AREsp 2309455 - ACORDAO
Os créditos em questão são garantidos por alienação fiduciária e, portanto, possuem natureza extraconcursal nos termos do art. 49, §3º, da Lei 11.101/2005 e da jurisprudência do STJ; o tribunal de origem concluiu que não houve demonstração do esvaziamento das garantias fiduciárias, e a tentativa de rever tal...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: CAENGE S.A. - CONSTRUÇÃO, ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA - EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL; Agravantes: OUTRAS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual Da Terceira Turma (decisão Negando Provimento)
- Outcome
- Agravo interno não provido (negado provimento)
- Legal Topics
- Recuperação Judicial, Alienação Fiduciária, Crédito Extraconcursal, Esvaziamento De Garantias, Incidência De Súmulas (súmula 5/stj, Súmula 7/stj, Súmula 568/stj)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CAENGE S.A. - CONSTRUÇÃO, ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA - EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Agravante
OUTRAS
Agravantes
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual Da Terceira Turma (decisão Negando Provimento)
Legal Issues
- 1 Se créditos garantidos por alienação fiduciária estão excluídos dos efeitos da recuperação judicial (natureza extraconcursal)
- 2 Se houve demonstração do esvaziamento das garantias fiduciárias que justificasse submissão do crédito ao plano de recuperação judicial
- 3 Aplicabilidade das Súmulas nºs 5 e 7 do STJ ao recurso especial
Ratio Decidendi
Os créditos em questão são garantidos por alienação fiduciária e, portanto, possuem natureza extraconcursal nos termos do art. 49, §3º, da Lei 11.101/2005 e da jurisprudência do STJ; o tribunal de origem concluiu que não houve demonstração do esvaziamento das garantias fiduciárias, e a tentativa de rever tal conclusão exigiria reexame de matéria fático-probatória, procedimento vedado pelas Súmulas 5 e 7 do STJ, motivo pelo qual o agravo interno foi negado.
Court Disposition
Agravo interno não provido (negado provimento)
Orders
- Negado provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
3 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 21/05/2024 a 27/05/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. CRÉDITO . ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. EXTRACONCURSALIDADE. EXCLUSÃO. ESVAZIAMENTO DE GARANTIAS . NÃO DEMONSTRADO. REVISÃO. SÚMULAS NºS 5 E 7/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que os créditos garantidos por alienação fiduciária estão excluídos dos efeitos da recuperação judicial, possuindo natureza extraconcursal. Precedentes. 2. Na hipótese, rever o entendimento da Corte local de que não restou demonstrado o esvaziamento das garantias fiduciárias para fins de submissão do crédito ao plano de recuperação judicial demandaria o revolvimento do contrato e do contexto fático-probatório dos autos, procedimentos vedados em recurso especial em virtude da incidência das Súmulas nºs 5 e 7/STJ. 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por CAENGE S.A. - CONSTRUÇÃO, ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA - EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL (outro nome: CAENGE S.A. - CONSTRUÇÃO, ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA) e OUTRAS contra a decisão que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial (e-STJ fls. 1.460/1.462). Em suas razões, as agravantes defendem que não há falar em aplicação das Súmulas nºs 5 e 7/STJ no caso dos autos. Impugnação às e-STJ fls. 1.565/1.575. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. CRÉDITO . ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. EXTRACONCURSALIDADE. EXCLUSÃO. ESVAZIAMENTO DE GARANTIAS . NÃO DEMONSTRADO. REVISÃO. SÚMULAS NºS 5 E 7/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que os créditos garantidos por alienação fiduciária estão excluídos dos efeitos da recuperação judicial, possuindo natureza extraconcursal. Precedentes. 2. Na hipótese, rever o entendimento da Corte local de que não restou demonstrado o esvaziamento das garantias fiduciárias para fins de submissão do crédito ao plano de recuperação judicial demandaria o revolvimento do contrato e do contexto fático-probatório dos autos, procedimentos vedados em recurso especial em virtude da incidência das Súmulas nºs 5 e 7/STJ. 3. Agravo interno não provido. VOTO A irresignação não merece prosperar. Verifica-se que o entendimento do acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência desta Corte. A propósito: "DIREITO EMPRESARIAL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. CESSÃO FIDUCIÁRIA DE DIREITO DE CRÉDITO. CONSTITUIÇÃO DA GARANTIA. REGISTRO EM CARTÓRIO DE TÍTULOS E DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE. CRÉDITO NÃO SUJEITO À RECUPERAÇÃO JUDICIAL. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. De acordo com a pacífica jurisprudência do STJ, por força do art. 49, § 3º, da Lei 11.101/2005, não se submetem à recuperação judicial os créditos garantidos por cessão fiduciária. 2. "A jurisprudência da Corte orienta que na cessão fiduciária de créditos, cuja legislação de regência não exige o registro como elemento constitutivo da propriedade ou titularidade fiduciária, a transferência ao credor fiduciário se efetiva a partir da contratação e, por esse motivo, os bens não se submetem aos efeitos da recuperação judicial do cedente, sem quebra da expectativa dos demais credores da recuperanda" (AgInt no REsp 1.706.063/RS, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, DJe de 30/6/2022). 3. É vedado à parte inovar nas razões do agravo interno apresentando tese não arguida nas contrarrazões ao recurso especial, ante a preclusão. 4. Agravo interno a que se nega provimento" (AgInt no AREsp 946.884/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, Quarta Turma, julgado em 22/5/2023, DJe de 25/5/2023). "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. AÇÃO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL. JULGAMENTO MONOCRÁTICO. CABIMENTO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. CONTRATO DE CESSÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA DE IMÓVEL. EXCEÇÃO. NÃO INCLUSÃO NO QUADRO GERAL DE CREDORES. (..) 3. O crédito garantido fiduciariamente, como na espécie, não se submete à recuperação judicial, por força do art. 49, § 3º, da Lei n. 11.101/2005, pois é de propriedade (resolúvel) do credor, e não da empresa recuperanda. 4. Não apresentação de argumentos novos capazes de infirmar os fundamentos que alicerçaram a decisão agravada. 5. AGRAVO INTERNO CONHECIDO E DESPROVIDO" (AgInt no REsp 1.841.420/MG, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, Terceira Turma, julgado em 14/11/2022, DJe de 17/11/2022). "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. CRÉDITO CEDIDO FIDUCIARIAMENTE. DESCRIÇÃO DO CRÉDITO, OBJETO DE CESSÃO. REVISÃO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. EXCLUSÃO DOS EFEITOS DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A alteração das premissas adotadas pelo Tribunal a quo, que ensejaram o reconhecimento do preenchimento dos requisitos para a constituição da garantia fiduciária, demanda, necessariamente, o reexame de matéria fática e probatória dos autos, providência vedada no recurso especial pela Súmula 7 do STJ. 2. Consoante a jurisprudência desta Corte, "os créditos garantidos por cessão fiduciária de recebíveis, por se constituir propriedade do credor, não se submetem à recuperação judicial da empresa, nos termos do enunciado da Súmula 480 desta Corte" (AgInt no AREsp 1.119.131/RJ, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 10/04/2018, DJe de 18/04/2018). 3. Agravo interno não provido" (AgInt no AREsp 1.560.021/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, Quarta Turma, julgado em 15/6/2020, DJe de 1º/7/2020). "CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE RESOLUÇÃO DE COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL CUMULADA COM RESTITUIÇÃO DE VALORES. CLÁUSULA DE GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. SUSPENSÃO DO JULGAMENTO DO RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE ENTRE OS RECURSOS. RECURSOS REPETITIVOS QUE DISCUTEM A INCIDÊNCIA DA LEI Nº 9.514/97 EM FACE DO CDC. CASO EM COMENTO QUE ENVOLVE A NECESSIDADE OU NÃO DE REGISTRO DA CONSTITUIÇÃO DA ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. AUSÊNCIA DE REGISTRO. INVIABILIDADE DE REEXAME DAS PROVAS DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Diante da ausência de identidade de tema entre o recurso especial apontado pelo recorrente como afetado à sistemática dos recursos repetitivos com o caso em comento, não há se falar na suspensão do presente julgamento. 3. A alteração das conclusões do acórdão recorrido exige reapreciação do acervo fático-probatório da demanda, o que faz incidir o óbice da Súmula nº 7 do STJ. 4. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 5. Agravo interno não provido" (AgInt no REsp 1.883.231/SP, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, Terceira Turma, julgado em 15/6/2021, DJe de 18/6/2021). Incide, portanto, a Súmula nº 568/STJ. Ademais, o tribunal de origem assim consignou:
"(..) Ao que se colhe, o crédito do impugnado tem lastro nas Cédulas de Crédito Bancário n. 002540694 e 002543332, ambas contando garantia fidejussória (avalista) e de alienação fiduciária de bens móveis, e Contrato de cessão de crédito com coobrigação n. 5784433.647 e 5784433.648, garantidos, ambos, por Cessão fiduciária de aplicações financeiras. Deste modo, não há dúvidas de que a parte garantida do crédito não se sujeita aos efeitos da recuperação judicial das impugnantes, por força do previsto no artigo 49, §3º, da Lei 11.101, de 2005. Conforme ressaltou o Ministério Público, cujos fundamentos me utilizo como razões de decidir, a simples execução judicial do crédito não pode ser encarada como renúncia - ainda que tácita - à garantia fiduciária. (..) Conforme ressaltou a i. Administradora Judicial não restou demonstrado o esvaziamento das garantias fiduciárias para fins de submissão do crédito ao plano de recuperação judicial na classe dos quirografários, uma vez que a devedora, embora inadimplente, mantém-se na posse resolúvel dos bens, objeto da garantia, sem que tenha, sequer, em face da alegada inércia do impugnado, promovido a consignação destes em seu favor" (e-STJ fls. 1.245/1.246). Desse modo, rever o entendimento da Corte local de que não restou demonstrado o esvaziamento das garantias fiduciárias para fins de submissão do crédito ao plano de recuperação judicial demandaria o revolvimento do contrato e do contexto fático-probatório dos autos, procedimentos vedados em recurso especial em virtude da incidência das Súmulas nºs 5 e 7/STJ. Não prosperam as alegações postas no presente recurso, incapazes de alterar os fundamentos da decisão impugnada. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.