AREsp 2727748 - DECISAO
Conheceu-se do agravo mas não se conheceu do recurso especial por ausência de prequestionamento sobre a matéria e por deficiência na fundamentação quanto à demonstração de dissídio jurisprudencial (ausência de indicação precisa de dispositivos legais e de cotejo analítico), aplicando-se as Súmulas 282, 356 e 284 do...
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- Parties
- Recorrente/agravante: ELIZANGELA SANTOS DA SILVEIRA; Parte Recorrida/legitimidade Passiva: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do Recurso Especial
- Legal Topics
- Recurso Especial, Prequestionamento, Dissídio Jurisprudencial, Danos Materiais, Danos Morais, Perícia Judicial, Honorários Advocatícios, Súmulas STF
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Parties
ELIZANGELA SANTOS DA SILVEIRA
Recorrente/agravante
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Parte Recorrida/legitimidade Passiva
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 ausência de prequestionamento (Súmulas 282 e 356/STF)
- 2 alegada ofensa ao art. 489, §1º, III e V do CPC (insuficiência de fundamentação)
- 3 deficiência na indicação de dispositivos legais para fins de dissídio jurisprudencial (Súmula 284/STF)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo mas não se conheceu do recurso especial por ausência de prequestionamento sobre a matéria e por deficiência na fundamentação quanto à demonstração de dissídio jurisprudencial (ausência de indicação precisa de dispositivos legais e de cotejo analítico), aplicando-se as Súmulas 282, 356 e 284 do STF; majoraram-se os honorários em 15% nos termos do art. 85, §11, CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do Recurso Especial
Orders
- Majoram-se os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem (art. 85, §11, CPC).
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por ELIZANGELA SANTOS DA SILVEIRA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO, assim resumido: PROCESSUAL CIVIL. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA. RECURSOS DO FUNDO DE ARRENDAMENTO RESIDENCIAL - FAR. INTERESSE DE AGIR. LEGITIMIDADE PASSIVA. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXECUTORA DE PROGRAMAS FEDERAIS. PERÍCIA TÉCNICA JUDICIAL REALIZADA. VÍCIOS DE CONSTRUÇÃO. DANOS MATERIAIS CONFIGURADOS. DANOS MORAIS AUSENTES. CUMPRIMENTO DE SENTEÇA. SENTENÇA MANTIDA. APELAÇÃO CONHECIDA E NÃO PROVIDA. Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 489, § 1º, III e V, do CPC, no que concerne à ausência de fundamentação da decisão recorrida, por ser genérica e não fazer menção ao caso concreto, trazendo a seguinte argumentação: Trata-se de notória inobservância à vigência ao artigo 489 § 1º, III, e V do CPC. O Acordão recorrido foi aplicado expressamente a diversos processos sem fazer absolutamente nenhuma menção a qualquer elemento do caso concreto. Foi aplicado a casos que tiveram danos construtivos verificados em perícia judicial, de graus, extensão e duração variados, o que afrontosamente desrespeita a previsão do art. 489 § 1º, III e V do CPC. A decisão conforme tomada, invocou motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão. Não se espera que o judiciária vá dar decisões absolutamente aprofundadas e únicas a casos muito similares, mas o cotejo mínimo entre o caso concreto e a decisão prolatada não apenas é determinação legal expressa, trazida pelo artigo 489 § 1º,III, e V do CPC, mas é também o mínimo exigível para a efetivação de princípios constitucionais fundamentais como o contraditório, o devido processo legal, e a efetivação da Justiça. (fls. 450). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz o cabimento de indenização a título de danos morais sob o fundamento de que a comprovação do referido dano ocorreu pelas circunstâncias do caso concreto, isto é, pela demonstração da ocorrência do dano material, decorrente da perícia judicial que constatou os vícios de construção da obra, trazendo a seguinte argumentação: Conforme passará a demonstrar, trata-se de dissídio jurisprudencial que merece ser apreciado por esse tribunal, afinal, a decisão a quo deixou de considerar que em que pese o dano moral não ser presumido, não é possível afastá-lo pela mera ausência de prova concreta de abalo psíquico. A jurisprudência do c. STJ é clara no sentido de que o dano moral é comprovado pelas circunstâncias do caso concreto, bastando que tais circunstancias ultrapassem o aquilo que o cidadão médio deve experimentar em seu convívio social. Sobre o dano moral tem razão o Acórdão recorrido ao entender que não se trata de dano moral in re ipsa. Não se trata de dano moral que independe de qualquer prova ou evidência de qualquer consequência no âmbito pessoal da parte prejudicada. Neste processo o dano material está comprovado. Isso é incontroverso, tanto que foi mantida a condenação em dano material. Ao contrário do apregoado pela jurisprudência elencada na fundamentação do r. Acordão recorrido, a prova das circunstancias ensejadoras do dano moral é a condenação em dano material, decorrente de perícia judicial, e que sequer foi apreciada em sede recursal. (fls. 451-452). É o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, incidem as Súmulas n. 282/STF e 356/STF, porquanto a questão não foi examinada pela Corte de origem, tampouco foram opostos embargos de declaração para tal fim. Dessa forma, ausente o indispensável requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. 9. In casu, o art. 17, do Decreto 3.342/00, não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido, nem sequer foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de prequestioná-lo, razão pela qual impõe-se óbice instransponível ao conhecimento do recurso quanto ao aludido dispositivo". (REsp 963.528/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, Corte Especial, DJe de 4.2.2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.160.435/PE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe de 28.4.2011; REsp n. 1.730.826/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 12.2.2019; AgInt no AREsp n. 1.339.926/PR, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 15.2.2019; AgRg no REsp n. 1.849.115/SC, Rel. Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23.6.2020; AgRg no AREsp n. 2.022.133/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15.8.2022. Quanto à segunda controvérsia, incide a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que a parte recorrente deixou de indicar com precisão quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, o que atrai, por conseguinte, o enunciado da citada Súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17.3.2014.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.616.851/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21.8.2020; AgInt no AREsp 1.518.371/RJ, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 15.5.2020; AgInt no AREsp 1.552.950/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8.5.2020; AgInt no AREsp 1.023.256/SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 24.4.2020; e AgInt nos EDcl no AREsp 1.510.607/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º.4.2020. Ademais, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, tendo em vista que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados, não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 5.4.2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16.3.2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, Rel. Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º.8.2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13.8.2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3.6.2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12.5.2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28.4.2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 5.5.2021. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA