HC 984999 - DECISAO
Não se conheceu do habeas corpus substitutivo por inadequação da via eleita, não vislumbrando-se flagrante ilegalidade apta a autorizar concessão de ofício; ademais, mesmo que se admitisse a nulidade do reconhecimento policial, a condenação do paciente encontra amparo em amplo conjunto probatório colhido sob o crivo...
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- Parties
- Paciente: CLEBER RIBEIRO; Tribunal Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina; Parecer: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 March 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conhecimento do habeas corpus substitutivo por inadequação da via eleita; não verificada flagrante ilegalidade
- Legal Topics
- Reconhecimento Pessoal/fotográfico, Cadeia De Custódia, Nulidade De Provas, Flagrante Ilegalidade, Art. 158 a Do CPP, Art. 226 Do CPP
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Parties
CLEBER RIBEIRO
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina
Tribunal Recorrido
Ministério Público Federal
Parecer
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 admissibilidade do habeas corpus substitutivo em lugar de recurso próprio ou revisão criminal
- 2 nulidade do reconhecimento fotográfico por suposta inobservância do art. 158-A do CPP
- 3 quebra da cadeia de custódia e nulidade das provas de autoria
Ratio Decidendi
Não se conheceu do habeas corpus substitutivo por inadequação da via eleita, não vislumbrando-se flagrante ilegalidade apta a autorizar concessão de ofício; ademais, mesmo que se admitisse a nulidade do reconhecimento policial, a condenação do paciente encontra amparo em amplo conjunto probatório colhido sob o crivo do contraditório (relatórios, vestimentas, fotografias, vídeos e depoimentos ratificados em juízo), de modo que a pretensão de absolvição demandaria reexame fático-probatório proibido na via estreita do habeas corpus.
Court Disposition
não conhecimento do habeas corpus substitutivo por inadequação da via eleita; não verificada flagrante ilegalidade
Orders
- Não conheço do habeas corpus substitutivo.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo impetrado em favor de CLEBER RIBEIRO, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, que negou provimento ao recurso de apelação interposto, mantendo-se a condenação do paciente a 7 (sete) anos, 3 (três) meses e 3 (três) dias de reclusão, em regime inicial fechado, e ao pagamento de 19 (dezenove) dias-multa, fixados em 1/30 (um trigésimo) do salário-mínimo, pela prática do crime do artigo 157, § 2º, VII, do Código Penal. Em síntese, argumenta a impetrante que não foi observado o art. 158-A do CPP, de modo que o reconhecimento fotográfico do paciente deve ser declarado nulo. Aponta, ainda, quebra da cadeia de custódia, a qual ocasionaria a nulidade das provas de autoria, razão pela qual pugna pela absolvição do paciente. Prestadas as informações (e-STJ fls. 383-384; 386-388). Parecer do MPF pelo não conhecimento da impetração e, se caso conhecido, pela denegação da ordem (e-STJ fls. 432-436). É o relatório. Decido. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. Veja-se: "O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício" (AgRg no HC n. 895.777/PR, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 2/4/2024, DJe de 8/4/2024). "De acordo com a jurisprudência do STJ, não é cabível o uso de habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal, notadamente quando não há indicação de incidência de alguma das hipóteses previstas no art. 621 do CPP. Precedentes" (AgRg no HC n. 864.465/SC, Relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024). A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no mesmo sentido: "Do ponto de vista processual, o caso é de habeas corpus substitutivo de agravo regimental (cabível na origem). Nessas condições, tendo em vista a jurisprudência da Primeira Turma desta Corte, entendo que o processo deve ser extinto sem resolução de mérito, por inadequação da via eleita (HC 115.659, Rel. Min. Luiz Fux) (..) A orientação jurisprudencial deste Tribunal é no sentido de que o "habeas corpus não se revela instrumento idôneo para impugnar decreto condenatório transitado em julgado" (HC 118.292-AgR, Rel. Min. Luiz Fux). 4. O caso atrai o entendimento desta Corte no sentido de que não cabe habeas corpus para reexaminar os pressupostos de admissibilidade de recurso interposto perante outros Tribunais (HC 146.113-AgR, Rel. Min. Luiz Fux; e HC 110.420, Rel. Min. Luiz Fux). (..) (HC 225896 AgR, Relator Ministro Luís Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023). O entendimento é de elevada importância, devendo ser utilizado para preservar a real utilidade e eficácia da ação constitucional, qual seja, a proteção da liberdade da pessoa, quando ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a necessária celeridade no seu julgamento. A concessão de ofício da ordem, nos termos dos arts. 647-A e 654, § 2º, do Código de Processo Penal, depende da existência de flagrante ilegalidade. Analisando-se o conteúdo da documentação colacionada aos autos, não se verifica de plano qualquer violação ao ordenamento jurídico ou flagrante constrangimento ilegal, que implique ameaça de violência ou coação na liberdade de locomoção do paciente, nos termos da Lei nº 14.836, de 8/4/2024, publicada no Diário Oficial da União de 9/4/2024. Inicialmente, extrai-se que o Tribunal a quo fundamentou a idoneidade do procedimento de reconhecimento e a consequente condenação do paciente sob os seguintes elementos (e-STJ fls. 47-52): "(..) No caso em tela, as provas supostamente nulas originaram-se da fase investigativa, mas, no momento da resposta à acusação, não houve qualquer manifestação defensiva sobre a ilegalidade dos elementos indiciários, o que somente foi suscitada nas alegações finais, tornando-se, portanto, a quaestio preclusa. De toda forma, ainda que fosse possível conhecer da tese o que se admite apenas por hipótese , conclui-se que não há mácula capaz de ser reconhecida de ofício. Como é consabido, após a edição da Lei 13.964/2019, denominada "pacote anticrime", foram inseridas diversas disposições no Código de Processo Penal, disciplinando, dentre outras situações, os procedimentos que devem ser adotados para que a captura dos elementos de prova, na hipótese de crimes que deixam vestígios, seja realizada de maneira adequada. A propósito, dispõe o art. 158-A, que "Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte" (sic). Tendo isso em vista, da análise dos autos, constata-se que inexiste qualquer indício de que os elementos investigativos tenham sido manipulados inadequadamente, de modo a interferir no resultado das análises, tornando as provas inválidas. Isso porque o relatório policial, que apresenta o levantamento fotográfico extraído do vídeo das câmeras de monitoramento, foi elaborado por agentes policiais no exercício de suas funções e, como se sabe, nessa condição, gozam de presunção juris tantum de veracidade. É incontroverso, portanto, que, em momento algum, o elemento de prova aqui considerado nulo em razão da suposta quebra da cadeia de custódia tenha saído da esfera de proteção dos agentes públicos, os quais, investidos em suas funções e sob a chancela de credibilidade do Estado, estavam, na hipótese em questão, diretamente envolvidos tanto na investigação quanto no exaurimento da diligência que culminou na prisão dos acusados. Registra-se, por oportuno, que a mera inobservância de alguns dos passos elencados nos artigos 158-A a 158-F do Código de Processo Penal não tem o condão de, por si só, anular a prova, sendo necessária a comprovação de que tal circunstância tenha comprometido a fiel conclusão dos elementos colhidos. .. A defesa pleiteia a declaração de nulidade do reconhecimento fotográfico do apelante. Todavia, constata-se que a tese suscitada, assim como a anterior, não foi levantada no momento processualmente adequado, o que impede o conhecimento da insurgência nesse ponto. .. É justamente essa exceção, destacada na ementa do julgado paradigma, que autoriza, na presente hipótese, a condenação do apelante. Isso porque, não obstante o reconhecimento (ilegal, é verdade) realizado na etapa policial por uma das vítimas, entende-se que os relatórios investigativos, a vestimenta apreendida na residência do apelante, as fotografias, os vídeos extraídos do circuito de monitoramento e as narrativas das pessoas ouvidas na audiência de instrução, por si só, são elementos suficientes para evidenciar a materialidade e a autoria delitivas coincidindo com a descrição feita pela vítima que manteve contato mais próximo. Dessa forma, em que pese o exposto pela defesa, revela-se inviável, ao menos no entender desta relatoria, concluir pela existência de ilegalidade manifesta, capaz de resultar na anulação ex officio da condenação, razão porque também deve ser rechaçada a alegação de nulidade do reconhecimento pessoal/fotográfico. .. Assim, a verdade é que se formou um arcabouço probatório extremamente substancial para condenação, ao passo que a versão defensiva se apresenta absolutamente isolada nos autos. A negativa, nesse cenário, apresenta-se apenas como uma tentativa de se esquivar da aplicação da lei penal, sem qualquer base em elementos probatórios. Diante desse contexto, não há falar em carência probatória ou inocência do acusado." Com efeito, não há constrangimento ilegal a ser reconhecido, porquanto, a condenação do paciente restou fundamentadamente justificada. Inicialmente, no que diz respeito à interpretação do artigo 226 do Código de Processo Penal, cabe anotar que se consolidou a mais recente jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o reconhecimento pessoal ou fotográfico, ante sua inerente fragilidade epistêmica, de fato, não constitui meio de prova suficiente, per se, para a formação do juízo condenatório. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ROUBO MAJORADO. VIOLAÇÃO DO ART. 226 DO CPP. NÃO OCORRÊNCIA. NEGATIVA DE AUTORIA. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. DESPROVIMENTO.1. " E m sessão ocorrida no dia 15/3/2022, a Sexta Turma desta Corte, por ocasião do julgamento do HC n. 712.781/RJ (Rel. Ministro Rogerio Schietti), avançou em relação à compreensão anteriormente externada no HC n. 598.886/SC e decidiu, à unanimidade, que, mesmo se realizado em conformidade com o modelo legal (art. 226 do CPP), o reconhecimento pessoal, embora seja válido, não tem força probante absoluta, de sorte que não pode induzir, por si só, à certeza da autoria delitiva, em razão de sua fragilidade epistêmica; se, porém, realizado em desacordo com o rito previsto no art. 226 do CPP, o ato é inválido e não pode ser usado nem mesmo de forma suplementar" (HC n. 742.112/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 23/3/2023, DJe de 30/3/2023.) .. . Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 2206716/SE. Rel. Desembargador Convocado Jesuíno Rissato, Sexta Turma, julgado em 23/04/2024, DJe 26/04/2024) Com efeito, o reconhecimento busca, em última análise, indicar com precisão a pessoa em relação a quem se tem uma suspeita de ser a autora do crime sob investigação. Sobre o tema, é necessário destacar que esta Corte tem sufragado, desde 2020 (HC 598.886/SC - relatoria do ministro Rogério Schietti Cruz), o entendimento segundo o qual as fragilidades inerentes ao reconhecimento unicamente fotográfico, sem atenção devida ao mencionado procedimento do art. 226 do Código de Processo Penal, ainda que confirmado em Juízo, afasta a validade do reconhecimento da pessoa. Embora não se olvide que o reconhecimento de pessoas se revele como prova importante para o processo penal, não se pode ignorar, por outro lado, o fato de que inocentes podem ser reconhecidos por crimes que, efetivamente não cometeram. Como asseveram Janaína Matida e William Weber Cecconello: "(..) Procedimentos adotados para o reconhecimento podem aumentar a probabilidade de um falso reconhecimento, como a apresentação de um único suspeito (show-up), ou múltiplos suspeitos ao mesmo tempo (álbum de suspeitos). Neste contexto de manifestas irregularidades, o reconhecimento por método fotográfico é tido como pouco confiável no Brasil, sendo preferível o reconhecimento presencial". (CECCONELLO, William Weber; MATIDA, Janaína. Reconhecimento fotográfico e presunção de inocência, Revista Brasileira de Direito Processual Penal, v.7, n1 (2021). Dossiê: admissibilidade da prova no processo penal). Na hipótese dos autos, conforme se verifica do acórdão proferido, a autoria dos crimes imputada ao paciente não se firmou em único reconhecimento efetuado pela vítima em solo policial. Na realidade, pelo que consta, uma das vítimas procedeu ao reconhecimento do paciente como autor do roubo, tendo declarado, relevantemente, características sobre seus olhos e a outra ofendida, em juízo, também ratificou características do paciente, indicando que ele possuía uma tatuagem em uma das mãos. Em consequência, não merece prosperar a pretensão defensiva, no ponto, na medida em que, como visto nas transcrições, a condenação se baseia não apenas no reconhecimento realizado em solo policial, mas também foi ratificado em juízo adequadamente e fundamenta-se em outros elementos de prova, ratificados sob o crivo do contraditório, que corroboraram o reconhecimento realizado a apontar a autoria do crime. No caso, conforme se extrai, ainda que se tome como nulo o reconhecimento efetuado em solo policial, o decreto condenatório em desfavor do paciente, na realidade, se pautou pela análise e valoração conjunta dos relatórios investigativos, sobre os detalhes da vestimenta apreendida na residência do apelante, as fotografias, os vídeos extraídos do circuito de monitoramento e as narrativas das testemunhas (vítimas e testemunhas policiais) ouvidas na audiência de instrução. Não se fundamentou a condenação, por conseguinte, apenas sobre o reconhecimento efetuado por uma das ofendidas, tendo sido evidenciado vasto conjunto probatório autônomo apto a comprovar a autoria e materialidade do delito imputados ao paciente. Disposta essa conjuntura, imperioso concluir que a desconstituição das conclusões alcançadas pelo Tribunal de origem, com fundamento em exame exauriente do conjunto fático-probatório constante dos autos a fim da absolvição do recorrente, demandaria necessariamente aprofundado revolvimento do contexto de fatos e provas, providência vedada na estreita via do habeas corpus. Ademais, "Eventual desconstituição das conclusões das instâncias antecedentes a respeito da autoria delitiva depende de reexame de fatos e provas, providência inviável na estreita via do habeas corpus." (AgRg no HC n. 717.803/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 16/8/2022.) Nesse sentido a jurisprudência desta Corte: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. ARTIGOS 155,§1º, C/C 14, II, AMBOS DO CÓDIGO PENAL. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ARTIGO 226 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. CONCESSÃO DA ORDEM DE OFICIO. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do col. Pretório Excelso, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso adequado, situação que implica o não conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que, configurada flagr ante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal, sendo possível a concessão da ordem de ofício, o que não é o caso dos autos. Precedentes. 2. Esta Corte tem entendido que o reconhecimento de pessoas, presencialmente ou por fotografia, apenas é apto para identificar o réu e fixar a autoria delitiva, quando observadas as formalidades previstas no art. 226 do Código de Processo Penal e quando corroborado por outras provas colhidas na fase judicial, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. Precedentes. 3. Na hipótese dos autos, constata-se que a autoria restou devidamente comprovada por outros elementos probatórios, colhidos sob o crivo do devido processo legal. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 891.859/SC, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 17/6/2024, DJe de 24/6/2024.) AGRAVOS REGIMENTAIS NO RECURSO ESPECIAL. ROUBO MAJORADO. RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO. INOBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO PREVISTO NO ART. 226 DO CPP. DISTINGUISHING. EXISTÊNCIA DE PROVAS VÁLIDAS E INDEPENDENTES. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. DOSIMETRIA. MULTIRREINCIDÊNCIA. PREPONDERÂNCIA EM RELAÇÃO À ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO DA FRAÇÃO DE 1/4, EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE 4 CONDENAÇÕES ANTERIORES. DESPROPORCIONALIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. MAJORANTE PREVISTA NO ART. 157, § 2º, I, DO CP. APREENSÃO E PERÍCIA NA ARMA DE FOGO. DESNECESSIDADE. EXISTÊNCIA DE OUTROS ELEMENTOS PROBATÓRIOS. .. 2. No caso, ainda que se possa admitir a nulidade do reconhecimento pessoal, por inobservância do art. 226 do CPP, o ato supostamente viciado não foi a única prova de autoria considerada para a condenação, sobretudo porque o acusado foi preso em flagrante, logo após ao fato delituoso, com o veículo roubado que possuía rastreador, e com o veículo descrito pelas vítimas como o que foi utilizado para dar apoio ao crime. 3. Estando a condenação devidamente fundamentada nas provas colhidas nos autos, a pretensa revisão do julgado, com vistas à absolvição do recorrente, demandaria necessário revolvimento de provas, incabível na via do recurso especial, nos termos da Súmula n. 7/STJ. .. 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 2005645/PR, Rel. Desembargador Convocado Jesuíno Rissato, Sexta Turma, julgado em 22/04/2024, DJe de 25/04/2024). AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ROUBO. NULIDADE DO RECONHECIMENTO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS DO ARTIGO 226 DO CPP. OUTRAS PROVAS. SÚMULA 7 DO STJ. CAUSA DE AUMENTO DO EMPREGO DE ARMA DE FOGO. APREENSÃO E PERÍCIA DESNECESSÁRIAS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. .. 2. No caso dos autos, dos elementos probatórios que instruem o feito, verifica-se que a autoria delitiva do crime de roubo não tem como único elemento de prova o reconhecimento, o que gera distinguishing em relação ao acórdão paradigma da alteração jurisprudencial. 3. Para desconstituir o entendimento firmado pelo Tribunal de origem, por meio da acolhida da tese de que a condenação do recorrente aconteceu de forma contrária à evidência dos autos, seria necessário o revolvimento do conjunto fático-probatório, o que é vedado pela Súmula 7/STJ. .. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 2531502/GO, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 02/04/2024, DJe de 10/04/2024). ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. ATO INFRACIONAL ANÁLOGO AO DELITO DE ROUBO CIRCUNSTANCIADO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO ART. 226 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. PRETENSÃO DEFENSIVA RECHAÇADA. IMPOSSIBILIDADE DE ABSOLVIÇÃO. REEXAME DE PROVAS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I - É assente nesta Corte Superior de Justiça que o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a r. decisão vergastada pelos próprios fundamentos. II - Alegação de violação ao art. 226 do Código de Processo Penal. Com efeito, "a jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que o reconhecimento fotográfico do réu, quando ratificado em juízo, sob a garantia do contraditório e ampla defesa, pode servir como meio idôneo de prova para fundamentar a condenação" (AgRg no AREsp n. 1.204.990/MG, Sexta Turma, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, DJe de 12/03/2018). III - Na hipótese em foco, o decreto condenatório está lastreado em outras provas, submetidas ao crivo do devido processo legal como bem destacou o v. acórdão impugnado. De mais a mais, restou consignado no aresto vergastado que o paciente fora reconhecido pela vítima pelas testemunhas, de forma presencial e não por fotografia, em solo policial. Além disso, o acórdão objurgado asseverou que o reconhecimento fora ratificado em juízo, bem como a condenação está amparada em outras provas, como na palavra da vítima, do policial militar e de testemunha ocular. IV - Desta feita, reclama reexame de provas o acolhimento da nulidade apontada e, por conseguinte, a absolvição do paciente. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 764.163/RS, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 28/2/2023, DJe de 3/3/2023.) Ante o exposto, não conheço do habeas corpus substitutivo e, na análise de ofício, não visualizo elementos capazes de caracterizar flagrante ilegalidade. Publique-se. Intimem-se. EMENTA