HC 908791 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus em razão de existência de recurso especial com idêntico objeto pendente nesta Corte, aplicando o entendimento de que o writ não deve ser admitido quando concomitante ao recurso cabível e com a mesma pretensão, exceto nas hipóteses de tutela direta da liberdade de locomoção ou pedido...
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- Parties
- Paciente: PAULO AUGUSTO DE OLIVEIRA CARVALHO; Impetrado: Tribunal de Justiça do Estado de Goiás
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 November 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conhecido
- Legal Topics
- Reconhecimento Testemunhal, Art. 226 Do CPP, Dosimetria Da Pena, Recurso Especial, Coação Ilegal
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
PAULO AUGUSTO DE OLIVEIRA CARVALHO
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de Goiás
Impetrado
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 admissibilidade do habeas corpus diante de recurso cabível com idêntico objeto
- 2 ilegalidade do reconhecimento (art. 226 do CPP)
- 3 possibilidade de revisão da dosimetria da pena
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus em razão de existência de recurso especial com idêntico objeto pendente nesta Corte, aplicando o entendimento de que o writ não deve ser admitido quando concomitante ao recurso cabível e com a mesma pretensão, exceto nas hipóteses de tutela direta da liberdade de locomoção ou pedido diverso que reflita mediatamente na liberdade do paciente.
Court Disposition
não conhecido
Orders
- Não conheço do habeas corpus.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO PAULO AUGUSTO DE OLIVEIRA CARVALHO alega sofrer coação ilegal em decorrência de acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás na Revisão Criminal n. 5679920-57.2023.8.09.0000. Consta dos autos que o paciente foi conden ado à pena de 13 anos, 10 meses e 28 dias de reclusão, em regime inicial fechado, mais multa, pela prática do crime previsto no art. 157, § 2º, I e II, c/c o art. 157, § 2º, I e II, na forma do 14, II, todos do Código Penal. A defesa aduz que a condenação do réu foi baseada em reconhecimento ilegal, realizado em desacordo com o art. 226 do CPP, razão pela qual pleiteia a sua absolvição. Subsidiariamente, requer a revisão da dosimetria da pena. O Ministério Público Federal apresentou parecer às fls. 228-233, ocasião em que opinou pelo não conhecimento do writ. Decido. Em consulta ao sistema informatizado, verifico que a impetração de habeas corpus se deu de forma simultânea e concomitante ao manejo de recurso especial com idêntico objeto pela defesa, o qual atualmente aguarda decisão desta Corte (AREsp n. 2.68 0.088/GO). Conforme decidido pela Terceira Seção desta Corte no julgamento do HC n. 482.549/SP, de minha relatoria, em caso de interposição do recurso cabível contra o ato impugnado e contemporânea impetração de habeas corpus para igual pretensão, somente será permitido o exame do writ se for este destinado à tutela direta da liberdade de locomoção do acusado ou se traduzir pedido diverso em relação ao que é objeto do recurso próprio e refletir mediatamente na liberdade do paciente. Nas demais hipóteses, o habeas corpus não deve ser admitido e o exame das questões idênticas deve ser reservado ao recurso previsto para o caso, ainda que a matéria discutida resvale, por via transversa, na liberdade individual. Confira-se: .. 1. A existência de um complexo sistema recursal no processo penal brasileiro permite à parte prejudicada por decisão judicial submeter ao órgão colegiado competente a revisão do ato jurisdicional, na forma e no prazo previsto em lei. Eventual manejo de habeas corpus, ação constitucional voltada à proteção da liberdade humana, constitui estratégia defensiva válida, sopesadas as vantagens e também os ônus de tal opção. 2. A tutela constitucional e legal da liberdade humana justifica algum temperamento aos rigores formais inerentes aos recursos em geral, mas não dispensa a racionalidade no uso dos instrumentos postos à disposição do acusado ao longo da persecução penal, dada a necessidade de também preservar a funcionalidade do sistema de justiça criminal, cujo poder de julgar de maneira organizada, acurada e correta, permeado pelas limitações materiais e humanas dos órgãos de jurisdição, se vê comprometido - em prejuízo da sociedade e dos jurisdicionados em geral - com o concomitante emprego de dois meios de impugnação com igual pretensão. 3. Sob essa perspectiva, a interposição do recurso cabível contra o ato impugnado e a contemporânea impetração de habeas corpus para igual pretensão somente permitirá o exame do writ se for este destinado à tutela direta da liberdade de locomoção ou se traduzir pedido diverso em relação ao que é objeto do recurso próprio e que reflita mediatamente na liberdade do paciente. Nas demais hipóteses, o habeas corpus não deve ser admitido e o exame das questões idênticas deve ser reservado ao recurso previsto para a hipótese, ainda que a matéria discutida resvale, por via transversa, na liberdade individual. .. . (HC n. 482.549/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti, Terceira Seção, DJe 3/4/2020, grifei). À vista do exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA