HC 818998 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque a condenação do paciente não se assentou exclusivamente no reconhecimento fotográfico em sede inquisitorial, havendo robusto conjunto probatório corroborador (reconhecimento pessoal e em juízo, anotação da placa do veículo, prisão em flagrante e apreensão de objetos), de modo que...
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- Parties
- Paciente: JHONATHAN VELOSO GONZAGA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 July 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- habeas corpus não conhecido
- Legal Topics
- Reconhecimento Fotográfico, Nulidade De Provas, Art. 226 Do CPP, Habeas Corpus Substitutivo
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Parties
JHONATHAN VELOSO GONZAGA
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus em substituição a recurso ordinário
- 2 licitidade do reconhecimento fotográfico realizado na fase inquisitorial conforme art. 226 do CPP
- 3 corroboração do reconhecimento por outras provas colhidas em juízo
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque a condenação do paciente não se assentou exclusivamente no reconhecimento fotográfico em sede inquisitorial, havendo robusto conjunto probatório corroborador (reconhecimento pessoal e em juízo, anotação da placa do veículo, prisão em flagrante e apreensão de objetos), de modo que não se verificou flagrante ilegalidade apta a autorizar o conhecimento da impetração.
Court Disposition
habeas corpus não conhecido
Orders
- Não conhecer do habeas corpus.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, sem pedido liminar, impetrado em favor de JHONATHAN VELOSO GONZAGA em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (Apelação Criminal nº 0004943-51.2016.8.26.0050). O paciente foi condenado à pena de 05 (cinco) anos e 04 (meses) de reclusão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de 13 (treze) dias-multa, pela prática do crime tipificado no art. 157, §2º, II, do Código Penal. O recurso de apelação interposto pela defesa foi desprovido pelo Tribunal de origem. (e-STJ fl. 48-52) A defesa, ainda, opôs embargos de declaração que foram rejeitados (e-STJ fls.56-57). Por intermédio deste habeas corpus, a defesa sustenta, em síntese, ilicitude das provas obtidas em face de reconhecimento fotográfico realizado em desacordo com o disposto no artigo 226 do Código de Processo Penal. Requer, por fim, "a concessão da ordem para que seja reconhecida a nulidade decorrente da violação do artigo 226 do Código de Processo Penal" (e-STJ fl. 11). As informações foram prestadas (e-STJ fls. 68-71 e 72-91). Parecer do Ministério Público Federal pelo não conhecimento do writ (e-STJ fls. 95-100). É o relatório. Decido. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do col. Pretório Excelso, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso adequado, situação que implica o não conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que, configurada flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal, sendo possível a concessão da ordem de ofício. Veja-se: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PRISÃO DOMICILIAR. GENITOR. IMPRESCINDIBILIDADE DE CUIDADOS AO FILHO MENOR NÃO DEMONSTRADA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO CARACTERIZADO. RECURSO DESPROVIDO. I - A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal firmou orientação no sentido de não admitir a impetração de habeas corpus substitutivo ante a previsão legal de cabimento de recurso pertinente. Precedentes. II - O art. 318, inciso VI, do Código de Processo Penal dispõe que o magistrado poderá substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos. III - No caso dos autos, conforme consignado pelo Tribunal a quo a defesa não se desincumbiu do ônus de demonstrar a imprescindibilidade do ora agravante aos cuidados de seus filhos. IV - Para desconstruir as conclusões alcançadas na origem seria necessário o revolvimento da matéria fático-probatória do caso em apreço, providência que é vedada em sede de habeas corpus. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 764.589/PR, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 6/2/2024, DJe de 14/2/2024.). Grifos acrescidos. O entendimento é de elevada importância, porquanto deve-se utilizá-lo com fito de preservar a real utilidade e eficácia do remédio constitucional, qual seja, a proteção da liberdade da pessoa, quando ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a necessária celeridade no seu julgamento. Pois bem. Não se olvida que esta Corte, a partir do paradigmático julgamento do habeas corpus n.598.886/SC, da relatoria do Ministro Rogério Schietti Cruz, firmou o entendimento no sentido de que "o reconhecimento de pessoa, presencialmente ou por fotografia, realizado na fase do inquérito policial, apenas é apto, para identificar o réu e fixar a autoria delitiva, quando observadas as formalidades previstas no art. 226 do Código de Processo Penal e quando corroborado por outras provas colhidas na fase judicial, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa". Em atenção ao referido precedente, ambas as turmas que integram a Terceira Seção desta Corte têm proferido decisões que endossam tal entendimento. Ocorre, todavia, que no caso dos autos, verifica-se, sem muito esforço, que o Tribunal de origem, ao indeferir a apelação criminal ajuizada em favor do paciente, fundamentou suficientemente a decisão com base no robusto acervo probatório que instrui os autos. Vejamos: "Segundo o apurado, no dia dos fatos, a vítima caminhava pela via pública, juntamente com sua amiga J.C.F.S., quando foram abordadas por JONATHAN e outro indivíduo, que anunciaram o "assalto" e disseram em tom agressivo e intimidador para T.G.S.: "me dá o celular". Após a subtração, os rapinadores saíram correndo e ingressaram no veículo Ford/Fiesta prata, placa JNY 1116, no qual havia outros dois indivíduos. Passados alguns minutos, a vítima acionou a Polícia Militar e informou as características dos roubadores e a placa do veículo. Os policiais, então, em patrulhamento pela região lograram avistar o referido automóvel estacionado na Rua Guardados Ferreiros e, ao seu lado, JONATHAN, bem como André Leite de Sousa, Henrique de Souza Oliveira, Danilo Ferreira Pires, Wellington Souza Faria e Elyson Gonçalves de Oliveira. Os policiais efetuaram a abordagem do grupo e comunicaram a vítima sobre o ocorrido, que compareceu ao local e reconheceu, sem sombra de dúvidas, JONATHAN como um dos autores do roubo. (..) Sob o crivo do contraditório, a vítima confirmou ter realizado o reconhecimento pessoal de JONATHAN logo em seguida ao crime (cf. documento de fls. 11). E, posteriormente, a depoente tornou a reconhecê-lo, por fotografia (cf.fls. 56). Não há motivos para se duvidar das declarações da vítima, pois não teria interesse algum em incriminar falsamente o réu. Os policiais militares, ao serem ouvidos em juízo, não se recordavam dos fatos em função do tempo decorrido. Todavia, na fase inquisitorial, confirmaram a diligência descrita na denúncia, a qual foi bem-sucedida porque a vítima conseguiu anotaras placas do veículo utilizado na empreitada criminosa. Assim, a condenação pelo crime de roubo em parceria era mesmo de rigor." Com efeito, verifica-se que a autoria delitiva não está amparada, de maneira exclusiva, no reconhecimento fotográfico realizado em sede inquisitorial, mas, além disso, a vítima narrou, de maneira clara, todo o desenrolar da empreitada criminosa, descreveu as características dos envolvidos, bem como anotou a placa do veículo utilizado durante a ação. Neste sentido, com base no vasto acervo probatório presente nos autos, conclui-se pela ausência de nulidade. Sobre o tema, outro não é o posicionamento desta Quinta Turma: PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. ROUBO MAJORADO. FALSA IDENTIDADE. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO. RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO. PROCEDIMENTO PREVISTO NO ART. 226 DO CPP. INOBSERVÂNCIA. MUDANÇA DE ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL. INVALIDADE DA PROVA. AUTORIA ESTABELECIDA COM BASE EM OUTROS ELEMENTOS PROBATÓRIOS. ABSOLVIÇÃO INVIÁVEL. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.(..)2. Esta Corte Superior inicialmente entendia que "a validade do reconhecimento do autor de infração não está obrigatoriamente vinculada à regra contida no art. 226 do Código de Processo Penal, porquanto tal dispositivo veicula meras recomendações à realização do procedimento, mormente na hipótese em que a condenação se amparou em outras provas colhidas sob o crivo do contraditório.3. Em julgados recentes, ambas as Turmas que compõe a Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça alinharam a compreensão de que "o reconhecimento de pessoa, presencialmente ou por fotografia, realizado na fase do inquérito policial, apenas é apto, para identificar o réu e fixar a autoria delitiva, quando observadas as formalidades previstas no art. 226 do Código de Processo Penal e quando corroborado por outras provas colhidas na fase judicial, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa.4. Dos elementos probatórios que instruem o feito, verifica-se que a autoria delitiva do crime de roubo não tem como único elemento de prova o reconhecimento fotográfico, o que gera distinguishing em relação ao acórdão paradigma da alteração jurisprudencial. Na hipótese, além de a vítima ter descrito as características do paciente e o reconhecido, por meio de foto, perante a autoridade policial, o reconhecimento foi confirmado, sem dúvidas, em juízo. Ademais, o paciente foi preso em flagrante, poucas horas depois do crime, ao desembarcar da garupa de uma motocicleta pilotada por outro agente que logrou fugir, e entrar no veículo roubado, com as chaves originais, e tentar liga-lo, quando foi surpreendido pelos policiais que estavam em campana. Outrossim, no momento da prisão em flagrante os policiais encontraram o paciente "munido de diversas ferramentas, além de ter fornecido identidade falsa à polícia para esconder seus antecedentes", tendo o juízo sentenciante ressaltado que "nada há nos autos que sustente a versão do indigitado de que não praticou roubo, mas foi apenas contratado para transportar o veículo, porque, se assim fosse, qual o sentido de utilizar ferramentas para remover peças do automóvel. No mais, não se preocupou em dizer onde estaria no dia e hora da ação criminosa e já estava munido com identidade falsa, e sem o aparelho de monitoramento eletrônico ao que foi submetido, justamente em razão de práticas delituosas anteriores à atual, não havendo que se falar em nsuficiência de provas para a condenação, como almejado pela defesa".5. Agravo regimental não provido.(AgRg no HC n. 746.378/CE, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 16/8/2022).Grifos acrescidos. PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO QUALIFICADO E EXTORSÃO. APELAÇÃO JULGADA HÁ MAIS DE SETE ANOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. PRECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ E DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO CORROBORADO POR OUTRAS PROVAS NA FASE JUDICIAL. LEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.(..)3. Ademais, é certo que o reconhecimento de pessoa, presencialmente ou por fotografia, realizado na fase do inquérito policial, apenas é apto, para identificar o réu e fixar a autoria delitiva, quando observadas as formalidades previstas no art. 226 do Código de Processo Penal e quando corroborado por outras provas colhidas na fase judicial, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. No caso, a autoria delitiva não tem como único elemento de prova o reconhecimento fotográfico, porque, durante a instrução processual, foram ouvidas a vitima e duas testemunhas comuns à acusação e defesa, respeitados o contraditório e a ampla defesa, restando consignado que o réu não compareceu em Juízo para ser interrogado e na Delegacia, havia ficado em silêncio. Foi declarada sua revelia nos termos do art. 367 do Código de Processo Penal.4. Vale ressaltar, ainda, que a Corte de origem destacou que "um talão de cheques subtraído da vítima foi apreendido na residência do réu quando o mesmo era investigado pela prática de outro roubo, tudo a confirmar sua participação nos crimes" (fl. 29). Sendo certo que "a jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que é possível a utilização das provas colhidas durante a fase inquisitiva - reconhecimento fotográfico - para embasar a condenação, desde que corroboradas por outras provas colhidas em Juízo - depoimentos e apreensão de parte do produto do roubo na residência do réu, nos termos do art. 155 do Código de Processo Penal" (AgRg no HC 633.659/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, DJe 5/3/2021).5. Agravo regimental desprovido.(AgRg no HC n. 738.559/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 7/6/2022, DJe de 10/6/2022.). Grifos acrescidos. Ante o exposto, não conheço do Habeas corpus. EMENTA