AREsp 2905111 - DECISAO
Mantém-se a decisão do tribunal de origem porque o acórdão fundamentou que a ação principal e o incidente de desconsideração da personalidade jurídica transitaram em julgado antes da homologação do plano de recuperação judicial, o Exequente/Agravado votou contra a aprovação do plano (de modo que a cláusula de...
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- Parties
- Agravante: APEROAMA PARTICIPAÇÕES LTDA.; Agravante: RCR SERVIÇOS DE ECONOMIA EIRELI; Agravante: FERNANDO MIZIARA DE MATTOS CUNHA; Agravante: JOÃO PAULO FRANCO ROSSI CUPPOLONI; Agravante: RENATA ROSSI CUPPOLONI RODRIGUES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão (nego Provimento Ao Agravo)
- Outcome
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Recuperação Judicial, Novação De Créditos Concursais, Execução Contra Terceiros Coobrigados, Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Cumprimento De Sentença, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 83/stj
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Parties
APEROAMA PARTICIPAÇÕES LTDA.
Agravante
RCR SERVIÇOS DE ECONOMIA EIRELI
Agravante
FERNANDO MIZIARA DE MATTOS CUNHA
Agravante
JOÃO PAULO FRANCO ROSSI CUPPOLONI
Agravante
RENATA ROSSI CUPPOLONI RODRIGUES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão (nego Provimento Ao Agravo)
Legal Issues
- 1 Se a homologação do plano de recuperação judicial opera novação que atinge coobrigados ou terceiros solidários
- 2 Se a aprovação do plano de recuperação judicial impede o prosseguimento de execuções contra terceiros coobrigados
- 3 Se houve omissão do tribunal de origem na análise dos embargos de declaração e dos termos do plano de recuperação judicial
Ratio Decidendi
Mantém-se a decisão do tribunal de origem porque o acórdão fundamentou que a ação principal e o incidente de desconsideração da personalidade jurídica transitaram em julgado antes da homologação do plano de recuperação judicial, o Exequente/Agravado votou contra a aprovação do plano (de modo que a cláusula de novação não lhe é oponível), e a questão está em conformidade com a jurisprudência do STJ, havendo ainda óbice da Súmula 83 e impossibilidade de revolver provas em recurso especial.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo em recurso especial.
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Deixo de majorar os honorários nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo interposto por APEROAMA PARTICIPAÇÕES LTDA., RCR SERVIÇOS DE ECONOMIA EIRELI, FERNANDO MIZIARA DE MATTOS CUNHA, JOÃO PAULO FRANCO ROSSI CUPPOLONI e RENATA ROSSI CUPPOLONI RODRIGUES contra decisão que obstou a subida de recurso especial. Extrai-se dos autos que a parte agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO cuja ementa guarda os seguintes termos (fl. 99): AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DETERMINAÇÃO DE EXPEDIÇÃO DE MANDADO DE PAGAMENTO. Irresignação dos Agravantes que não merece acolhida. 1) Trata-se de ação de rescisão de contrato proposta por Consumidora em 2011, com trânsito em julgado em 2019. 2) Iniciada a fase de cumprimento de sentença, o Incidente de Desconsideração de Personalidade Jurídica transitou em julgado, antes mesmo da Homologação do Plano de Recuperação Judicial, ocorrida em 2023. 3) Discussão acerca de levantamento de valores, pretendendo os Agravantes que a Agravada se submeta ao Plano de Recuperação Judicial, em questionamento que tangencia a matéria apreciada nos dois agravos de instrumento anteriores. 4) Jurisprudência citada "O título judicial transitado em julgado não possui a provisoriedade alegada pelos agravantes- executados, por isso não há óbice ao levantamento de valores e à realização de novos atos constritivos nos autos do cumprimento de sentença" (TJ-DF 07267229220228070000 1630944, Relator: VERA ANDRIGHI, Data de Julgamento: 19/10/2022, 6ª Turma Cível, Data de Publicação: 11/11/2022) 5) Aplicabilidade do tema 885, do STJ. RECURSO DESPROVIDO. Rejeitados os embargos de declaração opostos (fls. 147-153). No recurso especial, a parte recorrente alega, preliminarmente, ofensa aos arts. 1.022 e 489 do CPC, porquanto, apesar da oposição dos embargos de declaração, o Tribunal de origem não se pronunciou sobre pontos necessários ao deslinde da controvérsia, em especial porque não considerou os termos do plano de recuperação judicial do grupo Rossi, no sentido de que "todos e quaisquer processos de execuções, de qualquer natureza, relacionados a qualquer Crédito Concursal, deverão ser extintos completamente" e também que os agravados não possuem relação de coobrigação por prestação de garantia contratual ou solidariedade. Aduz, no mérito, violação dos arts. 49, caput, §1º e §2º, e 59 da Lei 11.101/2005. Sustenta, em síntese, que a aprovação e homologação do Plano de Recuperação Judicial do Grupo Rossi constitui uma alteração significativa na situação jurídica, que deveria permitir a reanálise da decisão proferida no Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica. Essa alteração, segundo os recorrentes, afasta a responsabilidade deles pelo pagamento do montante executado, considerando a novação dos créditos concursais (fl. 167). Defendem que o plano de recuperação judicial impede o prosseguimento de execuções contra terceiros, violando os arts. da Lei de Recuperação Judicial. Foram oferecidas contrarrazões ao recurso especial (fls. 209-213). Sobreveio juízo de admissibilidade negativo na instância de origem (fls. 227-233), o que ensejou a interposição do presente agravo. Apresentada contraminuta do agravo (fls. 253-267). É, no essencial, o relatório. A decisão agravada não merece reforma. Com efeito, o Tribunal de origem analisou detidamente o recurso especial interposto, devendo a decisão de admissibilidade ser mantida por seus próprios fundamentos. Inicialmente, não há falar em ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC, uma vez que o Tribunal de origem, ao negar provimento ao agravo de instrumento, solucionou a lide em conformidade com o que foi apresentado em juízo, sobretudo porque o tribunal destacou que tanto a ação de rescisão de contrato quanto o incidente de desconsideração da personalidade jurídica transitaram em julgado antes da homologação do Plano de Recuperação Judicial (fls. 106-107, 150), bem como que a discussão sobre a aplicabilidade do art. 49, §1º da Lei nº 11.101/2005 está preclusa, pois o incidente de desconsideração de personalidade jurídica transitou em julgado (fls. 111, 153). Verifica-se, portanto, que o acórdão recorrido possui fundamentação suficiente, inexistindo omissão ou contradição. Em relação à apontada ofensa aos arts. 49, caput, §1º e §2º, e 59 da Lei 11.101/2005, o recurso especial não merece prosperar porquanto encontra óbice na Súmula 83 do Superior Tribunal de Justiça. O Tribunal de origem decidiu a controvérsia em harmonia com a jurisprudência do STJ. A propósito, cito o seguinte precedente: PROCESSUAL CIVIL E EMPRESARIAL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. APROVAÇÃO E HOMOLOGAÇÃO DO PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL. SUPRESSÃO DAS GARANTIAS. EXPRESSA OPOSIÇÃO DO CREDOR. CLÁUSULA SEM EFEITOS. MANUTENÇÃO DA EXECUÇÃO PROMOVIDA EM FACE DO GARANTIDOR. 1. O STJ definiu, em sede de recurso repetitivo, que "a recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento das execuções nem induz suspensão ou extinção de ações ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória, pois não se lhes aplicam a suspensão prevista nos arts. 6º, caput, e 52, inciso III, ou a novação a que se refere o art. 59, caput, por força do que dispõe o art. 49, § 1º, todos da Lei n. 11.101/2005" (REsp 1.333.349/SP, Relator Ministro Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, julgado em 26/11/2014, DJe de 2/2/2015). 2. Da mesma forma, decidiu esta Corte Superior que a "cláusula que amplia os efeitos da novação aos coobrigados é válida e oponível somente aos credores que aprovaram o plano de recuperação sem nenhuma ressalva, não tendo efeito sobre os credores ausentes na Assembleia Geral, tampouco em relação aos que se abstiveram de votar ou se opuseram a essa disposição" (REsp 1.830.550/SP, Relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, j. em 23/4/2024, DJe de 30/4/2024). 3. Na espécie, o acórdão recorrido consignou expressamente que "o Exequente/Agravado votou contra a aprovação do plano, conforme se vê à p. 261" e, por conseguinte, a cláusula que ampliou os efeitos da novação aos coobrigados não pode produzir efeitos perante o credor. Por outro lado, concluir de forma diversa do acórdão recorrido demandaria o revolvimento fático-probatório dos autos e interpretação de cláusula contratual, o que encontra óbice nas Súmulas 5 e 7 do STJ. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 1.924.944/AC, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 30/6/2025, DJEN de 5/8/2025.) RECURSO ESPECIAL. EMPRESARIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. REPARAÇÃO. DANOS MORAIS. PAGAMENTO VOLUNTÁRIO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO. SUPERVENIÊNCIA. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. IRRELEVÂNCIA. 1. A controvérsia dos autos resume-se em definir se o depósito feito para pagamento da condenação antes do pedido de recuperação judicial deve ser restituído ao devedor ou transferido para o Juízo da recuperação judicial. 2. A superveniência de recuperação judicial não tem efeito desconstitutivo, de modo que as situações jurídicas consolidadas não podem ser atingidas. Precedente. 3. Na hipótese, a devedora compareceu aos autos e realizou o pagamento voluntário, ainda que parcial, antes do deferimento da recuperação judicial, de modo que essa parte do crédito foi extinta, não se podendo falar em competência do Juízo da recuperação para determinar sua destinação. 4. Recurso especial conhecido e não provido. (REsp n. 2.156.853/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 30/6/2025, DJEN de 7/7/2025.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. APROVAÇÃO DO PLANO. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO. PEDIDO DE LEVANTAMENTO DA PENHORA. IMPOSSIBILIDADE. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO RECURSO. SÚMULA N. 284 DO STF. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. DECISÃO RECORRIDA NO MESMO SENTIDO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA N. 83 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Considera-se deficiente, a teor da Súmula n. 284 do STF, a fundamentação recursal que alega violação de dispositivo legal cujo conteúdo jurídico é dissociado da tese defendida no recurso especial. 2. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmula n. 7 do STJ). 3. No caso concreto, o Tribunal de origem reconheceu a exigibilidade do débito. Alterar esse entendimento demandaria o reexame das provas produzidas nos autos, o que é vedado em recurso especial. 4. Segundo a jurisprudência desta Corte Superior, "não há, no ordenamento jurídico pátrio, dispositivo legal a autorizar que a superveniência da decretação da liquidação extrajudicial, da recuperação judicial ou da falência possa irradiar efeito desconstitutivo sobre pagamentos pretéritos licitamente efetuados. .. A deflagração de regimes executivos concursais possui efeitos ex nunc, não retroagindo para regular atos que lhe sejam anteriores" (REsp 1756557/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 19/03/2019, DJe 22/03/2019). 5. A Súmula n. 83 do STJ aplica-se aos recursos especiais interpostos com fundamento tanto na alínea "c" quanto na alínea "a" do permissivo constitucional. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.050.495/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 22/8/2022, DJe de 26/8/2022.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Deixo de majorar os honorários nos termos do art. 85, § 11, do CPC, tendo em vista que o recurso especial foi interposto nos autos de agravo de instrumento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E EMPRESARIAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. APROVAÇÃO E HOMOLOGAÇÃO DO PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL. TERCEIRO DEVEDOR SOLIDÁRIO. SUPERVENIÊNCIA DA RECUPERAÇÃO. SÚMULA N. 83/STJ. AGRAVO IMPROVIDO.