AREsp 1939826 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por ausência de prequestionamento, uma vez que a matéria não foi examinada pelo Tribunal de origem e não foram opostos embargos de declaração para prequestioná-la (aplicação das Súmulas 282 e 356 do STF); ademais, o Tribunal de origem concluiu que o...
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- Parties
- Agravante: MUNICIPIO DE AURORA DO TOCANTINS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 September 2021
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Recurso Especial, Prequestionamento, Excesso De Execução, Contadoria Judicial, Cálculos Aritméticos
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Parties
MUNICIPIO DE AURORA DO TOCANTINS
Agravante
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 ausência de prequestionamento (Súmulas 282 e 356/STF)
- 2 ônus da parte impugnante em declarar o valor e apresentar demonstrativo (art. 525, §§4º e 5º CPC)
- 3 necessidade (ou não) de liquidação da sentença quando o valor resulta de cálculos aritméticos
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por ausência de prequestionamento, uma vez que a matéria não foi examinada pelo Tribunal de origem e não foram opostos embargos de declaração para prequestioná-la (aplicação das Súmulas 282 e 356 do STF); ademais, o Tribunal de origem concluiu que o Município não observou o dever de apresentar demonstrativo nos termos do art. 525, §§4º e 5º do CPC/2015 e que, na hipótese, não se exigia liquidação por depender apenas de cálculos aritméticos.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por MUNICIPIO DE AURORA DO TOCANTINS contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO TOCANTINS, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO AVIADO PELO MUNICÍPIO EXECUTADO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. VALORES RECONHECIDOS EM AÇÃO COLETIVA. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO DE EXCESSO DE EXECUÇÃO. ÔNUS DO IMPUGNANTE. CRÉDITO EXEQUENDO. APURAÇÃO POR MEROS CÁLCULOS ARITMÉTICOS. AGRAVO CONHECIDO E IMPROVIDO. DECISÃO MANTIDA. 1. Consoante disposto nos §§ 4º e 5º do art. 525 do CPC/2015, havendo alegação de excesso de execução, deverá a parte impugnante de imediato declarar o valor que entende correto, apresentando demonstrativo discriminado e atualizado de seu cálculo, exigência esta não observada pelo ente público municipal na hipótese ora versada. 2. Não é necessária a liquidação da sentença quando o valor da dívida depender, apenas, de meros cálculos aritméticos, como no caso em deslinde. Precedentes do STJ. 3. Recurso conhecido e improvido. Decisão mantida. Sustenta a parte recorrente, pela alínea "a" do permissivo constitucional, violação dos arts. 272, §§ 2º e 8º; 494, I, e 524 todos do CPC, no que concerne à necessidade de realização dos cálculos pela contadoria judicial, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): O ditame supramencionado autoriza, portanto, sem a sujeição a preclusão, a retificação dos erros de cálculo, onde o juiz poderia atuar independentemente do requerimento das partes. Desse modo, levantada a incorreção do memorial pela própria contadoria judicial, que apontou a impossibilidade de realização dos cálculos sem a delimitação dos parâmetros, deveria o juízo imediatamente ter sanado a limitação ali solicitada e devolvido os autos a CONJUN para que os fizesse de forma correta e assim fosse finalizada a fase de liquidação de sentença. .. . É notório nos autos o apontamento de forma reiterada pela CONJUN do equívoco nos cálculos e a necessidade de limitação, com a indicação da forma como os cálculos deveriam ser realizados, de modo que pela aplicação do artigo 494, I do CPC, supramencionado (determinação legal totalmente inobservada), a inexatidão deveria ter sido corrigida, no caso, determinado o parâmetro e as devidas correções de ofício. Portanto, não há de se falar em ônus do recorrente em apresentar o valor que consideraria devido, tal qual concluiu o juízo de primeiro grau e fora mantido em sede recursal, considerando que sem a indicação de parâmetros o cálculo tornar-se-ia impossível. .. . Verifica-se, por conseguinte, que o judiciário do Estado do Tocantins acabou por ignorar totalmente o rito processual, e os próprios andamentos determinados pelo juiz a quo que indicavam como ordem cronológica, certos atos que foram completamente desprezados e posteriormente indicado novo rito a ser seguido, no caso, o protocolo do cumprimento de sentença de forma independente por cada parte, sem que fosse finalizada a fase de liquidação outrora iniciada e sem que as partes fossem intimadas dos atos anteriores e desse modo, desrespeitando completamente as normas processuais que estabelecem o direito ao contraditório. Neste passo, demonstra-se que seria no mínimo obrigatória a intimação das partes nos autos principais para manifestação do ato e impulso do devido prosseguimento, medida esta que não ocorreu e por este motivo merece reparo (fls. 153/156). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, incidem os óbices das Súmulas n. 282/STF e 356/STF, uma vez que a questão não foi examinada pela Corte de origem, tampouco foram opostos embargos de declaração para tal fim. Dessa forma, ausente o indispensável requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. 9. In casu, o art. 17, do Decreto 3.342/00, não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido, nem sequer foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de prequestioná-lo, razão pela qual impõe-se óbice instransponível ao conhecimento do recurso quanto ao aludido dispositivo". (REsp 963.528/PR, relator Ministro Luiz Fux, Corte Especial, DJe de 4/2/2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.160.435/PE, relator Ministro Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe de 28/4/2011; REsp n. 1.730.826/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 12/2/2019; AgInt no AREsp n. 1.339.926/PR, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 15/2/2019; e AgRg no REsp n. 1.849.115/SC, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23/6/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.