HC 1080435 - DECISAO
O writ não foi conhecido porque a alegação de nulidade do reconhecimento fotográfico não foi apreciada na decisão do Tribunal a quo, e o habeas corpus não pode ser utilizado para suprir a falta de análise da matéria em instância ordinária, salvo na hipótese de flagrante ilegalidade, o que não restou demonstrado.
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- Parties
- Paciente: NICOLAS CASSIANO DA SILVA; Órgão Julgador: Tribunal de Justiça de Estado de Minas Gerais
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 March 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do writ.
- Legal Topics
- Reconhecimento Fotográfico, Habeas Corpus Substitutivo De Recurso, Supressão De Instância, Nulidade De Prova De Reconhecimento
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Parties
NICOLAS CASSIANO DA SILVA
Paciente
Tribunal de Justiça de Estado de Minas Gerais
Órgão Julgador
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus como substitutivo de recurso
- 2 possibilidade de apreciação da nulidade do reconhecimento fotográfico pelo STJ
- 3 vedação à supressão de instância
Ratio Decidendi
O writ não foi conhecido porque a alegação de nulidade do reconhecimento fotográfico não foi apreciada na decisão do Tribunal a quo, e o habeas corpus não pode ser utilizado para suprir a falta de análise da matéria em instância ordinária, salvo na hipótese de flagrante ilegalidade, o que não restou demonstrado.
Court Disposition
Não conheço do writ.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de NICOLAS CASSIANO DA SILVA contra acórdão do Tribunal de Justiça de Estado de Minas Gerais. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena 7 anos e 11 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, e ao pagamento de 230 dias multa, além de advertência, por incursão no artigo 157, § 2º, II, e § 2º-A, inciso I, do Código Penal, e art. 28 da Lei 11.343/06, na forma do artigo 69 do Código Penal. O Colegiado de origem deu parcial provimento à apelação defensiva para reduzir a pena de muta para 26 dias-multa, no valor unitário mínimo (e-STJ, fls. 41-65). No presente mandamus, a defesa sustenta, em síntese, que o procedimento de reconhecimento fotográfico foi realizado em desalinho ao art. 226 do CPP e a diversos precedentes desta Corte, pois somente uma fotografia do paciente foi mostrada à vítima, que confirmou suas declarações em juízo. Conclui que a única prova que levou a sua condenação foi a palavra da vítima, embasada em um reconhecimento fotográfico realizado na Delegacia de Polícia e confirmado em audiência de instrução e julgamento. Requer a concessão da ordem para que seja absolvido o paciente. É o relatório. Decido. Esta Corte - HC 535.063/SP, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgR no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificou orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. O capítulo da do reconhecimento da nulidade do reconhecimento fotográfico não foi analisado pelo Tribunal a quo, motivo pelo qual inviável a apreciação do tema por esta Corte, sob pena de indevida supressão de instância e alargamento inconstitucional da hipótese de competência do Superior Tribunal de Justiça para julgamento de habeas corpus, constante no art. 105, I, "c", da Constituição da República. Nesse sentido: "PENAL. HABEAS CORPUS. FURTO QUALIFICADO. REVISÃO DA DOSIMETRIA DA PENA IMPOSTA E MANTIDA PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. UTILIZAÇÃO INDEVIDA DO WRIT. IMPOSSIBILIDADE. ILEGALIDADE MANIFESTA. AUSÊNCIA. 1. Deve ser denegada a ordem quando a impetração busca indevidamente revisar a dosimetria da pena imposta e mantida pelas instâncias ordinárias, utilizando o habeas corpus como uma espécie de "segunda apelação", o que desvirtua a finalidade do writ. Precedentes. 2. Hipótese em que a fração de aumento em 1/3 pela negativação dos antecedentes foi fundamentada na existência de duas condenações pretéritas. Precedente. 3. A fração da agravante da reincidência em 1/6 foi corretamente fundamentada na existência de diversas condenações. Precedente. 4. A pretensão de reconhecimento da continuidade delitiva não pode ser conhecida, porque não foi apreciada pela Corte estadual no acórdão hostilizado, o que configuraria prestação jurisdicional em indevida supressão de instância. 5. Ordem denegada." (HC n. 976.975/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 14/5/2025, DJEN de 21/5/2025.) "PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO. BUSCA PESSOAL. ILICITUDE. TESE AFASTADA. FUNDADAS SUSPEITAS. ABSOLVIÇÃO. FALTA DE PROVAS. NÃO VERIFICAÇÃO. CONTINUIDADE DELITIVA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. MINORANTE DO TRÁFICO. PRÁTICA DE ATO INFRACIONAL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO ART. 33, § 4º, DA LEI N. 11.343/06. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO EM PARTE. 1. A busca pessoal, à qual se equipara a busca veicular, é regida pelo art. 244 do Código de Processo Penal. Exige-se a presença de fundada suspeita de que a pessoa abordada esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou papeis que constituam corpo de delito, ou, ainda, a medida é válida quando for determinada no curso de busca domiciliar. 2. No caso, verifica-se a existência de fundadas razões para a busca pessoal no paciente, uma vez que o paciente foi abordado pelos policiais por estar em local em que já houvera sido visto correndo e dispensando o que possuía ao avistar a viatura policial e, no dia dos fatos, foi encontrado agachado, mexendo no chão, com um pacote em mãos, constando que ao avistar os policiais, soltou o referido pacote e tentou empreender fuga de bicicleta, ou seja, havia fundada suspeita de que ele poderia estar em poder de entorpecentes. 3. De tal modo, referido contexto revela dados concretos, objetivos e idôneos aptos a legitimar as diligências. Portanto, a busca pessoal traduziu exercício regular da atividade investigativa promovida pela autoridade policial. 4. O pleito de absolvição foi afastado diante da suficiência probatória quanto à prática do crime de tráfico pelo paciente. Nesse contexto, não se mostra possível o revolvimento dos fatos e das provas, haja vista o habeas corpus não ser meio processual adequado para analisar a tese de insuficiência probatória para a condenação, uma vez que se trata de ação constitucional de rito célere e de cognição sumária. 5. A alegação da defesa relativa à continuidade delitiva não foi decidida pela Corte a quo, motivo pelo qual não é possível conhecer do writ, sob pena de indevida supressão de instância. 6. O ato infracional, efetivamente, pode ser considerado para fim de afastar a incidência da minorante do tráfico, contudo, desde que haja fundamentação idônea que aponte a existência de circunstâncias excepcionais, nas quais se verifique a gravidade dos atos pretéritos, devidamente documentados nos autos, bem como a razoável proximidade temporal com o crime em apuração (EREsp n. 1.916.596/SP, rel. Min Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 8/9/2021), o que não se verifica na presente hipótese. 7. Agravo regimental provido em parte." (AgRg no HC n. 942.746/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonse ca, Quinta Turma, julgado em 30/10/2024, DJe de 5/11/2024.) Ante o exposto, não conheço do writ. Publique-se. Intimem-se. EMENTA