HC 1068846 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido porque o pedido equivale a revisão criminal e a competência do STJ para revisar condenações está limitada às hipóteses em que haja julgamento de mérito deste Tribunal, o que não ocorre no caso em exame (art. 105, I, "e", CF).
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: LAISLA GABRIELE GOMES DA SILVA; Manifestante (parecer): Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 April 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus (substitutivo De Revisão Criminal) / Decisão De Não Conhecimento (monocrática)
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus.
- Legal Topics
- Reconhecimento Fotográfico, Art. 226 Do Código De Processo Penal, Art. 386, VII, CPP, Fixação Da Pena Base, Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Competência Do STJ, Trânsito Em Julgado
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
LAISLA GABRIELE GOMES DA SILVA
Paciente
Ministério Público Federal
Manifestante (parecer)
Procedural Posture
Habeas Corpus (substitutivo De Revisão Criminal) / Decisão De Não Conhecimento (monocrática)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de utilização do habeas corpus como substituto da revisão criminal
- 2 Competência do Superior Tribunal de Justiça para processar revisão criminal
- 3 Validade probatória de reconhecimento fotográfico realizado na fase inquisitiva
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido porque o pedido equivale a revisão criminal e a competência do STJ para revisar condenações está limitada às hipóteses em que haja julgamento de mérito deste Tribunal, o que não ocorre no caso em exame (art. 105, I, "e", CF).
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus.
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO LAISLA GABRIELE GOMES DA SILVA alega ser vítima de coação ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo na Apelação Criminal n. 1511742-89.2023.8.26.0050. Consta dos autos que a paciente foi condenada à pena de 17 anos, 7 meses e 2 dias de reclusão, em regime inicial fechado, mais multa, pela prática dos delitos de roubos majorados e extorsão qualificada. A defesa aduz, em síntese, que a condenação se haveria baseado exclusivamente em reconhecimentos fotográficos, realizados na fase inquisitiva, em desconformidade com o rito estabelecido pelo art. 226 do Código de Processo Penal, razão pela qual postula a absolvição da ré, calcada no art. 386, VII, CPP. Subsidiariamente, alega desproporcionalidade no aumento da pena-base. Assim, pleiteia a redução da reprimenda basilar ao mínimo legal ou a aplicação da fração de 1/6 para cada circunstância valorada negativamente. Ainda em caráter subsidiário, sustenta a inidoneidade dos fundamentos empregados para a fixação do regime inicial fechado, motivo por que requer o estabelecimento do regime semiaberto. O Ministério Público Federal apresentou parecer pelo não conhecimento do writ ou, se conhecido, pela denegação da ordem (fls. 1.214-1.222). Decido. Este habeas corpus se insurge contra acórdão de apelação proferido em 25/3/2024, o qual transitou em julgado no dia 9/5/2024 (fl. 1.127). Em 24/1/2026, a defesa impetrou este habeas corpus, de modo que o presente writ é substitutivo de revisão criminal. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Como não existe no STJ julgamento de mérito passível de revisão em relação à condenação sofrida pelo paciente, forçoso reconhecer a incompetência deste Tribunal para o processamento do presente pedido. Importante destacar que esta Corte, em diversas ocasiões, reconheceu a impossibilidade de uso do habeas corpus em substituição à revisão criminal, assim se posicionando: "o trânsito em julgado do acórdão que julga a apelação criminal, sem que haja a inauguração da competência deste Sodalício, torna incognoscível o pedido de habeas corpus" (AgRg no HC n. 805.183/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 12/3/2024, DJe de 15/3/2024). Na mesma direção, cito, ainda, as seguintes decisões monocráticas: HC n. 905.628/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), DJe 17/4/2024; HC n. 905.340/SP, Rel. Ministra Daniela Teixeira, DJe 17/4/2024; HC n. 905.232/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, DJe 17/4/2024; HC n. 904.932/PR, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, DJe 16/4/2024. Muito embora não se ignore a ampliação do uso do habeas corpus nem a importância dessa ação constitucional para a defesa da liberdade de locomoção, a crescente quantidade de impetrações, que, antes, deveriam ser examinadas em instâncias diversas, prejudica as funções constitucionais desta Corte, em detrimento da eficácia do recurso especial, o que enfraquece a delimitação de teses para trazer uniformidade e previsibilidade ao sistema jurídico. À vista do exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA