HC 1006342 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido porque a condenação do paciente transitou em julgado, de modo que a impetração configuraria pretensão revisional que usurpa a competência do Tribunal de origem e do STJ para revisão criminal, não sendo demonstrada flagrante ilegalidade que justificasse intervenção excepcional;...
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- Parties
- Paciente: LUCAS GUILHERME DE BIASE REZENDE; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO; Interessado: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 June 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Reconhecimento Fotográfico, Reconhecimento Pessoal, Dosimetria Da Pena, Trânsito Em Julgado, Competência Do STJ, Revisão Criminal, Ilegalidade Manifesta
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Parties
LUCAS GUILHERME DE BIASE REZENDE
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Autoridade Coatora
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Interessado
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 nulidade do reconhecimento fotográfico nos termos do art.226 do CPP
- 2 reconhecimento pessoal supostamente irregular em desacordo com Resolução 482 do CNJ
- 3 alegada ilicitude das provas e pedido de desentranhamento
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido porque a condenação do paciente transitou em julgado, de modo que a impetração configuraria pretensão revisional que usurpa a competência do Tribunal de origem e do STJ para revisão criminal, não sendo demonstrada flagrante ilegalidade que justificasse intervenção excepcional; aplicam-se os arts. 105,I,e e 108,I,b da Constituição e precedentes que vedam cognição sumária sobre matéria fático-probatória no habeas corpus.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Publique-se
- Intime-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido liminar, impetrado em favor de LUCAS GUILHERME DE BIASE REZENDE, apontando como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Extrai-se dos autos que o paciente foi condenado à pena de 11 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão, em regime fechado, além de pagamento de 26 dias-multa, como incurso no art. 157, § 2ºA, inciso I e § 2º, incisos II, III e V, do Código Penal. A defesa interpôs recurso de apelação perante o Tribunal de origem, que denegou a ordem, nos termos do acórdão que recebeu a seguinte ementa: "Apelação criminal. Roubo majorado. Artigo 157, § 2ºA, I, § 2º, II, III V, do Código Penal. Apelo defensivo. Preliminar de nulidade do reconhecimento fotográfico afastada. Absolvição por insuficiência probatória incabível. Materialidade e autoria suficientemente comprovadas. Especial relevância do depoimento da vítima nos delitos da espécie. Idoneidade dos depoimentos dos policiais, em consonância com demais provas. Majorantes corretamente reconhecidas. Havendo mais de uma majorante, possível o uso de uma ou mais como circunstância judicial. Aplicação do parágrafo único do artigo 68 do CP, facultativa, não impositiva. Regime fechado, o único cabível para o caso telado nestes autos, ante a quantidade da pena, bem como pelas circunstâncias do crime. Afastada a preliminar, no mérito, negado provimento ao apelo." (e-STJ, fls. 256-285) Neste writ, a defesa alega nulidade no reconhecimento fotográfico realizado pela vítima não seguiu o procedimento estabelecido no artigo 226 do Código de Processo Penal. Aponta, ainda, que o reconhecimento pessoal foi feito de forma irregular, com o réu apresentado sozinho à vítima, contrariando a Resolução 482 do CNJ, que determina o alinhamento padronizado de pessoas ou fotografias. Assevera que a inobservância dos procedimentos legais constitui prova ilícita, devendo ser desentranhada dos autos. Por outro lado, argumenta que a dosimetria da pena, afirmando que na primeira fase a pena base foi aumentada em 2/3, quando deveria ser de 1/6, e que na terceira fase, a combinação das causas de aumento é impossível, devendo prevalecer o que diz o artigo 68 do Código Penal. Requer a concessão da ordem, para que seja reconhecida a ilegalidade da condenação por não observância de art. 226 do CPP. Subsidiariamente, requer reparos na dosimetria da pena. Indeferida a liminar (e-STJ, fl. 342), o Ministério Público Federal opina pelo não conhecimen to do writ (e-STJ, fls. 348-352). É o relatório. Decido. Esta Corte - HC 535.063, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgRg no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Consoante consulta realizada na página eletrônica do Tribunal de origem, verifica-se que o processo transitou em julgado em 11/7/2024, razão pela qual a utilização do presente recurso em habeas corpus com o fim de se desconstituir as decisões proferidas pelas instâncias ordinárias consubstancia pretensão revisional que configura usurpação da competência do Tribunal de origem, nos termos dos arts. 105, inciso I, alínea e e 108, inciso I, alínea b, ambos da Constituição da República. Nesse sentido: "AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. IMPETRAÇÃO SUPERVENIENTE AO TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. PEDIDO QUE, NA VERDADE, CONSUBSTANCIA PRETENSÃO REVISIONAL, ANTES DA INAUGURAÇÃO DA COMPETÊNCIA DESTA CORTE. DESCABIMENTO. ART. 105, INCISO I, ALÍNEA E, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DE ILEGALIDADE EX OFFICIO. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO FEITO. AUSÊNCIADE DOCUMENTAÇÃO ESSENCIAL À ANÁLISE DA CONTROVÉRSIA. MANUTENÇÃO DA DECISÃO QUE NÃO CONHECEU DO WRIT QUE SE IMPÕE. AGRAVO DESPROVIDO. 1. O trânsito em julgado da condenação ocorreu antes da protocolização da inicial deste feito. Nesse contexto, o pedido formulado na exordial consubstancia pretensão revisional, a despeito de não ter sido inaugurada essa competência do STJ. Isso porque, nos termos do art. 105, inciso I, alínea e, da Constituição da República, compete ao SuperiorTribunal de Justiça, originariamente, "as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados". 2. "Revela-se insuscetível de exame o habeas corpus desacompanhado de elementos que evidenciem o al alegado constrangimento ilegal, porquanto a impetração deve fundamentar-se em inequívoca prova pré-constituída"(STF, HC 146.216-AgR, Rel. Ministro LUIZ FUX, TRIBUNAL PLENO, julgado em 27/10/2017, DJe 10/11/2017). Portanto, compete à Defesa narrar e instruir completa e adequadamente o habeas corpus (ou seu respectivo recurso). 3. Ausência de ilegalidade que imponha a concessão de ordem de ofício. Defesa que não se desincumbiu do seu ônus de narrar que os diversos procedimentos criminais em que o Paciente consta como parte, registrados na FAC, não serviriam para fixar idoneamente a pena-base acima do mínimo legal. 4. Agravo regimental desprovido." (AgRg no HC 628.646/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 23/2/2021, DJe 1/3/2021) "AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS IMPETRADO CONTRA ACÓRDÃO DE APELAÇÃO TRANSITADO EM JULGADO, SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. NÃO INAUGURADA A COMPETÊNCIA DO STJ. DROGAS. DOSIMETRIA. TRÁFICO PRIVILEGIADO. 620 KG DE MACONHA. ANÁLISE DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. COGNIÇÃO SUMÁRIA. AUSÊNCIA DE MANIFESTA ILEGALIDADE. WRIT INDEFERIDO LIMINARMENTE. 1. Já houve o trânsito em julgado da condenação, razão pela qual o habeas corpus é sucedâneo de revisão criminal, e como não existe, neste Tribunal, julgamento de mérito passível de revisão em relação à condenação sofrida pelo paciente, forçoso reconhecer a incompetência desta Corte Superior para o processamento do presente pedido. Precedentes. 2. Não há manifesta ilegalidade ao ser afastado o tráfico privilegiado nas instâncias originárias. O Tribunal de origem avaliou todo ocontexto fático-probatório que evidencia a dedicação e o envolvimento do paciente com a atividade criminosa, verificando-se a apreensão de grande quantidade de maconha (aproximadamente 620 kg), anotações de contabilidade de tráfico, eppendorfs e balança de precisão, com resquícios de maconha e outros objetos, tipicamente destinadas ao preparo de porções individualizadas de entorpecentes, instrumentos comumente empregados pelos traficantes para suas atividades rotineiras. A tese jurídica, como apresentada, deve ser analisada com a devida profundidade em sede adequada perante o Tribunal de origem, não sendo possível análise nos autos de habeas corpus, de cognição sumária. 3. Agravo regimental improvido." (AgRg no HC 611.261/SP, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 9/2/2021, DJe 18/2/2021) Ante o exposto, não conheço o habeas corpus. Publique-se. Intime-se. EMENTA