HC 913869 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o caso se amolda ao entendimento consolidado no Tema 1.106, que autoriza a reconversão da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade quando sobreveio nova condenação em regime diverso do aberto, e porque o agravante não impugnou especificamente os...
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- Parties
- Agravante: CLAUDIA AURORA DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Decisão Colegiada (quinta Turma)
- Outcome
- Agravo regimental desprovido; negar provimento ao recurso.
- Legal Topics
- Reconversão De Pena Restritiva De Direitos, Unificação De Penas, Tema Repetitivo 1.106, Súmula 182/stj, Conversão De Pena
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Parties
CLAUDIA AURORA DA SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Decisão Colegiada (quinta Turma)
Legal Issues
- 1 possibilidade de reconversão de pena restritiva de direitos em privativa de liberdade por superveniência de nova condenação
- 2 aplicabilidade do Tema 1.106 ao caso concreto
- 3 incidência da Súmula 182 do STJ sobre agravo que não impugna especificamente os fundamentos da decisão agravada
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o caso se amolda ao entendimento consolidado no Tema 1.106, que autoriza a reconversão da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade quando sobreveio nova condenação em regime diverso do aberto, e porque o agravante não impugnou especificamente os fundamentos da decisão agravada, atraindo a aplicação da Súmula 182/STJ.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido; negar provimento ao recurso.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Manter a decisão agravada por seus próprios fundamentos.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 03/09/2024 a 09/09/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PENA RESTRITIVA DE DIREITOS. SUPERVENIÊNCIA DE NOVA CONDENAÇÃO EM PRIVATIVA DE LIBERDA DE. RECONVERSÃO DA PRIMEIRA REPRIMENDA. POSSIBILIDADE. TEMA REPETITIVO N. 1.106. APLICABILIDADE. SÚMULA N. 182, STJ. AGRAVO DESPROVIDO. I - Nos termos da jurisprudência consolidada nesta Corte, cumpre ao agravante impugnar especificamente os fundamentos estabelecidos na decisão agravada. II - In casu, o apenado se encontrava em cumprimento de penas restritivas de direitos quando sobreveio nova condenação à pena de reclusão em regime inicial diverso do aberto, com a reconversão da primeira em privativa de liberdade, situação que se amolda perfeitamente ao Tema n. 1106 desta Corte superior. Precedentes. Agravo regimental desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por CLAUDIA AURORA DA SILVA contra a decisão que denegou a ordem no habeas corpus. Consta dos autos que a agravante cumpria pena restritiva de direitos quando sobreveio nova condenação à pena de reclusão em regime inicial fechado, tendo a primeira penalidade convertida em privativa de liberdade pelo juízo da execução penal. Nas razões do presente recurso, a defesa repisa os fundamentos expendidos no writ denegado, sustentando a ocorrência de constrangimento ilegal, consubstanciado na conversão das penas, por entender que tal situação seria mais gravosa à apenada. Alega que o Tema Repetitivo n. 1.106 desta Corte superior não se aplica ao caso dos autos, no qual foi anteriormente fixada pena pecuniária, que a defesa sustenta ser compatível com a privativa de liberdade, qualquer que seja o regime adotado. Requer, ao final, a reconsideração da decisão ou a submissão do pleito ao Colegiado, para a concessão da ordem. O Ministério Público Federal manifestou ciência da decisão, à fl. 613. Por manter a decisão ora agravada por seus próprios e jurídicos fundamentos, submeto o agravo regimental à apreciação da Quinta Turma. É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PENA RESTRITIVA DE DIREITOS. SUPERVENIÊNCIA DE NOVA CONDENAÇÃO EM PRIVATIVA DE LIBERDA DE. RECONVERSÃO DA PRIMEIRA REPRIMENDA. POSSIBILIDADE. TEMA REPETITIVO N. 1.106. APLICABILIDADE. SÚMULA N. 182, STJ. AGRAVO DESPROVIDO. I - Nos termos da jurisprudência consolidada nesta Corte, cumpre ao agravante impugnar especificamente os fundamentos estabelecidos na decisão agravada. II - In casu, o apenado se encontrava em cumprimento de penas restritivas de direitos quando sobreveio nova condenação à pena de reclusão em regime inicial diverso do aberto, com a reconversão da primeira em privativa de liberdade, situação que se amolda perfeitamente ao Tema n. 1106 desta Corte superior. Precedentes. Agravo regimental desprovido. VOTO No presente recurso, como dito, a agravante reitera argumentos lançados anteriormente e pede a reversão do julgado ora agravado. Da decisão impugnada, entretanto, colhe-se que analisou de forma devidamente fundamentada os pontos apresentados. Conforme consta na decisão agravada, a apenada se encontrava em cumprimento de penas restritivas de direitos quando sobreveio nova condenação à pena de reclusão em regime inicial fechado, com a conversão da primeira em privativa de liberdade. Como se apreende dos autos, as condenações em sede de unificação de execuções penais se deram de forma isolada. Assim, não se verifica, no caso dos autos, a flagrante ilegalidade apontada, pois a situação posta é justamente a que fora enfrentada por esta Corte Superior no Tema n. 1.106, consoante a seguinte ementa: "RECURSO ESPECIAL ADMITIDO COMO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. JULGAMENTO SUBMETIDO À SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. EXECUÇÃO PENAL. PENA RESTRITIVA DE DIREITOS E PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE. EXECUÇÃO SIMULTÂNEA. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A lei contempla a possibilidade de conversão da pena restritiva de direitos quando o apenado vem a ser posteriormente condenado à pena privativa de liberdade. Inteligência dos arts. 44, §5.º, do Código Penal e 181, §1.º, e, da Lei n. 7.210/84. 2. Os arts. 44, § 5.º, do Código Penal e 181, §1.º, e, da Lei n. 7.210/84, não amparam a conversão na situação inversa, qual seja, aquela em que o apenado já se encontra em cumprimento de pena privativa de liberdade e sobrevém nova condenação em que a pena corporal foi substituída por pena alternativa. 3. Em tais casos, a conversão não conta com o indispensável amparo legal e ainda ofende a coisa julgada, tendo em vista que o benefício foi concedido em sentença definitiva e, portanto, somente comporta a conversão nas situações expressamente previstas em lei, em especial no art. 44, §§4.º e 5.º, do Código Penal. 4. A pena restritiva de direitos serve como uma alternativa ao cárcere. Logo, se o julgador reputou adequada a concessão do benefício, a situação do condenado não pode ser agravada por meio de interpretação que amplia o alcance do § 5.º do art. 44 do Código Penal em seu prejuízo, notadamente à vista da possibilidade de cumprimento sucessivo das penas. 5. Recurso especial desprovido, com a fixação da seguinte tese: "Sobrevindo condenação por pena privativa de liberdade no curso da execução de pena restritiva de direitos, as penas serão objeto de unificação, com a reconversão da pena alternativa em privativa de liberdade, ressalvada a possibilidade de cumprimento simultâneo aos apenados em regime aberto e vedada a unificação automática nos casos em que a condenação substituída por pena alternativa é superveniente." (REsp n. 1.918.287/MG, Terceira Seção, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Relª. para o acórdão Minª. Laurita Vaz, DJe de 28/6/2022, grifei). No mesmo sentido: "AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. PENA RESTRITIVA DE DIREITOS. SUPERVENIENTE PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE EM REGIME FECHADO. CONVERSÃO DA SANÇÃO RESTRITIVA EM RECLUSIVA. APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO FIRMADO NO RECURSO REPETITIVO N. 1.918.287/MG (TEMA 1106). AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Consoante decidiu a Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp n. 1.918.287/MG, sob o rito do recurso especial repetitivo, Rel. para o acórdão Min. Laurita Vaz, finalizado em 27/4/2022 (Tema 1.106), "sobrevindo condenação por pena privativa de liberdade no curso da execução de pena restritiva de direitos, as penas serão objeto de unificação, com a reconversão da pena alternativa em privativa de liberdade, ressalvada a possibilidade de cumprimento simultâneo aos apenados em regime aberto e vedada a unificação automática nos casos em que a condenação substituída por pena alternativa é superveniente". 2. No caso, a primeira execução iniciou-se em 16/9/2020 e refere-se a penas restritivas de direitos. Em 23/10/2020 sobreveio condenação por pena privativa de liberdade, em regime diverso do aberto, tornando incompatível o cumprimento simultâneo dos dois tipos de penas, devendo a restritiva de direitos ser reconvertida em privativa de liberdade e somada com a nova condenação, fixando-se novo regime penal, conforme procedeu corretamente o Juiz da execução. 3. Agravo regimental não provido" (AgRg no REsp n. 1.979.960/MG, Sexta Turma, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe de 19/4/2023). Diante disso, o acórdão de origem encontra-se em harmonia com a jurisprudência da Terceira Seção desta Corte Superior, não se constatando a flagrante ilegalidade apontada. No mais, o presente agravo limitou-se a reiterar as teses do habeas corpus, deixando de refutar, ponto por ponto, os argumentos da decisão guerreada, caso em que tem aplicabilidade o disposto na Súmula n. 182, STJ: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada. " Por fim, destaque-se que, no presente agravo regimental, não se aduziu qualquer argumento apto a ensejar a alteração da decisão ora agravada, devendo ser mantida por seus próprios fundamentos (AgRg no HC n. 819.078/SP, Sexta Turma, Relª. Minª. Laurita Vaz, DJe de 15/6/2023). Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental, mantendo a decisão agravada por seus próprios fundamentos. É com o voto.