CC 202335 - DECISAO
DECISÃO PESQUEIRA OCEÂNICA LTDA. (EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL) e OUTRA suscitam conflito positivo de competência envolvendo o JUÍZO DE DIREITO DA VARA REGIONAL DE RECUPERAÇÕES JUDICIAIS, FALÊNCIAS E CONCORDATAS DE FLORIANÓPOLIS (SC) e o JUÍZO DA 3ª VARA DO TRABALHO DE RIO GRANDE (RS). Alegam as suscitantes que ajuizaram...
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- Parties
- Suscitante: PESQUEIRA OCEÂNICA LTDA. (EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL); Suscitante: OUTRA; Reclamante: ONICIO DE SOUZA LISBOA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 April 2024
- Procedural Posture
- Conflito Positivo De Competência / Julgamento Monocrático
- Legal Topics
- Recuperação Judicial, Falência, Competência Jurisdicional, Suspensão De Execuções, Depósitos Recursais, Cooperação Jurisdicional
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Parties
PESQUEIRA OCEÂNICA LTDA. (EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL)
Suscitante
OUTRA
Suscitante
ONICIO DE SOUZA LISBOA
Reclamante
Procedural Posture
Conflito Positivo De Competência / Julgamento Monocrático
Legal Issues
- 1 Qual juízo é competente para praticar atos executórios e deliberar sobre depósitos recursais em face de empresa em recuperação judicial
- 2 Se o Juízo da 3ª Vara do Trabalho pode prosseguir com a expedição de alvarás e liberação de valores após deferimento da recuperação judicial
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DECISÃO PESQUEIRA OCEÂNICA LTDA. (EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL) e OUTRA suscitam conflito positivo de competência envolvendo o JUÍZO DE DIREITO DA VARA REGIONAL DE RECUPERAÇÕES JUDICIAIS, FALÊNCIAS E CONCORDATAS DE FLORIANÓPOLIS (SC) e o JUÍZO DA 3ª VARA DO TRABALHO DE RIO GRANDE (RS). Alegam as suscitantes que ajuizaram pedido de recuperação judicial, deferido pelo Juízo da Vara Regional de Recuperações Judiciais, Falências e Concordatas de Florianópolis (Autos n. 5132315-23.2022.8.24.0023/SC), tendo sido determinada a suspensão de todas as ações ou execuções contra elas movidas. Mesmo assim, o Juízo da 3ª Vara do Trabalho de Rio Grande, nos autos da execução da Reclamação Trabalhista n. 0020265-21.2014.5.04.0123, ajuizada por ONICIO DE SOUZA LISBOA, determinou a continuidade da execução com expedição de alvarás, conflitando, portanto, com a decisão proferida pelo Juízo universal. Liminar deferida para determinar a suspensão dos atos executórios promovidos pelo Juízo da 3ª Vara do Trabalho de Rio Grande na reclamação trabalhista e designar o Juízo de Direito da Vara Regional de Falências e Recuperações Judiciais e Extrajudiciais da capital para decidir acerca das medidas urgentes (fls. 120-123). Vieram aos autos informações do Juízo da recuperação (fl. 128-218) e do Juízo trabalhista (fl. 220-223). O Ministério Público Federal manifestou-se pelo conhecimento do conflito e, no mérito, pela competência do JUÍZO DE DIREITO DA VARA REGIONAL DE RECUPERAÇÕES JUDICIAIS, FALÊNCIAS E CONCORDATAS DE FLORIANÓPOLIS (fls. 225-228). É o relatório. Decido. Com fundamento na orientação contida na Súmula n. 568 do STJ, procedo ao julgamento monocrático do conflito, tendo em vista a existência de precedentes acerca da questão ora discutida e a necessidade de se reduzirem as pautas já bastante numerosas da Segunda Seção. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, os atos de execução dos créditos individuais promovidos contra empresas falidas ou em recuperação judicial, bem como quaisquer outros atos judiciais que envolvam o patrimônio das referidas empresas, tanto sob a égide do Decreto-Lei n. 7.661/1945 quanto da Lei n. 11.101/2005, devem ser realizados pelo juízo universal. O art. 6º, II e III, da Lei n. 11.101/2005, com a redação dada pela Lei n. 14.112/2020, reforça esse entendimento, porquanto dispõe que a decretação da falência ou o deferimento do processamento da recuperação judicial implica a suspensão das execuções ajuizadas contra o devedor relativas a créditos ou obrigações sujeitos à recuperação judicial ou à falência, bem como a proibição de qualquer forma de retenção, arresto, penhora, sequestro, busca e apreensão e constrição judicial ou extrajudicial sobre os bens do devedor, oriunda de demandas judiciais ou extrajudiciais cujos créditos ou obrigações se sujeitem à recuperação judicial ou à falência. Também estão sujeitas a esse juízo quaisquer deliberações acerca de valores relativos a depósitos recursais existentes em reclamações trabalhistas, ainda que efetivados anteriormente à decretação da falência ou ao deferimento da recuperação judicial. Mesmo em relação aos créditos não sujeitos à recuperação judicial, esta Corte firmou posicionamento no sentido de que é competente o juízo da recuperação judicial para determinar a suspensão dos atos de constrição que recaiam sobre bens de capital essenciais à manutenção da atividade empresarial durante o prazo de suspensão previsto no art. 6º, § 4º, que será implementada mediante a cooperação jurisdicional. Isso é o que dispõe o art. 6º, § 7º-A, da Lei n. 11.101/2005, com a redação dada pela Lei n. 14.112/2020. O Superior Tribunal de Justiça também vem se manifestado no sentido de que, enquanto não transitada em julgado a sentença de encerramento da recuperação judicial, em razão do recebimento da apelação com efeito suspensivo, permanece a competência do juízo da recuperação judicial para decidir sobre o patrimônio da empresa. Confiram-se os seguintes precedentes: AGRAVO INTERNO NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. LIMINAR DEFERIDA. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO TRABALHISTA. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA LABORAL. DEPÓSITO RECURSAL REALIZADO ANTES DO DEFERIMENTO DA RECUPERAÇÃO. RETENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA DO JUÍZO UNIVERSAL. ART. 76 DA LEI N. 11.101/2005. 1. Os atos de execução dos créditos individuais e fiscais promovidos contra empresas falidas ou em recuperação judicial, tanto sob a égide do Decreto-Lei n. 7.661/45 quanto da Lei n. 11.101/2005, devem ser realizados pelo Juízo universal. Inteligência do art. 76 da Lei n. 11.101/2005. Precedentes. 2. A decretação da falência carreia ao juízo universal da falência a competência para distribuir o patrimônio da massa falida aos credores conforme as regras concursais da lei falimentar, inclusive, decidir acerca do destino dos depósitos recursais feitos no curso da reclamação trabalhista, ainda que anteriores à decretação da falência (CC 101.477/SP, Rel. Ministro MASSAMI UYEDA, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 12/05/2010). 3. É da competência do juízo da recuperação a execução de créditos líquidos apurados em outros órgãos judiciais, inclusive a destinação dos depósitos recursais feitos no âmbito do processo do trabalho (CC 162.769/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 24/06/2020, DJe 30/06/2020). 4. Agravo interno não provido. (AgInt no CC n. 172.707/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, julgado em 29/9/2020, DJe de 2/10/2020.) AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO - DECISÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO - PROSSEGUIMENTO DA EXECUÇÃO EM FACE DE EMPRESA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL - COMANDO QUE AFRONTA DECISÃO DO STJ ADOTADA NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA N.º 152.434/MG - RECLAMAÇÃO JULGADA PROCEDENTE INSURGÊNCIA DA AGRAVANTE. 1. Consoante a jurisprudência desta eg. Corte Superior, o ajuizamento da reclamação, que constitui medida correicional, pressupõe a existência de um comando positivo desta Corte Superior cuja eficácia deva ser assegurada, protegida e conservada. (ut Rcl 2784/SP, 2ª Seção, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 22/05/2009) 2. Iniciada a recuperação judicial, é mister que os atos constritivos aos ativos da sociedade sejam submetidos ao Juízo Recuperacional, sob pena de esvaziamento dos propósitos da recuperação. Precedentes da Segunda Seção. 2.1. As decisões proferidas pela Justiça do Trabalho que determinaram o prosseguimento da execução trabalhista implicaram, de fato, em ofensa à autoridade do julgado desta Corte, a ensejar o acolhimento da reclamação. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt na Rcl n. 35.032/MG, relator Ministro Marco Buzzi, Segunda Seção, julgado em 1º/12/2020, DJe de 4/12/2020.) AGRAVO INTERNO NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. AÇÃO TRABALHISTA. DEPÓSITOS RECURSAIS. 1. Após o deferimento da recuperação judicial, é do juízo de falências e recuperação judicial a competência para o prosseguimento dos atos de execução relacionados a reclamações trabalhistas movidas contra a empresa recuperanda. 2. Ao Juízo recuperacional compete, inclusive, deliberar sobre os depósitos recursais constantes de ações trabalhistas, ainda que realizados anteriormente ao pedido de recuperação. Precedentes. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no CC n. 163.175/GO, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Segunda Seção, julgado em 1º/12/2020, DJe de 9/12/2020.) Ressalte-se que esta Corte mitiga a aplicação do art. 6º, § 4º, da Lei n. 11.101/2005, que assegura aos credores o direito de prosseguir com suas execuções individuais após o transcurso do prazo de 180 dias a partir da data em que deferido o processamento da recuperação judicial, por entender que sua aplicação "se mostra de difícil conciliação com o escopo maior de implementação do plano de recuperação da empresa" (CC n. 176.778/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, DJe de 18/12/2020). A propósito: AGRAVO INTERNO NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA LABORAL. ATOS EXECUTÓRIOS. COMPETÊNCIA DO JUÍZO UNIVERSAL. ART. 76 DA LEI N. 11.101/2005. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Os atos de execução dos créditos individuais e fiscais promovidos contra empresas em recuperação judicial, devem ser autorizados ou realizados pelo Juízo do soerguimento até o trânsito em julgado da sentença que encerra a recuperação judicial. 2. A razão de ser da supremacia dessa regra de competência é a concentração, no Juízo da recuperação judicial, de todas as decisões que envolvam o patrimônio da recuperanda, inclusive os valores objeto de constrição no juízo trabalhista, ainda que posteriores à recuperação ou mesmo os créditos extraconcursais, a fim de não comprometer a tentativa de mantê-la em funcionamento. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no CC n. 175.296/MG, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, julgado em 30/3/2021, DJe de 7/4/2021.) No caso, conforme se depreende das informações juntadas, existe clara oposição do Juízo falimentar, que, inclusive, deferiu o pedido das recuperandas concernente à expedição de ofício para que fossem sobrestados os atos da Justiça do trabalho com o redirecionamento do crédito ao feito recuperacional (fl. 128). O Juízo trabalhista insiste na possibilidade de liberação dos valores, o que alega fazer com base no entendimento contido na Orientação Jurisprudencial n. 84 da SEEx do Tribunal Regional do Trabalho, de seguintes termos: Orientação Jurisprudencial nº 84 - LIBERAÇÃO DE VALORES DEPOSITADOS. MASSA FALIDA. EMPRESA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. Os valores apreendidos judicialmente na reclamatória trabalhista antes da decretação da falência ou do deferimento do pedido de recuperação judicial, deixam de integrar o patrimônio da empresa ou da massa falida, sendo cabível a sua liberação ao credor. Evidenciada a existência de decisões conflitantes, impõe-se o conhecimento do conflito. Ante o exposto, conheço do conflito para declarar a competência do JUÍZO DE DIREITO DA VARA REGIONAL DE RECUPERAÇÕES JUDICIAIS, FALÊNCIAS E CONCORDATAS DE FLORIANÓPOLIS (SC). Ad cautelam, determino que se oficie ao Juízo na recuperação para que instaure a cooperação na forma da lei. Comunique-se aos Juízos suscitados a presente decisão. Publique-se. Intimem-se. EMENTA