AREsp 2445661 - DECISAO
O agravo foi negado porque a discussão principal repousa na interpretação e aplicação da Resolução n. 414/2010 da ANEEL (norma administrativa não equiparada a 'lei federal' para fins do art. 105, III, a, da CF), matéria que não enseja recurso especial, e porque a reforma da conclusão sobre danos morais e sobre a...
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- Parties
- Agravante: ENERGISA MATO GROSSO-DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Denegatória (negado Provimento Ao Agravo)
- Outcome
- nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Recuperação De Consumo, Termo De Ocorrência E Inspeção (toi), Inscrição Em Órgãos De Proteção Ao Crédito, Danos Morais, Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 283/stf
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Parties
ENERGISA MATO GROSSO-DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Denegatória (negado Provimento Ao Agravo)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do recurso especial fundado em norma da ANEEL (Resolução n. 414/2010)
- 2 Obrigação de provar adulteração e distribuição do ônus da prova em relação de consumo (art. 373, II, CPC)
- 3 Fundamento para condenação por danos morais em razão de inscrição indevida
Ratio Decidendi
O agravo foi negado porque a discussão principal repousa na interpretação e aplicação da Resolução n. 414/2010 da ANEEL (norma administrativa não equiparada a 'lei federal' para fins do art. 105, III, a, da CF), matéria que não enseja recurso especial, e porque a reforma da conclusão sobre danos morais e sobre a inexigibilidade do débito implicaria reexame de fatos e provas vedado pela Súmula 7/STJ; ademais, o montante fixado a título de indenização (R$ 10.000,00) não se mostrou irrisório ou exorbitante a justificar intervenção excepcional desta Corte.
Court Disposition
nego provimento ao agravo
Orders
- Negado provimento ao agravo.
- Imposição à parte recorrente do pagamento de honorários advocatícios equivalentes a 20% do valor a esse título já fixado no processo (art. 85, § 11, do CPC).
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado por ENERGISA MATO GROSSO-DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, assim ementado (fls. 262/263): APELAÇÃO - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS C/C DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO - RECUPERAÇÃO DE CONSUMO - IRREGULARIDADE NO MEDIDOR DE ENERGIA ELÉTRICA - RECIBO DE ENTREGA DO TOI OU ENVIO POR AR - NÃO COMPROVAÇÃO - INEXIGIBILIDADE DA COBRANÇA - INSCRIÇÃO EM ÓRGÃOS DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO E PROTESTO DO NOME - ATO ILÍCITO - OBRIGAÇÃO DE REPARAR - QUANTIA ARBITRADA COM RAZOABILIDADE - MANUTENÇÃO DEVIDA - MONTANTE INFERIOR AO POSTULADO NA INICIAL - NÃO REPERCUSSÃO NA SUCUMBÊNCIA - SÚMULA N. 326 DO STJ - MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - APLICAÇÃO DO ART. 85, §11, DO CPC - RECURSO NÃO PROVIDO. Opostos embargos declaratórios, foram improvidos (fls. 285/291). Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta violação ao art. 373, II, do CPC ao argumento que o Tribunal local declarou inexigível o débito, decorrente de recuperação de consumo, apesar da demonstração de sua regularidade. Adiante alega violação aos arts. 186, 188, I, 927 e 944 do Código Civil diante da condenação da agravante em indenização por supostos danos morais sem justo motivo e em valor desproporcional. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. O inconformismo não comporta êxito. No caso, o Tribunal local concluiu pela impossibilidade de cobrança do consumo a partir da seguinte fundamentação (fls. 265/266): Por cuidar de relação de consumo, competia à Concessionária demonstrar a suposta adulteração e, consequentemente, a legitimidade da cobrança. Era sua a atribuição de mostrar que as provas foram produzidas com a participação do autor. Diversamente do que ela sustenta, o TOI foi elaborado sem observância ao artigo 129, §§1º, I, 2º e 3º, da Resolução n. 414/2010 da ANEEL, pois não há nele assinatura do apelado ou de outro morador (ID. 80441970, págs. 1 e 2), nem recibo de entrega de uma cópia para ele, tampouco prova de que lhe foi encaminhada por qualquer outro meio. O artigo 129 da Resolução n. 414/2010 enuncia o seguinte: Art. 129. Na ocorrência de indício de procedimento irregular, a distribuidora deve adotar as providências necessárias para sua fiel caracterização e apuração do consumo não faturado ou faturado a menor. § 1o A distribuidora deve compor conjunto de evidências para a caracterização de eventual irregularidade por meio dos seguintes procedimentos: I - emitir o Termo de Ocorrência e Inspeção - TOI, em formulário próprio, elaborado conforme Anexo V desta Resolução ; II - solicitar perícia técnica, a seu critério, ou quando requerida pelo consumidor ou por seu representante legal; III - elaborar relatório de avaliação técnica, quando constatada a violação do medidor ou demais equipamentos de medição, exceto quando for solicitada a perícia técnica de que trata o inciso II; (Redação dada pela REN ANEEL 479, de 03.04.2012) (..) § 2o Uma cópia do TOI deve ser entregue ao consumidor ou àquele que acompanhar a inspeção, no ato da sua emissão, mediante recibo. § 3o Quando da recusa do consumidor em receber a cópia do TOI, esta deve ser enviada em até 15 (quinze) dias por qualquer modalidade que permita a comprovação do recebimento. (..) Portanto, sua conduta unilateral inviabilizou a aferição e a contestação dos valores, o que afronta os princípios do contraditório e da ampla defesa, assim como o CDC. Por conseguinte, não pode cobrar por consumo recuperado nessas condições. (..) Logo, o apelado teve seu nome imotivadamente inserido nos órgãos de proteção ao crédito e protestado. Dessa maneira, é evidente o ato ilícito gerador do dano moral. Os R$10.000,00 definidos na origem mostram-se adequados ao caráter pedagógico da medida e não causam vantagem exagerada. Aliás, estão em consonância com o que têm aplicado o STJ e esta Câmara em hipóteses semelhantes. Assim, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a controvérsia à luz do exame da Resolução n. 414/2010 da ANEEL, matéria insuscetível de ser examinada em sede de recurso especial. Isso porque o referido ato normativo não se enquadra no conceito de "tratado ou lei federal" de que cuida o art. 105, III, a, da CF. Confiram-se, a propósito, os seguintes precedentes: AgInt no REsp n. 2.106.984/AL, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 8/4/2024, DJe de 11/4/2024; e AgInt no AREsp n. 2.180.965/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 20/3/2023, DJe de 4/4/2023. Já a respeito do dever de indenizar por danos morais, a alteração das premissas adotadas pela Corte de origem, tal como colocada a questão nas razões recursais, demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. Quanto ao valor da indenização, note-se que, em regra, não é cabível na via especial a revisão do montante que foi estipulado pelas instâncias ordinárias, ante a impossibilidade de reanálise de fatos e provas por este Sodalício, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. Nesse sentido, ressalte-se que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça admite, somente em caráter excepcional, que o quantum arbitrado seja alterado caso se mostre irrisório ou exorbitante, em clara afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, o que não se verifica na espécie. A parte agravante não demonstrou que o valor arbitrado no caso (R$ 10.000,00), seria excessivo, de forma que o acórdão recorrido deve ser mantido. Por fim, cabe ressaltar, também, que na via especial não é cabível, em regra, a revisão do valor estabelecido pelas instâncias ordinárias a título de multa diária por descumprimento da obrigação de fazer, ante a impossibilidade de análise de fatos e provas, conforme a Súmula 7/STJ. Contudo, a jurisprudência desta Corte admite, em caráter excepcional, que o quantum arbitrado seja alterado, caso se mostre irrisório ou exorbitante, em clara afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. RESPONSABILIZAÇÃO DO AGRAVANTE. INSCRIÇÃO INDEVIDA EM CADASTRO DE INADIMPLENTES. SÚMULA 283 DO PRETÓRIO EXCELSO. DANO IN RE IPSA. QUANTUM INDENIZATÓRIO RAZOÁVEL. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A ausência de impugnação, na petição de recurso especial, de tema essencial e autônomo do acórdão recorrido inviabiliza o conhecimento do mérito recursal, ante o óbice da Súmula 283/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." 2. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido da desnecessidade, em hipóteses como a dos autos, de comprovação do dano moral, que decorre do próprio fato da inscrição indevida em órgão de restrição ao crédito, operando-se in re ipsa. 3. O entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça é de que o valor estabelecido pelas instâncias ordinárias a título de indenização por danos morais pode ser revisto tão somente nas hipóteses em que a condenação se revelar irrisória ou exorbitante, distanciando-se dos padrões de razoabilidade, o que não se evidencia no presente caso. Desse modo, não se mostra desproporcional a fixação em R$ 10.000,00 (dez mil reais) a título de reparação moral em razão de negativação indevida do nome do agravado, motivo pelo qual não se justifica a excepcional intervenção desta Corte no presente feito, como bem consignado na decisão agravada. 4. É vedado à parte inovar nas razões do agravo regimental, tendo em vista a ocorrência da preclusão como consequência de a questão não ter sido tratada oportunamente em sede de recurso especial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp n. 299.836/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 2/5/2013, DJe de 11/6/2013.) ANTE O EXPOSTO, nego provimento ao agravo. Levando em conta o trabalho adicional realizado em grau recursal, impõe-se à parte recorrente o pagamento de honorários advocatícios equivalentes a 20% (vinte por cento) do valor a esse título já fixado no processo (art. 85, § 11, do CPC) Publique-se. EMENTA