AREsp 2787376 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque a pretensão de absolvição exigiria reavaliação do acervo probatório (vedada pela Súmula 7/STJ) e a condenação foi devidamente fundamentada no reconhecimento da vítima e em elementos corroboradores apreciados pelas instâncias ordinárias.
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: LUIZ ANTONIO QUINTILIANO JUNIOR; Vítima: José Tiago Lourenço; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 January 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Julgamento Quanto À Admissibilidade Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Reconhecimento Fotográfico Extrajudicial, Insuficiência Probatória, Súmula 7/stj, Inadmissão De Recurso Especial
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
LUIZ ANTONIO QUINTILIANO JUNIOR
Recorrente
José Tiago Lourenço
Vítima
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Julgamento Quanto À Admissibilidade Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial
- 2 vedação ao reexame de provas (Súmula 7/STJ)
- 3 valor probatório do reconhecimento fotográfico extrajudicial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque a pretensão de absolvição exigiria reavaliação do acervo probatório (vedada pela Súmula 7/STJ) e a condenação foi devidamente fundamentada no reconhecimento da vítima e em elementos corroboradores apreciados pelas instâncias ordinárias.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo (e-STJ, fls. 330-334) contra a decisão de fls. 322-324, que inadmitiu o recurso especial interposto por LUIZ ANTONIO QUINTILIANO JUNIOR (e-STJ, fls. 281-292), com fundamento artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição da República, em oposição a acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO (e-STJ, fls. 260-272). Sustenta a Defesa que não se trata de hipótese de reexame de provas, mas de revaloração dos critérios jurídicos dos elementos cognitivos sopesados (Súmula 7 do STJ). Em razões de recurso especial, aponta violação aos arts. 155 e 386, todos do CPP. Postula a absolvição por insuficiência probatória, destacando que o reconhecimento fotográfico extrajudicial não foi confirmado em Juízo. Ainda, registra que não foram apresentadas outras provas. Instado, o recorrido apresentou contrarrazões (e-STJ, fls. 314-319). O recurso especial foi inadmitido na origem (e-STJ, fls. 322-324), ao que se seguiu a interposição de agravo (e-STJ, fls. 330-334). Remetidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se pelo desprovimento do agravo (e-STJ, fls. 363-366). É o relatório. Decido. O agravo impugna adequadamente os fundamentos da decisão agravada, devendo ser conhecido. Passo, portanto, ao exame do recurso especial propriamente dito. Conforme se observa, pretende a Defesa a absolvição do recorrente, considerando a carência de provas para a condenação, máxime por ter sido baseada em reconhecimento fotográfico extrajudicial não confirmado em Juízo. Entretanto, a pretensão não comporta guarida. A Corte de origem fundamentou a manutenção da condenação do agravante nestes termos (e-STJ, fls. 260-272): "A autoria igualmente é inconteste. Em sede policial (fls. 26/27), o acusado foi indiciado indiretamente, por isso não ouvido. Em Juízo (fls. 167/167), embora devidamente citado, não compareceu, sendo-lhe decretada sua revelia. Em que pese sua ausência em ambos os atos, o restante do conjunto probatório foi firme em assegurar a autoria delitiva. A vítima José Tiago Lourenço, sob o crivo do contraditório (fls. 194/201), contou que no dia dos fatos, estava de moto na rua, quando viu três rapazes descendo a pé. Um deles, o mais alto, passou por ele e seguiu, enquanto o mais baixo anunciou o assalto, fazendo menção de estar armado. Um terceiro indivíduo, que estava mais atrás, o empurrou e subiu na moto. Os dois subiram na moto e se evadiram. Conhecia os três indivíduos de vista e sabe que eles são amigos, porque eles sempre ficavam em uma viela próximo à sua casa. Não sabe o nome de nenhum deles, tampouco que estavam envolvidos em assalto. Na Delegacia, reconheceu um deles por fotografia, após várias fotos serem exibidas, uma vez que já conhecia o indivíduo anteriormente. Não reconheceu os demais. A moto foi encontrada alguns dias depois, deixada na frente de sua casa. A motocicleta estava deteriorada. Não teve condições financeiras para consertá-la. Viu a foto de fls. 17 na delegacia. Impende destacar que a palavra da vítima, mormente em se tratando de crime contra o patrimônio, merece especial valor, conforme já assume nossa jurisprudência pátria. .. Os policiais civis responsáveis pela investigação, Júlio Cesar Venâncio, Erandi Rivelino Freitas e Rafael Antônio dos Santos, narraram em uníssono em Juízo (fls. 167/168) que estavam e uma comunidade quando visualizaram indivíduos próximos a uma motocicleta. Quando estes perceberam a presença policial, empreenderam fuga. Não conseguiram alcançá-los. Retornaram até o local em que a motocicleta estava e quando puxaram as informações sobre ela, constataram que era produto de crime. Entraram em contato com a vítima do crime, a qual compareceu na delegacia, olhou o álbum fotográfico com diversas fotografias e reconheceu o réu como o autor do roubo. As fotos constantes no álbum são de pessoas que já possuem