AREsp 2815853 - DECISAO
A partir da vigência da Lei 14.112/2020, a competência para decidir sobre penhora em execução de crédito extraconcursal pertence ao juízo da execução após o término do período de blindagem; o juízo recuperacional pode sobrestar atos constritivos apenas durante o stay period e somente quando recaem sobre bens de...
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- Parties
- Agravante: Banco Bradesco S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Decisão De Conhecimento E Provimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial para declarar que compete ao juízo da execução de crédito extraconcursal decidir, após o período de blindagem na recuperação judicial, sobre a penhora de bens.
- Legal Topics
- Recuperação Judicial, Penhora, Crédito Extraconcursal, Competência Do Juízo, Stay Period
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Parties
Banco Bradesco S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Decisão De Conhecimento E Provimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Competência para penhora em execução de crédito extraconcursal após o término do período de blindagem (stay period)
- 2 Alcance da atuação do juízo recuperacional sobre bens essenciais ou de capital durante o stay period
Ratio Decidendi
A partir da vigência da Lei 14.112/2020, a competência para decidir sobre penhora em execução de crédito extraconcursal pertence ao juízo da execução após o término do período de blindagem; o juízo recuperacional pode sobrestar atos constritivos apenas durante o stay period e somente quando recaem sobre bens de capital essenciais.
Court Disposition
Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial para declarar que compete ao juízo da execução de crédito extraconcursal decidir, após o período de blindagem na recuperação judicial, sobre a penhora de bens.
Orders
- Compete ao juízo da execução decidir sobre a penhora em execução de crédito extraconcursal após o término do período de blindagem
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manifestado por Banco Bradesco S.A. contra decisão que negou seguimento a recurso especial interposto em face de acórdão com a seguinte ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. Execução de título extrajudicial. Decisão que indeferiu o pedido de extinção da execução formulado pelas executadas. Insurgência. Admissibilidade em parte. É da competência do juiz da recuperação judicial decidir sobre medidas constritivas que atinjam a empresa em recuperação judicial, tratando- se ou não de crédito não sujeito à recuperação. Necessidade de submissão ao juízo recuperacional do valor bloqueado nos autos. Decisão reformada. Recurso parcialmente provido. Alegou-se, no especial, violação dos artigos 1.022 do Código de Processo Civil e 6º, § 7-A, da Lei 11.101/05 sob os argumentos de que o acórdão local é omisso e que a competência do juízo universal para decidir sobre a constrição de bens em decorrência de execução de crédito extraconcursal se limita ao chamado período de blindagem (stay period). Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. Esta Corte tem entendimento de que, a partir das disposições da Lei 14.112/2020, em se tratando de crédito extraconcursal, compete ao juízo da execução a penhora de bens após o período de blindagem. A saber: DIREITO EMPRESARIAL. AGRAVO INTERNO. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. PENHORA. RECURSO NÃO PROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo interno interposto contra decisão que deu provimento ao recurso especial para restabelecer penhora em execução de crédito extraconcursal, determinando o retorno dos autos ao Juízo da execução. A parte agravante alega impossibilidade de expropriação de bens essenciais à recuperação judicial, mesmo após o término do stay period. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste na possibilidade de, esgotado o prazo de blindagem patrimonial da empresa recuperanda, ser obstada a satisfação do crédito extraconcursal com suporte no princípio da preservação da empresa. III. Razões de decidir 3. A decisão agravada deve ser mantida, pois a avaliação realizada pelo Juízo da recuperação judicial acerca da essencialidade de determinado bem ao desenvolvimento da atividade da empresa recuperanda, constrito no bojo de execução de crédito extraconcursal, somente pode recair sobre bem de capital e apenas durante o período de blindagem (stay period). 4. Após o término do prazo de blindagem, é necessário que o credor extraconcursal tenha seu crédito equalizado na execução individual, não sendo possível obstar a satisfação do crédito com base na preservação da empresa. 5. O princípio da menor onerosidade deve ser observado, mas não impede a execução de crédito extraconcursal após o stay period. IV. Dispositivo e tese 6. Agravo interno não provido. Tese de julgamento: 1. A partir da entrada em vigor da Lei n. 14.112/2020, com aplicação imediata aos processos em trâmite, a avaliação realizada pelo Juízo da recuperação judicial acerca da essencialidade de determinado bem ao desenvolvimento da atividade da empresa recuperanda, constrito no bojo de execução de crédito extraconcursal, somente pode recair sobre bem de capital e apenas durante o período de blindagem (stay period). Dispositivos relevantes citados: Lei n. 11.101/2005, art. 6º, § 4º. Jurisprudência relevante citada: STJ, CC n. 196.846/RN, Min. Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, julgado em 18/4/2024; STJ, CC n. 191.533/MT, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, julgado em 18/4/2024. (AgInt no AREsp n. 2.022.380/PR, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 21/10/2024, DJe de 29/10/2024.) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. CRÉDITO EXTRACONCURSAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. ATOS EXPROPRIETÁRIOS. COMPETÊNCIA. JUÍZO DA EXECUÇÃO. PERÍODO DO STAY PERIOD. EXAURIMENTO. PENHORA. BEM ESSENCIAL DE CAPITAL. NÃO DEMONSTRAÇÃO. CONSTRIÇÃO. REAPRECIAÇÃO. JUÍZO RECUPERACIONAL. AFASTAMENTO. 1. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional nos embargos de declaração, a qual somente se configura quando, na apreciação do recurso, o tribunal de origem insiste em omitir pronunciamento a respeito de questão que deveria ser decidida, e não foi. 2. Para o fim de submissão aos efeitos da recuperação judicial, considera-se que a existência do crédito é determinada pela data em que ocorreu o seu fato gerador (Tema Repetitivo/STJ nº 1.051). 3. Na hipótese, o crédito buscado no cumprimento de sentença é de natureza extraconcursal, visto que o fato gerador da obrigação foi originado após o pedido e a decretação da recuperação judicial da empresa, estando, portanto, excluído do plano e de seus efeitos. 4. Após a vigência da Lei nº 14.112/2020, a competência do Juízo recuperacional para sobrestar o ato constritivo realizado no bojo de execução de crédito extraconcursal se restringe àquele que recai unicamente sobre bem de capital essencial à manutenção da atividade empresarial e a ser exercida apenas durante o período de blindagem (stay period). Precedente. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.998.875/DF, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 13/5/2024, DJe de 15/5/2024.) O Tribunal local, embora reconheça que se trata de créditos extraconcursais, porquanto garantidos por cessão fiduciária de recebíveis, deu "provimento ao recurso para determinar sejam submetidos à apreciação do juízo recuperacional, enquanto perdurar a recuperação judicial, os pedidos de penhora, que melhor deliberará sobre a constrição que seja menos gravosa às agravantes e viabilize a continuidade do plano de recuperação judicial" (e-STJ, fl. 645). Está o acórdão de origem, como se vê, em dissonância com o entendimento desta Casa, observando-se que o agravo de instrumento foi interposto em agosto de 2023, quando de há muito em vigor a Lei 14.112/20. Em face do exposto, conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial para declarar que compete ao juízo da execução de crédito extraconcursal decidir, após o período de blindagem na recuperação judicial, sobre a penhora de bens. Intimem-se. EMENTA