal e que, uma vez acolhida, deve concluir pela absolvição do recorrente por falta de provas; ii) violação ao art. 157, § 2º, do Código Penal, em razão da aplicação cumulativa de causas de aumento sem motivação adequada, em contradição com a súmula 443 do Superior Tribunal de Justiça. O recurso especial foi contra-arrazoado pelo Ministério Público do Estado de Santa Catarina (e-STJ fls. 686-695 e 731-738). O Ministério Público Federal opinou pelo desprovimento do recurso (e-STJ fls. 762-769). É o relatório. O Tribunal de origem inadmitiu o recurso especial interposto pela parte agravante com amparo nos seguintes fundamentos: "1.1) Violação ao art. 226, do CPP: A defesa alegou afronta ao citado dispositivo de lei federal, sustentando que "foi efetuado apenas o reconhecimento fotográfico, na fase inquisitorial, do Paciente. Com efeito, não houve a apresentação da fotografia do recorrente junto da de demais pessoas com mesmas características, tampouco sua presença física, em meio a outras pessoas, em sala especial, como determinado o art. 226, do CPP" (Evento 27). .. Dessarte, vislumbro que a Câmara de origem, a partir da análise do arcabouço fático- probatório produzido nos autos, consignou que ""Inexiste, portanto, irregularidade a ser reconhecida na hipótese vertente, principalmente porque o ofendido reiterou perante o Juízo que realizou o reconhecimento de Adriano dos Santos da Silva sem qualquer traço de incerteza, não se olvidando que a indigitada identificação não é a única prova a ser utilizada para embasar a condenação, de forma que o conjunto de evidências apresenta-se seguro e concludente, a indicar quantum satis a responsabilidade penal do referido incriminado pela imputação em questão."" Por tal razão, compreensão diversa demandaria a reelaboração da moldura fática delineada nos arestos combatidos, o que é vedado nesta via, conforme preconizado na Súmula 7, do STJ, in verbis: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". .. Na mesma linha, ao entender que a palavra da vítima tem especial relevância em delitos desse jaez, pois são comumente praticados na clandestinidade, a Corte catarinense exarou entendimento compatível com a jurisprudência do Tribunal Superior, de modo a atrair a incidência de sua Súmula 83: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." .. Registro que "segundo a orientação jurisprudencial firmada por este Superior Tribunal de Justiça, a Súmula 83 do STJ é aplicável ao recurso especial tanto pela alínea "a" como pela alínea "c" do art. 105, III da Constituição Federal" (AgInt no AR Esp n. 2140957/PR, relª Minª Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, j. em 24.04.2023). 1.2) Violação ao art. 68, parágrafo único, do CP: Sustentou a defesa que "há uma ilegalidade manifesta no cálculo da pena: o aumento de pena de 3/8 1/2 2/3 pelas majorantes especiais dos art. 157, § 3º, segunda parte, do Código Penal, redação anterior às alterações promovidas pela edição da Lei 13.654/2018 (concurso de pessoas e emprego de arma de fogo) foi absolutamente ilegal, devendo ser afastado, por ausência de fundamentação concreta e válida" (evento 27). .. Vislumbro que a Câmara Criminal averiguou a prova produzida na ação penal e destacou, ao final, que "considerando a incidência das causas de especial aumento relacionadas ao emprego de arma e ao concurso de agentes, incrementa-se a reprimenda em três oitavos, tendo em vista o modus operandi empregado, consistente em, juntamente a seu comparsa, ambos em uma motocicleta, abordar a vítima - no interior da empresa em que laborava -, atingindo a sua perna durante a empreitada delitiva e ainda colocando em risco a vida de outros dois funcionários que também foram rendidos na ocasião."" Desse modo, a alteração de tal entendimento implicaria no revolvimento dos elementos probatórios angariados ao processo, providência esta vedada pela Súmula 7, do STJ. De se lembrar que "Por se tratar de questão afeta a certa discricionariedade do magistrado, a dosimetria da pena é passível de revisão nesta instância extraordinária apenas em hipóteses excepcionais, quando ficar evidenciada flagrante ilegalidade, constatada de plano, sem a necessidade de reexame do acervo fático-probatório dos autos." (AgRg no AgRg no AR Esp n. 1.949.389/PR, rel. Min. Antônio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, j. em 19.12.2022)." (e-STJ fls. 698-701). A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que "a decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. (..) A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais" (EAREsp 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, redator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018,DJe de 30/11/2018). Esse posicionamento vem guiando a jurisprudência das Turmas Criminais desta Corte, como se nota a partir dos acórdãos que consignam que "a falta de impugnação específica aos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial obsta o conhecimento do agravo, nos termos dos arts. 932, III, do CPC, e 253, parágrafo único, I, do RISTJ e da Súmula 182 do STJ, aplicável por analogia" (AgRg no AREsp 2.225.453/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 7/3/2023, DJe de 13/3/2023; AgRg no AREsp 1.871.630/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 14/2/2023). Postas essas premissas, verifica-se que o recurso especial foi inadmitido com base no óbice previsto nas súmulas 7 e 83 dessa Corte de Justiça. Nas razões do agravo em recurso especial, todavia, a parte limitou-se a repisar os mesmos argumentos que já tinham sido expostos no recurso especial, sem infirmar os fundamentos da inadmissão do recurso. Na esteira da jurisprudência dominante desta Corte, a superação do óbice da Súmula 83/STJ exige que o recorrente colacione precedentes deste Superior Tribunal de Justiça, contemporâneos ou supervenientes a seu favor, ou demonstre alguma distinção entre os julgados mencionados na decisão agravada e o caso em exame, o que não fez. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL PENAL. ROUBO MAJORADO. DECISÃO DE INADMISSÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA. SÚMULA N. 182/STJ. INCIDÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A decisão que, na origem, ensejou a inadmissão dos recursos especiais, pautou-se nos óbices das Súmulas n. 7 e 83 do STJ. Todavia, nos respectivos agravos, as defesas deixaram de rebater, de forma concreta e arrazoada, o último dos fundamentos. 2. Especificamente, no que diz respeito à impugnação da Súmula 83/STJ, conforme a assente jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, incumbe à parte apontar julgados, deste Superior Tribunal, contemporâneos ou supervenientes sobre a matéria, procedendo o cotejo entre eles a fim de demonstrar que a orientação desta Corte Superior é diversa da do Tribunal a quo ou que não se encontra pacificada, ou mesmo demonstrar a existência de distinção do caso tratado nos autos, o que não ocorreu na espécie (AgRg no AREsp n. 2.253.769/PR, relator Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma, julgado em 14/08/2023, DJe de 18/08/2023). 3. Conclui-se, portanto, que os agravos em recurso especial não preencheram os requisitos de admissibilidade, uma vez que deixaram de impugnar, de forma dialética, todos os fundamentos da decisão que, na origem, ensejaram a inadmissão do apelo nobre, o que faz incidir a Súmula n. 182/STJ e o comando do art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil, aplicável à seara processual penal por força do art. 3º do Código de Processo Penal. 4. Agravo Regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.578.837/SC, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, julgado em 11/6/2024, DJe de 17/6/2024). Com relação ao pedido de nulidade do reconhecimento fotográfico, por violação ao art. 226 do CPP, de fato, a decisão de inadmissão do recurso especial está correta. No caso concreto, o acórdão de julgamento do recurso de apelação e a decisão de inadmissão do recurso especial estão corretas ao apontar que a jurisprudência dessa Corte de Justiça é no sentido de que é válida a condenação baseada em reconhecimento fotográfico que não observou o procedimento do art. 226 do CPP, se houver outras provas colhidas na fase judicial, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa suficientes para formar um juízo de valor acima de uma dúvida razoável. Nesse sentido: PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. NULIDADE NO RECONHECIMENTO PESSOAL POR INOBSERVÂNCIA DO ART. 226 DO CPP. INOCORRÊNCIA. RECONHECIMENTO CONFIRMADO EM JUÍZO. AUTORIA DO DELITO CONFIRMADA POR OUTRAS PROVAS PRODUZIDAS. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Embargos de declaração opostos contra decisão monocrática que não conheceu do habeas corpus, nos quais o embargante alega contradição quanto ao reconhecimento pessoal. Afirma que as testemunhas não o reconheceram como autor do crime e solicita, com efeitos infringentes, que seja absolvido por insuficiência de provas. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há uma questão em discussão: Verificar a eventual nulidade decorrente da alegada inobservância das formalidades do art. 226 do CPP no reconhecimento pessoal do paciente. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. No caso, o reconhecimento pessoal do recorrente, embora realizado em fase inquisitorial e supostamente em desconformidade com o art. 226 do CPP, foi devidamente corroborado por outras provas produzidas em juízo, especialmente o reconhecimento da vítima. 4. A revisão do mérito das provas é inviável em habeas corpus, que se destina apenas à verificação de flagrantes ilegalidades, e não à reavaliação do conjunto fático-probatório. IV. DISPOSITIVO 5. Agravo regimental improvido. (EDcl no HC n. 942.406/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 27/11/2024, DJe de 2/12/2024, grifou-se.) DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. ROUBO TENTADO (ART. 157, CAPUT C/C ART. 14, II DO CP). NULIDADE NO RECONHECIMENTO PESSOAL POR INOBSERVÂNCIA DO ART. 226 DO CPP. INOCORRÊNCIA. AUTORIA DO DELITO CONFIRMADA POR OUTRAS PROVAS PRODUZIDAS, INCLUSIVE COM A PRISÃO DO PACIENTE NA POSSE DA RES FURTIVA. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. I. CASO EM EXAME 1. Habeas corpus impetrado em favor de paciente condenado à pena de 6 anos de reclusão, no regime semiaberto, pela prática de roubo majorado (art. 157, §2º I e II do CP). 2. A defesa alega nulidade do reconhecimento pessoal do paciente, realizado em desconformidade com o art. 226 do CPP, além da ausência de provas suficientes para a condenação. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 3. Há uma questão em discussão: Verificar a nulidade decorrente da alegada inobservância das formalidades do art. 226 do CPP no reconhecimento pessoal do paciente. III. RAZÕES DE DECIDIR 4. No caso, o reconhecimento pessoal do paciente, embora realizado em fase inquisitorial e supostamente em desconformidade com o art. 226 do CPP, foi devidamente corroborado por outras provas produzidas em juízo, incluindo a prisão do paciente na posse da res furtiva. 5. A revisão do mérito das provas é inviável em habeas corpus, que se destina apenas à verificação de flagrantes ilegalidades, e não à reavaliação do conjunto fático-probatório. IV. DISPOSITIVO 6. Habeas corpus não conhecido. (HC n. 816.598/PR, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 5/11/2024, DJe de 11/11/2024, grifou-se.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO CIRCUNSTÂNCIADO. ALEGADA VIOLAÇÃO DO ART. 226 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL - CPP. RATIFICAÇÃO DO RECONHECIMENTO EM JUÍZO. EXISTÊNCIA DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA. PENA-BASE. EXASPERAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. REGIME SEMIABERTO. IMPOSSIBILIDADE. CIRCUNSTÂNCIA NEGATIVA. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Esta Corte entende que a ratificação do reconhecimento pessoal em juízo serve como meio idôneo de prova para fundamentar a condenação do acusado pelo crime de roubo. Ressalta-se, ainda, a existência de outras provas produzidas em juízo aptas para embasar o decreto condenatório. 2. Houve fundamentação concreta para o aumento da pena em percentual de 3/8, em virtude do uso de arma de fogo, bem como pelo risco de morte da vítima 3. Fica mantido o regime fechado, uma vez que uma única circunstância judicial negativa já justifica o recrudescimento do regime inicial de cumprimento de pena. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 875.489/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 17/6/2024, DJe de 19/6/2024, grifou-se.) Efetivamente, para superar o óbice da Súmula 83/STJ exige-se que o recorrente colacione precedentes deste Superior Tribunal de Justiça, contemporâneos ou supervenientes a seu favor, ou demonstre alguma distinção entre os julgados mencionados na decisão agravada e o caso em exame, o que, no presente feito, implicaria em evidenciar que a tese de nulidade do reconhecimento pessoal, ainda que com provas de corroboração, teria respaldo na jurisprudência contemporânea desta corte, o que, contudo, não ocorre. A leitura do inteiro teor do acórdão recorrido indica que além do reconhecimento fotográfico realizado na fase de investigação, foram consideradas a existência de filmagens da ação criminosa, em que é possível reconhecer o ora recorrente, conforme declarou, em juízo, um policial civil (e-STJ fls. 643). Isso quer dizer que há outros elementos de prova que corroboram o reconhecimento fotográfico, o que está de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Com relação ao pedido de absolvição por falta de provas, para transcender o óbice da Súmula 7/STJ, a defesa precisa demonstrar em que medida as teses não exigiriam a alteração do quadro fático delineado pela Corte local, não bastando a assertiva genérica de que o recurso visa à revaloração das provas, vale dizer, no caso, avaliar a tese de que as provas são insuficientes para quebrar o estado de dúvida, como quer a defesa, demandaria revolvimento fático-probatório, e não questões de direito ou de má aplicação da lei federal. As instâncias ordinárias são soberanas na avaliação dos fatos e das provas e chegar à conclusão diversa daquela encontrada na origem demandaria reexame de fatos e provas. A Súmula 7 do STJ impede o reexame do acervo fático-probatório em recurso especial. Logo, a decisão das instâncias ordinárias no sentido de que o réu é culpado é insuscetível de modificação nesta Corte, salvo se demonstrada a ocorrência de violação direta de lei federal, o que não é o caso. Nesse sentido: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FURTO QUALIFICADO. ABSOLVIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7, STJ. CRITÉRIO DE EXASPERAÇÃO. DISCRICIONARIEDADE MOTIVADA DO MAGISTRADO. ADOÇÃO DA FRAÇÃO DE 1/8. POSSIBILIDADE. I - O Tribunal de origem, ao apreciar os elementos de prova constituídos nos autos, manteve a sentença condenatória em face da robustez do acervo probatório, que apontou para a responsabilização penal pela prática do crime de furto, baseando-se, além da prova oral, na prisão em flagrante do agravante e na apreensão dos bens subtraídos. II - Entender de modo diverso ao que estabelecido pelo Tribunal de origem para se concluir pela insuficiência probatória para condenação demandaria, necessariamente, o revolvimento do acervo fático-probatório delineado nos autos, providência que não se coaduna com os propósitos da via eleita, nos termos da Súmula n. 7, STJ. III - Os fundamentos do acórdão recorrido quanto à adoção da fração de 1/8 sobre o intervalo entre as penas mínima e máxima cominadas abstratamente ao delito para exasperação da pena-base estão em consonância com o entendimento desta Corte Superior, no sentido de que há discricionariedade na escolha da fração, atendido o princípio do livre convencimento motivado e de acordo com as peculiaridades do caso concreto. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AgRg no AREsp n. 2.493.570/DF, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 10/9/2024, DJe de 17/9/2024, grifou-se.) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FURTO SIMPLES. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INAPLICABILIDADE. CONTUMÁCIA DELITIVA. PRETENSÃO DE ABSOLVIÇÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A habitualidade na prática criminosa justifica a não aplicação do princípio da insignificância. Precedentes. 2. No caso, embora seja ínfimo o valor da coisa subtraída três calcinhas , o Tribunal de origem apontou a contumácia delitiva do agente, evidenciada por inúmeros inquéritos e ações penais em curso, notadamente por crimes patrimoniais, e, em muitos desses processos, assim como neste, o réu foi absolvido impropriamente, pois reconhecida sua inimputabilidade, em razão da qual se determinou medida de segurança de internação ou tratamento ambulatorial, providência que se revela apropriada como solução para o caso concreto. 3. A autoria e a materialidade do furto ficaram devidamente caracterizadas no acórdão não só pela confissão informal do réu mas, também, pelas imagens da câmera de segurança do estabelecimento furtado e pelos depoimentos prestados em juízo, tudo a validar a declaração do acusado. Desse modo, alterar a conclusão do Tribunal de origem demandaria reexame de fatos e provas, providência não admitida em recurso especial, observada a Súmula n. 7 do STJ. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 2.507.199/TO, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 13/8/2024, DJe de 29/8/2024, grifou-se.) PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL CONHECIDO PARA CONHECER DO ESPECIAL E NEGAR-LHE PROVIMENTO. FURTO QUALIFICADO MEDIANTE FRAUDE. ABSOLVIÇÃO OU DESCLASSIFICAÇÃO PARA ESTELIONATO. SÚMULA 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICA E PROBATÓRIA. DECISÃO AGRAVADA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. AGRAVO DESPROVIDO. 1. O furto mediante fraude não se confunde com o estelionato. A distinção se faz primordialmente com a análise do elemento comum da fraude que, no furto, é utilizada pelo agente com o fim de burlar a vigilância da vítima que, desatenta, tem seu bem subtraído, sem que se aperceba; no estelionato, a fraude é usada como meio de obter o consentimento da vítima que, iludida, entrega voluntariamente o bem ao agente. (REsp n. 1.412.971/PE, relatora Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 7/11/2013, DJe de 25/11/2013). 1.1. O acolhimento da argumentação da defesa, que, em outros termos, sustenta, ao fim e ao cabo, a absolvição por fragilidade probatória, ou a desclassificação da conduta do crime de furto qualificado tentado para o delito estelionato tentado, implica no reexame aprofundado de todo o acervo fático-probatório, providência que implica o necessário o revolvimento fático-probatório, vedado conforme Súmula n. 7 do STJ. 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AgRg no AREsp n. 2.026.865/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 15/8/2022, grifou-se.) O capítulo relacionado à aplicação cumulativa de causas de aumento de pena, a meu ver, não deve ser conhecido, por falta de dialeticidade recursal e de impugnação específica. O Tribunal de origem apresentou vários fundamentos para justificar a aplicação cumulativa, não impugnados adequadamente. Todavia, vejo que é o caso de conceder habeas corpus de ofício, para excluir a aplicação das causas de aumento do art. 157, § 2º, que não se aplicam às figuras qualificadas do § 3º. O acórdão recorrido condenou ADRIANO DOS SANTOS DA SILVA pela prática do crie tipificado no art. 157, § 3º, segunda parte, combinado com o art. 14, II, ambos do Código Penal. É dizer, o réu foi condenado pelo crime de latrocínio tentado. Todavia, a jurisprudência consolidada dessa Corte de Justiça é no sentido de que é incabível a utilização das causas de aumento de pena constantes do § 2º do artigo 157 do Código Penal para majorar a reprimenda aplicada pela prática do crime de roubo qualificado pelo resultado lesão corporal grave ou morte, porquanto as referidas majorantes somente podem incidir sobre os delitos de roubo próprio e impróprio. Nesse sentido: HABEAS CORPUS. ILEGALIDADE NA DOSIMETRIA DA PENA. MATÉRIA NÃO APRECIADA PELA CORTE LOCAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. LATROCÍNIO. PENA AUMENTADA NOS TERMOS DO ART. 157, § 2º, I E II, DO CÓDIGO PENAL. INAPLICABILIDADE. ORDEM PARCIALMENTE CONCEDIDA DE OFÍCIO. EXTENSÃO AOS CO-RÉUS. 1. Tratando-se de tema não enfrentado pelo Tribunal de origem, tampouco objeto da apelação, não pode esta Corte, agora, examiná-lo, sob pena de supressão de instância. 2. Não há que se falar na incidência das causas especiais de aumento da pena previstas no parágrafo 2º do artigo 157 do Código Penal quando a condenação é pelo crime de latrocínio. 3. Habeas corpus não conhecido. Ordem parcialmente concedida, de ofício, com extensão aos co-réus Erasmildo Onofre do Vale e José Nazareno de Oliveira. (HC n. 30.563/PI, relator Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 20/9/2005, DJe de 8/6/2009, grifou-se.) PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. REVISÃO CRIMINAL. TENTATIVA DE LATROCÍNIO. MANTIDA A REDUÇÃO DA DOSIMETRIA. TERCEIRA FASE. APLICAÇÃO SOMENTE DA FRAÇÃO RELATIVA À REDUÇÃO DA PENA PELA TENTATIVA. AFASTAMENTO DAS CAUSAS DE AUMENTO, EMPREGO DE ARMA DE FOGO E CONCURSO DE AGENTES. 1. Na terceira fase, apesar da ausência de discussão específica sobre a matéria no acórdão hostilizado, razão assiste à defesa quanto ao pedido de afastamento das causas de aumento, emprego de arma de fogo e concurso de agentes. 2. Agravo regimental improvido. (AgRg no HC n. 816.371/PR, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 25/9/2023, DJe de 28/9/2023, grifou-se.) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ROUBO SEGUIDO DE MORTE. PRETENSÃO DE APLICAÇÃO DAS MAJORANTES PREVISTAS NO § 2º DO ART. 157 DO CP À FIGURA PREVISTA NO § 3º DO REFERIDO DISPOSITIVO. CONJUGAÇÃO INVIÁVEL. LOCALIZAÇÃO TOPOLÓGICA E CONJUNÇÃO QUE CAUSARIA DESPROPORCIONALIDADE NA RESPOSTA PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ROUBO SEGUIDO DE MORTE. PRETENSÃO DE APLICAÇÃO DAS MAJORANTES PREVISTAS NO § 2º DO ART. 157 DO CP À FIGURA PREVISTA NO § 3º DO REFERIDO DISPOSITIVO. CONJUGAÇÃO INVIÁVEL. LOCALIZAÇÃO TOPOLÓGICA E CONJUNÇÃO QUE CAUSARIA DESPROPORCIONALIDADE NA RESPOSTA PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. As qualificadoras e as majorantes se traduzem como circunstâncias que orbitam o tipo básico. Sob viés formal de exposição desses institutos no Código, são fixados novos limites mínimo e máximo de pena para os casos de qualificadoras, diversamente do que se dá em relação às majorantes, para as quais é prevista fração de aumento, que incidirá sobre o tipo básico e que deve ser observada na terceira fase de aplicação da reprimenda. 2. No tocante ao roubo, observa-se que foram elencadas, em vários incisos, diferentes situações que contemplam dados circunstanciais e especializantes, em detrimento da figura típica básica inserida no caput do art. 157 do CP. Infere-se que o legislador, em tais situações, optou por tratá-las como causas especiais de aumento de pena e, assim, ao invés de dotá-las de sanção própria, estabeleceu apenas uma fração de aumento sobre a pena do tipo fundamental. 3. Um dos argumentos mais usados para que não se permita o cúmulo das referidas majorantes com a figura prevista no § 3º do art. 157 do CP é sua localização normativa, vale dizer, após o dispositivo sobre as causas de aumento, dotando-o de pena própria. Se, de um lado, tal argumento, isoladamente, é insuficiente para justificar a impossibilidade de conjugação das majorantes com as qualificadoras, de outro lado, também não basta, para permitir essa conjugação, a assertiva de que todos os parágrafos devem ser interpretados em conjunto, porque todas as circunstâncias previstas no § 2º e no § 3º são apenas especializantes do tipo básico. 4. Para além da localização normativa dos dispositivos, é impositivo que se agregue outro argumento relevante, que acaba por impossibilitar essa conjugação de circunstâncias (conjunção do § 2º com o § 3º). Esse argumento diz respeito ao excesso de pena resultante dessa interpretação, que acaba por ocasionar graves violações do princípio de proporcionalidade, um dos pilares centrais da resposta punitiva ao crime. 5. O roubo, em sua forma simples, comina pena inicial de 4 anos de reclusão. Se incide alguma majorante, a reprimenda sobe para o patamar mínimo de 5 anos e 4 meses. Comparados esses parâmetros com a pena mínima prevista para o roubo seguido de lesão corporal grave, verifica-se um salto, passando a pena mínima em abstrato para 7 anos de reclusão. Na hipótese de resultado morte, a reprimenda inicial dispara para 20 anos de reclusão. Tomando-se em consideração que o roubo seguido de morte (latrocínio) se insere entre os crimes contra o patrimônio, fica evidente que a reprimenda cominada já comporta toda a censurabilidade possível da conduta, que não permite o acréscimo de mais circunstâncias, notadamente porque reproduz uma pena maior do que a que teoricamente pode ser atingida por um crime contra a vida, para o qual, em sua forma qualificada, a pena mínima é de 12 anos. 6. Agravo regimental não provido. .. (AgRg no AREsp n. 1.638.391/SC, Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 28/6/2021, grifou-se) Passo a redimensionar a pena do recorrente. Mantida a pena-base e a pena intermediária pelos próprios fundamentos do acórdão recorrido (e-STJ fls. 646), fica a pena dosada, nessas etapas, em 26 (vinte e seis) anos e 8 (oito) meses de reclusão e 12 dias-multa. Afastadas as causas de aumento do § 2º do artigo 157, que não se aplicam ao crime de latrocínio tentado. Reduzida a pena pela tentativa, na forma do art. 14, II, do Código Penal, à razão de 1/3, concretizo a pena do recorrente em 17 (dezessete) anos, 9 (nove) meses e 10 (dez) dias de reclusão e 8 dias-multa. Por esses fundamentos, com base nas súmulas 7 e 83 dessa Corte de Justiça, e na forma do art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Contudo, nos termos do art. 647-A do Código de Processo Penal, concedo, de ofício, habeas corpus, para excluir da dosimetria da pena a aplicação das causas de aumento do art. 157, § 2º, do Código Penal, redimensionando a pena do recorrente para 17 (dezessete) anos, 9 (nove) meses e 10 (dez) dias de reclusão e 8 dias-multa, mantidos os demais capítulos do acórdão. Publique-se. Intime-se. EMENTA