AREsp 1990722 - DECISAO
O agravo não logrou demonstrar de forma clara e particularizada a violação de dispositivos de lei federal, incorrendo na hipótese de aplicação da Súmula 284/STF, e as questões levantadas não foram prequestionadas pela Corte de origem, o que impede o conhecimento do recurso especial.
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- Parties
- Agravante: JACKSON DA SILVA MOREIRA; Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade
- Legal Topics
- Reconhecimento Pessoal (art. 226 Cpp), Prova Judicial Válida, Fixação De Regime Inicial De Cumprimento De Pena (art. 33 Cp), Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Súmula 284/stf
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Parties
JACKSON DA SILVA MOREIRA
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade
Legal Issues
- 1 Alegada violação dos arts. 155 e 226 do Código de Processo Penal quanto à inexistência de prova judicial válida e ao reconhecimento pessoal irregular
- 2 Alegada violação do art. 33, §2º, alínea b, do Código Penal quanto à fundamentação para fixação de regime inicial fechado
- 3 Incidência da Súmula 284/STF em razão de indicação genérica/deficiente do dispositivo de lei federal apontado como violado
Ratio Decidendi
O agravo não logrou demonstrar de forma clara e particularizada a violação de dispositivos de lei federal, incorrendo na hipótese de aplicação da Súmula 284/STF, e as questões levantadas não foram prequestionadas pela Corte de origem, o que impede o conhecimento do recurso especial.
Court Disposition
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por JACKSON DA SILVA MOREIRA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação dos arts. 155; e 226, ambos do Código de Processo Penal, no que concerne à inexistência de prova válida, produzida na fase judicial, da autoria do recorrente, trazendo os seguintes argumentos: Pois bem, nota-se dos autos que a vítima não foi ouvida em juízo e os policiais responsáveis pela detenção não presenciaram crime. Não havia, portanto, prova judicial válida, o que ofende o disposto no artigo 155 do Código de Processo Penal (fl. 453). Em que pese tenha reconhecido o indivíduo Delegacia de Polícia, tal reconhecimento se deu sem a observância das formalidades previstas no artigo 226, do CPP, na medida em que o acusado foi apresentado sozinho e desde pronto apontado como a pessoa acusada nos autos (fl. 453). O STF já asseverou, por diversas vezes, que quando realizado sem as cautelas legais do art. 226 do CPP, o reconhecimento pessoal é muito frágil, devendo necessariamente ser corroborado por outras provas, sob pena de se inviabilizar uma condenação (HC 74.773, HC 75.120, HC 72.467, HC 73.688, HC 72.467, HC 73.688, HC 73.488) (fl. 453). Este tipo de reconhecimento, além de ilegal, é propício a falsas incriminações, mormente quando a vítima afirma que duas pessoas lhe abordaram, que o reconhecimento não foi presencial, e que apenas foi chamado na Delegacia posteriormente, sendo o recorrente indicado como autor do crime (fls. 453-454). Tudo isso leva à conclusão de que sem outras fontes independentes de prova (apreensão de objetos, filmagens claras, digitais, testemunhas , etc.) a mero policial, sem observância das regras do art. 226 do CPP constitui indício de autoria inaceitável e ilegal, mormente porque a vítima diz que não houve prisão em flagrante, e porque sequer houve reconhecimento instantâneo (fl. 454). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 33, §2º, alínea "b", do Código Penal, no que concerne à inexistência de fundamentação idônea para a fixação de regime inicial fechado, por ter sido embasada somente na gravidade abstrata do delito, sem a indicação de elementos concretos, trazendo os seguintes argumentos: Ao assim se proceder, violou-se o art. 33, §2º, b, pois conferiu às características abstratas do crime peso maior do que a análise concreta do ocorrido (fl. 456). É de se consignar que, pela Lei, além da primariedade ou não, o artigo 33, §3º do Código Penal exige a análise das circunstâncias judiciais na fixação do regime (fl. 456). Desta feita, a decisão violou dispositivo legal, na medida em que, para fixar regime diverso do previsto em Lei, haveria a necessidade de fundamentação idônea e não na "suposta personalidade deformada" do agente, sem qualquer especificação ao caso concreto analisado (fl. 457). Assim, v. acórdão fixou o regime inicial fechado baseando-se apenas na gravidade em abstrato do crime (fl. 457). Ora, a característica do crime de roubo, considerada abstratamente e genericamente não foi eleita pelo legislador como circunstâncias basilar da fixação da pena, quanto mais em relação ao regime, que, como se sabe, deve se basear na INDIVIDUZALIZAÇÃO (fl. 457). É, no essencial, o relatório. Decido. Com relação ao recurso apresentado, quanto à primeira controvérsia, na espécie, no que se refere ao art. 226 do CPP, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois nas razões do recurso especial não se particularizou o inciso, o parágrafo ou a alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Ressalte-se, por oportuno, que essa indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, que, no caso, traz em seu texto uma mera introdução ao regramento legal contido nos incisos, nos parágrafos ou nas alíneas. Nesse sentido: "Quanto à segunda controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois, nas razões do recurso especial, não se particularizou o parágrafo/inciso/alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (AgInt no AREsp n. 1.558.460/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 11/3/2020.) Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 1.229.292/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 4/9/2018; AgInt no AgRg no AREsp n. 801.901/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 1º/12/2017; AgInt nos EDcl no AREsp n. 875.399/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 1º/8/2017; AgInt no REsp n. 1.679.614/PE, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 18/9/2017; e AgRg no REsp n. 695.304/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ de 5/9/2005. Ademais, em relação ao art. 155 do CPP, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente não demonstrou, de forma clara, direta e particularizada, como o acórdão recorrido violou o dispositivo de lei federal, o que atrai, por conseguinte, a aplicação do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A jurisprudência desta Corte considera que quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplica-se, por analogia, o entendimento da Súmula n. 284, do Supremo Tribunal Federal. Em relação à afronta aos arts. 13 da Lei n. 10.559/2002 e 943 do Código Civil, verifica-se a ausência de demonstração precisa de como tal violação teria ocorrido, limitando-se a parte recorrente em apontá-la de forma vaga, o que impede o conhecimento do recurso especial". (AgInt no REsp n. 1.496.338/RS, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 27/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.826.355/RN, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 4/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp n. 1.617.627/RJ, AgInt no AREsp n. 1.617.627/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg no REsp n. 1.690.449/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 5/12/2019; AgRg no AREsp n. 1.562.482/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 28/11/2019. Quanto à segunda controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF em razão da ausência de comando normativo do dispositivo apontado como violado, o que atrai, por conseguinte, o referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Segundo a jurisprudência do STJ, o óbice de ausência de comando normativo do artigo de lei federal apontado como violado ou como objeto de divergência jurisprudencial incide nas seguintes situações: quando não tem correlação com a controvérsia recursal, por versar sobre tema diverso; e quando sua indicação não é apta, por si só, para sustentar a tese recursal, seja porque o dispositivo legal tem caráter genérico, seja porque, embora consigne em seu texto comando específico, exigiria a combinação com outros dispositivo legais. Ressalte-se, por oportuno, que a indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, pois a ofensa aos seus desdobramentos também deve ser indicada expressamente. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPTU. IMUNIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. EXECUÇÃO FISCAL. RFFSA E UNIÃO. TRANSFERÊNCIA PATRIMONIAL. CURSO DA DEMANDA. SUCESSORA. REDIRECIONAMENTO. POSSIBILIDADE. SUBSTITUIÇÃO DA CDA. DESNECESSIDADE. 1. Os apontados arts. 130 e 131 do CTN não têm comando normativo para amparar a tese de imunidade do IPTU em favor da RFFSA, visto que tais dispositivos legais cuidam de tema diverso, referente à responsabilidade tributária por sucessão, sendo certo que a deficiência da irresignação recursal nesse ponto enseja a aplicação da Súmula 284 do STF. .. (AgInt no REsp n. 1.764.763/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 27/11/2020.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BANCÁRIO. CÉDULO DE CRÉDITO BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. CÉRTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. FUNÇÃO DESEMPENHADA PELO CÉRTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. VIOLAÇÃO À SÚMULA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 284/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. .. 4. No que tange à aduzida ofensa ao art. 12, § 1º, VI, da Lei n. 10.931/04, o presente recurso não merece prosperar, porquanto o referido dispositivo não confere sustentação aos argumentos engendrados. Incidência da Súmula 284/STF. 5. O mesmo óbice representado pelo enunciado da Súmula 284/STF incide no que diz respeito à alegada ofensa aos arts. 421 e 425 do Código Civil, que veiculam comandos normativos demasiadamente genéricos e que não infirmam as conclusões do Tribunal de origem. .. 7. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.674.879/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/03/2021.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.798.903/RJ, relator para o acórdão Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, DJe de 30/10/2019; AgInt no REsp n. 1.844.441/RN, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 14/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.524.220/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18/5/2020; AgRg no AREsp n. 1.280.513/RJ, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 27/5/2019; AgRg no REsp n. 1.754.394/MT, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 17/9/2018; AgInt no REsp n. 1.503.675/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 27/3/2018; AgInt no REsp n. 1.846.655/PR, Terceira Turma, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 23/4/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.709.059/RJ, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 18/12/2020; e AgInt no REsp n. 1.790.501/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19/03/2021. Por fim, em relação a ambas as controvérsias, não houve o prequestionamento das teses recursais, uma vez que as questões postuladas não foram examinadas pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente. Nesse sentido: "Quanto à segunda controvérsia, o Distrito Federal alega violação do art. 91, § 1º, do CPC. Nesse quadrante, não houve prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente no sentindo de que a realização de perícia por entidade pública somente ser possível quando requerida pela Fazenda Pública, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública. " (AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/05/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.514.978/SC, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19/9/2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4/5/2018. Publique-se. Intimem-se.