AREsp 1980440 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque as razões recursais apresentaram fundamentação genérica e deficiente (uso de 'e seguintes'), o que atrai a Súmula 284/STF; ademais, o enfrentamento da pretensão exigiria reexame do quadro fático-probatório, vedado no recurso especial pela Súmula...
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- Parties
- Agravante: IZABEL HIROKO MATSUMOTO e OUTROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 December 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Recurso Especial, Admissibilidade, Prova Testemunhal, Prova Pericial, Ônus Da Prova, Súmula 284/stf, Súmula 7/stj, Honorários Advocatícios
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Parties
IZABEL HIROKO MATSUMOTO e OUTROS
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 alegação de violação de dispositivos do CPC e necessidade de produção de prova oral e pericial
- 2 uso genérico da expressão 'e seguintes' na fundamentação recursal (Súmula 284/STF)
- 3 insuficiência de fundamentação para demonstrar ofensa a lei federal
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque as razões recursais apresentaram fundamentação genérica e deficiente (uso de 'e seguintes'), o que atrai a Súmula 284/STF; ademais, o enfrentamento da pretensão exigiria reexame do quadro fático-probatório, vedado no recurso especial pela Súmula 7/STJ; por essas razões, o recurso especial foi não conhecido e, com fundamento no art. 85, §11, CPC, os honorários foram majorados.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por IZABEL HIROKO MATSUMOTO e OUTROS contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO, assim resumido: SERVIDOR. GRATIFICAÇÃO POR RAIOS X. ADICIONAL DE IRRADIAÇÃO IONIZANTE. CUMULAÇÃO. Quanto à controvérsia, alegam violação dos arts. 341, 369, 374, II, 443, II, 464, § 1º, I a III, do CPC e do direito à prova, à ampla defesa, ao contraditório, ao devido processo legal e ao acesso à Justiça, no que concerne à necessidade de produção de prova oral e pericial para atestar a atuação dos recorrentes próximos a fontes de raio "x" e substâncias radioativas, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Portanto, as questões postas nesta demanda comportam comprovação mediante prova oral, na medida em que os servidores que atuam na CNEN/IPEN há muitos anos com os autores têm todas as condições técnicas e fáticas de atestar a atuação dos mesmos com raios x e substâncias radioativas, próximos às fontes de irradiação, pressuposto para o pagamento da gratificação por raios x indevida e incontroversamente suprimida. Por outro lado, deixar de ouvir os colegas de trabalho, que atuam nas instalações do IPEN e têm conhecimentos fáticos e técnicos sobre a natureza das atividades dos autores, e ao mesmo tempo indeferir a produção de prova pericial de engenharia por alegação não fundamentada de que o caso não a comportaria, representa fechar todas as portas para o regular exercício do direito de ação e defesa dos autores (fl. 346). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, incide o óbice da Súmulas n. 284/STF uma vez que há indicação genérica de violação de lei federal em razão do uso da expressão "e seguintes", sem que sejam particularizados quais dispositivos teriam sido contrariados, o que revela fundamentação recursal deficiente e atrai, por conseguinte, o referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiênciana sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "Segundo a jurisprudência do STJ, "o uso da fórmula aberta "e seguintes" para a indicação dos artigos tidos por violados revela fundamentação deficiente, o que faz incidir a Súmula n. 284/STF. Isso porque o especial é recurso de fundamentação vinculada, não lhe sendo aplicável o brocardoiura novit curiae, portanto, ao relator, por esforço hermenêutico, não cabe extrair da argumentação qual dispositivo teria sido supostamente contrariado a fim de suprir deficiência da fundamentação recursal, cuja responsabilidade é inteiramente do recorrente" (AgInt no AREsp n. 1.411.032/SP, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 24/9/2019, DJe 30/9/2019)." (AgInt no REsp n. 1.449.307/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 13/12/2019.) Ademais, incide novamente o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente não demonstrou, de forma clara, direta e particularizada, como o acórdão recorrido violou o(s) dispositivo(s) de lei federal, o que atrai, por conseguinte, a aplicação do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A jurisprudência desta Corte considera que quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplica-se, por analogia, o entendimento da Súmula n. 284, do Supremo Tribunal Federal. Em relação à afronta aos arts. 13 da Lei n. 10.559/2002 e 943 do Código Civil, verifica-se a ausência de demonstração precisa de como tal violação teria ocorrido, limitando-se a parte recorrente em apontá-la de forma vaga, o que impede o conhecimento do recurso especial". (AgInt no REsp n. 1.496.338/RS, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 27/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.826.355/RN, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 4/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp n. 1.617.627/RJ, AgInt no AREsp n. 1.617.627/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg no REsp n. 1.690.449/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 5/12/2019; AgRg no AREsp n. 1.562.482/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 28/11/2019. Além disso, não é cabível a interposição de recurso especial fundado na ofensa a princípios, tendo em vista que não se enquadram no conceito de lei federal. Nesse sentido: "O art. 105, III, "a", da CF, ao dispor acerca da interposição de recurso especial, menciona a ocorrência de violação à lei federal, expressão que não inclui os princípios". (AgInt no AREsp n. 826.592/RS, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 13/6/2017.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.304.346/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 08/4/2019; AgRg no REsp 1.135.067/SC, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 09/11/2015. Ainda, o acórdão recorrido assim decidiu: No tocante à prova testemunhal, nada poderia acrescentar à demanda, uma vez que não se trata de provar fatos presenciados por servidor, mas fato funcional, o recebimento, ou não, tanto da gratificação de raios X quanto do adicional de irradiação ionizante, mesma razão pela qual não se faz necessária a produção de prova pericial, já que não se busca constituir pagamento de gratificação a servidores que exerciam funções em determinadas condições mas não a recebiam, mas de restabelecer o pagamento cumulado de rubricas que vinham sendo pagas a servidores, e apenas as fichas funcionais ou holerites podem fazê-lo, perícia técnica não tendo este alcance. Ademais, a prova documental a que visava o pedido da parte se refere a documentos a que possuem fácil acesso os autores, não havendo razões para transferir o ônus de produzir a prova à parte ré, uma vez que compete a quem alega o fato comprová-lo (fl. 329). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Acrescente-se, ainda, que o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Com efeito, compulsados os autos, verifica-se não haver provas de que os autores chegaram a receber a gratificação de raios X, não sendo possível restabelecer o pagamento de rubrica que nunca receberam, ainda anotando-se a inconsistência da alegação de que "Tal afirmação (recebimento gratificação raios x até 2008) consignada na ,inicial não foi impugnada ou negada pela ré em sua defesa, tornando-se incontroversa" vez que basta um simples passar de olhos na contestação para de verificar que a parte ré sustentou ausência de provas na peça de defesa, ao fim e ao cabo impondo-se a improcedência dos pedidos (fl. 333). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.