passagens criminais. Conheciam o réu de outras abordagens e passagens, de maneira que é conhecido na região pela prática de roubos. .. Desse modo, bem demonstrada a efetiva responsabilidade penal do apelante pelos fatos narrados na denúncia, de modo que descabe cogitar de absolvição por ausência de provas ou fragilidade do conjunto probatório. Com efeito, o ofendido, após descrever os sinais características das pessoas a serem reconhecidas, foi colocado diante de diversas fotografias de pessoas semelhantes, e entre elas, reconheceu o ora apelante como um dos envolvidos no delito. Asseverou naquela oportunidade e em Juízo que quando foi abordado pelos três indivíduos sabia quem eram, já que os conhecia de vista do bairro e tinha ciência de que eram amigos. Assim, quando no Distrito Policial, não teve dúvidas ao apontar o acusado como um dos roubadores. Caso o ato de reconhecimento estivesse eivado de "falsas memórias", o ofendido poderia muito bem ter apontado, além do réu, outros dois indivíduos como participantes do delito, mas não o fez, pois apenas uma das fotos mostradas trazia verdadeiramente o autor do crime. A regularidade do reconhecimento foi confirmada pelos policiais civis que atuaram na investigação, os quais declararam em Juízo que o álbum apresentado à vítima continha diversas fotografias de indivíduos com passagens criminais por crimes semelhantes. A nitidez da fotografia, constatada às fls. 17, também é elemento que corrobora a prova acusatória. Destaca-se que a jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça tem por objetivo coibir a condenação baseada exclusivamente em reconhecimento fotográfico efetuado em solo policial, carente de credibilidade, sem outros elementos que indiquem a autoria do delito, o que não se verificou no caso em tela, até porque o ofendido já conhecia o réu, o reconheceu no momento do intento, e não se confundiria em reconhecê-lo novamente em sede distrital. Ademais, cumpre consignar que o E. Supremo Tribunal Federal possui entendimento no sentido de que o artigo 226 do Código de Processo Penal apresenta recomendação, a ser atendida quando possível. .. " Conforme se observa, a instância anterior destacou que a vítima reconheceu o agravante por fotografia na fase extrajudicial, ressaltando que já o conhecia. Ponderou que foram apresentadas várias imagens e que a vítima confirmou este reconhecimento ao ser ouvida em Juízo. Com efeito, nota-se que a condenação ficou devidamente fundamentada nestes reconhecimentos e nas palavras da vítima, devidamente detalhadas pela instância anterior. Desse modo, evidente que o afastamento dessas conclusões demandaria o revolvimento fático-probatório, providência inviável em sede de recurso especial, conforme dispõe a Súmula 7/STJ. A propósito: "PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. ROUBO. ABSOLVIÇÃO. IMPROPRIEDADE DA VIA ELEITA. ÓBICE AO REVOLVIMENTO PROBATÓRIO. RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO. PRESENÇA DE OUTROS ELEMENTOS DE CONVICÇÃO HÍGIDOS PARA FUNDAMENTAR A SENTENÇA CONDENATÓRIA. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Conforme o reconhecido na decisão ora hostilizada, se as instâncias ordinárias, mediante valoração do acervo probatório produzido nos autos, entenderam, de forma fundamentada, ser o réu autor do delito descrito na exordial acusatória, a análise das alegações concernentes ao pleito de absolvição demandaria exame detido de provas, inviável em sede de writ. Ainda, o alegado álibi defensivo foi considerando no contexto das provas produzidas na persecução penal, não tendo sido, contudo, considerado forte o bastante para infirmar os elementos de convicção amealhados nos autos, sendo tal conclusão inafastável, de igual modo, na via do mandamus.3. Em julgados recentes, ambas as Turmas que compõe a Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça alinharam a compreensão de que "o reconhecimento de pessoa, presencialmente ou por fotografia, realizado na fase do inquérito policial, apenas é apto, para identificar o réu e fixar a autoria delitiva, quando observadas as formalidades previstas no art. 226 do Código de Processo Penal e quando corroborado por outras provas colhidas na fase judicial, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa" (HC 652.284/SC, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 27/4/2021, DJe 3/5/2021). 4. Dos elementos probatórios que instruem o feito, verifica-se que a autoria delitiva do crime de roubo não tem como único elemento de prova o reconhecimento fotográfico, o que gera distinguishing em relação ao acórdão paradigma da alteração jurisprudencial. No caso, além do referido reconhecimento da vítima, as instâncias ordinárias valoraram a confissão extrajudicial do ora agravante e do correú, bem como o fato de alguns bens pertencentes à vitima terem sido localizados dentro do veículo Gol de sua propriedade, não tendo sido olvidado, ainda, o teor do depoimento dos policiais responsáveis pelo flagrante, o que produz cognição com profundidade suficiente para o juízo condenatório. 5. Agravo desprovido. (AgRg no HC n. 749.589/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/8/2022, DJe de 10/8/2022.)" Diante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, "b", do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA