REsp 2166213 - DECISAO
O recurso extraordinário teve seguimento negado com base no art. 1.030, I, a, do CPC, porquanto o acórdão recorrido reconheceu a nulidade do reconhecimento pessoal (art. 226 CPP) e não havia interesse recursal da defesa sobre esse ponto, além de que a condenação foi mantida por provas independentes (imagens de...
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- Parties
- Réu/recorrente: Jacson da Cruz Bechi; Apelante: Ministério Público
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 July 2025
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Negado Seguimento (art. 1.030, I, A, Cpc)
- Outcome
- Recurso extraordinário com seguimento negado (art. 1.030, I, a, do CPC)
- Legal Topics
- Reconhecimento Pessoal, Nulidade De Provas, Dosimetria Da Pena, Reincidência/multirreincidência, Roubo Impróprio, Repercussão Geral, Pena Base, Negativa De Seguimento
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Parties
Jacson da Cruz Bechi
Réu/recorrente
Ministério Público
Apelante
Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Negado Seguimento (art. 1.030, I, A, Cpc)
Legal Issues
- 1 nulidade do reconhecimento fotográfico por inobservância do art. 226 do CPP
- 2 valoração de provas independentes (imagens de câmeras e depoimentos policiais) como lastro suficiente para condenação
- 3 caracterização do crime de roubo impróprio nos termos do art. 157 do CP
Ratio Decidendi
O recurso extraordinário teve seguimento negado com base no art. 1.030, I, a, do CPC, porquanto o acórdão recorrido reconheceu a nulidade do reconhecimento pessoal (art. 226 CPP) e não havia interesse recursal da defesa sobre esse ponto, além de que a condenação foi mantida por provas independentes (imagens de câmeras e depoimentos policiais e da vítima) suficientes para sustentar a condenação por roubo impróprio (art. 157 CP). Ademais, as questões referentes à valoração das circunstâncias judiciais do art. 59 do CP e à dosimetria da pena são matéria infraconstitucional abrangida pelos temas de repercussão geral (Tema 182 e Tema 660), justificando a negativa de seguimento do recurso...
Court Disposition
Recurso extraordinário com seguimento negado (art. 1.030, I, a, do CPC)
Orders
- Nego seguimento ao recurso extraordinário
- Publique-se
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DECISÃO 1. Trata-se de recurso extraordinário interposto, com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça que recebeu a seguinte ementa (fls. 983-986): AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ROUBO MAJORADO. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. AUTORIA BASEADA EM OUTROS ELEMENTOS PROBATÓRIOS INDEPENDENTES DO RECONHECIMENTO PREVISTO NO ART. 226 DO CPP. ROUBO IMPRÓPRIO. CARACTERIZAÇÃO TÍPICA. PENA-BASE. CONSEQUÊNCIAS DO CRIME. FUNDAMENTAÇÃO VÁLIDA. FRAÇÃO DE AUMENTO PROPORCIONAL. MULTIRREINCIDÊNCIA. FRAÇÃO DE AUMENTO SUPERIOR A 1/6. POSSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Não viola o princípio da colegialidade, por haver previsão legal e regimental, a decisão monocrática em que o relator nega provimento ao recurso especial quando o acórdão impugnado está em consonância com a jurisprudência dominante acerca do tema. 2. Por ocasião do julgamento do HC n. 598.886/SC (Rel. Ministro Rogério Schietti, DJe 18/12/2020), a Sexta Turma deste Tribunal Superior concluiu que a inobservância do procedimento previsto no art. 226 do Código de Processo Penal torna inválido o reconhecimento do suspeito e não poderá servir de lastro a eventual condenação, mesmo se confirmado o ato em juízo. 3. Ainda que o ato de reconhecimento haja sido feito em desacordo com o modelo legal previsto no art. 226 do CPP e não possa ser sopesado, nem mesmo de forma suplementar, para fundamentar uma condenação, se houver outras provas, independentes dele e suficientes para sustentar o decreto condenatório, afasta-se a tese de absolvição. 4. No caso, as imagens da câmera de segurança e os depoimento dos policiais, que examinaram as mídias, são elementos probatórios produzidos por fonte independente da que culminou com o elemento informativo obtido por meio do reconhecimento realizado na fase inquisitiva, de maneira que, embora o ato haja sido feito em desacordo com o modelo legal e, assim, não possa ser sopesado, nem mesmo de forma suplementar, para fundamentar a condenação do réu, houve outras provas, independentes e suficientes, produzidas sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, para sustentar o decreto condenatório. 5. "Nos moldes do art. 157 do Código Penal, a violência ou grave ameaça caracterizadoras do crime de roubo poderão ser empregadas antes, durante ou logo após a subtração do bem. Assim, malgrado possa ter o agente iniciado a prática de conduta delitiva sem o uso de violência, se terminar por se valer de meio violento para garantir a posse da res furtiva e ou, ainda, a impunidade do delito, terá praticado o crime de roubo, ainda que em sua modalidade imprópria (CP, art. 157, § 1º), não havendo se falar em furto" (AgRg no HC n. 838.412/SC, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 6/9/2024). 6. Na hipótese em exame, o Colegiado estadual entendeu estarem caracterizados os elementos do tipo, pois, para assegurar a posse dos bens subtraídos, o acusado empregou violência contra a vítima, o que caracteriza a figura conhecida como roubo impróprio. 7. O aplicador do direito, consoante sua discricionariedade motivada, deve, na primeira etapa do procedimento trifásico, orientar-se pelas circunstâncias relacionadas no caput do art. 59 do Código Penal. Não é imprescindível dar rótulos e designações corretas às vetoriais, mas indicar elementos concretos relacionados às singularidades do caso para atender ao dever de motivação da mais severa individualização da pena. Precedentes. 8. Na espécie, o Tribunal local manteve a negativação das consequências do crime, em razão da subtração de elevados numerários, quais sejam, US$ 1.500,00 e 400,00, o que não é inerente ao tipo penal nem insuficiente para justificar a opção judicial. 9. A discricionariedade judicial motivada na dosimetria da pena é reconhecida por esta Corte. Não existe direito subjetivo a critério rígido ou puramente matemático para a exasperação da pena-base. Em regra, afasta-se a tese de desproporcionalidade em casos de aplicação de frações de 1/6 sobre a pena mínima ou de 1/8 sobre o intervalo entre os limites mínimo e máximo do tipo, admitido outro critério mais severo, desde que devidamente justificado. Precedentes. 10. A instância antecedente atuou dentro da sua discricionariedade e adotou, fundamentadamente, fração que entendeu proporcional e adequada para o aumento da pena-base - 1/6 sobre o limite mínimo do tipo. 11. "A multirreincidência constitui fundamento idôneo ao aumento em fração superior a 1/6, patamar consagrado por este Tribunal para casos de agravantes ou atenuantes" (HC n. 808.438/RS, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 5/11/2024, DJe de 11/11/2024). 12. A exasperação da reprimenda no patamar de 1/4, em virtude da multirreincidência do réu, contra o qual foram sopesadas quatro condenações definitivas, está em harmonia com os ditames de proporcionalidade, razoabilidade e individualização da pena. 13. Segundo entendimento desta Corte, a inadmissão ou o não provimento do especial interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal prejudica o exame do recurso no ponto em que suscita divergência jurisprudencial se o dissídio alegado diz respeito ao mesmo dispositivo legal ou à mesma tese jurídica. 14. Agravo regimental não provido. A parte recorrente sustenta a ocorrência de violação dos arts. 5º, XLVI, LV, LVI e LVII, e 93, IX, da Constituição Federal e afirma que a matéria em discussão seria dotada de repercussão geral. Alega a nulidade do reconhecimento fotográfico feito pela vítima, por inobservância do procedimento legal previsto no art. 226 do CPP, bem como das provas derivadas. Argumenta a inexistência, no caso concreto, das elementares do tipo penal do delito de roubo imputado ao recorrente, tipificado no art. 157 do CP, já que não foi empregada violência ou grave ameaça contra a vítima, mas sim contra o objeto, razão pela qual defende a desclassificação para o crime de estelionato ou de furto. Sustenta, ainda, a ausência de fundamentação idônea para o aumento de pena na fração de 1/6 da pena-base, pugnando pelo redimensionamento da pena. Requer, assim, a admissão e o provimento do recurso. As contrarrazões foram apresentadas às fls. 1.104-1.109. É o relatório. 2. Inicialmente, no que se refere à alegada nulidade do reconhecimento fotográfico feito pela vítima, por inobservância do procedimento legal previsto no art. 226 do CPP, convém ressaltar que, apesar da repercussão geral dessa matéria ter sido reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos do ARE n. 1.467.470-RG/SP (Tema n. 1.380 do STF), que ainda se encontra pendente de julgamento, verifica-se que o caso em análise não enseja o sobrestamento do presente recurso extraordinário. Isso porque, conforme se infere do acórdão recorrido, já houve o reconhecimento, por esta Corte Superior de Justiça, da invalidade do reconhecimento pessoal, por ter sido realizado em desacordo com o rito previsto no art. 226 do CPP, tendo sido afastada a sua força probante no caso em análise. E, na ausência de recurso da acusação sobre essa questão, a matéria encontra-se definitivamente decidida em favor da defesa (preclusa), que nem sequer possui interesse recursal quanto ao ponto, inviabilizando o conhecimento do recurso no tocante a essa matéria. Não obstante a nulidade mencionada, depreende-se do acórdão recorrido que a condenação do recorrente acabou sendo mantida, com fundamento em outros elementos probatórios independentes, suficientes à manutenção da condenação, o que impossibilitou a pretendida absolvição (fls. 993-994). 3. Por seu turno, no julgamento do paradigma vinculado ao Tema n. 339, o Supremo Tribunal Federal apreciou a seguinte questão: .. se decisão que transcreve os fundamentos da decisão recorrida, sem enfrentar pormenorizadamente as questões suscitadas nos embargos declaratórios, afronta o princípio da obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais, nos termos do art. 93, IX, da Constituição Federal. Na ocasião, firmou-se a seguinte tese vinculante: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessária a apreciação de todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da CF não está relacionada ao acerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso dos autos, foram apresentados, de forma satisfatória, os fundamentos da conclusão do acórdão recorrido, como se observa do seguinte trecho do referido julgado (fls. 995-998): IV. Pena-base O aplicador do direito, consoante sua discricionariedade motivada, deve, na primeira etapa do procedimento trifásico, orientar-se pelas circunstâncias relacionadas no caput do art. 59 do Código Penal. Não é imprescindível dar rótulos e designações corretas às vetoriais, mas indicar elementos concretos relacionados às singularidades do caso para atender ao dever de motivação da mais severa individualização da pena. Nesse sentido: AgRg no HC n. 821.464/SC, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 7/12/2023. No caso, o Tribunal local manteve a negativação das consequências do crime, assim retratada no acórdão (fl. 730, grifei): E, no caso em apreço, os reflexos da conduta perpetrada pelo acusado foram demasiados e extrapolaram à normalidade, visto ter resultado em prejuízo de grande monta, tendo em vista que a vítima foi enfática sobre a subtração de joias, além de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais), US$ 1.500,00 (um mil e quinhentos dólares) e 400,00 (quatrocentos euros), todos em espécie, os quais foram utilizados para dar garantia no saque dos valores do suposto prêmio. Sem embargo, ainda que inexista auto de avaliação dos objetos furtados, é certo que eles não recaem somente sobre as jóias, mas sim, também, no auto valor dos numerários subtraídos. Ademais, pelo que se vê das fotografias acostadas em evento 40, informação 169-178, as jóias possuíam valor sentimental à vítima, não podendo, no todo, ser considerada irrelevante a conduta do réu. Verifico que a subtração de elevados numerários, quais sejam, US$ 1.500,00 e 400,00, não é inerente ao tipo penal nem insuficiente para justificar a opção judicial. Nesse sentido: .. A discricionariedade judicial motivada na dosimetria da pena é reconhecida por esta Corte. Não existe direito subjetivo a critério rígido ou puramente matemático para a exasperação da pena-base. Em regra, afasta-se a tese de desproporcionalidade em casos de aplicação de frações de 1/6 sobre a pena mínima ou de 1/8 sobre o intervalo entre os limites mínimo e máximo do tipo, admitido outro critério mais severo, desde que devidamente justificado. Nesse sentido: AgRg no HC n. 844.533/AL, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 13/5/2024, DJe de 16/5/2024. Confira-se ainda o seguinte precedente: .. Portanto, a respeito do patamar de aumento, não identifico ilegalidade, uma vez que a instância antecedente atuou dentro da sua discricionariedade e adotou, fundamentadamente, fração que entendeu proporcional e adequada para o aumento da pena-base - 1/6 sobre o limite mínimo do tipo. IV. Reincidência - fração de aumento Quanto ao tópico, o Tribunal estadual registrou o seguinte (fl. 731, grifei): Do apurado, de forma clara e sucinta, o sentenciante justificou a utilização da fração de 1/4 (um quarto) na multiplicidade de registros criminais anteriores aptos a caracterizar a reincidência. E neste caso, sendo 4 (quatro) condenações, nos termos da jurisprudência desta e. Corte, poderia ter aplicado a fração de 1/3 (um terço), demonstrado que o quantum aplicado, foi inferior do usualmente aplicado, beneficiando o réu. Entendo que a exasperação da reprimenda no patamar de 1/4, em virtude da multirreincidência do réu, contra o qual foram sopesadas quatro condenações definitivas, está em harmonia com os ditames de proporcionalidade, razoabilidade e individualização da pena. Com efeito, "A multirreincidência constitui fundamento idôneo ao aumento em fração superior a 1/6, patamar consagrado por este Tribunal para casos de agravantes ou atenuantes" (HC n. 808.438/RS, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 5/11/2024, DJe de 11/11/2024). Nesse sentido: .. Assim, fica inviabilizado o exame pretendido nesta insurgência. Com efeito, demonstrado que houve prestação jurisdicional compatível com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 sob o regime da repercussão geral, é inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, que deve ter o seguimento negado. 4. O STF já definiu que a alegação de afronta aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, bem como ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido e aos limites da coisa julgada, quando dependente da prévia análise de normas infraconstitucionais, configura ofensa reflexa ao texto constitucional. No Tema n. 660, a Suprema Corte fixou a seguinte tese vinculante: A questão da ofensa aos princípios do contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal e dos limites à coisa julgada, tem natureza infraconstitucional, e a ela se atribuem os efeitos da ausência de repercussão geral, nos termos do precedente fixado no RE n. 584.608, rel. a Ministra Ellen Gracie, DJe 13/03/2009. (ARE n. 748.371-RG, relator Ministro Gilmar Mendes, julgado em 6/6/2013, DJe de 1º/8/2013.) Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais, ao analisar a viabilidade prévia dos recursos extraordinários, negar seguimento aos recursos que discutam questão à qual o STF não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil. Esse tema de repercussão geral alcança também a assertiva de violação ao princípio da licitude das provas, contido no art. 5º, LVI, da Constituição Federal, conforme demonstram os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ELEITORAL. ABUSO DE PODER ECONÔMICO. IDONEIDADE PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E DE REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE OFENSA CONSTITUCIONAL DIRETA. SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALEGADA CONTRARIEDADE AO INC. LVI DO ART. 5º DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA: INEXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL (TEMA 660). AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. (ARE 1338149 AgR, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Primeira Turma, julgado em 20-09-2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-190 DIVULG 22-09-2021 PUBLIC 23-09-2021) AGRAVOS REGIMENTAIS NOS RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS COM AGRAVO. INSUFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO QUANTO À ALEGAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. OFENSA CONSTITUCIONAL MERAMENTE REFLEXA. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE SÚMULA 279/STF. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM A JUSIRPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVOS REGIMENTAIS A QUE SE NEGA PROVIMENTO. .. 3. Quanto a alegada violação ao art. 5º, inciso LVI, da CF/88, o apelo extraordinário não tem chances de êxito, pois esta CORTE, no julgamento do ARE 748.371-RG/MT (Rel. Min. GILMAR MENDES, Tema 660), rejeitou a repercussão geral da alegada violação ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito, à coisa julgada ou aos princípios da legalidade, do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, quando se mostrar imprescindível o exame de normas de natureza infraconstitucional. .. 10. Agravos Regimentais a que se nega provimento. (ARE 1254772 AgR, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Primeira Turma, julgado em 21-02-2022, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-038 DIVULG 24-02-2022 PUBLIC 25-02-2022) Direito Penal e Processual Penal. Agravo regimental nos embargos de declaração no recurso extraordinário com agravo. Associação criminosa. Roubo majorado. Extorsão qualificada. Art. 288, parágrafo único; art. 157, § 2º , incisos II, V e VII, e § 2º-A, inciso I; e art. 158, § 1º e § 3º, todos do Código Penal. I. Caso em exame. 1. Agravo regimental interposto da decisão que negou seguimento a recurso extraordinário com agravo. 2. O recurso extraordinário foi interposto para impugnar acórdão do tribunal estadual que deu parcial provimento às apelações do Ministério Público e da defesa. II. Questão em discussão. 3. Exame de eventual ofensa ao art. 5º, incisos LIV, LV e LVI, da Constituição Federal. III. Razão de decidir. 4. Incidência, no caso, do art. 1.030, inciso I, "a", do CPC. Tema 660 da sistemática da repercussão geral da questão constitucional. 5. Ofensa indireta e reflexa à Constituição Federal. 6. Necessidade de revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos. Óbice da Súmula 279/STF. 7. Precedentes. IV Dispositivo. 8. Agravo regimental não provido.(ARE 1512373 ED-AgR, Relator(a): GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 06-11-2024, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 11-11-2024 PUBLIC 12-11-2024) No caso dos autos, o exame da alegada ofensa ao art. 5º, LV e LVI, da Constituição Federal dependeria da análise de dispositivos da legislação infraconstitucional considerados na solução do acórdão recorrido, o que atrai a incidência do mencionado Tema n. 660 do STF. É o que se observa do seguinte trecho do julgado impugnado (fls. 993- 995): II. O caso dos autos - distinção Entendo que a condenação do réu não haja sido baseada, única e exclusivamente, no ato de reconhecimento pessoal, mas nas demais provas dos autos, submetidas ao contraditório e à ampla defesa. Isso porque, segundo delineado no acórdão, .. a vítima confirma que reconhece os acusados, sem quaisquer dúvidas, como sendo os autores do roubo, fator este que também foi respaldado pelo relatório de investigação n. 40/2019, o qual consta imagens capturadas de câmeras de segurança e que aparecem os autores durante a prática delitiva" (fl. 721, destaquei). O Tribunal de origem acrescentou que: .. a conclusão condenatória, in casu, encontra-se lastreada não só nos depoimentos da vítima, prestados em ambas as fases processuais, mas no reconhecimento fotográfico realizado, nas imagens das câmeras de monitoramento e nas palavras dos agentes públicos, razão pela qual não há de se falar em qualquer mácula processual (fl. 716, grifei). As provas acima mencionadas - imagens da câmera de segurança e depoimento dos policiais, que examinaram as mídias - foram produzidas por fonte independente da que culminou com o elemento informativo obtido por meio do reconhecimento realizado na fase inquisitiva, de maneira que, embora o ato haja sido feito em desacordo com o modelo legal e, assim, não possa ser sopesado, nem mesmo de forma suplementar, para fundamentar a condenação do réu, houve outras provas, independentes e suficientes, produzidas sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, para sustentar o decreto condenatório. Inviável, portanto, proclamar-se a absolvição do denunciado. III. Caracterização dos elementos do tipo O Tribunal local destacou o seguinte (fls. 726-727, destquei): Em tempo, nem há que se falar em ausência de dolo e desclassificação do delito para estelionato ou furto, já que, além da inexistência de um "bilhete premiado" a ser negociado, o modus operandi utilizado caracteriza o crime de roubo majorado pelo concurso de pessoas. E, embora tenham iniciado o crime de estelionato, este se converteu em roubo quando o acusado Jacson da Cruz Bechi empregou violência para assegurar a posse da res furtiva que estava na proteção da vítima, consistente em puxar a sua bolsa que continha joias e valores em espécie, levando-a ao chão e a impedindo de oferecer resistência. O Colegiado estadual entendeu estarem caracterizados os elementos do tipo, pois, para assegurar a posse dos bens subtraídos, o acusado empregou violência contra a vítima, o que caracteriza a figura conhecida como roubo impróprio. Não há ilegalidade, porquanto o entendimento firmado no acórdão está em conformidade com a orientação desta Corte, segundo a qual: Nos moldes do art. 157 do Código Penal, a violência ou grave ameaça caracterizadoras do crime de roubo poderão ser empregadas antes, durante ou logo após a subtração do bem. Assim, malgrado possa ter o agente iniciado a prática de conduta delitiva sem o uso de violência, se terminar por se valer de meio violento para garantir a posse da res furtiva e ou, ainda, a impunidade do delito, terá praticado o crime de roubo, ainda que em sua modalidade imprópria (CP, art. 157, § 1º), não havendo se falar em furto. (AgRg no HC n. 838.412/SC, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 6/9/2024). 5. Por fim, no tocante à dosimetria da pena, que o recorrente afirma ter sido procedida ao arrepio do disposto no art. 59 do CP, o STF, ao julgar o AI n. 742.460-RG/RJ, firmou o entendimento de que: Não apresenta repercussão geral o recurso extraordinário que verse sobre a questão da valoração das circunstâncias judiciais previstas no art. 59 do Código Penal, na fundamentação da fixação da pena-base pelo juízo sentenciante, porque se trata de matéria infraconstitucional (Tema n. 182/STF). Confira-se, por oportuno, a ementa do julgado: RECURSO. Extraordinário. Inadmissibilidade. Circunstâncias judiciais previstas no art. 59 do Código Penal. Fixação da pena-base. Fundamentação. Questão da ofensa aos princípios constitucionais da individualização da pena e da fundamentação das decisões judiciais. Inocorrência. Matéria infraconstitucional. Ausência de repercussão geral. Agravo de instrumento não conhecido. Não apresenta repercussão geral o recurso extraordinário que verse sobre a questão da valoração das circunstâncias judiciais previstas no art. 59, do Código Penal, na fundamentação da fixação da pena-base pelo juízo sentenciante, porque se trata de matéria infraconstitucional. (AI n. 742.460-RG, relator Ministro Cezar Peluso, julgado em 27/8/2009, DJe de 25/9/2009.) No caso, ao examinar a controvérsia, este Superior Tribunal assim se manifestou sobre a dosimetria da pena aplicada (fls. 995-998): IV. Pena-base O aplicador do direito, consoante sua discricionariedade motivada, deve, na primeira etapa do procedimento trifásico, orientar-se pelas circunstâncias relacionadas no caput do art. 59 do Código Penal. Não é imprescindível dar rótulos e designações corretas às vetoriais, mas indicar elementos concretos relacionados às singularidades do caso para atender ao dever de motivação da mais severa individualização da pena. Nesse sentido: AgRg no HC n. 821.464/SC, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 7/12/2023. No caso, o Tribunal local manteve a negativação das consequências do crime, assim retratada no acórdão (fl. 730, grifei): E, no caso em apreço, os reflexos da conduta perpetrada pelo acusado foram demasiados e extrapolaram à normalidade, visto ter resultado em prejuízo de grande monta, tendo em vista que a vítima foi enfática sobre a subtração de joias, além de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais), US$ 1.500,00 (um mil e quinhentos dólares) e 400,00 (quatrocentos euros), todos em espécie, os quais foram utilizados para dar garantia no saque dos valores do suposto prêmio. Sem embargo, ainda que inexista auto de avaliação dos objetos furtados, é certo que eles não recaem somente sobre as jóias, mas sim, também, no auto valor dos numerários subtraídos. Ademais, pelo que se vê das fotografias acostadas em evento 40, informação 169-178, as jóias possuíam valor sentimental à vítima, não podendo, no todo, ser considerada irrelevante a conduta do réu. Verifico que a subtração de elevados numerários, quais sejam, US$ 1.500,00 e 400,00, não é inerente ao tipo penal nem insuficiente para justificar a opção judicial. Nesse sentido: .. A discricionariedade judicial motivada na dosimetria da pena é reconhecida por esta Corte. Não existe direito subjetivo a critério rígido ou puramente matemático para a exasperação da pena-base. Em regra, afasta-se a tese de desproporcionalidade em casos de aplicação de frações de 1/6 sobre a pena mínima ou de 1/8 sobre o intervalo entre os limites mínimo e máximo do tipo, admitido outro critério mais severo, desde que devidamente justificado. Nesse sentido: AgRg no HC n. 844.533/AL, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 13/5/2024, DJe de 16/5/2024. Confira-se ainda o seguinte precedente: .. Portanto, a respeito do patamar de aumento, não identifico ilegalidade, uma vez que a instância antecedente atuou dentro da sua discricionariedade e adotou, fundamentadamente, fração que entendeu proporcional e adequada para o aumento da pena-base - 1/6 sobre o limite mínimo do tipo. IV. Reincidência - fração de aumento Quanto ao tópico, o Tribunal estadual registrou o seguinte (fl. 731, grifei): Do apurado, de forma clara e sucinta, o sentenciante justificou a utilização da fração de 1/4 (um quarto) na multiplicidade de registros criminais anteriores aptos a caracterizar a reincidência. E neste caso, sendo 4 (quatro) condenações, nos termos da jurisprudência desta e. Corte, poderia ter aplicado a fração de 1/3 (um terço), demonstrado que o quantum aplicado, foi inferior do usualmente aplicado, beneficiando o réu. Entendo que a exasperação da reprimenda no patamar de 1/4, em virtude da multirreincidência do réu, contra o qual foram sopesadas quatro condenações definitivas, está em harmonia com os ditames de proporcionalidade, razoabilidade e individualização da pena. Com efeito, "A multirreincidência constitui fundamento idôneo ao aumento em fração superior a 1/6, patamar consagrado por este Tribunal para casos de agravantes ou atenuantes" (HC n. 808.438/RS, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 5/11/2024, DJe de 11/11/2024). Nesse sentido: .. Verifica-se, portanto, que a dosimetria da pena foi decidida com base nas circunstâncias judiciais do art. 59 do CP, dispositivo que o recorrente afirma ter sido afront ado, o que enseja a aplicação do Tema n.182 do STF. 6. Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Vale registrar não ser cabível agravo em recurso extraordinário (previsto no art. 1.042 do CPC) contra decisões que negam seguimento a recurso extraordinário, conforme o § 2º do art. 1.030 do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECONHECIMENTO PESSOAL. INOBSERVÂNCIA DAS FORMALIDADES PREVISTAS NO ART. 226 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. TEMA N. 1.380 DO STF. SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE. NULIDADE RECONHECIDA NO ACÓRDÃO RECORRIDO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL DA DEFESA NO PONTO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, BEM COMO AO ATO JURÍDICO PERFEITO, AO DIREITO ADQUIRIDO E AOS LIMITES DA COISA JULGADA E, AINDA, AO PRINCÍPIO DA LICITUDE DAS PROVAS. EXAME DE NORMAS INFRACONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. TEMA N. 660 DO STF. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. ART. 1.030, I, A, DO CPC. APRECIAÇÃO DAS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DO ART. 59 DO CÓDIGO PENAL. DOSIMETRIA. TEMA N. 182 DO STF. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.