AREsp 2731518 - DECISAO
Não conhecer do agravo porque as matérias relativas à abusividade dos juros remuneratórios estavam vinculadas ao Tema 27 do STJ, justificando a aplicação do art. 1.030, I, b, do CPC para negar seguimento ao recurso especial, e porque a análise pretendida demandaria reexame fático-probatório e interpretação...
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- Parties
- Agravante: CREFISA S.A. CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade (não Conhecimento Do Agravo)
- Legal Topics
- Recurso Especial, Agravo Em Recurso Especial, Temas Repetitivos (tema 27), Súmulas 5 E 7 Do STJ, Juros Remuneratórios, Abusividade Contratual, Art. 421 Do Código Civil, Admissibilidade Recursal, Honorários Advocatícios
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Parties
CREFISA S.A. CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade (não Conhecimento Do Agravo)
Legal Issues
- 1 Aplicação do Tema 27 do STJ à revisão de juros remuneratórios
- 2 Incidência do art. 1.030, I, b, do CPC/2015 para negar seguimento ao recurso especial
- 3 Aplicabilidade das Súmulas 5 e 7 do STJ quanto ao vedamento de reexame fático-probatório
Ratio Decidendi
Não conhecer do agravo porque as matérias relativas à abusividade dos juros remuneratórios estavam vinculadas ao Tema 27 do STJ, justificando a aplicação do art. 1.030, I, b, do CPC para negar seguimento ao recurso especial, e porque a análise pretendida demandaria reexame fático-probatório e interpretação contratual vedados pelas Súmulas 5 e 7 do STJ.
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DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por CREFISA S.A. CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS contra decisão que negou seguimento ao recurso especial em razão do Tema n. 27 do STJ e o inadmitiu com base nas Súmulas n. 5 e 7 do STJ em relação aos juros remuneratórios. Alega a agravante que os pressupostos de admissibilidade do recurso especial foram atendidos. Aduz que a questão cujo seguimento foi negado em razão da aplicação de entendimento firmado em julgamento de recurso especial repetitivo foi impugnada devidamente por agravo interno no Tribunal de origem e, por isso, o agravo em recurso especial restringe-se à impugnação da parte inadmitida. Interposto agravo interno na origem, com fundamento no art. 1.030, § 2º, do CPC, as matérias relativas aos juros remuneratórios e à mora foram novamente apreciadas, oportunidade em que se manteve o entendimento anteriormente adotado, tendo sido desprovido o recurso. O recurso especial, fundado no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, foi interposto contra acórdão prolatado pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ em apelação nos autos de ação revisional de contrato cumulado com repetição de indébito. O julgado foi assim ementado (fl. 372): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SENTENÇA PROCEDENTE A FIM DE RECONHECER A ILICITUDE DOS JUROS REMUNERATÓRIOS E DETERMINAR A ADOÇÃO DA TAXA MÉDIA DE MERCADO ALÉM DA RESTITUIÇÃO DAS DIFERENÇAS COBRADAS DE FORMA SIMPLES. INSURGÊNCIA DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. PLEITO SUBSIDIÁRIO PELA LIMITAÇÃO DOS JUROS REMUNERATÓRIOS A UMA VEZ E MEIA DA MÉDIA DE MERCADO. NÃO CONHECIMENTO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRELIMINARES. 1. PERFIL DA DEMANDA. MONITORAMENTO PELO NUPOMEDE. NÃO ACOLHIMENTO. AUSÊNCIA DE CONSTATAÇÃO DE CONDUTA TEMERÁRIA PELO PATRONO DA PARTE APELADA. MÉRITO. PLEITO PELA MANUTENÇÃO DOS JUROS REMUNERATÓRIOS TAL COMO PACTUADOS. DESPROVIMENTO. EVIDENTE DESCOMPASSO DOS VALORES PACTUADOS COM A MÉDIA DE MERCADO. JUROS QUE ULTRAPASSAM A MÉDIA DE FORMA EXORBITANTE. PERFIL DO CLIENTE E RISCO DO NEGÓCIO SÃO ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA JUSTIFICAR O PATAMAR EXCESSIVO DOS JUROS COBRADOS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO QUE É MERA CONSEQUÊNCIA LÓGICA DA IRREGULARIDADE DOS ENCARGOS. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E DESPROVIDO. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. Nas razões do recurso especial, a ora agravante aponta, além de dissídio jurisprudencial, violação do art. 421 do Código Civil Sustenta que os contratos são plenamente válidos, tratando-se de atos jurídicos perfeitos, por isso constituem lei entre as partes, razão pela qual é descabida sua invalidação. Argumenta que o Tribunal de origem reconheceu a abusividade dos juros remuneratórios mediante simples cotejo com a taxa média de mercado publicada pelo Bacen, ausente análise individualizada das peculiaridades do caso concreto, contrariamente ao decidido no REsp n. 1.061.530/RS. Pleiteia a atribuição de efeito suspensivo ao recurso especial para que seja evitada a prática de atos executórios, ao argumento de que a pretensão recursal é plausível e de que a imediata produção de efeitos da decisão recorrida representa risco de prejuízo de difícil reparação. Requer o provimento do recurso e a inversão dos ônus de sucumbência caso a demanda seja provida. Contrarrazões não foram apresentadas. É o relatório. Decido. O recurso não merece prosperar. De início, registre-se que a publicação do julgado ocorreu na vigência do Código de Processo Civil de 2015, a ensejar a apreciação dos requisitos de admissibilidade estabelecidos na atual legislação processual civil. É o que estabelece o Enunciado Administrativo n. 3 do STJ, a saber: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. Ressalte-se que a decisão ora agravada obstou o trânsito do recurso especial como um todo, por dois fundamentos, nestes termos (fls. 665-667, destaquei): Nesse contexto, denota-se que a decisão recorrida, no sentido da abusividade da taxa dos juros remuneratórios, se amolda ao entendimento do Superior Tribunal de Justiça, fixado sob a égide dos recursos repetitivos no REsp nº 1.061.530/RS (Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, DJe 10/03/2009) - Tema 27, em que restou decidido que "É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada - art. 51, §1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto". Impõe-se, portanto, a aplicação da regra inscrita no artigo 1.030, inciso I, alínea "b", do Código de Processo Civil, com relação aos juros remuneratórios. Não bastasse, modificar a conclusão do Tribunal de origem e verificar se, de fato, existiu abusividade com relação à taxa de juros remuneratórios fixada no contrato, demandaria interpretação contratual e reexame de matéria fático-probatória, o que é vedado em sede de recurso especial, a teor das Súmulas 5 e 7 do STJ. .. Diante do exposto, nego seguimento ao recurso especial em razão da incidência do disposto no artigo 1.030, inciso I, alínea "b", do Código de Processo Civil, quanto aos juros remuneratórios, e o inadmito recurso com base no entendimento sumulado. Como visto, o decisum negou seguimento ao recurso especial com fundamento no art. 1.030, I, b, do CPC e, ao mesmo tempo, em reforço argumentativo, inadmitiu-o devido à incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. Observa-se que os argumentos trazidos nas razões do agravo em recurso especial (fls. 678-684), buscando demonstrar a violação do art. 421 do Código Civil, e o afastamento das Súmulas n. 5 e 7 do STJ, referem-se à mesma questão, quanto à abusividade dos juros remuneratórios, estando todos vinculados ao Tema n. 27 do STJ. Assim, o Tribunal a quo, entendendo que as teses, as ofensas aos dispositivos apontados como violados e a divergência suscitada no recurso especial estavam vinculadas à aplicação da mesma matéria apreciada em regime de recursos repetitivos, deveria apenas negar seguimento ao recurso especial. Confira-se precedente: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TEMA JULGADO. SISTEMÁTICA DOS REPETITIVOS. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESCABIMENTO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC/1973. VINCULAÇÃO. 1. Segundo a jurisprudência do STJ, é incabível o agravo do art. 1.042 do CPC/2015 contra decisão que nega seguimento a recurso especial com base na aplicação de tese firmada em sede de recurso repetitivo, sendo apenas possível a interposição do agravo interno constante do art. 1.030, § 2º, do CPC/2015. 2. Se a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/1973 ou 1.022 do CPC/2015 apresenta-se vinculada a vício de natureza processual quanto à aplicação da tese fixada no regime dos recursos repetitivos, o Tribunal a quo deve negar seguimento também nesse ponto, e não inadmitir o recurso especial. 3. Hipótese em que a decisão do Tribunal a quo assentou que o acórdão recorrido está em sintonia com precedente obrigatório desta Corte Superior (Tema 162), que versa sobre a incidência de imposto de renda sobre aplicações financeiras de renda fixa e variável, à luz dos arts. 29 e 36 da Lei n. 8.541/1992, sendo certo que a menção sobre a existência de violação do art. 535 do CPC/1973 também se refere a essa mesma questão. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.512.020/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 19/9/2022, DJe de 3/10/2022, destaquei.) Visto que, in casu, a parte agravante insiste em rediscutir a matéria referente à abusividade dos juros remuneratórios, apesar da negativa de seguimento com base na aplicação do Tema n. 27 do STJ, é inadmissível o agravo previsto no art. 1.042 do CPC. A propósito, confira-se o disposto no Código de Processo Civil: Art. 1.030. Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual os autos serão conclusos ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, que deverá: I - negar seguimento: .. b) a recurso extraordinário ou a recurso especial interposto contra acórdão que esteja em conformidade com entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, respectivamente, exarado no regime de julgamento de recursos repetitivos; .. § 2º Da decisão proferida com fundamento nos incisos I e III caberá agravo interno, nos termos do art. 1.021. Ante o exposto, não conheço do agravo. Nos termos do § 11 do art. 85 do CPC, majoro, em 10% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, os honorários advocatícios em desfavor da parte ora recorrente, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos no § 2º do referido artigo e ressalvada eventual concessão de gratuidade de justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA