AREsp 1433838 - DECISAO
O acórdão manteve o prosseguimento da execução fiscal por entender que a recuperação judicial, por si só, não suspende execuções fiscais; compete ao juízo da execução determinar atos de constrição e comunicar o juízo da recuperação, o qual poderá, por dever de cooperação e nos termos do art. 6º, §7º-B da Lei...
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- Parties
- Agravante: REFINARIA DE PETRÓLEOS DE MANGUINHOS S/A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Julgamento Do Agravo Em Recurso Especial, Conhecimento E Parcial Provimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido e recurso especial parcialmente provido apenas para afastar a fixação da multa do art. 1.026, §2º do CPC/2015; mantida a determinação de prosseguimento da execução fiscal.
- Legal Topics
- Recuperação Judicial, Execução Fiscal, Penhora, Cooperação Jurisdicional, Multa Por Embargos De Declaração (art. 1.026, §2º Cpc/2015)
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Parties
REFINARIA DE PETRÓLEOS DE MANGUINHOS S/A
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Julgamento Do Agravo Em Recurso Especial, Conhecimento E Parcial Provimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 competência para determinar atos de constrição em execução fiscal de sociedade em recuperação judicial
- 2 alcance do art. 6º, §7º-B da Lei 11.101/2005
- 3 dever de comunicação e cooperação entre juízo da execução e juízo da recuperação (art. 69 CPC/2015)
Ratio Decidendi
O acórdão manteve o prosseguimento da execução fiscal por entender que a recuperação judicial, por si só, não suspende execuções fiscais; compete ao juízo da execução determinar atos de constrição e comunicar o juízo da recuperação, o qual poderá, por dever de cooperação e nos termos do art. 6º, §7º-B da Lei 11.101/2005 e do art. 69 do CPC/2015, deliberar sobre a substituição de garantias que recaiam sobre bens essenciais à manutenção da atividade empresarial. Ademais, afastou-se a multa do art. 1.026, §2º do CPC/2015 porque os segundos embargos de declaração não tiveram caráter protelatório.
Court Disposition
Agravo conhecido e recurso especial parcialmente provido apenas para afastar a fixação da multa do art. 1.026, §2º do CPC/2015; mantida a determinação de prosseguimento da execução fiscal.
Orders
- Conheço do agravo em recurso especial
- Dou parcial provimento ao recurso especial para afastar a multa do art. 1.026, §2º do CPC/2015
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial manejado por REFINARIA DE PETRÓLEOS DE MANGUINHOS S/A impugnando decisão que inadmitiu recurso especial, interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 145): AGRAVO DE INSTRUMENTO EXECUÇÃO FISCAL ICMS Insurgência contra o indeferimento da pretensão da executada de suspensão da Execução Fiscal nº 1508513-79.2016.8.26.0014, de forma a evitar que qualquer ato, presente ou futuro, seja praticado no sentido de onerar, alienar ou reduzir os bens e/ou direitos pertencentes à executada isoladamente sem o conhecimento e aquiescência do Juízo Falimentar, tendo em vista a decretação de sua recuperação judicial Manutenção do decisum Regime de recuperação judicial a que submetida a agravante não tem o condão de prejudicar o regular andamento da execução fiscal Exegese do artigo 6º, §7º, da Lei Federal nº 11.101/2005 Ausência de qualquer determinação para constrição de bens da executada Impossibilidade do Poder Judiciário lançar deliberação sobre evento futuro e incerto Recurso improvido. Embargos de declaração opostos e rejeitados (fls. 178/182 e 200/204). No recurso especial interposto com fulcro na alínea a do permissivo constitucional, a recorrente sustenta ofensa aos arts. 1.026, § 2º, do CPC/2015 e 47 da Lei nº 11.101/2005. Para tanto, sustenta que: (i) "apenas ao juízo da recuperação judicial compete o controle, de forma universal, do patrimônio da empresa recuperanda, não cabendo a cada juízo exequendo expropriá-lo, a seu cargo, o que traria enorme insegurança, não apenas à empresa, mas também para os seus credores" (fl. 212); (ii) os segundos embargos de declaração foram opostos alegando omissão quanto a determinação de suspensão do processos que tramitassem sobre o tema em questão, em virtude da afetação ao rito dos recursos repetitivos, não se podendo considerar procrastinatório , sendo indevida a aplicação da multa. Contrarrazões a fls. 221/229. É o relatório. Decido. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. No que interessa à controvérsia recursal, confira-se o entendimento adotado pela Corte a quo (fls. 1424-1427): O presente recurso não merece provimento. Senão, vejamos. Trata-se de execução fiscal representada pelas CD As nº 1.178.643.128, 1.178.643.139, 1.178.643.140, 1.178.643.150, 1.178.643.161, 1.178.643.172, 1.178.643.183, 1.178.643.194, 1.178.643.206, 1.178.643.217, 1.178.643.228, 1.178.643.239 e 1.179.961.090 (fls. 26/52), no qual a agravante postulou a suspensão do processo, sob o único argumento de necessidade de preservação da empresa, ante o risco de ineficácia do processo de Recuperação Judicial ao qual está submetida (fls. 30/47 dos autos principais). O pleito da executada restou indeferido. Daí o presente recurso. Contudo razão não assiste à executada ora agravante, porque o regime de recuperação judicial a que está submetida (fl. 101/102) não tem o condão de prejudicar o regular andamento da Execução Fiscal nº 1508513-79.2016.8.26.0014. Essa é a conclusão que se extrai da norma contida no art. 6º, §7º, da Lei Federal nº 11.101/2005, assim redigido: .. Ademais, no caso deste recurso, denota-se que a insurgência da agravante recai sobre mera conjectura acerca de eventual determinação para constrição de seus bens, mostrando-se assaz desarrazoado o Poder Judiciário lançar deliberação sobre evento futuro e incerto. Pois bem. Nos termos do § 7º-B do art. 6º da Lei n. 11.101/2005, incluído pela Lei n. 14.112/2020, no processo executivo fiscal, a ordem de penhora e a determinação de eventuais atos de constrição são da competência do juízo da execução fiscal; contudo, deferida a recuperação judicial à sociedade empresária executada, compete ao juízo especializado da recuperação a análise e a decisão a respeito da necessidade de manutenção ou substituição dos atos de constrição determinados no processo de execução e que recaiam sobre bens de capital essenciais à manutenção da atividade empresarial até o encerramento da recuperação judicial, mediante a cooperação jurisdicional, na forma do art. 69 do CPC/2015. A Primeira Seção, quando do cancelamento do Tema 987 do STJ, nos autos do REsp 1.694.261/SP, reafirmou a jurisprudência desta Corte Superior de que o deferimento do plano de recuperação judicial não suspende as execuções fiscais, ressalvando, todavia, que "cabe ao juízo da recuperação judicial verificar a viabilidade da constrição efetuada em sede de execução fiscal, observando as regras do pedido de cooperação jurisdicional (art. 69 do CPC/2015), podendo determinar eventual substituição, a fim de que não fique inviabilizado o plano de recuperação judicial". Nos termos dos arts. 6º, § 7º-B, da Lei n. 11.101/2005 e 67 a 69 do CPC, compete ao juízo da execução fiscal determinar os atos de constrição judicial sobre bens e direitos de sociedade empresária em recuperação judicial, sem proceder à alienação ou ao levantamento de quantia penhorada, comunicando, por dever de cooperação, a medida ao juízo da recuperação, ao qual compete exercer o controle e deliberar, até o encerramento do procedimento de soerguimento, sobre a substituição de ato constritivo que recaia sobre bens de capital essenciais à manutenção da atividade empresarial, podendo, inclusive, formular proposta alternativa de satisfação do crédito, em procedimento de cooperação recíproca. Cumpre anotar que a Lei n. 11.101/2005 dispõe sobre a necessidade de o magistrado, quando do recebimento da inicial, ou a parte devedora, após a citação, comunicar ao juízo da recuperação judicial sobre ações contra si ajuizadas (§ 6º do art. 6º); essa providência, por lógica, é necessária à cooperação jurisdicional entre os juízos da execução e da recuperação judicial, para o fim de efetivar as medidas e providências relacionadas à recuperação e preservação da empresa. Assim, determinados pelo Juízo da Execução os atos de constrição judicial sobre bens e direito de sociedade empresária em recuperação judicial, sem proceder à alienação ou levantamento de quantia penhorada, em observância ao dever de cooperação, a medida deve ser comunicada ao Juízo da Recuperação, momento em que, tomando ciência da constrição, decidirá pela necessidade ou não de substituição da garantia. A propósito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. DEVEDOR EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. PENHORA. COMUNICAÇÃO AO JUÍZO DA RECUPERAÇÃO. MOMENTO. 1. Por ocasião do cancelamento do Tema 987 do STJ, a Primeira Seção reafirmou a jurisprudência desta Corte Superior de que o deferimento do plano de recuperação judicial não suspende as execuções fiscais, ressalvando, todavia, que "cabe ao juízo da recuperação judicial verificar a viabilidade da constrição efetuada em sede de execução fiscal, observando as regras do pedido de cooperação jurisdicional (art. 69 do CPC/2015), podendo determinar eventual substituição, a fim de que não fique inviabilizado o plano de recuperação judicial". 2. In casu, tem-se que os autos da execução fiscal deverão prosseguir, cabendo ao juízo da execução fiscal decidir sobre os pedidos de penhora e, caso deferidos, comunicar ao juízo da recuperação judicial para que esse se manifeste sobre a pertinência de manutenção das constrições realizadas, determinando a sua substituição, se necessário for. 3. A conformidade do acórdão recorrido com essa orientação jurisprudencial enseja a aplicação do óbice de conhecimento do recurso especial estampado na Súmula 83 do STJ. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no R Esp n. 2.076.030/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 29/4/2024, D Je de 7/5/2024) TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. SOCIEDADE EMPRESÁRIA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. DECISÃO QUE DETERMINOU O PROSSEGUIMENTO DO FEITO EXECUTIVO. JUÍZO DA RECUPERAÇÃO, QUE DEVE SER COMUNICADO PELO JUÍZO DA EXECUÇÃO OU PELA PARTE DEVEDORA DO AJUIZAMENTO DE AÇÕES. COOPERAÇÃO JURISDICIONAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. No caso, a Corte a quo, considerando as alterações na Lei n. 11.101/2005, realizadas pela Lei n. 14.112/2020 (§ 7º-B do art. 6º da Lei n. 11.101/2005) e a desafetação do Tema Repetitivo 987/STJ, manteve a determinação de prosseguimento do feito executivo, sublinhando a possibilidade de substituição de eventual penhora pelo Juízo da Recuperação Judicial. 3. Nos termos do § 7º-B do art. 6º da Lei n. 11.101/2005, incluído pela Lei n. 14.112/2020, no processo executivo fiscal, a ordem de penhora e a determinação de eventuais atos de constrição são da competência do juízo da execução fiscal; contudo, deferida a recuperação judicial à sociedade empresária executada, compete ao juízo especializado da recuperação a análise e a decisão a respeito da necessidade de manutenção ou substituição dos atos de constrição determinados no processo de execução e que recaiam sobre bens de capital essenciais à manutenção da atividade empresarial até o encerramento da recuperação judicial, mediante a cooperação jurisdicional, na forma do art. 69 do CPC/2015. A propósito, citem-se: AgInt no CC n. 192.207/SP, rel. Min. João Otávio de Noronha, Segunda Seção, DJe 22/6/2023; AgInt no AREsp n. 2.150.824/RJ, rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 11/4/2023; AgInt no REsp n. 1.982.327/SP, rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 15/6/2022. 4. Cumpre anotar que a Lei n. 11.101/2005 dispõe sobre a necessidade de o magistrado, quando do recebimento da inicial, ou a parte devedora, após a citação, comunicar ao Juízo da Recuperação Judicial sobre ações contra si ajuizadas (§ 6º do art. 6º); essa providência, por lógica, é necessária à cooperação jurisdicional entre os juízos da execução e da recuperação judicial, para o fim de efetivar as medidas e providências relacionadas à recuperação e preservação da empresa. 5. No contexto dos autos, portanto, sem prejuízo da regular a tramitação do processo executivo, caso a parte considere alguma penhora prejudicial à sua recuperação, deve provocar o Juízo da Recuperação, providência mais econômica e eficaz do que o exaurimento das instâncias recursais ordinária e extraordinária. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.298.931/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 29/2/2024) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. SENTENÇA DE ENCERRAMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO. AUSÊNCIA. SUBSTITUIÇÃO DE CONSTRIÇÃO. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA RECUPERAÇÃO. SUBSISTÊNCIA. 1. "A jurisprudência do STJ, em casos de recebimento, no duplo efeito, do recurso de apelação interposto contra sentença de encerramento da recuperação judicial, tem se erigido no sentido de que, não tendo ocorrido o trânsito em julgado dessa decisão, permanece a competência do juízo da recuperação para deliberar acerca do patrimônio da empresa recuperanda" (EDcl no AgInt no CC n. 169.765/MG, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, julgado em 1/12/2020, DJe de 10/12/2020.). 2. A Primeira Seção, quando do cancelamento do Tema 987 do STJ, nos autos do REsp 1.694.261/SP, reafirmou a jurisprudência desta Corte Superior de que o deferimento do plano de recuperação judicial não suspende as execuções fiscais, ressalvando, todavia, que "cabe ao juízo da recuperação judicial verificar a viabilidade da constrição efetuada em sede de execução fiscal, observando as regras do pedido de cooperação jurisdicional (art. 69 do CPC/2015), podendo determinar eventual substituição, a fim de que não fique inviabilizado o plano de recuperação judicial". 3. "À luz da Lei n. 11.101/2005, do art. 6º, § 7º-B, do CPC, dos arts. 67 a 69 e da jurisprudência desta Corte (CC 181.190/AC, Relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE), compete: 1.1) ao Juízo da Execução Fiscal, determinar os atos de constrição judicial sobre bens e direitos de sociedade empresária em recuperação judicial, sem proceder à alienação ou levantamento de quantia penhorada, comunicando aquela medida ao juízo da recuperação, como dever de cooperação; e 1.2) ao Juízo da Recuperação Judicial, tomando ciência daquela constrição, exercer juízo de controle e deliberar sobre a substituição do ato constritivo que recaia sobre bens de capital essenciais à manutenção da atividade empresarial até o encerramento do procedimento de soerguimento, podendo formular proposta alternativa de satisfação do crédito, em procedimento de cooperação recíproca" (CC n. 187.255/GO, relator Ministro Raul Araújo, Segunda Seção, julgado em 14/12/2022, DJe de 20/12/2022.). Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.150.824/RJ, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 3/4/2023, DJe de 11/4/2023) Confiram-se, ainda, entre outros: AgInt no AR Esp n. 1.710.720/RS, relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do TRF5), Primeira Turma, julgado em 23/6/2022, D Je de 30/6/2022; AgInt no CC n. 181.379/PE, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Segunda Seção, julgado em 14/6/2022, D Je de 17/6/2022; AgInt no R Esp n. 1.982.327/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 13/6/2022, D Je de 15/6/2022; AgRg no AR Esp n. 549.795/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16/4/2015, D Je de 24/4/2015. Assim, quanto ao mérito, confere-se que o entendimento expendido no acórdão está em conformidade com a orientação jurisprudencial do STJ. Incidência do óbice da Súmula 83/STJ. Cumpre anotar que a Lei n. 11.101/2005 dispõe sobre a necessidade de o magistrado, quando do recebimento da inicial, ou a parte devedora, após a citação, comunicar ao juízo da recuperação judicial sobre ações contra si ajuizadas (§ 6º do art. 6º); essa providência, por lógica, é necessária à cooperação jurisdicional entre os juízos da execução e da recuperação judicial, para o fim de efetivar as medidas e providências relacionadas à recuperação e preservação da empresa. No contexto dos autos, portanto, sem prejuízo da regular a tramitação do processo executivo, caso a parte considere alguma penhora prejudicial à sua recuperação, deve provocar o Juízo da Recuperação, providência mais econômica e eficaz do que o exaurimento das instâncias recursais ordinária e extraordinária. Quanto à multa do art. 1.026, § 2º, do CPC/2015, cotejando as alegações trazidas nos segundos embargos de declaração, verifica-se que, no caso, as razões arguidas buscaram manifestação quanto à afetação da matéria discutida nos autos ao regime dos recursos repetitivos, com determinação de suspensão de todos os processos, não se tratando de hipótese de reiteração protelatória de fundamento, configurando, pois, circunstância que enseje seu afastamento. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CARÁTER PROTELATÓRIO. MULTA. REEXAME DE PROVAS. DESNECESSIDADE. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido pela manutenção da multa aplicada pelo Tribunal de origem com base no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015, quando demonstrado o caráter protelatório dos embargos de declaração ao visar meramente a rediscussão da causa. 2. Hipótese em que nos segundos embargos de declaração opostos contra o acórdão de origem, a embargante apenas pediu ao Tribunal paranaense a manifestação acerca da aplicação ex officio da orientação firmada em recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça, controvérsia não levada a julgamento em nenhum momento anterior, não se verificando a reiteração protelatória de fundamentos em embargos de declaração, razão por que não é o caso de aplicação da multa prevista no art. 1.026 do CPC/2015. 3. A mera análise das razões de ambos os embargos de declaração opostos pelo particular é suficiente para verificar não se tratar de reiteração de argumentos em sucessivos embargos de declaração a ensejar a fixação de multa por propósito protelatório, motivo pelo que inaplicável ao caso o óbice da Súmula 7 do STJ. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 2.116.727/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 30/9/2024, DJe de 4/10/2024.) Ante todo o exposto, conheço do agravo para dar parcial provimento do recurso especial apenas para afastar a fixação da multa do art. 1.026, §2º do CPC/2015. Publique-se. Intimem-se. EMENTA TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. SOCIEDADE EMPRESÁRIA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. ATOS DE CONSTRIÇÃO. JUÍZOS DA EXECUÇÃO E FALIMENTAR. COMPETÊNCIAS. COOPERAÇÃO JUDICIAL. ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL DO STJ. CONFORMIDADE DO ACÓRDÃO. SÚMULA 83/STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE CARÁTER PROTELATÓRIO. MULTA. AFASTAMENTO. AGRAVO CONHECIDO E RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO.