HC 1004543 - DECISAO
Não conheço do habeas corpus porque a impetração intenta substituir a revisão criminal/recurso próprio, demandaria revolvimento do conjunto fático-probatório e não se verifica flagrante ilegalidade apta a caracterizar constrangimento ilegal, tornando o writ inadequado para o pedido formulado.
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: JEFFERSON DOMINGUES DE FRANCA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (Revisão Criminal n. 2032843-13.2025.8.26.0000); Manifestante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 September 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecimento Do Habeas Corpus (decisão)
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Reconhecimento Fotográfico, Nulidade De Provas, Revisão Criminal, Admissibilidade Do Habeas Corpus, Reexame Fático Probatório, Flagrante Ilegalidade
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
JEFFERSON DOMINGUES DE FRANCA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (Revisão Criminal n. 2032843-13.2025.8.26.0000)
Autoridade Coatora
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecimento Do Habeas Corpus (decisão)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do habeas corpus como substituto de recurso próprio ou de revisão criminal
- 2 Validade do reconhecimento fotográfico sem observância do art. 226 do Código de Processo Penal
- 3 Existência de flagrante ilegalidade apta a ensejar habeas corpus
Ratio Decidendi
Não conheço do habeas corpus porque a impetração intenta substituir a revisão criminal/recurso próprio, demandaria revolvimento do conjunto fático-probatório e não se verifica flagrante ilegalidade apta a caracterizar constrangimento ilegal, tornando o writ inadequado para o pedido formulado.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Publique-se e intimem-se.
- Liminar indeferida (fls. 53/54).
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de JEFFERSON DOMINGUES DE FRANCA em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (Revisão Criminal n. 2032843-13.2025.8.26.0000). Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 11 anos e 8 meses de reclusão, em regime inicial fechado e ao pagamento de 28 dias-multa, como incurso no art. 157, §2º, inciso II e §2º-A, inciso I, do Código Penal. O impetrante sustenta a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto a condenação se baseou em um reconhecimento fotográfico realizado pela vítima, sem observância do art. 226 do Código de Processo Penal, o que configuraria nulidade absoluta. Aduz que o reconhecimento fotográfico foi realizado de maneira informal e sem as formalidades exigidas, prejudicando todos os subsequentes reconhecimentos e violando o direito ao contraditório e à ampla defesa. Afirma que a fundamentação do acórdão impugnado submete o paciente a flagrante ilegalidade, razão pela qual deve ser concedida a ordem para reafirmar o entendimento do Superior Tribunal de Justiça e uniformizar a jurisprudência. Requer, liminarmente e no mérito, a concessão da ordem para declarar a ilegalidade do reconhecimento fotográfico realizado e a nulidade de todas as provas dele decorrentes, nos termos do art. 157 do Código de Processo Penal, com a absolvição do paciente, nos termos do art. 386, inciso VII, do CPP e, caso não seja conhecido o pedido de habeas corpus, requer que a ordem seja concedida de ofício, diante da manifesta ilegalidade. O pedido liminar foi indeferido às fls. 53/54. Informações prestadas às fls. 58/62 e 63/112. O Ministério Público Federal manifestou-se às fls. 116/124, opinando pelo não conhecimento ou denegação da ordem. É o relatório. DECIDO. Em tempos de habeas corpus de número um milhão impetrado nesta Colenda Corte, cujo relator é o Ministro Ribeiro Dantas, discute-se a eficácia desse remédio constitucional e a real necessidade de se restringi-lo aos requisitos constitucionais e legais em relação ao direito de ir, vir e ficar, ou seja, à liberdade de locomoção, ou então aceitá-lo como substituto de outro recurso ou ação cabível. Conforme exposto pelo Ministro Rogerio Schietti Cruz nos autos do HC n. 1.002.968: "Apesar da ampliação do uso do remédio heroico, e sem esquecer a sua importância na defesa da liberdade de locomoção, a crescente quantidade de impetrações que, antes, deveriam ser examinadas em instâncias diversas, está prejudicando as funções constitucionais desta Corte. É notável o excessivo volume de habeas corpus, que ultrapassaram 905 mil, em detrimento da eficácia do recurso especial, o que prejudica a delimitação de teses para trazer uniformidade e previsibilidade ao sistema jurídico." Nesse contexto, constata-se que o presente mandamus foi manejado contra acórdão proferido em sede de revisão criminal, o qual sequer foi objeto de impugnação nos Tribunais Superiores por meio dos recursos expressamente previstos na legislação. Tal circunstância evidencia que a impetração, a pretexto de sanar suposta ilegalidade, busca, em verdade, submeter novamente a matéria já apreciada à cognição jurisdicional, configurando indevida tentativa de nova revisão criminal por via processual inadequada, em afronta à natureza excepcional e à finalidade própria desse writ constitucional. Ocorre que a "Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal." (AgRg no HC n. 921.445/MS, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 3/9/2024, DJe de 6/9/2024.) No caso, não se verifica flagrante ilegalidade. Ademais, a desconstituição do julgado demandaria o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, não sendo o writ constitucional a via adequada para tanto. Exemplificadamente: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. AUTORIA E MATERIALIDADE COMPROVADAS. PALAVRA DA VÍTIMA CORROBORADA POR OUTROS ELEMENTOS DE PROVA. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. DOSIMETRIA DA PENA. VALORAÇÃO NEGATIVA DA CULPABILIDADE, DAS CIRCUNSTÂNCIAS E DAS CONSEQUÊNCIAS DO DELITO. INCIDÊNCIA DA MAJORANTE DO ART. 226, II, DO CÓDIGO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte Superior é firme no sentido de que a palavra da vítima, nos crimes contra a dignidade sexual, possui especial valor probatório, sobretudo quando coerente e amparada por outros elementos constantes dos autos. 2. Concluindo a Corte de origem, de forma fundamentada, pela autoria e materialidade do delito, a desconstituição do julgado demandaria o reexame de fatos e provas, providência incabível na via estreita do habeas corpus. 3. Não se verifica nulidade por ausência de fundamentação quando o acórdão impugnado apresenta motivação suficiente para a manutenção da condenação. 4. A pena-base foi exasperada de forma devidamente motivada, em razão da elevada reprovabilidade da conduta (vítima de 5 anos de idade, ameaçada para não relatar os fatos), do aproveitamento da relação de confiança com a família da vítima e dos danos psicológicos que ultrapassam as consequências típicas do tipo penal. 5. Conforme jurisprudência desta Corte, a aplicação da causa de aumento do art. 226, II, do Código Penal se justifica quando o agente exerce autoridade sobre a vítima, ainda que de forma momentânea, não configurando bis in idem. 6. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 1.008.165/MG, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 17/6/2025, DJEN de 26/6/2025, grifamos) DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. HC NÃO CONHECIDO COMO SUCEDÂNEO DE RECURSO PRÓPRIO. INADMISSIBILIDADE DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. PROVA TESTEMUNHAL DA VÍTIMA, AINDA QUE COM PEQUENAS VARIAÇÕES, FIRMEMENTE CORROBORADA. DOSIMETRIA DA PENA: TENRA IDADE DA VÍTIMA E CONSEQUÊNCIAS PSICOLÓGICAS JUSTIFICAM EXASPERAÇÃO DA PENA-BASE, SEM BIS IN IDEM. AGRAVANTE DE HOSPITALIDADE RECONHECIDA DE OFÍCIO. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do habeas corpus, no qual se alegava cerceamento de defesa, contradições no depoimento da vítima, bis in idem na dosimetria da pena, afronta ao princípio in dubio pro reo e violação do contraditório pela aplicação de agravante não arguida pelo Ministério Público. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em saber se houve cerceamento de defesa e contradições relevantes no depoimento da vítima que pudessem comprometer a condenação do acusado. 3. A questão em discussão consiste em saber se a dosimetria da pena incorreu em bis in idem ao considerar a tenra idade da vítima como circunstância judicial para exasperação da pena-base. 4. A questão em discussão consiste em saber se a aplicação de agravante de hospitalidade, não arguida pelo Ministério Público, violou o contraditório e a ampla defesa. III. RAZÕES DE DECIDIR 5. A decisão monocrática foi mantida por seus próprios fundamentos, considerando que o habeas corpus não se presta ao revolvimento fático-probatório, salvo em casos de teratologia patente, o que não se verificou nos autos. 6. O acórdão recorrido examinou detidamente os depoimentos colacionados pela defesa, apontando motivos fáticos para a desconsideração daqueles que evidenciavam animosidade e falta de clareza em pontos cruciais. 7. As contradições no depoimento da vítima foram consideradas periféricas e não comprometeram o núcleo central do relato, que se mostrou coerente e harmônico com os demais elementos probatórios. 8. A tenra idade da vítima foi considerada circunstância judicial apta a exasperar a pena-base, sem configurar bis in idem, conforme precedentes desta Corte. 9. A aplicação da agravante de hospitalidade foi devidamente fundamentada e respeitou os princípios do contraditório e da ampla defesa. IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (AgRg no HC n. 989.875/MG, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Quinta Turma, julgado em 18/6/2025, DJEN de 26/6/2025, grifamos) Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA