HC 926640 - ACORDAO
Embora o reconhecimento pessoal ou fotográfico possa ter sido realizado sem observância do art. 226 do CPP, as vítimas ratificaram com segurança os reconhecimentos em juízo e há outros elementos probatórios válidos e autônomos colhidos sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual não se declara a...
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- Parties
- Agravante: ALEXANDER FERREIRA DE SANTANA; Corréu: MAX MARTINS DE OLIVEIRA; Vítima: Fabio Carlos dos Santos; Vítima: Matheus Carlos Nascimento da S. Santos
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgamento Colegiado (quinta Turma) Decisão De Negar Provimento Ao Agravo Regimental
- Outcome
- Agravo regimental a que se nega provimento
- Legal Topics
- Reconhecimento Pessoal, Art. 226 Do CPP, Prova Testemunhal, Reexame Fático Probatório, Súmula 7 Do STJ
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Parties
ALEXANDER FERREIRA DE SANTANA
Agravante
MAX MARTINS DE OLIVEIRA
Corréu
Fabio Carlos dos Santos
Vítima
Matheus Carlos Nascimento da S. Santos
Vítima
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgamento Colegiado (quinta Turma) Decisão De Negar Provimento Ao Agravo Regimental
Legal Issues
- 1 Validade do reconhecimento pessoal realizado em desacordo com o art. 226 do CPP
- 2 Possibilidade de manutenção da condenação quando existem outros elementos probatórios válidos e autônomos
- 3 Vedação ao reexame fático-probatório pela Súmula 7 do STJ
Ratio Decidendi
Embora o reconhecimento pessoal ou fotográfico possa ter sido realizado sem observância do art. 226 do CPP, as vítimas ratificaram com segurança os reconhecimentos em juízo e há outros elementos probatórios válidos e autônomos colhidos sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual não se declara a nulidade do conjunto probatório e mantém-se a decisão condenatória; o pedido absolutório exigiria reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7 do STJ.
Court Disposition
Agravo regimental a que se nega provimento
Orders
- Nego provimento ao agravo regimental.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. 1. RECONHECIMENTO PESSOAL. NÃO OBSERVÂNCIA DO ART. 226 DO CPP. PALAVRAS SEGURAS DAS VÍTIMAS. PARTICULARIDADE DO CASO CONCRETO. 2. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. As instâncias ordinárias consignaram que ambas as vítimas ratificaram j udicialmente, com firmeza, o reconhecimento tanto do réu quanto do corréu como sendo os autores do delito, descrevendo-os de maneira pormenorizada e esclarecendo, ainda, que "os réus MAX e ALEXANDER não usavam capacetes, de modo que foi possível visualizar bem os seus rostos, até porque permaneceram cerca de 30 a 40 minutos sob suas ordens". Nesse contexto, não obstante eventual não observância do art. 226 do Código de Processo Penal, reitero que não é possível desconsiderar as particularidades do caso concreto, em especial as seguras declarações da vítima, tanto em sede inquisitorial quanto em juízo, além dos demais elementos probatórios válidos e autônomos colhidos sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. 2. Agravo regimental a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por ALEXANDER FERREIRA DE SANTANA contra decisão monocrática, da minha lavra, que não conheceu do mandamus. Consta dos autos que o paciente foi condenado como incurso no art. 157, § 2º, incisos II e V, e § 2º-A, inciso I, do Código Penal, por três vezes, em concurso formal, à pena de 11 anos de reclusão, em regime fechado. Irresignada, a defesa interpôs recurso de apelação, ao qual se deu parcial provimento, reduzindo a pena para 8 anos de reclusão, mantidos os demais termos da condenação. No mandamus, a defesa aduziu, em síntese, que a condenação estaria embasada unicamente em reconhecimento pessoal falho, porquanto realizado em desconformidade com o art. 226 do Código de Processo Penal, motivo pelo qual o paciente deveria ser absolvido. Contudo a ordem não foi conhecida. No presente agravo regimental, a defesa reitera a não observância à disciplina do art. 226 do Código de Processo Penal, destacando que o paciente não possui as características indicadas pelas testemunhas, haja vista a diferença de altura. Por fim, afirma que não existem outras provas. Pugna, assim, pelo provimento do agravo regimental. É o relatório. EMENTA PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. 1. RECONHECIMENTO PESSOAL. NÃO OBSERVÂNCIA DO ART. 226 DO CPP. PALAVRAS SEGURAS DAS VÍTIMAS. PARTICULARIDADE DO CASO CONCRETO. 2. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. As instâncias ordinárias consignaram que ambas as vítimas ratificaram j udicialmente, com firmeza, o reconhecimento tanto do réu quanto do corréu como sendo os autores do delito, descrevendo-os de maneira pormenorizada e esclarecendo, ainda, que "os réus MAX e ALEXANDER não usavam capacetes, de modo que foi possível visualizar bem os seus rostos, até porque permaneceram cerca de 30 a 40 minutos sob suas ordens". Nesse contexto, não obstante eventual não observância do art. 226 do Código de Processo Penal, reitero que não é possível desconsiderar as particularidades do caso concreto, em especial as seguras declarações da vítima, tanto em sede inquisitorial quanto em juízo, além dos demais elementos probatórios válidos e autônomos colhidos sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. VOTO A insurgência não merece prosperar. Com efeito, conforme explicitado na decisão monocrática, a defesa se insurge, em suma, contra o reconhecimento realizado, por considerar que não se observou a disciplina do art. 226 do Código de Processo Penal. A jurisprudência mais recente do Superior Tribunal de Justiça se firmou no sentido de que o acusado não pode ser condenado com base apenas em eventual reconhecimento falho, ou seja, sem o cumprimento das formalidades legais, as quais constituem, em verdade, garantia mínima para quem se encontra na condição de suspeito da prática de um delito. No entanto, é possível que o julgador, destinatário das provas, convença-se da autoria delitiva a partir de outras provas que não guardem relação de causa e efeito com o ato do reconhecimento falho, porquanto, sem prejuízo da nova orientação, não se pode olvidar que vigora no nosso sistema probatório o princípio do livre convencimento motivado. Assim, "diante da existência de outros elementos de prova, acerca da autoria do delito, não é possível declarar a ilicitude de todo o conjunto probatório, devendo o magistrado de origem analisar o nexo de causalidade e eventual existência de fonte independente, nos termos do art. 157, § 1º, do Código de Processo Penal" (HC 588.135/SP, Relator Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, Quinta Turma, julgado em 8/9/2020, DJe de 14/9/2020). Com efeito, o Magistrado não está comprometido com qualquer critério de valoração prévia da prova, mas livre na formação do seu convencimento e na adoção daquele que lhe parecer mais convincente. Assim, permite-se que elementos informativos de investigação e indícios suficientes sirvam de fundamento ao juízo, desde que existam, também, provas produzidas judicialmente. Ou seja, para se concluir sobre a veracidade ou falsidade de um fato, o juiz penal pode se servir tanto de elementos de prova - produzidos em contraditório - como de informações trazidas pela investigação. Na hipótese dos autos, o Juízo de origem, ao analisar a alegação defensiva, registrou que (e-STJ fls. 164-165): .. , as vítimas Fábio e Matheus, quando encaminhada à sala de manjamentos deste Juízo, onde se encontravam o réu MAX e um dublê, não tiveram qualquer dúvida em reconhecer o acusado MAX como o elemento que as ameaçou, na posse de uma arma de fogo. Da mesma forma, as vítimas reconheceram, de forma inequívoca, o réu ALEXANDER, por videoconferência, como o elemento que ingressou no veículo das vítimas e também as ameaçava, dizendo que seu amigo as iria matar. Por outro lado, a negativa do réu ALEXANDER, quando interrogado neste Juízo, no sentido de que trabalhava no dia dos fatos, restou divorciada do acervo probatório, ressaltando que a defesa não trouxe aos autos qualquer prova do alegado. Tem-se que a versão oferecida pelo réu ALEXANDER não convence, porquanto restou isolada do contexto probatório. Seu depoimento é no sentido da autodefesa e não tem o condão de afastar a credibilidade das provas orais e materiais carreadas aos autos. É cediço que como afã de inocentar-se de uma acusação penal, todo ser humano procura argumentos convincentes, mas a função precípua da Justiça é a busca da verdade. E um dos recursos utilizados para tanto é a análise da narrativa das pessoas envolvidas, perscrutando-se a sua coerência e ressonância com os demais elementos dos autos. Por outro lado, os depoimentos oferecidos pelas vítimas Fábio e Matheus são firmes e coesos, condizentes com suas declarações em sede policial, não merecendo retoques nem ensejando motivos para descrédito de qualquer natureza. Nesse sentido, as supostas contradições apontadas pela defesa do acusado ALEXANDER, em suas alegações finais, são de natureza secundária, pois na essência os depoimentos são, como dito acima, firmes e harmônicos. Como é sabido, nos crimes patrimoniais, o reconhecimento do roubador pelo ofendido ou testemunha é decisivo para a condenação do acusado, sendo evidente que a sua intenção é, exclusivamente, ode apontar o verdadeiro culpado pela ação delituosa que sofreu ou presenciou, não havendo motivo para acusar terceiro inocente. A Corte local, por sua vez, fundamentou em sentido semelhante, assentando que (e-STJ fls. 121-124 e 128): Em sede policial, Matheus Carlos Nascimento da S. Santos, após prestar novo termo de declaração em complemento ao anterior, ainda durante o registro de ocorrência, passou a descrever as características físicas da pessoa que o abordou: "negro, parrudo, com aproximadamente 1 de altura". Em seguida, lhe foi mostrado o álbum com várias fotografias de suspeitos por roubos de carga para a região onde foi levado, Comunidade dos Prazeres, e reconheceu, de forma inequívoca o apelante Max Martins de Oliveira, como o elemento que, a bordo da garupa de uma motocicleta XRE 300 de cor verde camuflada, o abordou na Rua Barão de Petrópolis, e mandou segui-lo até o interior da mencionada comunidade, sendo que estava armado com uma pistola. Também descreveu as características do condutor da motocicleta como "negro, magro, aproximadamente 1,68 m de altura, bigode fino, violento". Em seguida, mostrado o álbum de fotografias, reconheceu o outro indivíduo que conduzia a motocicleta, como o apelante Alexander Ferreira de Santana. Por sua vez, em sede policial, Fabio Carlos dos Santos descreveu as características físicas da pessoa que o abordou: "negro, parrudo, aparentando 40 anos de idade mais ou menos". Em seguida, lhe foi mostrado o álbum com várias fotografias de suspeitos por roubos de carga para a região onde foi levado, Comunidade dos Prazeres, e reconheceu, de forma inequívoca o apelante Max Martins de Oliveira, como o elemento que, a bordo da garupa de uma motocicleta o abordou e mandou segui-lo até o interior da comunidade. Ainda reconheceu o motorista como sendo o apelante Alexander Ferreira de Santana. .. Diante deste contexto, tendo sido a fotografia dos apelantes obtida em sede de investigação, após informação fornecida pelas vítimas, não há que se falar em ilicitude da prova ou violação à garantia constitucional. Em juízo, ambas as vítimas reconheceram os apelantes como autores do delito lhes imputado na inicial, e ainda corroboraram as declarações em sede policial, de forma coesa, harmônica e coerente, sendo certo que Matheus disse que deu as características do acusado na delegacia, "que é inconfundível, que o Max é um alto meio gordinho, grandão mesmo e o outro é um magrinho." .. Como consabido, nos crimes patrimoniais, a palavra da vítima, quando segura e coerente, mostra-se perfeita apta embasar um juízo de reprovação, especialmente quando corroborada por outros elementos de prova, uma vez que é ela que possui contato direto com o roubador. Como visto, pela leitura dos excertos acima transcritos, verifica-se que as instâncias ordinárias consignaram que ambas as vítimas ratificaram judicialmente, com firmeza, o reconhecimento tanto do réu quanto do corréu como sendo os autores do delito, descrevendo-os de maneira pormenorizada e esclarecendo, ainda, que "os réus MAX e ALEXANDER não usavam capacetes, de modo que foi possível visualizar bem os seus rostos, até porque permaneceram cerca de 30 a 40 minutos sob suas ordens" (e-STJ fls. 163-164). Nesse contexto, não obstante eventual não observância do art. 226 do Código de Processo Penal, reitero que não é possível desconsiderar as particularidades do caso concreto, em especial as seguras declarações da vítima, tanto em sede inquisitorial quanto em juízo, além dos demais elementos probatórios válidos e autônomos colhidos sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido: PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ROUBO CIRCUNSTANCIADO. PRETENSÃO DE AFASTAMENTO DAS MAJORANTES DO USO DE ARMA DE FOGO E DO CONCURSO DE AGENTES. EXCLUSÃO DA INDENIZAÇÃO FIXADA À VÍTIMA. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA ACERCA DESSAS MATÉRIAS NÃO ATACADOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ QUANTO A ESSES PONTOS. RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO. NULIDADE POR OFENSA AO ART. 226 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL - CPP. NÃO VERIFICADA. EXISTÊNCIA DE OUTROS ELEMENTOS VÁLIDOS DE PROVA QUE EMBASAM A CONDENAÇÃO. AUTORIA DELITIVA CONFIGURADA. CONCLUSÃO DIVERSA QUE DEMANDA REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, DESPROVIDO. 1. A impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada é requisito para o conhecimento do agravo regimental. Na hipótese, o presente recurso não merece ser conhecido em relação às pretensões de afastamento das majorantes do crime de roubo e de exclusão da indenização a título de danos morais fixada em favor da vítima, ante a incidência da Súmula n. 182 do STJ no tocante aos referidos pontos. 2. Em revisão à anterior orientação jurisprudencial, ambas as Turmas Criminais que compõem esta Corte, a partir do julgamento do HC n. 598.886/SC (Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz), realizado em 27/10/2020, passaram a dar nova interpretação ao art. 226 do CPP, segundo a qual a inobservância do procedimento descrito no mencionado dispositivo legal torna inválido o reconhecimento da pessoa suspeita e não poderá servir de lastro a eventual condenação, mesmo se confirmado em juízo. 3. Contudo, atualmente, este Tribunal vem adotando o entendimento de que, ainda que o reconhecimento do réu haja sido feito em desacordo com o modelo legal e, assim, não possa ser sopesado, nem mesmo de forma suplementar, para fundamentar a condenação do réu, certo é que se houver outras provas, independentes e suficientes o bastante, produzidas sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, para lastrear o decreto condenatório, não haverá nulidade a ser declarada (AgRg nos EDcl no HC n. 656845/PR, Rel. Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 28/11/2022). 4. Na hipótese em tela, embora não tenham sido observados os procedimentos dispostos no art. 226 do CPP, o conjunto probatório coletado no feito, notadamente os depoimentos da vítima e dos agentes policiais prestados em juízo, foram considerados como versões firmes e coerentes acerca dos fatos delitivos e da autoria imputada ao agravante. 5. Conforme ressaltado pela Corte a quo, previamente ao reconhecimento fotográfico feito em delegacia, foi realizada pela vítima a descrição detalhada acerca dos fatos e das características físicas dos acusados, sendo que, somente posteriormente, foram-lhe apresentadas as fotografias dos possíveis suspeitos, com lastro em sua declaração, momento em que reconheceu, de pronto, o agravante como um dos autores do delito. Ao prestar suas declarações em Juízo, a ofendida confirmou o reconhecimento fotográfico feito extrajudicialmente e narrou, de maneira firme e detalhada a empreitada criminosa, enfatizando que o ora agravante era o único que não estava encapuzado, motivo pelo qual, após a apresentação das fotografias dos suspeitos na delegacia, o reconhecimento do réu foi feito de imediato e com total segurança, em razão das "características marcantes do acusado, luzes no cabelo e nariz achatado". 6. Além disso, os policiais civis que conduziram as investigações, ao prestarem depoimento em juízo como testemunhas, foram categóricos ao afirmar que a vítima e seu filho, o qual também estava no local do crime, quando compareceram à delegacia e lhe foram apresentadas as fotos dos possíveis suspeitos, reconheceram em conjunto e de imediato a fotografia do agravante, apontando, com firmeza, a sua participação no delito. Os agente públicos salientaram, também, que o filho da ofendida, antes de realizar o reconhecimento fotográfico perante a autoridade policial, já tinha afirmado que "um dos indivíduos, se chamava "Vitinho", que teria visto algumas vezes ele pela região, que este era o único que não estava encapuzado". 7. Desse modo, a conclusão do Tribunal de origem encontra amparo na atual jurisprudência desta Corte, no sentido de que a inobservância das formalidades previstas no art. 226 do CPP não configura necessariamente nulidade, notadamente quando o reconhecimento fotográfico for realizado com segurança pela vítima, bem como estiver a sentença condenatória amparada em outros elementos probatórios válidos e autônomos colhidos sob o crivo do contraditória e da ampla defesa, como no caso em epígrafe. 8. Para se acatar o pleito absolutório fundado na suposta ausência de provas suficientes para a condenação, seria inevitável o revolvimento fático-probatório do feito, vedado pela Súmula n. 7 deste Superior Tribunal de Justiça. 9. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa extensão, desprovido. (AgRg no REsp n. 1.991.935/TO, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 7/2/2023, DJe de 14/2/2023.) Assim, em que pese o esforço argumentativo da combativa defesa, não foram apresentados argumentos aptos a reverter as conclusões trazidas na decisão agravada, motivo pelo qual esta se mantém por seus próprios e jurídicos fundamentos. Pelo exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto.